citação:Originalmente colocada por Y
O meu pai é desses da 4ª classe. Não é rico mas também não é pobre.
Trabalha na construção. É carpinteiro de 1ª. Já chegou a ter 50 empregados. Alguns trabalham com ele há 20 anos. Quando algum azar acontecia (acidente de trabalho) ficavam em minha casa a recuperar. Muitas das vezes, neste anos todos, eram os empregados que se sujeitavam aos acidentes - recusavam-se literalmente a usar capacete. O ordenado médio dos empregados é 1.500€. Alguns chegam a ganhar 2.500€. Concorreu muitas vezes a obras a perder dinheiro para não dispensar ninguém.
Tem neste momento uma dívida grande por causa desta prática.
Em tempos perdeu um livro de facturas (perdeu mesmo), pagou muito dinheiro às finanças porque não encontrou umas facturas anuladas. As finanças consideraram essas facturas anuladas como omitidas e vai de cobrar IVA e IRC sobre as mesmas (fizeram uma média pelas anteriores), além das respectivas coimas e juros de mora. Com esse dinheiro tinha comprado um bom carro novo.
Mais uma vez tem muito dinheiro a receber duma empresa em dificuldades. Essa empresa tinha uma obra para entregar num dado prazo. De forma a que pudesse receber o que lhe é devido, forçou um pouco alguns empregados em tempo de férias para que dessem um jeitinho e fossem trabalhar para entregar a obra no prazo previsto.
Ninguém apareceu.
Disse-me no outro dia: nunca mais me preocupo seja com quem fôr. Não há trabalho vão para a rua, acabou.
Chegou a esta conclusão um pouco depois dos 50.
Esta é a outra face dos exploradores (que também os há).