citação:25-08-2006
Inês Bação, aluna premiada pela Ordem dos Economistas, afirma
Subida das taxas de juro penaliza famílias e empresas
Na década de 90, sobretudo durante a segunda metade, o endividamento das famílias portuguesas registou um forte aumento.
«Algumas passaram a consumir mais do que o seu rendimento disponível, levantando a questão do sobreendividamento, ou seja, da sustentabilidade ou não do serviço da dívida a prazo», escreve Inês Bação, licenciada e aluna do Mestrado em Economia na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, num dos textos vencedores do Segundo Ciclo de Temas de Economia, promovido pela Ordem dos Economistas.
«O consumo privado tornara-se então o motor principal de crescimento da economia portuguesa. Hoje, o contexto é diferente e o modelo de crescimento português, assente na procura interna, evidencia sinais de esgotamento», refere.
Em Dezembro de 2005, pela primeira vez em cinco anos, o BCE aumentou a taxa de juro de referência na zona euro de 2% para 2,5%, abrindo caminho a um ciclo de novas subidas. «Tendo em atenção que a maioria dos empréstimos no nosso país, sobretudo para habitação, são contratados a taxa de juro variável, a sensibilidade das famílias portuguesas a eventuais aumentos dos juros é particularmente elevada.»
«Uma subida das taxas de juro irá arrefecer o consumo privado e agravar as prestações do crédito à habitação. Com uma maior fatia do rendimento das famílias a ser afecta ao serviço da dívida, tanto o consumo como a poupança saem penalizados», afirma Inês Bação.
Por outro lado,
«prevê-se que a ameaça real do desemprego e o indispensável reequilíbrio financeiro das famílias face ao excessivo endividamento irão acentuar a tendência de abrandamento do consumo privado. Não se afigura possível, desta forma, que o consumo privado continue a ser o dinamizador principal da economia nacional.»
«O elevado endividamento das famílias e a reduzida confiança fazem rever em baixa as expectativas das empresas quanto à evolução futura da procura, constituindo um desincentivo ao investimento.»
«Uma solução para ajudar a resolver o problema do excessivo endividamento das famílias portuguesas poderá ser a melhoria salarial sustentada pelo acréscimo da produtividade», conclui.
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