Sim, é verdade que, na elaboração dos proramas de História, se dá mais importância a umas épocas do que a outras. Contudo, não se esqueçam que a Historia, enquanto discipina escolar, tem a função de ajudar as crianças/jovens a ganhar uma identidade nacional.
E a identidade nacional faz-se, em grande medida, pela oposição entre o "nós" e "os outros". Neste caso, o "nós" (portugueses) opõem-se a dois "outros" (castelhanos e leoneses de um lado e muçulmanos de outro). Portugal nasceu da independência de um condado vassalo de Leão e Castela e cresceu à custa dos territórios muçulmanos da Península.
Mas não se espantem com este facto.
Por exemplo, durante o Estado Novo, havia a necessidade de "eliminar" as partes da História de Portugal onde se falasse, por exemplo, de eleições. Dai que os reis a seguir a D. João VI (D. Pedro IV. D. Miguel, D. Maria II, D. Pedro V, D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II) tivessem menos destaque do que os "heróicos" D. Afonso Henriques, D. João I ou D. Manuel I.
Aliás, num livro de História da época do Estado Novo, encontrei mesmo um dado interessante: Falava-se da Implantação da República (o 5 de Outubro), da participação portuguesa na I Guerra Mundial e na aventura de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Ao contrário de qualquer outro período da História citado naquele livro, não foi mencionado o nome de qualquer Presidente da República ou presidente do Conselho de Ministros do período entre 1910 e 1926. Misteriosamente, quase parecia que o País tinha saltado do deposto D. Manuel II para a revolução de 28 de Maio de 1926.