Hiper Planet abre hoje, no Centro Comercial Gran Via
Rádio Popular escolhe Vigo para iniciar internacionalização
A meta é ambiciosa. E não passa apenas pela abertura de uma loja em Vigo, em Lugo ou Ponferrada. Ilídio Silva, presidente do conselho de administração da Rádio Popular, quer liderar o melhor grupo de distribuição de electrodomésticos e material informático da Península Ibérica. Uma estratégia delineada há cinco anos cujo fruto começa precisamente hoje a nascer. O Centro Comercial Gran Via, em Vigo, vai acolher um novo espaço comercial de dois mil metros quadrados e com mais de 50 mil produtos em exposição. Preço, eficácia e qualidade. «Queremos ser melhores em tudo», diz Ilídio Silva.
Vida Económica - A Rádio Popular inaugura hoje uma loja em Vigo, iniciando desta forma a sua internacionalização. Espanha era o mercado mais natural para uma primeira abordagem?
Ilídio Silva - Há cinco anos, definimos que o nosso mercado seria o ibérico. Desde que assumimos, há sete anos, a responsabilidade da Rádio Popular, fizemos um desenvolvimento muito rápido. Na altura, eram cinco as lojas existentes, três delas desactualizadas. Hoje, temos 25 espaços completamente modernizados. Não vamos deixar de abrir lojas em Portugal mas almejamos ser um forte grupo na Península Ibérica. Somos uma grande empresa e para obtermos economias de escala temos de trabalhar o mercado ibérico. Por outro lado, acabamos por perceber, das visitas que fizemos a Espanha, que Portugal tem um grande know-how na distribuição. Até me atrevo a dizer que, em termos de distribuição e comércio, é o país mais concorrencial do mundo. Se a nossa indústria estivesse como está o nosso comércio, o país estaria bem.
VE - Em termos de fornecedores, como é que o processo vai ser gerido, já que sabemos que lida com marcas multinacionais?
IS- O centro logístico vai continuar a ser no Porto. Como disse, a maioria dos nossos fornecedores são multinacionais mas a estratégia vai ser a partir de Portugal alimentar o mercado galego. Digamos que vamos ser re-exportadores da mercadoria que Portugal importa. Além disso, já fizemos um acordo no qual vamos dar preferência a quatro grandes fabricantes portugueses de electrodomésticos: as máquinas de café Briel, os Fogões Meireles, uma empresa de arcas congeladoras de Aveiro e uma fábrica de frigoríficos, Minifrio, da Trofa. Também posso dizer-lhe que a internacionalização da Rádio Popular, para além de ajudar marcas nacionais, criou postos de trabalho a portugueses. A maioria das empresas que está a fazer obras nas nossas lojas em Espanha é portuguesa.
VE - Para além de Vigo, que abre hoje no Centro Comercial Gran Via, vão abrir uma loja em Lugo e outra em Ponferrada. Estamos a falar de que investimento?
IS - Este ano vamos fazer em Espanha um investimento de seis milhões de euros. Para o ano está previsto um investimento de três milhões. Mas o empreiteiro é português, o folheto vai ser feito em Portugal, a empresa que os vai distribuir é portuguesa, a empresa que colocou a alcatifa é portuguesa... Estamos em Espanha mas a dar trabalho às empresas nacionais.
VE - Mas porquê?
IS - Porque as conhecemos. Não temos nada contra as empresas espanholas.
VE - Então é uma questão de patriotismo ou as empresas portuguesas têm uma melhor oferta?
IS - Demos preferência às empresas portuguesas porque simplesmente sabemos que são capazes. A loja do Dragão foi considerada pelos especialistas uma das melhores lojas da especialidade da Europa. Foi feita totalmente por portugueses. E assim vamos continuar por uma questão de relação de confiança. Nem pedimos orçamentos a empresas espanholas.
VE - Quando prevêem o retorno do investimento no mercado ibérico?
IS - Nunca em menos de oito ou 10 anos. Hoje, a concorrência é muito grande neste sector. Tanto que nem sequer é apetecível para os capitais de risco#8230; Na distribuição o retorno é sempre a médio prazo.
VE - Admite haver uma contracção do consumo em Portugal e essa ser outra razão para avançar para Espanha?
IS - Este ano já se nota uma contracção efectiva deste mercado. Mas nós já desenhámos a nossa estratégia há cinco anos. Preparámo-nos para esta contracção, reduzindo uma série de custos. E até penso que esta contracção vai continuar. Outro problema deste sector é haver uma grande desinflação. Pelo que temos de ter uma política muito realista, assertiva e eficaz nos stocks porque senão perdemos dinheiro.
VE - Ir para a Galiza foi então sobretudo uma questão de estratégia?
IS - Exactamente. O Porto está muito bem localizado para fazer negócio do Algarve até à Corunha. Portugal e Galiza são 12,5 milhões de pessoas. Penso ser a zona mais populosa da Península Ibérica. Mas depois de estarmos solidificados na Galiza queremos muito mais#8230; somos ambiciosos.
VE - A tal estratégia de internacionalização traçada há cinco anos prevê a «conquista» de mais algum país que não a Espanha?
IS - Para já, apenas a Espanha. Felizmente temos este vizinho rico, com 40 milhões de pessoas e outros tantos turistas. Penso que se em 2012 tivermos projecção na Península Ibérica ficaríamos muito felizes e achávamos que seria uma dimensão razoável em termos europeus.
VE - E como é o cliente espanhol? Os portugueses são conhecidos por serem muito exigentes nesta área...
IS - Neste momento, o cliente espanhol é muito semelhante ao português, com a vantagem de que tem mais poder de compra e talvez por isso dê mais relevo às marcas sonantes. Já o português é um consumidor mais inteligente. Olha para a relação preço/características/performance, em detrimento da marca. É um mercado que tem umas margens maiores do que as nossas porque o IVA é de 16% e os preços são ainda mais caros do que aqui. Em Espanha há menos concorrência, pelo que as margens não são tão esmagadas como em Portugal.
VE - Vão apostar mais nas marcas de fabricantes ou na Electronia, que é da Rádio Popular?
IS - Posso garantir que os produtos Electronia são de qualidade e muito mais baratos. Acho que teremos futuro se pensarmos no consumidor final. E é isso que tentamos fazer com a nossa marca. Mas obviamente que não é fácil desenvolver uma marca num país do tamanho do nosso. Será muito mais fácil se tivermos dimensão ibérica.
VE - E como é que a Rádio Popular se vai apresentar ao mercado? Vão marcar a diferença pelo preço?
IS - Pelo preço, pela eficácia e pela qualidade da loja. Queremos ser melhores em tudo. Temos 40 postos de trabalho espanhóis que estiveram a fazer quatro meses de formação localmente.
VE - Tiveram que optar por Hiper Planet, já que existe uma cadeia de emissoras de rádio com o nome Rádio Popular. Incomodou-vos não poderem usar a mesma designação que em Portugal?
IS - Não. O nome Hiper Planet é feliz e dinâmico. O sucesso ou insucesso não vai com certeza passar por aí.
VE - Os custos com os postos de trabalho são semelhantes em Portugal e Espanha?
IS - Não. O trabalho é mais caro em Espanha entre 40 e 50%. Mas como o mercado é mais alto 50%, os custos de trabalho acabam por ser mais ou menos iguais. Estima-se que cada português compre, por ano, entre 200 e 225 euros de electrodomésticos. Este valor em Espanha ascende aos 300 euros. Aliás, Espanha é o mercado que mais consome electrodomésticos per capita da Europa.
VE - A estratégia para Portugal continua a mesma?
IS - Continua. Este ano vamos abrir mais duas lojas. Em Viana do Castelo, em Setembro, e em Ovar.
Rádio Popular escolhe Vigo para iniciar internacionalização
A meta é ambiciosa. E não passa apenas pela abertura de uma loja em Vigo, em Lugo ou Ponferrada. Ilídio Silva, presidente do conselho de administração da Rádio Popular, quer liderar o melhor grupo de distribuição de electrodomésticos e material informático da Península Ibérica. Uma estratégia delineada há cinco anos cujo fruto começa precisamente hoje a nascer. O Centro Comercial Gran Via, em Vigo, vai acolher um novo espaço comercial de dois mil metros quadrados e com mais de 50 mil produtos em exposição. Preço, eficácia e qualidade. «Queremos ser melhores em tudo», diz Ilídio Silva.
Vida Económica - A Rádio Popular inaugura hoje uma loja em Vigo, iniciando desta forma a sua internacionalização. Espanha era o mercado mais natural para uma primeira abordagem?
Ilídio Silva - Há cinco anos, definimos que o nosso mercado seria o ibérico. Desde que assumimos, há sete anos, a responsabilidade da Rádio Popular, fizemos um desenvolvimento muito rápido. Na altura, eram cinco as lojas existentes, três delas desactualizadas. Hoje, temos 25 espaços completamente modernizados. Não vamos deixar de abrir lojas em Portugal mas almejamos ser um forte grupo na Península Ibérica. Somos uma grande empresa e para obtermos economias de escala temos de trabalhar o mercado ibérico. Por outro lado, acabamos por perceber, das visitas que fizemos a Espanha, que Portugal tem um grande know-how na distribuição. Até me atrevo a dizer que, em termos de distribuição e comércio, é o país mais concorrencial do mundo. Se a nossa indústria estivesse como está o nosso comércio, o país estaria bem.
VE - Em termos de fornecedores, como é que o processo vai ser gerido, já que sabemos que lida com marcas multinacionais?
IS- O centro logístico vai continuar a ser no Porto. Como disse, a maioria dos nossos fornecedores são multinacionais mas a estratégia vai ser a partir de Portugal alimentar o mercado galego. Digamos que vamos ser re-exportadores da mercadoria que Portugal importa. Além disso, já fizemos um acordo no qual vamos dar preferência a quatro grandes fabricantes portugueses de electrodomésticos: as máquinas de café Briel, os Fogões Meireles, uma empresa de arcas congeladoras de Aveiro e uma fábrica de frigoríficos, Minifrio, da Trofa. Também posso dizer-lhe que a internacionalização da Rádio Popular, para além de ajudar marcas nacionais, criou postos de trabalho a portugueses. A maioria das empresas que está a fazer obras nas nossas lojas em Espanha é portuguesa.
VE - Para além de Vigo, que abre hoje no Centro Comercial Gran Via, vão abrir uma loja em Lugo e outra em Ponferrada. Estamos a falar de que investimento?
IS - Este ano vamos fazer em Espanha um investimento de seis milhões de euros. Para o ano está previsto um investimento de três milhões. Mas o empreiteiro é português, o folheto vai ser feito em Portugal, a empresa que os vai distribuir é portuguesa, a empresa que colocou a alcatifa é portuguesa... Estamos em Espanha mas a dar trabalho às empresas nacionais.
VE - Mas porquê?
IS - Porque as conhecemos. Não temos nada contra as empresas espanholas.
VE - Então é uma questão de patriotismo ou as empresas portuguesas têm uma melhor oferta?
IS - Demos preferência às empresas portuguesas porque simplesmente sabemos que são capazes. A loja do Dragão foi considerada pelos especialistas uma das melhores lojas da especialidade da Europa. Foi feita totalmente por portugueses. E assim vamos continuar por uma questão de relação de confiança. Nem pedimos orçamentos a empresas espanholas.
VE - Quando prevêem o retorno do investimento no mercado ibérico?
IS - Nunca em menos de oito ou 10 anos. Hoje, a concorrência é muito grande neste sector. Tanto que nem sequer é apetecível para os capitais de risco#8230; Na distribuição o retorno é sempre a médio prazo.
VE - Admite haver uma contracção do consumo em Portugal e essa ser outra razão para avançar para Espanha?
IS - Este ano já se nota uma contracção efectiva deste mercado. Mas nós já desenhámos a nossa estratégia há cinco anos. Preparámo-nos para esta contracção, reduzindo uma série de custos. E até penso que esta contracção vai continuar. Outro problema deste sector é haver uma grande desinflação. Pelo que temos de ter uma política muito realista, assertiva e eficaz nos stocks porque senão perdemos dinheiro.
VE - Ir para a Galiza foi então sobretudo uma questão de estratégia?
IS - Exactamente. O Porto está muito bem localizado para fazer negócio do Algarve até à Corunha. Portugal e Galiza são 12,5 milhões de pessoas. Penso ser a zona mais populosa da Península Ibérica. Mas depois de estarmos solidificados na Galiza queremos muito mais#8230; somos ambiciosos.
VE - A tal estratégia de internacionalização traçada há cinco anos prevê a «conquista» de mais algum país que não a Espanha?
IS - Para já, apenas a Espanha. Felizmente temos este vizinho rico, com 40 milhões de pessoas e outros tantos turistas. Penso que se em 2012 tivermos projecção na Península Ibérica ficaríamos muito felizes e achávamos que seria uma dimensão razoável em termos europeus.
VE - E como é o cliente espanhol? Os portugueses são conhecidos por serem muito exigentes nesta área...
IS - Neste momento, o cliente espanhol é muito semelhante ao português, com a vantagem de que tem mais poder de compra e talvez por isso dê mais relevo às marcas sonantes. Já o português é um consumidor mais inteligente. Olha para a relação preço/características/performance, em detrimento da marca. É um mercado que tem umas margens maiores do que as nossas porque o IVA é de 16% e os preços são ainda mais caros do que aqui. Em Espanha há menos concorrência, pelo que as margens não são tão esmagadas como em Portugal.
VE - Vão apostar mais nas marcas de fabricantes ou na Electronia, que é da Rádio Popular?
IS - Posso garantir que os produtos Electronia são de qualidade e muito mais baratos. Acho que teremos futuro se pensarmos no consumidor final. E é isso que tentamos fazer com a nossa marca. Mas obviamente que não é fácil desenvolver uma marca num país do tamanho do nosso. Será muito mais fácil se tivermos dimensão ibérica.
VE - E como é que a Rádio Popular se vai apresentar ao mercado? Vão marcar a diferença pelo preço?
IS - Pelo preço, pela eficácia e pela qualidade da loja. Queremos ser melhores em tudo. Temos 40 postos de trabalho espanhóis que estiveram a fazer quatro meses de formação localmente.
VE - Tiveram que optar por Hiper Planet, já que existe uma cadeia de emissoras de rádio com o nome Rádio Popular. Incomodou-vos não poderem usar a mesma designação que em Portugal?
IS - Não. O nome Hiper Planet é feliz e dinâmico. O sucesso ou insucesso não vai com certeza passar por aí.
VE - Os custos com os postos de trabalho são semelhantes em Portugal e Espanha?
IS - Não. O trabalho é mais caro em Espanha entre 40 e 50%. Mas como o mercado é mais alto 50%, os custos de trabalho acabam por ser mais ou menos iguais. Estima-se que cada português compre, por ano, entre 200 e 225 euros de electrodomésticos. Este valor em Espanha ascende aos 300 euros. Aliás, Espanha é o mercado que mais consome electrodomésticos per capita da Europa.
VE - A estratégia para Portugal continua a mesma?
IS - Continua. Este ano vamos abrir mais duas lojas. Em Viana do Castelo, em Setembro, e em Ovar.