PeLeve
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Será apenas desta forma que alguns "seres" se sentem homens?...[8][8][8]
"Uma em cada cinco mulheres portuguesas – 20 por cento – é vítima de violência doméstica. Estes são os últimos dados da Amnistia Internacional (AI) Portugal, divulgados ontem por ocasião do lançamento do relatório ‘Mulheres (In)Visíveis’, integrado na campanha internacional ‘Acabar com a Violência Sobre as Mulheres’.
Os números são assustadores mas, de acordo com Cláudia Pedra, presidente da AI Portugal, é muito provável que, ainda assim, “estejam distantes da realidade”, uma vez que “há muitas mulheres que continuam a sofrer em silêncio”.
Segundo o relatório ‘Mulheres (In)Visíveis’, em 2005 foram apresentadas à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) 12 809 queixas de violência doméstica. Destas, apenas 9815 chegaram à PSP e 8377 foram denunciadas à GNR. Ainda de acordo com o estudo, a grande maioria das vítimas tem entre 26 e 45 anos, mais ou menos a mesma idade do agressor que, na maioria dos casos, é o próprio cônjuge.
Os crimes mais registados nas várias instituições são as ofensas à integridade física voluntária simples e grave e os maus tratos e sobrecarga de menores, incapazes ou cônjuge. As agressões surgem sob as mais variadas formas, incluindo com uso de armas de defesa e de caça. Por último, o relatório deixa a descoberto que é nas grandes cidades, Lisboa (30 por cento) e Porto (21,6 por cento) que surge a maioria das queixas.
Elaborado por Filipa Alvim, ‘Mulheres (In)Visíveis’ pretende pôr termo aos números alarmantes da violência doméstica sobre as mulheres em Portugal. Só em 2005, 33 portuguesas morreram às mãos dos maridos, antigos namorados ou parceiros. “Este mais não é do que um crime de violação dos Direitos Hu- manos, por isso há que começar por consciencializar a opinião pública para este grave problema. Utilizar, por exemplo, o sistema de educação para desafiar preconceitos”, sugere a autora do relatório. É esse, aliás, um dos 14 pontos do programa para a Prevenção da Violência Doméstica da AI: lançar campanhas de sensibilização nas escolas. “Se 40 por cento das agressões começam aos 25 anos, algumas até antes, na fase de namoro, isso significa que a educação falhou”, diz Filipa Alvim.
Reestruturar a Linha Verde de Apoio à Vítima, providenciar novas casas de abrigo para mulheres que fogem da violência e promover formação profissional específica para facilitar a sua inserção na sociedade são outras medidas que a AI tem na manga e que pretende fazer chegar às várias entidades.
É que, não correspondendo estes números às verdadeiras cifras negras, não é de estranhar que Portugal esteja mais perto da média mundial – uma em cada três, do que a média europeia – uma em cada cinco, no que se refere ao número de mulheres vítimas de violência doméstica. Quem o diz é a própria AI.
'PRIVACIDADE JÁ NÃO É DESCULPA'
“A sociedade deixou de entender as agressões produzidas dentro do casamento como uma questão de privacidade conjugal”. Para João Lázaro, presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), “a privacidade deixou de ser vista como uma desculpa para familiares e amigos não denunciarem situações em que um dos cônjuges é vítima de agressões”.
O velho ditado ‘Entre marido e mulher ninguém mete a colher’ parece assim ter caído em desuso na sociedade portuguesa perante o crescente número de queixas que a APAV recebe: cerca de 12 mil no último ano. O presidente da associação sublinha que há ainda muito a fazer para terminar com o flagelo.
'CHAGA SOCIAL QUE ENVERGONHA'
“A violência doméstica é uma chaga social que nos envergonha e nos deixa malvistos aos olhos da Europa”. Frente à Igreja de Marco de Canaveses, em Julho, o Presidente Cavaco Silva curvou-se perante silhuetas que representavam as vítimas de violência doméstica.
No âmbito do Roteiro para a Inclusão, o Presidente frisou que já é tempo de “quebrar a barreira de silêncio”. Na sequência da campanha lançada por Cavaco Silva, a Igreja Católica convidou os párocos para que nos sermões consciencializassem os fiéis contra a violência doméstica. Também o Pacto da Justiça contempla este problema.
SAIBA MAIS
360 MILHÕES DE EUROS
O custo social estimado da violência doméstica em Portugal atinge, por ano, cerca de 360 milhões de euros. Por dia é quase um milhão de euros.
19 MIL SÓ NO PORTO
Entre 2000 e 2005, 19 328 casos de violência doméstica foram participados às autoridades no Porto, mais 2679 do que em Lisboa, onde se registaram 16 649. Setúbal, com 7692, fica em terceiro lugar.
GRÁVIDAS
Segundo um estudo da maternidade do Hospital de São João, no Porto, 10,8% das mulheres portuguesas sofreu agressões físicas durante a gravidez.
499 DETIDOS PELA PSP
De 2000 a 2005 a PSP deteve 499 suspeitos de crimes de violência doméstica.
900 EM INSTITUIÇÕES
Cerca de 900 mulheres agredidas estão com os filhos em instituições de apoio social.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTINUA A MATAR
Cresce o número daqueles que morrem nas mãos dos familiares. Estatísticas da PSP e da GNR retrataram que entre 2000 e 2004 morreram 88 mulheres, num total de 112 homicídios em contexto de violência doméstica. Em 2005 foram mortas 33 mulheres, segundo a Polícia Judiciária, e nos primeiros cinco meses deste ano morreram 12 mulheres. Desde Junho foram noticiados pelo menos mais 12 casos mortais.
DADOS DE 2005:
PORTUGAL
População: 10,6 milhões
Número de mulheres mortas: 33
ESPANHA
População: 44,3 milhões
Número de mulheres mortas: 73
DOZE CASOS NOTICIADOS EM QUATRO MESES
1 DE JUNHO: Estrangulou a mulher
Depois de estrangular a mulher, em Meda, na Guarda, o marido fugiu para Espanha. Foi apanhado em Junho devido a suspeita de maus tratos.
5 DE JUNHO: Morto a tiro pelo pai
Em Gaia, um pai matou o filho com um tiro, depois de este o ameaçar, pedindo-lhe dinheiro para a droga.
17 DE JUNHO: Esfaqueou o Marido
Em Castro Daire, uma mulher de 43 anos matou o marido, espetando-lhe uma faca no pescoço.
5 DE AGOSTO: Morta a tiro
Uma mulher de 53 anos foi morta com um tiro na nuca, em Mira de Aire, por antigo namorado de 47 anos.
6 DE AGOSTO: Queimada com gasolina
Em Alcobaça, um homem de 37 anos regou com gasolina a mulher de 26 anos e deitou-lhe fogo. Depois de matar a mulher, enforcou-se.
7 DE AGOSTO: Esfaqueada até à morte
Um homem de 46 anos esfaqueou com onze golpes a mulher de 33 anos, em Longra, Mirandela. A mulher não resistiu aos ferimentos.
27 DE AGOSTO: Morta na Cama
Encontrada morta na cama, uma mulher de 44 anos apresentava sinais de violência doméstica.
7 DE SETEMBRO: Morta à facada
No Porto, um homem de 76 anos matou a mulher de 78 com uma facada no pescoço.
7 DE SETEMBRO: Morto a tiro
Em Faro, um homem de 40 anos matou o sogro com um tiro nas costas. A mulher e a sogra também foram alvejadas.
14 DFE SETEMBRO: Pedrada na cabeça
Em Barcelos, um homem de 36 anos bateu com uma pedra na cabeça da amante, de 34, provocando-lhe a morte.
26 DE SETEMBRO: Matou à machadada
Um cabo-verdiano utilizou um machado para matar a mulher de 30 anos. Antes do crime ligou aos sogros a avisar.
28 DE SETEMBRO: Morta à facada
Uma mulher de 48 anos foi morta à facada pelo marido, em Quarteira, no Algarve."
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=216656&idselect=9&idCanal=9&p=200
"Uma em cada cinco mulheres portuguesas – 20 por cento – é vítima de violência doméstica. Estes são os últimos dados da Amnistia Internacional (AI) Portugal, divulgados ontem por ocasião do lançamento do relatório ‘Mulheres (In)Visíveis’, integrado na campanha internacional ‘Acabar com a Violência Sobre as Mulheres’.
Os números são assustadores mas, de acordo com Cláudia Pedra, presidente da AI Portugal, é muito provável que, ainda assim, “estejam distantes da realidade”, uma vez que “há muitas mulheres que continuam a sofrer em silêncio”.
Segundo o relatório ‘Mulheres (In)Visíveis’, em 2005 foram apresentadas à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) 12 809 queixas de violência doméstica. Destas, apenas 9815 chegaram à PSP e 8377 foram denunciadas à GNR. Ainda de acordo com o estudo, a grande maioria das vítimas tem entre 26 e 45 anos, mais ou menos a mesma idade do agressor que, na maioria dos casos, é o próprio cônjuge.
Os crimes mais registados nas várias instituições são as ofensas à integridade física voluntária simples e grave e os maus tratos e sobrecarga de menores, incapazes ou cônjuge. As agressões surgem sob as mais variadas formas, incluindo com uso de armas de defesa e de caça. Por último, o relatório deixa a descoberto que é nas grandes cidades, Lisboa (30 por cento) e Porto (21,6 por cento) que surge a maioria das queixas.
Elaborado por Filipa Alvim, ‘Mulheres (In)Visíveis’ pretende pôr termo aos números alarmantes da violência doméstica sobre as mulheres em Portugal. Só em 2005, 33 portuguesas morreram às mãos dos maridos, antigos namorados ou parceiros. “Este mais não é do que um crime de violação dos Direitos Hu- manos, por isso há que começar por consciencializar a opinião pública para este grave problema. Utilizar, por exemplo, o sistema de educação para desafiar preconceitos”, sugere a autora do relatório. É esse, aliás, um dos 14 pontos do programa para a Prevenção da Violência Doméstica da AI: lançar campanhas de sensibilização nas escolas. “Se 40 por cento das agressões começam aos 25 anos, algumas até antes, na fase de namoro, isso significa que a educação falhou”, diz Filipa Alvim.
Reestruturar a Linha Verde de Apoio à Vítima, providenciar novas casas de abrigo para mulheres que fogem da violência e promover formação profissional específica para facilitar a sua inserção na sociedade são outras medidas que a AI tem na manga e que pretende fazer chegar às várias entidades.
É que, não correspondendo estes números às verdadeiras cifras negras, não é de estranhar que Portugal esteja mais perto da média mundial – uma em cada três, do que a média europeia – uma em cada cinco, no que se refere ao número de mulheres vítimas de violência doméstica. Quem o diz é a própria AI.
'PRIVACIDADE JÁ NÃO É DESCULPA'
“A sociedade deixou de entender as agressões produzidas dentro do casamento como uma questão de privacidade conjugal”. Para João Lázaro, presidente da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), “a privacidade deixou de ser vista como uma desculpa para familiares e amigos não denunciarem situações em que um dos cônjuges é vítima de agressões”.
O velho ditado ‘Entre marido e mulher ninguém mete a colher’ parece assim ter caído em desuso na sociedade portuguesa perante o crescente número de queixas que a APAV recebe: cerca de 12 mil no último ano. O presidente da associação sublinha que há ainda muito a fazer para terminar com o flagelo.
'CHAGA SOCIAL QUE ENVERGONHA'
“A violência doméstica é uma chaga social que nos envergonha e nos deixa malvistos aos olhos da Europa”. Frente à Igreja de Marco de Canaveses, em Julho, o Presidente Cavaco Silva curvou-se perante silhuetas que representavam as vítimas de violência doméstica.
No âmbito do Roteiro para a Inclusão, o Presidente frisou que já é tempo de “quebrar a barreira de silêncio”. Na sequência da campanha lançada por Cavaco Silva, a Igreja Católica convidou os párocos para que nos sermões consciencializassem os fiéis contra a violência doméstica. Também o Pacto da Justiça contempla este problema.
SAIBA MAIS
360 MILHÕES DE EUROS
O custo social estimado da violência doméstica em Portugal atinge, por ano, cerca de 360 milhões de euros. Por dia é quase um milhão de euros.
19 MIL SÓ NO PORTO
Entre 2000 e 2005, 19 328 casos de violência doméstica foram participados às autoridades no Porto, mais 2679 do que em Lisboa, onde se registaram 16 649. Setúbal, com 7692, fica em terceiro lugar.
GRÁVIDAS
Segundo um estudo da maternidade do Hospital de São João, no Porto, 10,8% das mulheres portuguesas sofreu agressões físicas durante a gravidez.
499 DETIDOS PELA PSP
De 2000 a 2005 a PSP deteve 499 suspeitos de crimes de violência doméstica.
900 EM INSTITUIÇÕES
Cerca de 900 mulheres agredidas estão com os filhos em instituições de apoio social.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTINUA A MATAR
Cresce o número daqueles que morrem nas mãos dos familiares. Estatísticas da PSP e da GNR retrataram que entre 2000 e 2004 morreram 88 mulheres, num total de 112 homicídios em contexto de violência doméstica. Em 2005 foram mortas 33 mulheres, segundo a Polícia Judiciária, e nos primeiros cinco meses deste ano morreram 12 mulheres. Desde Junho foram noticiados pelo menos mais 12 casos mortais.
DADOS DE 2005:
PORTUGAL
População: 10,6 milhões
Número de mulheres mortas: 33
ESPANHA
População: 44,3 milhões
Número de mulheres mortas: 73
DOZE CASOS NOTICIADOS EM QUATRO MESES
1 DE JUNHO: Estrangulou a mulher
Depois de estrangular a mulher, em Meda, na Guarda, o marido fugiu para Espanha. Foi apanhado em Junho devido a suspeita de maus tratos.
5 DE JUNHO: Morto a tiro pelo pai
Em Gaia, um pai matou o filho com um tiro, depois de este o ameaçar, pedindo-lhe dinheiro para a droga.
17 DE JUNHO: Esfaqueou o Marido
Em Castro Daire, uma mulher de 43 anos matou o marido, espetando-lhe uma faca no pescoço.
5 DE AGOSTO: Morta a tiro
Uma mulher de 53 anos foi morta com um tiro na nuca, em Mira de Aire, por antigo namorado de 47 anos.
6 DE AGOSTO: Queimada com gasolina
Em Alcobaça, um homem de 37 anos regou com gasolina a mulher de 26 anos e deitou-lhe fogo. Depois de matar a mulher, enforcou-se.
7 DE AGOSTO: Esfaqueada até à morte
Um homem de 46 anos esfaqueou com onze golpes a mulher de 33 anos, em Longra, Mirandela. A mulher não resistiu aos ferimentos.
27 DE AGOSTO: Morta na Cama
Encontrada morta na cama, uma mulher de 44 anos apresentava sinais de violência doméstica.
7 DE SETEMBRO: Morta à facada
No Porto, um homem de 76 anos matou a mulher de 78 com uma facada no pescoço.
7 DE SETEMBRO: Morto a tiro
Em Faro, um homem de 40 anos matou o sogro com um tiro nas costas. A mulher e a sogra também foram alvejadas.
14 DFE SETEMBRO: Pedrada na cabeça
Em Barcelos, um homem de 36 anos bateu com uma pedra na cabeça da amante, de 34, provocando-lhe a morte.
26 DE SETEMBRO: Matou à machadada
Um cabo-verdiano utilizou um machado para matar a mulher de 30 anos. Antes do crime ligou aos sogros a avisar.
28 DE SETEMBRO: Morta à facada
Uma mulher de 48 anos foi morta à facada pelo marido, em Quarteira, no Algarve."
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=216656&idselect=9&idCanal=9&p=200