João Dias TSF

Vamos admitir por momentos que o Sr. João Dias tem razão:

"O excesso de velocidade é o pai de todos o males nas estradas portuguesas!"

A primeira dúvida que me surge é a de saber o que entende o Sr. João Dias por excesso de velocidade:

1) Excesso de velocidade relativamente ao limite legalmente imposto?

2) Excesso de velocidade relativamente ao estado da via?

3) Excesso de velocidade relativamente ao traçado?

4) Excesso de velocidade relativamente às condições climatéricas ou tráfego?

5) Excesso de velocidade relativamente às aptidões automobilisticas ou estado de espírito do condutor?

6) Excesso de velocidade relativamente ao estado e qualidade da viatura?

7) Excesso de velocidade relativamente à visibilidade existente?

8) Excesso de velocidade relativamente à deficiente sinalização existente para um traçado desconhecido?

9) Excesso de velocidade relativamente à ausência da brigada de trânsito e do seu papel dissuasor nas zonas perigosas?

10) Ou a conjugação de todas elas?


Meu caro Sr. João Dias, agora que penso nisto, o Sr. tem toda a razão: o "excesso de velocidade" é o pai de todos os males - e é por isso que cada vez mais me convenço que num mundo cada vez mais rápido onde VELOCIDADE é a palavra de ordem não é a velocidade que vamos conseguir ou devemos combater mas UNICAMENTE as razões porque se pode tornar excessiva.

É agora absolutamente óbvio que o combate ao excesso de velocidade relativamente aos limites legalmente impostos - o único excesso pelo qual somos, na prática, legal e oficialmente punidos - NUNCA poderá evitar a sinistralidade nas estradas pois tais limites por mais criteriosos que sejam (o que manifestamente não é o caso) NUNCA reflectirão a realidade de todos os outros excessos, que embora relacionados não dependem directamente dos primeiros.

Lembre-se sempre que a velocidade de 180km/h no carro certo, na estrada certa (piso, traçado, sinalização) com o condutor certo e nas condições de circulação certas (climatéricas, de tráfego, visibilidade etc...) nunca poderá ser considerado excesso de velocidade, MAS já a velocidade de 50km/h com o condutor errado, na estrada errada e com o carro errado pode ser um autêntico desastre e claramente excesso de velocidade.

Enquanto o objectivo do homem, praticamente desde que se conhece, for ligar o ponto A ao ponto B no menor tempo possível é TOTAL perda tempo e energia tentar evitá-lo!!!

Solução?! Criar máquinas e vias cada vez mais rápidas MAS IGUALMENTE MAIS SEGURAS. A isto eu chamo progresso! A indústria automóvel tem-se esforçado e tem feito o seu papel... e nós?! Será que temos feito o nosso?!

O homem?! Bem... esse é sempre o mesmo, terá sempre as mesmas limitações de ser homem, seja a pilotar o "space shuttle" seja ao volante de um automóvel! Por isso temos que lhe assegurar, tanto quanto possível, as melhores condições de circulação, seja em viagem para o espaço seja em viagem para o trabalho às 9 da manhã!

Já agora, uma pergunta:

O que dizem os seus manuais relativamente ao facto de nas auto-estradas, onde as velocidades praticadas são sem a mínima dúvida as mais elevadas e quase sempre em excesso relativamente ao limite legal, se verificar a menor percentagem de acidentes rodoviários?
 
Last edited:
ainda bem que somos todos especialistas em física e conseguimos fazer testes rigorosos de travagem a olhómetro e sabemos que um ferrari DE CERTEZA que trava em menor distância dos 200km/h aos 0 do que uma famel-zundapp dos 60km/h ao 0...

E sabemos distinguir as consequências dos acidentes (causados pela distração ou "estupidez e/ou inaptidão dos outros", obviamente) a 90km/h ou a 160km/h.

Antes de fugir gostava de dizer que acho que deviamos fechar todos os establecimentos de ensino. É ponto assente que neste país toda a gente tem opinião sobre tudo (e muito bem). Mau é ter a certeza que se é autoridade na matéria em tudo.

É natural que qualquer bom economista seja expert em questões climáticas ou mesmo em neurologia. Já em questões de economia, pode facilmente ser desautorizado pelo motorista da rodoviária nacional (sim, eu sei que sou autoridade na matéria para dizer que a RN já não existe) ou pelo pescador de sesimbra.

cumps
 
Análise muito interessante, mas não percebi qual é o problema [;)]

Existem dúvidas que a velocidade ou o alcóol são das principais causas de morte em acidentes rodoviários ?

E que as distracções são das principais causas de acidentes ?

Será que devo avaliar os acidentes devem ser avaliados pela posição social ou socio-economica das pessoas, ou pelo carro que conduzem. Existem sem dúvidas relações, como por exemplo os jovens envolvem-se mais em acidentes e em acidentes mais graves. Mas devemos concluir o quê, que são mais irresponsáveis, que tiveram pior ensino de condução, que são menos cívicos ? (Bom agora está na hora de "fugir" [:D])

Eu é que não percebo qual é o problema...:confused: (tirando obviamente o facto de uma análise a TODAS as causas prováveis de um determinado incidente ser longa e difícil e introduzir variáveis não-formais na determinação "científica" do dito)...[:D]

Os acidentes rodoviários, por envolverem pessoas, assumem a mesma complexidade que atribuimos a qualquer actividade onde se envolvam sapiens sapiens.

A vertente sociológica, os aspectos culturais, os problemas de educação e formação, os simples estados de espiríto (pessoais, conjunturais e - mais globalmente - estruturais e estruturantes da sociedade) não constam dos relatórios, sempre científicamente asseados e assépticos, da "ciência" que estuda os acidentes.

Mas haverá algum problema em admitir que se poderia fazer estatísticas mais completas (e úteis) se se elencassem todas as variáveis e não só o sexo, idade, hora e local do acidente... Se cruzássemos por exemplo, entre as centenas de variáveis possíveis, a existência de mecanismos de segurança passiva e uma avaliação (por muito subjectiva) dos níveis de segurança activa dos veículos, com a taxa de recorrência de acidentes com determinada marca/modelo ou com as taxas de lesões ou sobrevivência a acidentes.

Será que a poderosa indústria também consegue enviesar por defeito a acção científica?

Se existem dúvidas que a velocidade ou o alcóol são das principais causas de morte em acidentes rodoviários ? Claro que não, mas não são, nem humanamente o poderíamos aceitar, as únicas e - raramente, da minha experiência - ocorrem exclusivamente.

As mudanças sociais, do padrão psicológico e moral das sociedades, ditou que, num período de anos relativamente curto, deixassem de existir escarradouros nos lugares públicos e a arte de cuspir para o chão passasse a ser socialmente reprovável, em lugar de ser comummente aceite. Beijar uma moçoila garbosa na via pública também deixou - num lapso de tempo - de constituir um atentado ao pudor. As mulheres passaram a poder usar calças, a votar e a trabalhar.

São vitórias da civilidade (há quem lhe chame formação, informação e educação), construídas a partir da evolução do padrão social.

O mesmo terá de passar-se com a condução. Inevitavelmente.

Mas para isso temos - necessáriamente - que evoluir. E podemos começar já pelo ramo mais viçoso da àrvore dessa evolução: o da ciência que estude todas as reais causas dos acidentes.
 
Acho que vocês estão a ver o filme de muito perto! E isso faz mal aos olhos!

É claro que a velocidade não é a causa de maior parte dos acidentes, é sim uma parte das causas. Agora juntem velocidade em excesso numa localidade (50 km/h) e um condutor distraído. Como se controla um condutor distraído? Uma estrada sem visibilidade? O bom senso dos condutores?...
Algumas respostas serão: Culpa-se o governo, culpa-se as escolas de condução!
Como?
Aqui um exemplo, os telemóveis! Está mais que provado que o uso de telemóveis provoca distracções ao conduzir, já toda a gente sabe que é proibido, mas de certeza que virá aqui um chamar nos de ursos porque ele consegue conduzir com telemóvel, fazer a barba e dar um cachaço no puto ao lado, e tudo ao mesmo tempo! E que essa proibição não passa de uma maneira de ir nos aos bolsos!
Da mesma maneira que existem pessoas que acham que a 140km/h vão melhor e são mais seguros que muitos a 50km/h. Agora pergunto vos, quem vos deu autoridade para dizerem que conduzem melhor que condutor X? Ah pois é!!

E quanto a ciência que estude os reais factos dos acidentes...Eu já estive dentro de um sistema de segurança activa que começou agora a entrar em comercialização nos topos de gama. E só vos digo que é muita fruta!! É que distracções (por exemplo) é uma palavra muito vaga!
 
Last edited:
Vamos admitir por momentos que o Sr. João Dias tem razão:

"O excesso de velocidade é o pai de todos o males nas estradas portuguesas!"

A primeira dúvida que me surge é a de saber o que entende o Sr. João Dias por excesso de velocidade:

1) Excesso de velocidade relativamente ao limite legalmente imposto?

2) Excesso de velocidade relativamente ao estado da via?

3) Excesso de velocidade relativamente ao traçado?

4) Excesso de velocidade relativamente às condições climatéricas ou tráfego?

5) Excesso de velocidade relativamente às aptidões automobilisticas ou estado de espírito do condutor?

6) Excesso de velocidade relativamente ao estado e qualidade da viatura?

7) Excesso de velocidade relativamente à visibilidade existente?

8) Excesso de velocidade relativamente à deficiente sinalização existente para um traçado desconhecido?

9) Excesso de velocidade relativamente à ausência da brigada de trânsito e do seu papel dissuasor nas zonas perigosas?

10) Ou a conjugação de todas elas?


Meu caro Sr. João Dias, agora que penso nisto, o Sr. tem toda a razão: o "excesso de velocidade" é o pai de todos os males - e é por isso que cada vez mais me convenço que num mundo cada vez mais rápido onde VELOCIDADE é a palavra de ordem não é a velocidade que vamos conseguir ou devemos combater mas UNICAMENTE as razões porque se pode tornar excessiva.

É agora absolutamente óbvio que o combate ao excesso de velocidade relativamente aos limites legalmente impostos - o único excesso pelo qual somos, na prática, legal e oficialmente punidos - NUNCA poderá evitar a sinistralidade nas estradas pois tais limites por mais criteriosos que sejam (o que manifestamente não é o caso) NUNCA reflectirão a realidade de todos os outros excessos, que embora relacionados não dependem directamente dos primeiros.

Lembre-se sempre que a velocidade de 180km/h no carro certo, na estrada certa (piso, traçado, sinalização) com o condutor certo e nas condições de circulação certas (climatéricas, de tráfego, visibilidade etc...) nunca poderá ser considerado excesso de velocidade, MAS já a velocidade de 50km/h com o condutor errado, na estrada errada e com o carro errado pode ser um autêntico desastre e claramente excesso de velocidade.

Enquanto o objectivo do homem, praticamente desde que se conhece, for ligar o ponto A ao ponto B no menor tempo possível é TOTAL perda tempo e energia tentar evitá-lo!!!

Solução?! Criar máquinas e vias cada vez mais rápidas MAS IGUALMENTE MAIS SEGURAS. A isto eu chamo progresso! A indústria automóvel tem-se esforçado e tem feito o seu papel... e nós?! Será que temos feito o nosso?!

O homem?! Bem... esse é sempre o mesmo, terá sempre as mesmas limitações de ser homem, seja a pilotar o "space shuttle" seja ao volante de um automóvel! Por isso temos que lhe assegurar, tanto quanto possível, as melhores condições de circulação, seja em viagem para o espaço seja em viagem para o trabalho às 9 da manhã!

Já agora, uma pergunta:

O que dizem os seus manuais relativamente ao facto de nas auto-estradas, onde as velocidades praticadas são sem a mínima dúvida as mais elevadas e quase sempre em excesso relativamente ao limite legal, se verificar a menor percentagem de acidentes rodoviários?

Pois parece que está muito baralhado [;)].
Convinha rever esses conceitos, do que é excesso de velocidade, do que é velocidade excessiva e do que é velocidade relativa ...

Porque é que acontecem ?

Algumas pistas aqui

http://www.dem.ist.utl.pt/acidentes/segur_htm/segur_velocidade.htm
 
Eu é que não percebo qual é o problema...:confused: (tirando obviamente o facto de uma análise a TODAS as causas prováveis de um determinado incidente ser longa e difícil e introduzir variáveis não-formais na determinação "científica" do dito)...[:D]

Os acidentes rodoviários, por envolverem pessoas, assumem a mesma complexidade que atribuimos a qualquer actividade onde se envolvam sapiens sapiens.

A vertente sociológica, os aspectos culturais, os problemas de educação e formação, os simples estados de espiríto (pessoais, conjunturais e - mais globalmente - estruturais e estruturantes da sociedade) não constam dos relatórios, sempre científicamente asseados e assépticos, da "ciência" que estuda os acidentes.

Mas haverá algum problema em admitir que se poderia fazer estatísticas mais completas (e úteis) se se elencassem todas as variáveis e não só o sexo, idade, hora e local do acidente... Se cruzássemos por exemplo, entre as centenas de variáveis possíveis, a existência de mecanismos de segurança passiva e uma avaliação (por muito subjectiva) dos níveis de segurança activa dos veículos, com a taxa de recorrência de acidentes com determinada marca/modelo ou com as taxas de lesões ou sobrevivência a acidentes.

Será que a poderosa indústria também consegue enviesar por defeito a acção científica?

Se existem dúvidas que a velocidade ou o alcóol são das principais causas de morte em acidentes rodoviários ? Claro que não, mas não são, nem humanamente o poderíamos aceitar, as únicas e - raramente, da minha experiência - ocorrem exclusivamente.

As mudanças sociais, do padrão psicológico e moral das sociedades, ditou que, num período de anos relativamente curto, deixassem de existir escarradouros nos lugares públicos e a arte de cuspir para o chão passasse a ser socialmente reprovável, em lugar de ser comummente aceite. Beijar uma moçoila garbosa na via pública também deixou - num lapso de tempo - de constituir um atentado ao pudor. As mulheres passaram a poder usar calças, a votar e a trabalhar.

São vitórias da civilidade (há quem lhe chame formação, informação e educação), construídas a partir da evolução do padrão social.

O mesmo terá de passar-se com a condução. Inevitavelmente.

Mas para isso temos - necessáriamente - que evoluir. E podemos começar já pelo ramo mais viçoso da àrvore dessa evolução: o da ciência que estude todas as reais causas dos acidentes.


Não estou a perceber onde quer chegar. Acha que não existem pessoas da área da sociologia ou psicologia a investigar acidentes ? Ou acha que para cada acidente se devia juntar uma equipa multidisciplinar para o analisar. E quem disse que existe uma causa ? Normalente existem várias, por isso existem factores primários ou principais e factores secundários. E já agora que se interessa por essas áreas, diga-me lá porque razão uma percentagem siginificativa dos jovens não acredita no risco da velocidade, uma percentagem significativa dos condutores urbanos não têm nocção do risco do telmóvel ao volante, ou que por exemplo os peões não têm nocção do risco de atravessar uma via indevidamente ?
 
Não estou a perceber onde quer chegar. Acha que não existem pessoas da área da sociologia ou psicologia a investigar acidentes ? Ou acha que para cada acidente se devia juntar uma equipa multidisciplinar para o analisar. E quem disse que existe uma causa ? Normalente existem várias, por isso existem factores primários ou principais e factores secundários. E já agora que se interessa por essas áreas, diga-me lá porque razão uma percentagem siginificativa dos jovens não acredita no risco da velocidade, uma percentagem significativa dos condutores urbanos não têm nocção do risco do telmóvel ao volante, ou que por exemplo os peões não têm nocção do risco de atravessar uma via indevidamente ?

Não posso, por desconhecimento, criticar a forma como se faz a investigação de acidentes em Portugal, ou noutro país qualquer.

Como consumidor - atento - de informação posso no entanto criticar a forma como os resultados da investigação são divulgados. Geralmente, como é corrente dizer-se neste fórum, os resultados que chegam à opinião pública resumem-se ao alcool e à velocidade.

Tal facto, virtualmente indesmentível, não cria no público em geral o resultado esperado (moderação da velocidade e do consumo de alcool), banalizando simplesmente quer as causas (primárias e secundárias) quer os efeitos (os acidentes), por vício de redundância.

Estou lembrado, por exemplo, dos excelentes efeitos que se obtiveram, em termos de conscencialização da opinião pública, com o estudo (em que, se bem me lembro, participou[;)]) da falta de promoção no comércio dos equipamentos de segurança activa versus os upgrades estéticos e outros. A verdade é que esse estudo fez mais pelo aumento da informação onde esta mais conta - na cabeça do público mais desatento - do que todas as campanhas da PRP nos últimos anos, com os apelos desajeitados à moderação das coisas do costume. Conheço pessoas que, nunca tendo anteriormente ouvido falar de ABS ou ESP (porque não lhes foi comercialmente sugerido), equiparam os seus carros novos esses equipamentos.

É óbvio que esforços como esse não conseguem de per si eliminar a totalidade do problema que, como costumo dizer (demasiadas vezes) passa muito mais pela insistência na formação, a informação (como o exemplo que citei) e a educação (cívica por exemplo) do que pela repressão (por exemplo, também)... Não conseguem, mas ajudam.

Por isso proporia a criação de uma base de dados, de acesso público, sem comprometer a privacidade dos dados pessoais dos cidadãos, com o máximo detalhe sobre todos os acidentes. Esses dados poderiam ser discutidos em locais como este, pelo público em geral, e não seriam um exclusivo do meio académico que, como bem sabemos, dista milhas do mundo real. É que é no mundo real que se formam as mentalidades colectivas e a civilidade social, a polícia da moral pública.

Ninguém criou uma lei que proibe cuspir para o chão (pelo menos uma a que alguém ligasse). Foi a divulgação de dados de cariz médico (mesmo quando poucos haviam que os entendessem) que contribuiram para a criação da matriz social que hoje - naturalmente - reprime sem pensar duas vezes tal comportamento. O meu avô tomava banho uma vez por semana, ao Domingo, e mantinha um índice de actividade física muito superior ao meu que tomo banho todos os dias. Ninguém criou uma lei que me obrigasse a, com naturalidade, sentisse a compulsão de me lavar. Foi a informação, a minha formação e a educação a que fui sujeito que me levaram a isso.

Os jovens não acreditam no risco da velocidade porque não lhes são apresentados riscos multiplicadores. Julgam que ir a 200km/h numa auto-estrada deserta é relativamente seguro porque não tiveram acesso a formação sobre automóveis e por isso desconhecem que pneus, suspensões, travões têm e em que estado estão, não tiveram acesso a formação sobre Física - por exemplo - e não compreendem que peso relativo tem um carro a essa velocidade, que forças é que estão em jogo quando percorrem uma curva ou quantos metros precisam para parar o automóvel lançado a 200km/h (para não falar de dissipação de calor, resistência de materiais, etc). Acreditam ainda, só porque conduzem o modelo X da marca Y, que o carro acumula todas as qualidades com que sonharam durante o tempo em que equacionaram comprá-lo e que todas as qualidades repetidas vezes enumeradas pelos "especialistas" estão patentes - de forma perene e imutável - na sua "montada". Por fim, tanto como a velocidade, o orgulho, a teimosia e a vaidade matam.

Na prática, no gargarejar das suas sinapses, afinal " vão em excesso de velocidade".

O mesmo se passa, por um número impossível de enumerar de razões diferentes mas paralelas, com os condutores urbanos e os telemóveis e os peões, os motociclistas, os pais de crianças à solta. É só uma coisinha, não vai acontecer nada de mal.

E é só uma coisinha, porque é só uma coisinha que causa acidentes... alcool, velocidade.... ou pelo menos é isso que nos é - mais vezes do que seria saudável fazer - dito, de todas as formas.

Bem sei que é utópico pensar que o sistema de ensino português, as instituições encarregadas de promover o conhecimento público, os opinion-makers, os orgãos de informação, os líderes de opinião, o Estado, em suma todos nós, podemos - num lapso de tempo - fazer uma acção de formação global em que todos os condutores tenham aproveitamento mas podemos dar os primeiros passos e veicular o máximo de informação possível para que pensar seja uma tarefa complexa, mas agir correctamente seja mais fácil, por mais suportado em informação.

Onde quero chegar, respondendo à indagação inicial, é que é fundamental que se aumente o nível, a variedade e a qualidade da informação que é disponibilizada ao público em geral.

Para que se pense.

É que, o que dá na televisão, só ocorre na televisão...[;)] onde as coisas só acontecem aos outros.
 
Pois parece que está muito baralhado [;)].
Convinha rever esses conceitos, do que é excesso de velocidade, do que é velocidade excessiva e do que é velocidade relativa ...

Porque é que acontecem ?

Meu caro Sr. João Dias, já que acha que estou muito baralhado então agradeço que me esclareça respondendo directamente a uma questão muito simples para a qual ainda não obtive resposta (nem no link que me deu), é só isso que lhe peço:

Porque razão a percentagem de acidentes rodoviários nas auto-estradas é a mais baixa quando as velocidades praticadas são as mais elevadas e quase sempre significativamente acima do limite legal?
 
Last edited:
JC

Existem muitas maneiras de divulgar a informação e muitas maneiras de gerar má informação. A informação é importante e existem várias maneiras de a divulgar. A mais vísivel é a informação pública, mas a mais eficaz é aquela que passa para os decisores para as autoridades. Existem inúmeros aspectos relacionados com a segurança que tenho analisado, desde os equipamentos de segurança que refere [;)], desde inspecções periódicas (lembram-se dos 30 centros de inspecção em 30) que tiveram nota negativa da Deco [;)], formação de instructores e de auditores de segurança rodoviária, valas das auto-estradas, acidentes com todos os tipos de veículos, modelos computacionais para a reconstituição de acidentes, etc.
Contriarmente ao que às vezes me é atribuido [:D], a velocidade é apenas um fos factores, mas muito importante em acidentes, com jovens, motociclos, atropelamentos.
E voltando à psicologia e sociologia, de facto há que compreender por exemplo as atitudes e comportamentos dos jovens, por exemplo. Por isso é que eu gosto de fazer provocações aqui neste fórum. Não são inocentes, têm sempre um objectivo, mas que às vezes é desvirtuado ...

Buzinão:

Se olhar para os limites de velocidade gerais , vê que eles variam entre 50 e 120. Já reparou que nas auto-estradas existem sepradores centrais reduzindo quase totalmente os choques frontais e absorvendo as energias do impacto em muitas situações em caso de despiste, não existem peões, não existem cruzamentos, a visibilidade é muito superior a qualquer outro tipo de via, não existem velocípedes, ciclomotores, tractores agrícolas, etc. etc. Qual é a dúvida em relação a que mesmo que os limites sejam superiores existam menos acidentes e menos vítimas mortais ?
 
JC
A informação é importante e existem várias maneiras de a divulgar. A mais vísivel é a informação pública, mas a mais eficaz é aquela que passa para os decisores para as autoridades.

Concordo integralmente com tudo o que disse, excepto com a citação acima.

Especialmente quando falamos de jovens a pior forma de fazer mudar mentalidades (o substantivo simplificador e redutor de um ror de características humanas e sociais) é através das autoridades, via decisores.

A rebeldia, o gosto por contrariar o status quo e desafiar perigosamente os limites parece demasiadamente inculcado no património genético para ser mudado artificialmente, a força de lei. (aliás essa é uma característica típica de quase todos os mamíferos enquanto jovens, James Dean e macacos da Papua Nova Guiné incluídos...)

No entanto a via da consciencialização, pela disponibilização de informação "orientada para os resultados" pode resultar. Demora tempo- sei-o por já o ter experimentado variadas vezes - mas resulta.

É claro que há razões a montante que têm de ser reguladas. Acho mesmo que, para um problema como a sinistralidade, que tem tanto impacto na nossa sociedade, a inexistência de uma entidade reguladora para o mercado é a prova mais cabal que as autoridades desconhecem (ou ignoram) a globalidade do problema.

Actuar, na fonte, no âmbito dos equipamentos de segurança a fornecer obrigatoriamente no nosso mercado, na engenharia das estradas, no rigor (e na pertinência) das IPO, na qualidade da formação dos condutores é uma forma de salvar, exponencialmente, mais vidas.

O meu cavalo de batalha; a formação, informação e educação é apenas uma etapa intermédia, entre os aspectos a montante que referi (e que, como disse, a eles muito se tem dedicado), antes de chegarmos a jusante, à sinistralidade não evitada.

Parece-me claro também que não há milagres. Continuam a existir pessoas que, não obstante disporem de toda a informação, persistem em exagerar, por exagero da sorte ou pura vaidade. Mas, para esses, também defendo mão pesada.

Mas, insisto, há que dar aos que ainda vão a tempo de se "converter" todos os dados para que possam - por si - chegar a conclusões, formando assim a sua própria persona na condução.

É, normalmente do "conjunto social dos comportamentos" que criamos as regras que seguimos mais escrupulosamente. Podia ser, até, que a mesma soberba que mata, fosse utilizada para gerar comportamentos mais saudáveis.

Marcha lenta: Não tenho dúvidas nenhumas nesse aspecto. Até gostava de olhar para uma estatística de sinistralidade recente que separasse a mortalidade por categoria de velocidade máxima autorizada no local do acidente versus tipo de vítima (peão, velocípede, ciclomotor, ligeiros, pesados). Apostava que nos casos de maior diferença de massas e nos locais em que se ultrapassam em maiores percentagens os limites há maior concentração de sinistros com vítimas...[;)]
 
Buzinão:

Se olhar para os limites de velocidade gerais , vê que eles variam entre 50 e 120. Já reparou que nas auto-estradas existem sepradores centrais reduzindo quase totalmente os choques frontais e absorvendo as energias do impacto em muitas situações em caso de despiste, não existem peões, não existem cruzamentos, a visibilidade é muito superior a qualquer outro tipo de via, não existem velocípedes, ciclomotores, tractores agrícolas, etc. etc. Qual é a dúvida em relação a que mesmo que os limites sejam superiores existam menos acidentes e menos vítimas mortais ?

OK! Estava convencido que o Sr. João Dias defendia que o problema era a velocidade elevada.

Já agora só uma pequena observação, os despistes em auto-estrada também contam como acidentes rodoviários e não é pelo facto de haver separadores centrais que estes deixam de ser acidentes rodoviários (as consequências é que poderão ser outras). Mais uma vez, apesar das velocidades mais elevadas e acima dos limites legais, os despistes em auto-estradas exibem a percentagem mais baixa.

Se me permite ainda uma segunda observação, chamaria a atenção do Sr. João Dias para um facto que me parece andar-lhe despercebido. Já alguma vez se questionou que muito provavelmente a variável de mérito, aquela que mais interessa considerar, não é a faixa etária dos condutores envolvidos em acidentes, como insiste em destacar, MAS a antiguidade das suas cartas de condução?

Obviamente que a segunda está normalmente associada à primeira daí, muito provavelmente, a confusão estatística do Sr. João Dias. Não obstante, é sobejamente conhecido que o maior risco de acidentes ocorre no segundo ano de carta, independentemente da idade do encartado. Portanto, é óbvio que o maior factor de risco é a falta de experiência (aliada a algum excesso de confiança que o 2º ano de carta costuma trazer) e não a idade do condutor por si só. Acontece porém que são os mais novos que normalmente menos experiência têm.

O Sr. João Dias já tinha obrigação de saber que não existe sucedâneo para a experiência e, como tal, a probabilidade de acidentes será necessariamente maior entre aqueles que menos experiência têm. Assim sendo, vir dizer que são os mais novos que mais acidentes têm/provocam, numa clara tentativa de os colar ao gosto pela velocidade, não só é uma falácia como é uma verdadeira "La Paliçada". É óbvio que são os menos experientes que mais causam e sofrem acidentes.

Sinto que estamos a desperdiçar os inestimáveis recursos das nossas universidades para nos dizerem o
óbvio!


PS: Os jovens também circulam nas auto-estradas e no entanto os indíces de sinistralidade nas auto-estradas continuam a ser os mais baixos apesar das velocidades mais elevadas.
 
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De facto existem post neste fórum que são muito mais divertidos de ler do que os emais de anedota que me mandam [:D]

Ora então quem sabe se o G40 é a gasolina ou diesel devia ter um diploma de Engº Mecânico. Quem não sabe sequer se o G40 tem compressor volumétrico ou turbocompressor estava chumbado :sh).

E está visto que de facto a fábula do Uno e do Ferrari está para durar. Ainda há quem acredite que o pai Natal existe ...
Já estou a ver que esse Clio deve ser melhor a travar que um Ferrari

Ora e já agora diga-me lá porque acontecem os choques frontais, só para eu me divertir mais um bocadinho ....
Lol...eu é que estou divertido, não sei o que lhe hei-de dizer, olha faça-se á estrada em vez de ter tanto trabalho de escritorio que isso até faz mal por vezes, se calhar é esse o problema, aliás isso sucede tanto no nosso pais, ou isso ou falta dele nas mais variadas áreas...
Primeiro não leu bem o meu post como já tinham feito anteriormente e por isso trouxe de novo á baila um assunto sobre o dito engenheiro no qual se lesse bem o meu post não traria concerteza,mas como sei que não vai ler e se ler nem vai perceber, o problema foi que ele falou com profundo conhecimento do carro como se o conhecesse perfeitamente e no fundo nem sabia era a gasolina , no entanto também me há-de dizer quantos modelos diesel há no mundo com compressores volumétricos ao invés de turbocompressores.
Depois trave lá com um fiat uno e depois com um clio sport e fale comigo, melhor experimente travar com um g40 e depois com um clio normal e depois venha falar comigo...
Agora quanto aos choques forntais não lhe posso dizer porque sucedem, a minha experiencia e saber resumem-se a um mero 12 ano de escolaridade e uns meros 200 mil kms nas estradas juntamente com uns meros conhecimentos passados do meu pai para mim dos cerca de 30 anos de condução profissional que ele já leva...lol
Espero tê-o feito rir:p
 
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Tendo em conta a escolaridade media do povo português, mesmo que todas as Universidades, Prof. e Doutores e afins das mesmas fossem uma bosta (o que felizmente não é o caso), não está de todo errado apelidar o Ensino Superior de avançado...

Somos o pais com uma das taxas mais altas de desistências e níveis de escolaridade mais baixos da UE...logo faz de todo sentido, ainda mais quando até consegue ter piada no contexto em que é dito.

Somos o país em que os pais têm mais dificuldade em ter os filhos a estudar porque os livros são demasiados caros ...
 
Esclareça-me a seguinte dúvida Sr.João Dias.À coisa de 2 anos vinha numa estrada a sensivelmente 20/25km a descrever uma curva ,quando me encontrava a fazer a curva eis que a aparece um obstáculo(um buraco) mesmo no meio e sem tempo para me desviar.Resultado 2 pneus furados,Agora diga-me a culpa foi minha por ir depressa demais ou foi das condições da estrada?
 
Aos últimos posts as minhas desculpas, mas por outros motivos alheios a este tópico não vos vou poder responder.

Um abraço a todos em particular ao JC, pela forma muito interessante e inteligente com que colocou aqui alguns aspectos muito importantes

Cumprimentos a todos,

João
 
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