Esta ditosa pátria minha amada (a contabilidade dos partidos políticos)

Nthor

Banido
A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, órgão que funciona junto do Tribunal Constitucional e que fiscalizou pela primeira vez uma eleição legislativa, não contém o espanto perante o laxismo que encontrou. "Nada bate certo com nada." Os antecessores da Entidade das Contas já se tinham habituado às irregularidades. De vez em quando, registavam progressos de contabilidade, isto é, lá apareciam alguns papéis em ordem. Verdadeiramente, em mais de 30 anos de democracia, os partidos políticos portugueses nunca prestaram contas, fizeram sempre questão de apresentar meia dúzia de papéis que justificaram apenas um incumprimento continuado. Podem queixar-se do que quiserem, da legislação que criaram mais e mais exigente na exacta proporção do desrespeito garantido; da desorganização partidária que teimam em preservar e na qual se pode esconder toda a espécie de corrupção; ou dos inúmeros irresponsáveis úteis que povoam as máquinas de campanha. Certo, certo, quaisquer que sejam as multas que venham a ser aplicadas, é que nada parece inibir a prevaricação.

Como pode fazer-se um discurso de rigor e exigência para o comum dos cidadãos e os alegados pilares da democracia continuarem a fazer questão de não terem contabilidade organizada? Pode. Em 30 anos, as contas dos partidos desrespeitam as leis do país. E eles aí estão, no Governo ou na oposição não parecem muito preocupados com o seu descrédito. Vota-se cada vez menos, mas ainda assim o suficiente para a renovação da impunidade. Os partidos tornaram-se meras máquinas de campanha. Perderam alma, ideais, capacidade de debate.

O problema democrático não é apenas moral. Mas quando já nem sequer se cuida da aparência, significa que a desfaçatez ganha tolerância. Banaliza--se. Relativiza-se. Dissolve-se na nossa indiferença. Um dia destes, a máscara democrática pode cair...

Desfaçatez 24.10.06



Como?




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"Esta ditosa pátria minha amada
à qual se o céu me dá,
que eu sem perigo torne,
com esta empresa já acabada"




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Enquanto uns colocam versos apocalípticos eu prefiro ficar optimista em termos um Tribunal de Contas que finalmente funciona !
 
Tenho de por aqui o autor, não pq não se saiba quem é (inadmissível não o saber), mas pq já lhe chamam apocalíptico.


"Esta ditosa pátria minha amada
à qual se o céu me dá,
que eu sem perigo torne,
com esta empresa já acabada"

Luís de Camões
Lusíadas, canto III, 21




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Tenho de por aqui o autor, não pq não se saiba quem é (inadmissível não o saber), mas pq já lhe chamam apocalíptico.


"Esta ditosa pátria minha amada
à qual se o céu me dá,
que eu sem perigo torne,
com esta empresa já acabada"

Luís de Camões
Lusíadas, canto III, 21




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Inadmissível é só ler as coisas da maneira que convém...
 
Aplique-se a lei.

Mas como dizia o outro poeta "água mole em pedra dura, tanto dá até que fura."

Um dia havemos de ter um País. [:cool:]
 
Lindo Nthor... eu só acrescento Democraquê!? Só mesmo para os porcos, porque o resto dos animais continua tudo na mesma...
 
Estranha desfaçatez ... que alguns teimam em branquear.

Confirma-se, uns são mais iguais que outros.

:sh)
Exacto, que legitimidade [SIZE=-1]têm[/SIZE] para...

Mas é como dizes, há quem teime em fazer esquecer ou dar pouca importância a estes factos.
 
Last edited:
Parece que sim.

Resta saber se mesmo sabendo ficaremos assim, a olhar...


...não duvides! Força, força companheiro Vasco e Prec's, são coisas do séc. passado...e vir para a rua em demonstrações de força!? Não porque está a chover ou o Maio de 68 foram coisas dos franceses[s)]
 
Citação:
Originalmente Colocado por Nthor
Tenho de por aqui o autor, não pq não se saiba quem é (inadmissível não o saber), mas pq já lhe chamam apocalíptico.


"Esta ditosa pátria minha amada
à qual se o céu me dá,
que eu sem perigo torne,
com esta empresa já acabada"

Luís de Camões
Lusíadas, canto III, 21




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Inadmissível é só ler as coisas da maneira que convém...

Epá deixem em paz o Grande Poeta[:cool:] , ele também na sua época já via um pouco mais longe[;)]
 
Camões

Camões

Mais longe do que muitos de nós, séculos depois, ainda hoje conseguimos ver...

Sem qualquer tipo de dúvida[;)] , Camões na sua época também viu as injustiças, os medos, a insegurança, a falta de política do império, a fragilidade da economia se é que havia alguma economia sempre optamos por uma política de transporte e nunca de fixação por isso como todos os Génios estava muito á frente e por isso era incomprendido pelos seus pares.
 
A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA.

Ou a versão do politico nacional

"explorai a Pátria, que a Pátria nos sustenta"

2006-07-26 - 13:00:00

Número de abrangidos subiu 21% desde 2001
364 políticos têm pensões vitalícias

(...)
O relatório de 2005 da Caixa Geral de Aposentações (CGA), a que o CM teve acesso, é muito preciso sobre a tendência de crescimento do número de titulares de cargos políticos a receber subvenções vitalícias: se em 2001 estas subvenções foram atribuídas a 302 políticos, nos anos seguintes esse número aumentou para 315 em 2002, para 320 em 2003, para 321 em 2004, para se fixar em 364 em 2005. Para este aumento considerável no final do ano passado, contribui a dissolução do Parlamento no final de 2004 e a não reeleição de um número elevado de deputados do PSD nas eleições legislativas.

Como na actual legislatura existe ainda um universo apreciável de deputados com 12 e mais anos de exercício da vida parlamentar, é inevitável um aumento do número das subvenções vitalícias nos próximos anos. A subvenção mensal vitalícia é atribuída aos membros do Governo, deputados, juízes do Tribunal Constitucional que não sejam magistrados de carreira, ex-presidentes da República e ex-primeiros-ministros desde 9 de Abril de 1985.

(...)

Podem ler o resto da noticia aqui
 
A propósito:

"Que eu nunca vi pátria assim
Pequena e com tantos peitos"



Valsinha Das Medalhas
Carlos Tê / Rui Veloso



Já chegou o dez de junho
O dia da minha raça
Tocam cornetas na rua
Brilham medalhas na praça

Rolam já as merendas
No toalha da parada
Para depois das comendas
E ordens de torre-e-espada

Na tribuna do galarim
Entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha
E o povo canta a valsinha

Povo: Encosta o teu peito ao meu
Sente a comoção e chora
Ergue um olhar para o céu
Que a gente não se vai embora

Povo: Quem és tu donde vens
Conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim
Pequena e com tantos peitos

Já chegou o dez de junho
Há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins
É a guarda que passa

Desfilam entre grinaldas
Velhos heróis de alfinete
Trazem debaixo das fraldas
Mais índias de gabinete

Na tribuna do galarim
Entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha
E o povo canta a valsinha

in: http://www.ruiveloso.net/discografia/04/d04RuiVelosoM05.html
 
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