Formação dos pais decisiva no sucesso escolar dos filhos

Nthor

Banido
Formação dos pais decisiva no sucesso escolar dos filhos

Um estudante oriundo de uma família com um nível cultural elevado tem dez vezes mais oportunidades de chegar ao ensino superior do que os que não têm essa mais-valia. E, entre os que entram, os antecedentes culturais e económicos - dois factores quase sempre interligados - pesam decisivamente no tipo de curso que se consegue alcançar.

A área da Saúde, ainda hoje uma das mais valorizadas pela sociedade portuguesa, é disso o exemplo absoluto. Entre a totalidade dos estudantes que entraram no curso de Medicina, no ano lectivo de 2004/05, 73,2% têm pais com formação de nível superior. Já os cursos de Enfermagem e Tecnologias da Saúde (dos institutos politécnicos) revelam uma proporção exactamente oposta, com 73% das famílias abaixo desse nível de formação.

"São dados que nos deixam a pensar se, de facto, a nossa sociedade está tão democratizada como julgamos", diz Diana Amado Tavares, do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES) e uma das autoras do estudo "Preferências dos estudantes". Um trabalho que deverá ser publicado em breve pelo European Journal of Higher Education.

A matéria-prima para a pesquisa, explica a investigadora, foram as chamadas "fichas ENES", questionários que todos os alunos preenchem quando entram no ensino superior pela primeira vez mas que, até agora, nunca tinham sido tratados.

"Quando o actual ministro [da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago] tomou posse, deparou-se com uma quantidade imensa de dados", conta. "A maioria da informação que trabalhámos diz respeito a 2004 e 2005, mas agora aguardamos os dados de 2006/07."

Docência atrai classes baixas

Uma das conclusões mais controversas do estudo prende-se com a qualidade das opções dos estudantes. Os dados parecem demonstrar que os antecedentes culturais e económicos não se limitam a afectar "a probabilidade de ingresso no ensino superior" mas também as próprias "escolhas de curso e instituição". Por outras palavras, o estudante acaba por "fazer uso dos critérios de escolha apreendidos e integrados pelo seu background social".

A percepção familiar do que é uma boa formação poderá ajudar a explicar dados aparentemente pouco plausíveis: a maioria dos alunos que optam por cursos de formação de professores (preparação para a docência), 39%, e de gestão, 20%, são oriundos de famílias que têm no máximo o primeiro ciclo de escolaridade (a antiga quarta classe).

Por outro lado, o Direito (Ciências Humanas e Sociais), as Belas- -Artes e as Ciências (nomeadamente a Medicina) "são cursos maioritariamente preferidos pelos filhos das famílias com capital cultural mais elevado".

Ainda assim, se compararmos estes dados com as estatísticas do desemprego entre licenciados, que afecta cerca de 42 mil pessoas, parece claro que não há fórmulas infalíveis. Por um lado, os cursos de Educação revelam-se uma má escolha, com cerca de 31% dos desempregados. Por outro, as Artes e Humanidades vêm logo a seguir com 12%.

O estudo revela também que o nível económico dita a escolha do sector do ensino superior. Quanto maior o rendimento das famílias, mais evidente é a opção pelas universidades, em prejuízo dos politécnicos, apesar de este último sector ser tradicionalmente encarado com mais profissionalizante. "Há diferenças, mesmo ao nível do financiamento, que levam as pessoas a encararem o politécnico como uma via pior", diz Diana Tavares.

Isto apesar de os dados acabarem por demonstrar que não há diferenças substanciais entre os filhos de licenciados por um ou outro sector. "Tentámos encarar algum factor de distinção, mas o que se verifica é que, desde que os pais cheguem ao ensino superior, universitário ou politécnico, os filhos têm melhores oportunidades", diz.

http://dn.sapo.pt/2007/04/02/sociedade/formacao_pais_decisiva_sucesso_escol.html
E agora, se assim é pq não se dá oportunidades iguais a todos?

Será que vamos continuar a ter médicos sem vocação, juízes mal educados, engenheiros civis que nem um balde e uma pá de praia sabem usar (e será que é assim mesmo tão mau como se diz) , em vez de se deixar que os mais dotados em determinadas áreas sigam as suas naturais aptidões?

E será que o país se pode dar a esse luxo (dar oportunidades iguais a todos ou manter as coisas assim e esperar que tudo corra pelo melhor)?





.
 
O problema é mesmo esse!!! Quem vai para medicina ou direito, vai muitas vezes por imposição... E conheço vários casos desses... Ou é porque o paizinho tem um consultório, ou porque tem muitos conhecimentos e fica com a vidinha feita...

Infelizmente, as coisas são assim e têm tendência para continuar...
 
E agora, se assim é pq não se dá oportunidades iguais a todos?

Será que vamos continuar a ter médicos sem vocação, juízes mal educados, engenheiros civis que nem um balde e uma pá de praia sabem usar (e será que é assim mesmo tão mau como se diz) , em vez de se deixar que os mais dotados em determinadas áreas sigam as suas naturais aptidões?

E será que o país se pode dar a esse luxo (dar oportunidades iguais a todos ou manter as coisas assim e esperar que tudo corra pelo melhor)?


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Então mas tu endoideceste?!...

Desde quando é que a generalidade dos detentores de privilégios aceitam voluntariosamente partilhá-los com quem os não tem?!...

E que tipo de países é que dão oportunidades próximas do equivalente aos seus cidadãos?...

A noção de classe como parâmetro dominante numa sociedade de formigas ainda se pode aceitar por domínio do instinto, mas nas sociedades humanas toca o que de mais vil se pode praticar...

Os vícios são mais poderosos que as virtudes...

Basta olhar para o Darfour...
 
Last edited:
Os meus pais têm a 4ª classe.
Tenho colegas cujos pais eram licenciados.

A única diferença entre eles e eu é que eu trabalho desde os 18 anos pois licenciei-me a trabalhar de dia e a estudar de noite, eles trabalham desde os 23/24 pois só começaram a trabalhar depois de se licenciarem ....

De resto a nível profissional eu sou igual a eles .... uns serão mais competentes, outros menos ....

Este tipo de estatisticas para mim nada me dizem.
Eu simplesmente ando para a frente e dou o litro .... quem não dá fica para trás. Simples!
 
Omega,

tens completa razão, mas o problema é que esses cursos (Medicina por exemplo) são completamente entupidos por alunos desmotivados e sem qualquer vocação para aquilo.

Depois são uns profissionais frustrados...

Eu também não tenho nenhum pai licenciado, e estou a tirar um curso superior e penso não ficar por este...
Mas, na maior parte dos casos, se vens de uma família sem curso superior, que até são um bocado para o labrego, é bem provável que os filhos sejam iguais aos pais...
 
E agora, se assim é pq não se dá oportunidades iguais a todos?

Será que vamos continuar a ter médicos sem vocação, juízes mal educados, engenheiros civis que nem um balde e uma pá de praia sabem usar (e será que é assim mesmo tão mau como se diz) , em vez de se deixar que os mais dotados em determinadas áreas sigam as suas naturais aptidões?

E será que o país se pode dar a esse luxo (dar oportunidades iguais a todos ou manter as coisas assim e esperar que tudo corra pelo melhor)?


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Oportunidades iguais a todos? Hmmm... Isso era uma ideia bem interessante para lá da cortina de ferro. Eram todos doutores e engenheiros.

Os filhos de pais licenciados normalmente têm acesso a escolas melhores e isso faz com que possuam uma melhor base de desenvolvimento intelectual. Mas fora isso não estou a ver diferenças.
 
Os meus pais têm a 4ª classe.
Tenho colegas cujos pais eram licenciados.

A única diferença entre eles e eu é que eu trabalho desde os 18 anos pois licenciei-me a trabalhar de dia e a estudar de noite, eles trabalham desde os 23/24 pois só começaram a trabalhar depois de se licenciarem ....

De resto a nível profissional eu sou igual a eles .... uns serão mais competentes, outros menos ....

Este tipo de estatisticas para mim nada me dizem.
Eu simplesmente ando para a frente e dou o litro .... quem não dá fica para trás. Simples!

E mais nada! Os meus pais também não são licenciados, e eu estive em Eng.ª Mecânica. Desisti ao fim de 3 anos e meio por opção e por achar isto dos cursos superiores uma hipocrisia do caraças. Felizmente, e apesar de ser preguiçoso, os meus pais são pessoas trabalhadoras e do mais responsável que conheci até hoje, e apesar de eu não ser exemplo disso, sempre herdei qualquer coisa. Até tenho um percurso profissional bastante bom. Sem cursos superiores.
 
:confused:

Mas... Os exames de acesso não são iguais para todos?

Por acaso defendo que os acesso à univ's deviam por entrevista, avaliação do candidato, testes psicotecnicos e a univ escolhia, mas se calhar também serias o 1º a vir dizer que seria só cunhas [;)]
 
O actual sistema de acesso ao ensino superior é o mais democartico, independente, isento, e eficaz possivel..

È baseado na meritocracia!
Quem é bom aluno, quem estuda, e quem tem as prioridades definidas, entra!
O Nível cultural dos pais é decisivo sim mas para terem a inteligência e o cuidado de prestar o máximo de apoio e meios possíveis aos filhos, e cuidar da sua educação...

Querem que filhos de pais, desatentos, desinteressados, com prioridades distorcidas, que privam os filhos de bens essenciais, sejam alguém na vida??

Para ir para a universidade é preciso ser rico sim, mas rico de ideias, vontade, capacidade de trabalho, pois os estado já dá a formação adequada nas escolas secundarias, e bons meios...

Com mérito é que se vai lá!
Ou agora temos que arranjar subterfúgios menos democráticos para que alguns "carenciados" possam ingressar sem ter o mesmo grau de exigência e de competecia???

Querem os filhos doutores?? simples: Invistam na sua educação como pessoas, incutam espírito de responsabilidade, trabalho e sacrifício, formem boas pessoas, dêem a vossa atenção, que o aluno faz o resto...

Se não chegar lá, temos pena, é porque houve melhores, e o nº de vagas não é ilimitado...
 
:confused:

Mas... Os exames de acesso não são iguais para todos?

Por acaso defendo que os acesso à univ's deviam por entrevista, avaliação do candidato, testes psicotecnicos e a univ escolhia, mas se calhar também serias o 1º a vir dizer que seria só cunhas [;)]

E as condições até chegarem a esses exames foram sequer próximas para a generalidade deles?!...

Vai ver a que fatia da sociedade pertencem aqueles muitos que nem sequer completam o 9º ano... E depois pergunta-te do porquê de tal ocorrência...

E depois vai ver as % de alunos que frequentam medicina que vem dos mais baixos escalões da socieade... evolta a questionar-te sobre o fenómeno observado...
 
BONS pais formam BONS filhos...

Não há aqui quaisquer critérios de riqueza monetária envolvida...

pais honestos, trabalhadores, responsáveis, e cidadãos participativos tem todas as condições para educarem bem os seus filhos, e estes saírem á sua imagem...

Há n casos de pais ricos financeiramente que tem "maus" filhos: Desde betos convencidos malandros, a filhos com problemas com toxicodependência e criminalidade...

há casos também de maus pais, que graças á influencia da sociedade sobre o filho, conseguiram fazer uma pessoa bem integrada na sociedade e produtiva.

Não é uma questão de dinheiro...
É uma questão de riqueza educacional, e do papel formativo da sociedade.


PS: A generalidade dos alunos que entram numa universidade publica, vieram eles próprios de escolas secundarias e toda a carreira na publica.
 
Queres ver que a generalidade dos indicadores sociológicos por esse mundo fora estão errados?!...
 
Queres ver que a generalidade dos indicadores sociológicos por esse mundo fora estão errados?!...


sociológicos DIFERENTE de económicos!!

O factor económico é apenas um factor a considerar...

Só o dinheiro não chega para o objectivo final...ajuda em alguns casos, mas não chega!

por outro lado, muitas pessoas humildes ( leia-se com parcos recursos económicos, mas inteligentes) conseguem criar excelentes e prosperas famílias..
 
BONS pais formam BONS filhos...

Não há aqui quaisquer critérios de riqueza monetária envolvida...

pais honestos, trabalhadores, responsáveis, e cidadãos participativos tem todas as condições para educarem bem os seus filhos, e estes saírem á sua imagem...

Há n casos de pais ricos financeiramente que tem "maus" filhos: Desde betos convencidos malandros, a filhos com problemas com toxicodependência e criminalidade...

há casos também de maus pais, que graças á influencia da sociedade sobre o filho, conseguiram fazer uma pessoa bem integrada na sociedade e produtiva.

Não é uma questão de dinheiro...
É uma questão de riqueza educacional, e do papel formativo da sociedade.


PS: A generalidade dos alunos que entram numa universidade publica, vieram eles próprios de escolas secundarias e toda a carreira na publica.

Concordo!!![;)]
 
sociológicos DIFERENTE de económicos!!

O factor económico é apenas um factor a considerar...

Só o dinheiro não chega para o objectivo final...ajuda em alguns casos, mas não chega!

por outro lado, muitas pessoas humildes ( leia-se com parcos recursos económicos, mas inteligentes) conseguem criar excelentes e prosperas famílias..

On indíces sociológicos (sobre acesso à educação, à saúde ou à justiça de melhor nível) evidenciam como a variabilidade ECONÓMICA ainda é o parâmetro decisivo na formatação da qualidade de vida dos grandes números, das massas, perspectivada pelo acesso aos bens que referi.
 
Este é um tópico mto interessante.

Para vos ser sincero, e a idade ensinou-me isto, se a escoalridade dos pais influencia a dos filhos? Sim.
Se só os filhos de licenciados conseguem tirar um curso e ter grandes capacidades? Claro q n.

Agora cresçam. Sem dúvida q as pessoas, cujos pais já estão num determinado meio, têm mais facilidade em se inserir nesse determinado meio.
Quer seja por cunhas ou apenas por conselhos da experiência.

Até em csas simples, n teria eu lucrado se o meu pai tivesse formação para me ajudar nos trabalhos do secundário? N teria eu lucrado, se o meu pai me pudesse aconselhar no curso?

N sejam crianças. Eu sou filho de pessoas c pcos estudos, incentivaram-me, mostraram-me q este era o caminho, esforcei-me, lutei, e cá estou, mas c certeza q c outras condições teria feito ainda melhor. E certamente, eu quero ainda melhor. Quero ainda outro patamar para os meus descendentes, se calhar quero q eles frequentem um colégio particular, ou q tirem um curso no estrangeiro, e q mal têm, o subir de "escalão" é uma ambição natural!
 
Este é um tópico mto interessante.

Para vos ser sincero, e a idade ensinou-me isto, se a escoalridade dos pais influencia a dos filhos? Sim.
Se só os filhos de licenciados conseguem tirar um curso e ter grandes capacidades? Claro q n.

Agora cresçam. Sem dúvida q as pessoas, cujos pais já estão num determinado meio, têm mais facilidade em se inserir nesse determinado meio.
Quer seja por cunhas ou apenas por conselhos da experiência.

Até em csas simples, n teria eu lucrado se o meu pai tivesse formação para me ajudar nos trabalhos do secundário? N teria eu lucrado, se o meu pai me pudesse aconselhar no curso?

N sejam crianças. Eu sou filho de pessoas c pcos estudos, incentivaram-me, mostraram-me q este era o caminho, esforcei-me, lutei, e cá estou, mas c certeza q c outras condições teria feito ainda melhor. E certamente, eu quero ainda melhor. Quero ainda outro patamar para os meus descendentes, se calhar quero q eles frequentem um colégio particular, ou q tirem um curso no estrangeiro, e q mal têm, o subir de "escalão" é uma ambição natural!

Bravo!

Puro bom senso.
 
ter cultura não é ter dinheiro!
Vejam o nível cultural da quantidade de novos ricos, de superstars tipo beckham, celebridades e recem milionários, que há por ai..

Tem os meios para aceder ao melhor que a cultura tem para oferecer??
Claro que tem!
Tem a inteligência, esperteza, curiosidade, desejo para concretizar essa possibilidade??
Não!
 
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