lol..........
Comparativo Honda Jazz 1.4/Mitsubishi Colt 1.3/Renault Modus 1.4
Com o mercado à deriva, os construtores esforçam-se por apresentar propostas que vão para além da racionalidade das continhas bem feitinhas. Eis três versões que estão longe de ser as mais populares nas respectivas gamas, que juntam uma maior riqueza de equipamento e motores com maior genica. Enfim, três modelos à margem, mas que se afirmam como opções válidas.
Dadas as motorizações aqui presentes e face às tendências do mercado português, depressa chegamos à conclusão que qualquer um destes modelos não tem vida fácil no seio das suas gamas. De um lado, as motorizações a gasolina com cilindradas inferiores (entrada de gama), do outro, e quase ao mesmo preço, as tão badaladas versões turbodiesel de baixa cilindrada menos equipadas! Aliás, este é um forte argumento encontrado por estas três versões para se defenderem da moda diesel. A relação preço/equipamento nas versões diesel não é tão boa sendo por isso menos apetecíveis.
Face às primeiras (as versões base), estes motores de 1.3 e 1.4 litros asseguram um andamento mais vivo, sem grandes diferenças em termos de consumos.
Carroçaria
O trunfo da mala
Com uma montagem mais cuidada e uma percepção de qualidade acima da média, o Honda Jazz e o Renault Modus superiorizam-se a um Mitsubishi Colt que denota algumas lacunas, nomeadamente na escolha de certos materiais. Uma situação que acaba por ser compensada em termos aerodinâmicos, onde este, juntamente com o Honda, tem nas suas formas tipo monovolume um excelente aliado.
Bem diferente é a situação no que à capacidade da mala diz respeito. Aqui, o Jazz não dá qualquer hipótese à concorrência ao disponibilizar uma volumetria entre os 381 e os 1312 litros (com os bancos rebatidos). O máximo que se poderá dizer a favor dos outros dois protagonistas é que a sua ineficácia neste capítulo é disfarçada pela versatilidade conseguida através das múltiplas variações permitidas pelos bancos traseiros. Como resposta, Colt e Modus oferecem uma melhor acessibilidade, principalmente o modelo japonês.
Qualquer um dos intervenientes é a prova de que a segurança activa neste segmento ainda se resume ao ABS. Vale à Renault o facto de disponibilizar como opcional o controlo electrónico de estabilidade (ESP).
Interior
Manias francesas
Os números não enganam. Feitas as contas ao índice de habitabilidade, que avalia o espaço habitável de cada um dos carros, o Honda Jazz é aquele que melhor resultado conseguiu (9394 pontos), graças, essencialmente, à regularidade da maioria das cotas interiores analisadas. Segue-se depois o Renault Modus com 9354 pontos e em último o Mitsubishi Colt com 9284 pontos.
No equipamento julgamos importante destacar que o Honda é o único a disponibilizar o ar condicionado automático, que é de regulação manual nos dois rivais.
Já no jogo da segurança passiva, o Modus destaca-se claramente dos seus oponentes ao contar com um maior número de airbags (frontais e laterais dianteiros e traseiros) e de ter sido o melhor da sua classe nos testes de segurança da EuroNcap, onde foi o primeiro dos pequenos a ter as cinco estrelas.
Também importante é, sem dúvida, o ruído medido no interior e, aqui, prevalece a melhor qualidade do Jazz e do Modus. Mesmo assim, a grande vantagem do modelo nipónico é ao ralenti – exactamente o contrário do Colt – já que tanto nos 90 como nos 120 km/h, o seu motor 1.4 16V revela-se mais barulhento que os outros.
No que concerne à visibilidade, o Renault volta a clamar a vitória, fruto da sua posição de condução mais elevada. Da mesma forma, faz jus à tradição francesa em relação ao conforto, beneficiando também de os seus rivais estarem equipados com jantes de menor dimensão.
Mecânica
Saber aproveitar
Mitsubishi Colt e Renault Modus apresentam-se neste comparativo como dois dos modelos mais potentes da sua classe. Mas isso não quer dizer que consigam explorar devidamente esse facto. O problema é que em ambos os casos o regime escolhido para o binário máximo (125 e 127 Nm, respectivamente) é demasiado elevado. Mais comedido, tanto em potência como em binário, o Jazz consegue um bom equilíbrio no seu motor 16V, o que acaba por revelar-se preponderante em termos de consumos. Claro está que a isto não é alheio o excelente trabalho efectuado pela caixa manual de cinco velocidades. Aliás, se há um ponto em comum neste capítulo é o manuseamento correcto e preciso de todas as caixas.
Tratando-se de carros com características de cidade, não era de esperar grandes rasgos em termos de suspensões. Como é normal, qualquer um dos sistemas tem a preocupação de oferecer o melhor compromisso entre o conforto e o comportamento. Contudo, temos de realçar pela positiva a opção da Renault pela utilização de um eixo traseiro flexível programado, que lhe permite uma eficácia no compromisso comportamento/conforto, acima da média. Não tão eficaz, mas inteligente, foi a decisão da Mitsubishi em equipar o Colt com pneus um pouco mais largos, favorecendo a aderência e a tracção.
Ao volante
Factor equilíbrio
Defendendo para si a posição de condução mais correcta, o Jazz alia, ainda, o melhor comportamento em recta. Área onde, juntamente com o Colt, aproveita o facto de serem ligeiramente mais baixos e de a aerodinâmica ser mais favorável que no representante francês que tem uma superfície frontal mais elevada. Como compensação, este revela-se mais equilibrado nos percursos sinuosos, surgindo em primeiro plano a boa relação entre chassis e suspensões.
Apesar de não serem exemplos nem referências no capítulo da travagem, nenhum dos protagonistas tem razões para se envergonhar da sua prestação. Tendo como valor ideal os 45 metros para se imobilizarem dos 100 aos 0 km/h, os resultados e o diferencial entre os três é de apenas um metro a favor do Modus (46 contra 47 metros dos dois modelos japoneses).
Apoiados numa relação peso/potência mais favorável, Mitsubishi e Renault conseguem ser mais rápidos em quase todas as prestações. Porém, não podemos deixar de salientar a eficácia da caixa de velocidades do Jazz em termos de recuperações levando-o a aproximar-se (e a ultrapassar no caso dos 40-90 km/h) os seus opositores.
Economia
Juntar o útil ao agradável
O Honda Jazz consegue juntar o útil ao agradável. Primeiro porque é o que tem a melhor relação preço/equipamento. Depois porque o seu valor de retoma mantém-se ao nível dos seus adversários. Daqui resulta, de acordo com os dados do Banif-Rent, que para 36 e 48 meses o Jazz é aquele que oferece custos de utilização mais baixos (9640 e 10.240 euros). O Colt situa-se a meio da tabela (10.480 e 10.880 euros) e no último posto vem o Modus (10.480 e 10.880) e no último posto vem o Modus (10.780 e 11.230 euros) resultando estas contas da soma do valor de revenda com os custos de manutenção que tem que ser retirada ao PVP.
Quanto aos consumos, as marcas japoneses impõem-se facilmente a um Modus demasiado gastador. Chega a ser quase mais um litro aos 100 quilómetros, em relação ao Jazz, o mais poupadinho. Um somatório de valores a ter em conta.
Conclusão
A aliança do Modus
Ao contrário do que sucede com o motor de 1.2 litros, o Renault Modus tem no bloco 1.4 16V um precioso aliado. É que às boas qualidades evidenciadas pelo modelo francês, como por exemplo a qualidade, o conforto ou o comportamento em curva, junta-se agora um bloco que, sem ser um foguete, lhe permite uma desenvoltura bem mais condizente. Um pouco mais atrás, o Honda Jazz assume-se como uma alternativa de peso. Com uma excelente habitabilidade, uma bagageira que faz inveja a carros maiores e consumos moderados, o modelo da Honda conta, ainda, com uma relação preço/equipamento capaz de fazer pensar duas vezes. Por fim, o Mitsubishi Colt aposta nas capacidades e consequente desempenho do seu potente motor de 1.3 litros e num plano de garantias mais vantajoso para se impor.
Texto:
Miguel Rodrigues
Fotos:
Adelino Gonçalves
Metrologia:
Miguel Gomes
in
http://turbo.clix.pt/default.asp?CpContentId=314165&ListComment=1&CpMsgId=362281