"Quantos mais quilómetros mais mortos". Consequência do encerramento das urgências...

PeLeve

Well-known member
"Quantos mais quilómetros mais mortos". Consequência do encerramento das urgências...

Fecho de urgências aumenta mortalidade


O bastonário invoca um estudo científico inglês que confirma a pior das estatísticas.


Em casos de ferimentos graves em acidentes, enfartes e todas as doenças súbitas que implicam risco de vida, a morte pode ser determinada pela distância a percorrer até uma urgência.


Um grupo de investigadores do Reino Unido fez o levantamento estatístico de mais de 10 mil viagens de emergência feitas por ambulâncias inglesas, de que resultaram 644 mortos. A principal conclusão do estudo é simples: a mortalidade sobe um por cento por cada dez quilómetros que é preciso percorrer.

O bastonário dirige ao ministro da Saúde a chamada ao bom senso a à razão. Em causa o encerramento de dezenas de serviços de atendimento permanente com médico, sem que tenha sido criada uma única urgências básica, um problema mais grave no interior.

http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=850064


Já aqui se falou tanta vez nisto, mas, curiosamente, a quantidade de opiniões favoráveis ao fecho das urgências foi assustadoramente elevado...

E agora, o que pensam deste assunto?...
 
Descobriram a pólvora eles :D
De facto não, mas já antes, conforme referi, aqui se discutiu esta questão, ainda relacionada, não só mas também, com a questão das grávidas que começaram a "optar por dar à luz" nas ambulâncias, em função do aumento da viagem até ao hospital mais próximo!
 
Esse estudo confirma o que empiricamente toda a gente sabe...

Nas urgências o tempo é um factor essencial!

É essencial que um poli traumatizado seja ESTABILIZADO o mais rapidamente possível!!

E para isso são precisas ambulâncias DEVIDAMENTE equipadas em meios técnicos e humanos, e um serviço que se possa chamar de urgência na proximidade para completar a estabilização do doente, antes de o reencaminhar então para um hospital central...

"ambulâncias" de mero transporte e alguns bombeiros, não são meios humanos e técnicos recomendados para este tipo de intervenção...

Agora o que as pessoas estão a dizer do fecho de serviços de urgências não é totalmente verdade...

Não se pode chamar a umas instalações precárias, com pouco ou nenhum do equipamento recomendado, e somente 3 ou 4 médicos/enfermeiros a trabalhar, de serviço de urgências.....
 
Pois, de facto sai mais barato ao país se ainda fecharem mais urgências... Ou será que não?...

Ah pois claro, o que interessa é poupar, o bem estar e a saúde da população não são relevantes. Se calhar encaminhamo-nos para um mega-hospital central em lisboa capaz de receber emergências de todo o país, afinal de contas, o que são duas ou três horas de ambulância para um doente grave ou um acidentado? é das coisas mais agradáveis, até vão deitados e tudo, só falta instalar televisões, e foca uma maravilha, afinal de contas, é mais barato comprar uma TV para uma ambulância do que manter um médico num serviço de urgência na província.
 
Esse estudo confirma o que empiricamente toda a gente sabe...

Nas urgências o tempo é um factor essencial!

É essencial que um poli traumatizado seja ESTABILIZADO o mais rapidamente possível!!

E para isso são precisas ambulâncias DEVIDAMENTE equipadas em meios técnicos e humanos, e um serviço que se possa chamar de urgência na proximidade para completar a estabilização do doente, antes de o reencaminhar então para um hospital central...

"ambulâncias" de mero transporte e alguns bombeiros, não são meios humanos e técnicos recomendados para este tipo de intervenção...

Agora o que as pessoas estão a dizer do fecho de serviços de urgências não é totalmente verdade...

Não se pode chamar a umas instalações precárias, com pouco ou nenhum do equipamento recomendado, e somente 3 ou 4 médicos/enfermeiros a trabalhar, de serviço de urgências.....

Nem mais, é muito melhor o doente passar esse mesmo tempo com o vasto equipamento de socorro da ambulância e o médico altamente capaz que o acompanha.
 
De facto não, mas já antes, conforme referi, aqui se discutiu esta questão, ainda relacionada, não só mas também, com a questão das grávidas que começaram a "optar por dar à luz" nas ambulâncias, em função do aumento da viagem até ao hospital mais próximo!

Uma mulher que vai dar à luz não é um ferido grave nem sequer muito grave, salvo raras excepções, que são previamente conhecidas ao dia de parto, na grande maioria dos casos. Existe a possibilidade de programar, por isso, estamos num nível diferente.

Eu sei que o que te interessa é que cheguemos à tua conclusão que é mau fechar urgências, mas pelo menos, tenta (e, cada vez mais parece difícil), não misturar alhos com bugalhos.

Os ingleses não descobriram nada, apenas apresentaram dados científicos para algo que está na lógica pura.

Quanto mais longe se está de uma unidade de saúde, pior. Quanto mais longe de um centro urbano com recursos humanos e técnicos, pior.

Agora isso não é assim tão linear.

Uma urgência básica (como a grande maioria que se fecharam), com pouco mais que um médico, pouco ou nada pode fazer por um ferido grave e muito grave.

Agora, o fecho dessas urgências, já ocorreu na maioria dos países desenvolvidos como o UK, tal como os pequenos hospitais e maternidades.

Por isso, será legítimo, não digo chegar a uma conclusão, mas pelo menos admitir uma possibilidade:

Tendo uma rede de urgências com um mínimo de capacidades de actuação para mais que feridos ligeiros, ou seja, onde as capelinhas já morreram, continua a ser óbvio que quanto mais longe se está da urgência pior.

Agora isso não significa, necessariamente, que por urgências pequenas fecharem, o risco aumenta substancial ou, sequer, conclusivamente.

Mas para pensar bem antes de usar qualquer coisa que à primeira vista vai de encontro ao que pensamos, é preciso não estar amarrado ideologica ou corporativamente, sabes [:D]
 
Como diria em inglês...

"I'd rather take my chance" com esse tal médico.

Com todo o respeito que tenho pelos bombeiros, porque de facto são fabulosos, preferia ser visto primeiramente por um médico do que por um "paramédico".

Daqui de casa ao SAP, são 5 minutos, daqui de casa ao hospital são 30 minutos, em 30 minutos pode acontecer tanta coisa...

E olhem que para alguma população, 30 minutos é quase um luxo.
 
Estejam tranquilos que agora até há mais tripulantes de ambulâncias. A tripulação minima legal foi recentemente reduzida de 3 para 2.



Em caso de ser necessario realizar manobras de SBV até ao hospital (que ficam cada vez mais longe) as ambulancias vão andando por etapas: O tripulante 1 faz massagem cardiaca e o 2 conduz, de 10 em 10 minutos trocam?!?!?!:confused: [8b]
 
Nem mais, é muito melhor o doente passar esse mesmo tempo com o vasto equipamento de socorro da ambulância e o médico altamente capaz que o acompanha.


Mas não duvides disso...

Para já, em modernas e adequadas ambulâncias de urgência, e as respectivas equipas, não é 1UM mas sim uma equipa de pessoas devidamente habilitadas a prestar o primeiro socorro, com o respectivo equipamento indicado...

Depois tem que se continuar o processo de estabilização, em instalações adequadas com equipas multidisciplinares adequadas.....

Ir a uma coisa de que pouco mais é que um posto de enfermagem/consultas que é o nome que mereciam muitas das "urgências" deste país, seria pura perda de tempo...

É preferível seguirem em ambulâncias/helicópteros até ao mais próximo centro recomendado, do que ser transportado por bombeiros numa ambulância normal para um posto de consultas ou 1º socorros...


Evidentemente que temos POUCAS instalações destas, e as que há são em alguns casos muito afastadas das populações....

É necessário abrir mais serviços de urgência, dos bons, para formar uma rede proporcional em numero á população a servir...

Na minha opinião, defendo o fecho de muitas das usuais "urgências" em detrimento da construção de menos, mais melhores instalações...
 
Quando se tomam decisões destas, sabe-se que à partida vão haver uns quantos que se lixam. É digamos o preço a pagar por termos um sistema de saúde cada vez melhor, mais moderno, mais perto do cidadão....
 
Exactamente.

Quando a Beleza teve a coragem de fechar uma catrefada de maternidades, os que agora estão contra, também estavam na altura.

Um crime, diziam. Em causa o perigo das populações mais remotas. Um retrocesso. O ideal do SNS corrompido!

Agora, não sei se por não ser um governo de um partido dito de direita, ou porque o número de fechos ser muito menor, ou se por terem engolido em seco com os resultados dessa política nos números da mortalidade à nascença, pelo menos, já não usam esses termos. Vá lá...

Ao invés de andarem a lutar contra o fecho das "urgências" e pequenas maternidades, que lutem pela construção de uma rede de saúde com unidades com QUALIDADE e adequadas às necessidades e com meios móveis que efectuem o transporte de forma eficiente.
 
Última edição:
Mas não duvides disso...

Para já, em modernas e adequadas ambulâncias de urgência, e as respectivas equipas, não é 1UM mas sim uma equipa de pessoas devidamente habilitadas a prestar o primeiro socorro, com o respectivo equipamento indicado...

Depois tem que se continuar o processo de estabilização, em instalações adequadas com equipas multidisciplinares adequadas.....

Ir a uma coisa de que pouco mais é que um posto de enfermagem/consultas que é o nome que mereciam muitas das "urgências" deste país, seria pura perda de tempo...

É preferível seguirem em ambulâncias/helicópteros até ao mais próximo centro recomendado, do que ser transportado por bombeiros numa ambulância normal para um posto de consultas ou 1º socorros...


Evidentemente que temos POUCAS instalações destas, e as que há são em alguns casos muito afastadas das populações....

É necessário abrir mais serviços de urgência, dos bons, para formar uma rede proporcional em numero á população a servir...

Na minha opinião, defendo o fecho de muitas das usuais "urgências" em detrimento da construção de menos, mais melhores instalações...

Isso deve de ser lá na tua zona, porque aqui na região, não vi nenhuma construção de serviços de urgência com mais e melhores instalações. O que havia quando o governo entrou em funções é exactamente o que há agora.

Além disso, uma coisa não invalida a outra.

No caso de haver um SAP, é sempre possível escolher o local mais adequado por parte de quem socorre.

No caso de não haver SAP, não há escolha possível.
 
O ideal era um serviço de urgências topo de gama "em cada esquina"

Mas dada a impossibilidade de as realizar, a segunda melhor opção é ter esses serviços com menos frequência, mais espalhados, mas a distancias aceitaveis uma vez dada a 1ª assistencia aos pacientes no local por equipas especializados....

O actual sistema de "quase em cada esquina" ter um "barraco" com poucos meios técnicos e humanos para onde são levados por bombeiros em ambulâncias normais de transporte os pacientes, é que é desumano, e causador de mais mortes do que imaginam...

Não basta levar o mais depressa possível o paciente ao sitio mais perto onde haja um medico, isso só não chega...
 
Exactamente.

Quando a Beleza teve a coragem de fechar uma catrefada de maternidades, os que agora estão contra, também estavam na altura.

Um crime, diziam. Em causa o perigo das populações mais remotas. Um retrocesso. O ideal do SNS corrompido!

Agora, não sei se por não ser um governo de um partido dito de direita, ou porque o número de fechos ser muito menor, ou se por terem engolido em seco com os resultados dessa política nos números da mortalidade à nascença, pelo menos, já não usam esses termos. Vá lá...

Ao invés de andarem a lutar contra o fecho das "urgências" e pequenas maternidades, que lutem pela construção de uma rede de saúde com unidades com QUALIDADE e adequadas às necessidades e com meios móveis que efectuem o transporte de forma eficiente.

meu caro, poderíamos estar toda a noite a tentar discutir o sexo dos anjos (os problemas da saúde em portugal).

mas para mim, o que existe, é uma grande desigualdade de meios e de profissionais. Nuns locais há muitos profissionais e instalações/equipamentos de muito boa qualidade, noutros não.

Em portugal, quem mora no lugar certo tem uma prestação de saúde muito melhor que quem mora no lugar errado.
 
meu caro, poderíamos estar toda a noite a tentar discutir o sexo dos anjos (os problemas da saúde em portugal).

mas para mim, o que existe, é uma grande desigualdade de meios e de profissionais. Nuns locais há muitos profissionais e instalações/equipamentos de muito boa qualidade, noutros não.

Em portugal, quem mora no lugar certo tem uma prestação de saúde muito melhor que quem mora no lugar errado.


É verdade...

Mas qualquer profissional, dada a hipótese de escolha, tem todo o direito e legitimidade de escolher o local para exercer a sua profissão, de acordo com as suas prioridades e preferências....

Poderia existir um sistema de incentivo para a fixação de profissionais em zonas menos urbanas, mas como não há, cada um zela pelos seus interesses, compreensivelmente...

Construam os equipamentos, modernizem o interior, incentivem a mudança que as pessoas aparecem...

Não se pode é exigir primeiro as pessoas e depois os meios, pois desta maneira ninguém mudaria
 
Última edição:
Concordo plenamente contigo, melhorar instalações e dar incentivos extras aos profissionais seria o caminho certo. Mas obviamente, a população "eleitora" no litoral citadino é muito mais valiosa que os campónios da província.
 
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