Mas uma parte do desenvolvimento deste caso:
Da multa à irradiação
Os regulamentos da UEFA são pouco concretos no respeitante à punição destes casos, que tanto podem valer apenas uma multa como a irradiação pura e simples. Um caso que deverá ser esgrimido na UEFA na meio da próxima semana.
As medidas de Luiz Felipe Scolari na ressaca do incidente foram a leitura de um comunicado, ao final da tarde, e mais tarde uma entrevista à RTP 1, esta, ao contrário da anterior, já com direito a perguntas por parte da jornalista Judite de Sousa.
Revelações, duas: o brasileiro assumiu, ao contrário do que fizera na véspera, a intenção de agredir o jogador sérvio e juntou à justificação, já conhecida, de que agira apenas na defesa de Quaresma, alegados insultos que Dragutinovic lhe teria dirigido em espanhol.
As reacções ao episódio foram-se acumulando durante todo o dia, a maioria delas de indignação e censura, incluindo declarações de Laurentino Dias, secretário de Estado do Desporto, e do presidente da Liga, Hermínio Loureiro, que se encarregou até de pedir desculpas pelo episódio ao Presidente da República. Da parte da Federação, apenas silêncio e uma referência do próprio Scolari, segundo a qual Madail lhe reiterara confiança. Só ao final do dia, uma comunicação, assinada por todos os jogadores que fizeram parte das convocatórias para estes dois últimos encontros, saiu inquestionavelmente em defesa do técnico.
Dos três grandes clubes portugueses, Scolari recebeu o apoio esperado de Benfica e Sporting, enquanto o FC Porto adiou os comentários.
Da leitura da Imprensa internacional ressaltou a expectativa unânime de uma punição dura, dado o carácter insólito do incidente e o estatuto da pessoa em causa. Era quase obrigatória a analogia com o caso de Zidane, que cumpriu pela agressão ao italiano Materazzi, no último Mundial, apenas três meses de suspensão e, a nível da responsabilidade civil, três dias de serviço comunitário. Mas o francês havia encerrado a carreira, pelo que os casos não são comparáveis, mesmo que as circunstâncias o fossem. Já o espanhol David Navarro, do Valência, terminou esta semana de cumprir seis meses de castigo pelo soco no argentino Nicolas Burdisso, do Inter de Milão. Mas também não é um exemplo comparável.
Para Scolari, o caso de anteontem não é o primeiro. Em 1985, irritado com as queixas de Vanderlei Luxemburgo, tentou agredir o colega de profissão, e dois anos depois desentendeu-se com Valber, jogador do Vasco da Gama. O caso mais grave aconteceu em 1998, quando agrediu mesmo um jornalista da Rádio Bandeirantes.
UEFA anunciou instauração de um inquérito
A UEFA anunciou ontem que vai instaurar um inquérito ao incidente que envolveu Luiz Felipe Scolari e o sérvio Dragutinovic. Segundo o Regulamento Disciplinar daquele organismo, a pena para "jogadores, treinadores ou participantes do encontro" que agridam um adversário durante um encontro "pode ir de uma multa até à suspensão". Neste último caso, Scolari poderá ser suspenso das suas funções por determinado número de jogos ou determinado período de tempo". Em última instância, e segundo a alínea F do artigo 15 do Código Disciplinar da UEFA, a pena de Luiz Felipe Scolari, caso seja considerado culpado por ter agredido um jogador, poderá passar pela irradiação de "exercer qualquer actividade ligada ao futebol", como punição mais grave.
Fonte: Ojogo