Mónica:
> Conforme analizámos posterioremente a Força de Atrito é anulada pela Força de Travagem (ou tracção
> se fôr aceleração). Resultanto depois, em função da transformação do movimento circular da roda em
> movimento rectilíneo do carro, uma força que se pode considerar aplicada no centro de massas do
> carro. Tem que resultar uma força, pois é essa que vai fazer o carro parar.
A força de travagem não é anulada pela força de atrito. A força de travagem
é a força de atrito. É essa força que vai fazer parar o carro. Não estás a ver?
> E essa força é que fica sujeita ao F = m a. Logo, dependente da massa do carro.
Só que o teu F é não é uma "força de travagem" mas uma força de atrito, cuja forma é, em caso de derrapagem, F = coef.atrito_cinetico * mg. Metendo esta força na lei de Newton temos (mais uma vez)
coef.atrito_cinetico * mg = ma
<=> a = ca_c * g
que é independente da massa. Sem derrapagem, como disse atrás, é mais complicado.
> E isto é válido quer para uma travagem, quer para uma aceleração. Essa foi a maior contradição das
> tuas demonstrações. Foi isso que nunca me convenceu. O comportamento das forças, numa situação e
> noutra, é precisamente o mesmo. Só variando os sentidos das forças, quer de tracção ou travagem,
> quer do atrito solo / pneu. Dizeres conforme dizes, que numa travagem a massa não tem interferência
> e que numa aceleração já tinha, nunca me conseguiu convencer.
Atenção que as contas dependem de haver derrapagem ou não. Com derrapagem nem a travagem nem a aceleração dependem da massa. Sem derrapagem, a aceleração obviamente depende da massa, e provavelmente a travagem também dependerá. É tudo consequência do facto (experimental)
F =< coef.atrito_estático * mg
É o facto de haver uma desigualdade que complica as contas. Compara com o caso de derrapagem:
F = coef.atrito_cinetico * mg
Aqui é tudo muito mais simples porque, quando metes esta força na lei de Newton F = ma, as massas cortam e tudo se torna independente dela.
> Outra discussão que me estavas quase a convencer foi em relação à velocidade máxima.
> Mas na realidade temos o atrito. Atrito esse que vai ser dependente da massa do corpo (carro). E
> quanto maior for a massa, maior vai ser o atrito. Se a força de tracção máxima fornecida pelo motor
> vai ser sempre a mesma, então o carro não vai conseguir atingir a mesma velocidade máxima. Para
> além das acelerações (positivas e negativas) ficarem comprometidas, a velocidade máxima também irá
> ser inferior, para um mesmo carro com mais massa.
Para perceberes a velocidade máxima pensa assim. Por cada segundo que passa, há uma certa quantidade de ar que tem que ser afastada para o carro passar. Esse ar, ao ser afastado, realiza trabalho sobre o carro e fá-lo perder velocidade. Ao fim desse 1 segundo, para que o carro mantenha a velocidade, torna-se preciso transmitir às rodas exactamente o mesmo trabalho que o ar realizou sobre o carro. Se o ar realizou, digamos, 100 kJ de trabalho sobre o carro em 1 segundo, o carro tem que transmitir às rodas 100 kJ, senão a velocidade diminui. Agora entra a fórmula: Pot = trabalho / tempo. Ou seja, nesse 1 segundo o carro debitou 100 kW de potência (136 cv) para compensar o trabalho que o ar fez sobre ele.
À medida que a velocidade sobre, o trabalho do ar é cada vez maior e o carro tem que debitar MAIS potência para o compensar. A velocidade máxima é atingida quando o carro está a debitar a sua potência máxima. E como vês, a massa não entrou para nada nesta discussão
> Não me conseguiste demonstrar como é que a aceleração de travagem, vai cessar com o fim do
> movimento.
>
> a = -coef.atr * g
>
> Ou seja, tens um coeficiente de atrito que é um valor fixo, tem o g que é uma constante, como fazes
> com que a aceleração seja 0?
> Mais, nem sequer tens dependencia nenhuma de uma força de travagem!
Pois claro que não tenho nenhuma força de travagem. Essa força é a força de atrito. O caso aqui é travagem com derrapagem, e o coef.atr aqui é o cinético. Assim que o carro se imobiliza, o atrito cinético deixa de actuar e as forças horizontais no carro passam a ser... zero! Que é que há de estranho nisto? É só física geral.
> Segundo essa tua fórmula não precisarias de travões, pois o que te faz travar o carro é o
> coeficiente de atrito e a gravidade...
Onde tu já vais..

essa fórmula vem de simplificar um cálculo onde entra a força de atrito cinético.
> Não há volta a dar-lhe, tens que ter uma força resultante. E essa vai estar sujeita ao Fr = m a.
> Sempre em dependência da massa do carro!
Mas em derrapagem essa Fr DEPENDE da massa: Fr = -ca_c * MASSA * g. Substituindo no F = ma, tens o tal
a = -ca_c * g
que não depende da massa.
> Desculpa o tom mais incisivo e de discórdia , mas sinceramente não consigo aceitar a tua teoria.
Ora essa. Quem anda nos fóruns tem que saber aguentar discussões acesas

Mas olha, se viveres perto de Coimbra ou Lisboa, podemos combinar e eu explico-te tudo em pessoa.. eheh.