Crédito bancário
Arredondamento de juros dá milhões à banca

O arredondamento das taxas de juros que os bancos portugueses costumam praticar nos empréstimos que concedem, nomeadamente no crédito à habitação, dão à banca um ganho total anual entre os 73 milhões e os 198 milhões de euros, de acordo com um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros (Sefin).

De acordo com o estudo, cujos resultados são publicados esta quarta-feira pelo jornal ‘Diário de Notícias’, caso seja calculado um arredondamento mínimo de um oitavo de ponto percentual (0,125%), o ganho é de 73 milhões de euros, mas se esse arredondamento atingir o quarto de ponto percentual (0,250%), os ganhos saltam para os 198 milhões de euros.

Os cálculos realizados pela Sefin, que fazem parte de um memorando entregue na semana passada ao governador do Banco de Portugal, permitem concluir que num crédito à habitação no valor de 200 mil euros com um prazo de pagamento de 20 anos e com uma taxa de juro de 4,047% (arredondado a um quarto de ponto percentual para os 4,250%), o cliente tenha um custo adicional de 4.270 euros.

Considerando esta prática de arredondamentos das taxas de juro praticada pelos bancos portugueses abusiva, a Sefin, recentemente criada, espera que o Banco de Portugal decida tomar alguma medida, mostrando-se, entretanto, disposta a apoiar qualquer consumidor que decida avançar para tribunal.