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Título: a polémica da hora - as quotas

  1. #31
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por jktfah Ver Post
    Também acontece ao contrário.
    Os professores não reprovam por ser de uma minoria. Como é óbvio o júri nunca podia (ia) chumba-la. Ninguém quer ser quem "reprovou a cigana" ou "o preto" ou "o pobrezinho".
    Tem sempre uma oportunidade por ser quem é e de onde veio. Oportunidade que outros não têm. É a tal discriminação positiva. Basta manter-se na linha que as pessoas com medo de ser "chamadas" de racistas ou xenofobas facilitam na escola, universidade e no mercado aceitam o currículo logo.
    O estilo de vida é incompatível com o nosso.
    Então passar sempre uma criança apesar de ela não estar a aprender é "positivo" para ela? Está certo
    E repara que pareces nem conseguir conceber que existem ciganos que não encaixam nesse estereotipo ou então achas que esses já não sofrem (miraculosamente) qualquer discriminação porque são "bons" ciganos.


  2. #32
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    Por Defeito

    Não é positivo, mas é o que se faz.
    Sofrem sim, eu sei que sofrem, mas eles sabem jogar a carta "cigano", esses "bons" ciganos. Não te preocupes. Não se pode ter tudo. São disriminados mas tem essa carta que nós não temos . E abre muita porta.

  3. #33
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    Por Defeito

    Eles nem se importam de serem discriminados, na verdade nunca são, o que pode acontecer é levarem bocas nas redes sociais ou por trás. No acesso aos serviços e no que realmente interessa não são discriminados[vão a todo o lado, tem acesso ao mesmo que nós e mais], são é beneficiados. Eles sabem bem disso e jogam o jogo do "quem não chora não mama", e fazem bem, cada um joga como que tem.
    Se fores pedir uma casa a camara preenches os papeis e nunca te vai ser concedida [só se tiveres cunha], o cigano vai lá e nem a minuta preenche e tem casa logo no dia a seguir. Vais de carro és parado, cigano é tranquilo, podes vender onde quiseres, etc. Até droga, vendes droga o MP abre inquérito e investiga, és cigano vendes droga a ceu aberto há mais de trinta anos e é... tranquilo, pelos vistos!
    Exemplos.
    Z00L gosta disto.

  4. #34
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    há muito que o público é o pior jornal de Portugal
    O mais manipulador e com a prática jornalistica menos ética

    creio que este é um bom exemplo da falta de ética e de uma inteligência matreira que tem sido apanágio desse veículo de propaganda, bem pior que as toscas fake news das redes sociais

    sou contra as quotas em Portugal, mas o artigo que as defende faz-lo com argumentos muito duvidosos
    Não foi ingenuidade do publico, escolher para opositora à sua oposição uma historiadora que usa argumentos e twm ideias que afastam pessoas mais moderadas

    é uma astuciosa tactica de promover o "inimigo" que dá jeito, como Salazar a promover como alternativa ao seu governo um governo liderado pelo estalinista cunhal

    O editorial do público é ainda mais preocupante e por baixo de uma argumentacao a repudiar o texto que publicou tem uma mensagem que mostra a crescente tendência para a censura do sector político a que o público pertence, os comentários de muitos dos seus leitores mostram que o texto inicial e as ideias que manifesta devia ser silenciados, que certas ideias e opiniões devem ser proibidas de ser publicadas

    Atendendo a uma série constante de notícias e os destaques a estas dados tudo isto me parece muito pouco inocente, nada disto foi fortuito, foi uma manobra para colar a oposição às quotas ao racismo, homofobia, misoginia e à xenofobia

    Aliás uma das razões porque sou contra as quotas e precisamente porque o sentimento de injustiça dos que perdem os seus lugares devido às quotas irá criar ressentimentos que acirram o racismo, a xenofobia, a misoginia, etc

    o que para os grupos que vivem da denúncia destes problemas é excelente, atualmente o problema a nível nacional não fornece alimento suficiente para alimentar os grupos que vivem do suposto combate a estes ódios e têm de importar casos estrangeiros para manter vivo artificialmente o destaque mediático destas causas

  5. #35
    lll
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    A máquina de inventar racistas


    Rui Ramos

    9/7/2019

    O pior que nos poderia acontecer era deixarmos de ser portugueses, para passarmos a ser “brancos”, “negros”, ou “ciganos”. Não contem comigo para macaquear o pior que tem a sociedade americana.

    Fui aluno de Maria de Fátima Bonifácio, admiro a sua obra como historiadora, e, tão ou mais importante do que isso, sou seu amigo. Mas não foi só por essas razões, que ficam declaradas para ninguém ter o trabalho de as lembrar, que me repugnou a canalhice das calúnias e das ameaças com que, a pretexto de um artigo de jornal, a gente do costumea pretendeu cercar durante o fim de semana. Nesse ataque, houve muito da precipitação de alcateia que define as redes sociais. Mas houve também a inspiração de um dos mais asquerosos projectos políticos do nosso tempo.
    Porque a má fé e a estupidez dominam este debate, vou tentar ser muito claro.
    Fátima Bonifácio está certa na rejeição do sistema de quotas étnicas. Mas não evitou alguns equívocos. Por exemplo, o de aparentemente sugerir – se percebi bem — que o problema da integração dos ciganos ou dos chamados “afrodescendentes” se deve a serem estranhos à sociedade portuguesa, à sua história ou aos seus valores. Ora, os ciganos estão em Portugal há mais de meio milénio. Falam a língua e têm a religião da maioria da população. São cidadãos portugueses, e tão portugueses como quaisquer de nós. Os “afrodescendentes” não são um grupo homogéneo, mas, na sua maioria, são indivíduos originários de antigas colónias europeias. Representam uma das mais intensas Cristandades dos dias de hoje, e sempre se exaltaram com as ideologias ocidentais (a Revolução Francesa também aconteceu no Haiti).
    Nada disto, porém, faz da autora uma “racista” e muito menos do seu artigo um “manifesto racista”. Vamos entender-nos: uma coisa são preconceitos, ou desconfianças derivadas de certos comportamentos – se isso fosse racismo, então toda gente, em todo o mundo, foi, é e será sempre racista; outra coisa são instituições e doutrinas que, com fins políticos, visam a classificação e discriminação das pessoas como membros de “raças”, e nesse sentido, nem toda a gente foi, é ou será racista, e é aí que deve assentar a expectativa de que a humanidade resistirá a propostas para usar características “étnicas” com fins políticos.
    A esquerda radical confunde as duas coisas, para melhor esconder que quer praticar uma delas. Tal como sempre precisou de fascistas, precisa agora de racistas. Precisou de fascistas, porque se toda a gente que não pensa como Catarina Martins for fascista, está legitimado o uso da força para perseguir e calar quem não pensa como Catarina Martins. E precisa agora de racistas, porque só havendo muitos racistas é que pode justificar o sórdido projecto com que substituiu a “luta de classes”: usar cinicamente as migrações para segmentar as sociedades ocidentais em “raças” mutuamente hostis. A pretexto da causa da “integração” e da denúncia do “racismo”, o objectivo desta esquerda que trocou Marx por Fanon é tentar reduzir certas pessoas a membros de “minorias”, e estas “minorias” a meros colectivos identitários de “vítimas”, dependentes do Estado e controlados por demagogos.
    Estou a dizer que em Portugal, ciganos e migrantes não são frequentemente pobres e marginalizados? Não. Mas pergunto: são os únicos pobres e marginalizados? Não há pobres e marginalizados entre os outros portugueses? E se são pobres e marginalizados, isso deve-se a “racismo”? Não tem nada a ver, no caso dos ciganos, com uma velha cultura de nomadismo? Não tem nada a ver, no caso dos migrantes, com o facto de serem trabalhadores pouco qualificados chegados recentemente (os primeiros cabo-verdianos desembarcaram há menos de 50 anos)?

    Estou a dizer que não merecem nenhum cuidado? Não. Mas a ciganos e a migrantes falta sobretudo o que falta aos outros portugueses pobres: uma economia próspera e aberta, onde todos – e não apenas os clientes do poder — sintam que vale a pena trabalhar, poupar e investir; uma escola exigente, com os devidos apoios sociais, que compense as desvantagens e não que as agrave, em nome da “diversidade”; serviços públicos efectivos, que não sejam sacrificados ao emprego de clientelas partidárias; uma lei que seja igual para todos, e que tolere diferentes culturas, mas não comportamentos contrários à coexistência pacífica dos cidadãos. O que ciganos e migrantes não precisam – nem eles nem ninguém — é de serem metidos em guetos legais e estigmatizados pela dependência do poder político.

    O pior que nos poderia acontecer em Portugal era deixarmos de ser portugueses, para passarmos a ser “brancos”, “negros”, ou “ciganos”. Não contem comigo para macaquear o pior que tem a sociedade americana. Eu não me identifico nem nunca me identificarei como “branco”. Sou português como Eusébio, um dos nossos maiores futebolistas, ou como Marcelino da Mata, um dos nossos militares mais condecorados. É do país deles que eu quero ser mais um cidadão, e não dessa caricatura do Alabama dos anos 50 a que a extrema-esquerda convertida ao racialismo gostaria de reduzir Portugal.


  6. #36
    Piloto de Fórmula 1 Raistaparta's Avatar
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    Por Defeito

    Deixo aqui um artigo de opinião, assino por baixo:



    Nos últimos dias, surgiu a notícia no jornal Público de que o PS poderá propor no seu programa eleitoral a criação de quotas raciais para negros e ciganos, quer no acesso ao ensino superior, quer nas listas à Assembleia da República. Segundo o secretário-nacional socialista, Rui Pena Pires, com a adopção desta medida o PS pretenderia ‘corrigir a falta de diversidade no espaço público’, ‘responder aos problemas que estão para além da desigualdade social’ e criar ‘condições para uma maior visibilidade e intervenção dos portugueses de origem africana e cigana’.

    Esta notícia foi alvo das mais diversas reacções, sendo de longe a mais polémica, a opinião expressa pela historiadora Maria de Fátima Bonifácio no jornal Público, com o título ‘Podemos? Não, não podemos’. Fátima Bonifácio justificou uma posição contrária às quotas raciais para negros e ciganos afirmando que nem uns nem outros partilham ‘as mesmas crenças religiosas e os mesmos valores morais’ ou fazem parte da mesma ‘entidade civilizacional’ que os restantes portugueses.

    Ora, a razão pela qual discordo da opinião de Fátima Bonifácio é precisamente a mesma que me faz discordar frontalmente da ideia de estabelecer quotas raciais para o que quer que seja.

    Fátima Bonifácio incorre em generalizações, alegando que os portugueses negros e ciganos se auto-excluem da comunidade nacional, não tendo em conta o relevante número de negros e mesmo ciganos que estão plenamente integrados na sociedade portuguesa. A opinião de Fátima Bonifácio reforça a ideia de que a sociedade portuguesa está dividida entre portugueses e ‘forasteiros’ africanos e ciganos de culturas exóticas, opostas e inconciliáveis com a nossa.

    Não concordo com a tese de Fátima Bonifácio por considerar que a origem étnica de um ser humano não lhe confere qualquer tipo de características culturais inatas e problemas de exclusão social. E é precisamente esta a ideia em que se baseiam as quotas raciais.

    O sistema de quotas raciais apresenta graves problemas e gera enormes injustiças. Um dos problemas mais evidentes é o facto de o critério para decidir quem é negro e quem não é, ser absolutamente subjectivo. Como decidir a partir de que tom de pele um mulato teria direito a quota racial? Os órgãos encarregues de tomar este tipo de decisões lembrariam demasiado os tribunais raciais nazis implementados pelas Leis de Nuremberga, que estabeleciam critérios para determinar quem era judeu, negro ou cigano. No Brasil, onde existem quotas raciais, já ocorreu o caricato caso de dois irmãos gémeos idênticos serem julgados de forma diferente, sendo um considerado negro e outro considerado branco, dada a subjectividade dos critérios.

    As quotas raciais poderão também reforçar o racismo e os preconceitos. O economista americano afro-descendente Thomas Sowell, na sua obra ‘Affirmative Action Around the World’, analisou os efeitos de políticas de discriminação positiva em diversas partes do mundo. Sowell concluiu que sempre que essa discriminação é feita através de características biológicas o racismo acaba por se acentuar. Verificou que, por exemplo, estabelecendo-se quotas raciais no acesso ao ensino superior, a longo prazo as maiorias tendem a desconfiar de profissionais negros das mais diversas áreas, por julgarem que estes estariam a exercer aquela profissão não por mérito, mas por terem beneficiado de quotas. Um preconceito absurdo mas que seria resultado dessas políticas de discriminação pela cor da pele.

    Outro dos problemas mais notórios do sistema de quotas raciais é que este sistema tem como critério unicamente a cor da pele. Ora, este critério único pode gerar injustiças óbvias, como beneficiar negros com elevadas capacidades económicas em detrimento de brancos com dificuldades económicas, ou beneficiar negros com pior currículo que brancos com melhor currículo provenientes do mesmo contexto social.

    É verdade que há um problema de exclusão social em Portugal. No entanto, as quotas raciais não só não o resolveriam como também o poderiam agravar. Uma melhor alternativa seria o reforço de bolsas de estudo para os portugueses mais desfavorecidos, ou em limite a criação de quotas sociais para esses estudantes, independentemente de serem brancos, negros, ciganos, amarelos ou esquimós. Com a introdução destas medidas, os cidadãos negros e ciganos desfavorecidos serão também naturalmente beneficiados. O que não podemos, de forma alguma, é dividir a sociedade com base na cor da pele. Esta divisão não seria mais que a institucionalização do racismo.

    Se o estado português implementasse um sistema de quotas raciais estaria a dizer-nos que negros ou ciganos não deveriam ingressar na universidade com as mesmas vagas que outros portugueses brancos, independentemente de estes serem pobres ou não. Negros teriam vagas específicas para eles, à semelhança do que acontecia no antigo regime sul-africano do apartheid, onde negros tinham bares, autocarros ou casas de banho específicas para eles. A divisão racista de uma sociedade nunca poderá ser uma coisa boa, mesmo que seja implementada tendo em vista a resolução de um problema social. Segregar uma fatia da população por aspectos raciais, não tendo em conta factores económicos, não trará qualquer avanço. Não passará de um retrocesso civilizacional travestido de progresso social.

    Sonho com uma sociedade cada vez mais unida e coesa. Um país sem racismo, onde todos os seres humanos sejam tratados como iguais, sem olhar à cor da pele. Um Portugal onde todos se sintam portugueses e estejam plenamente integrados, independentemente da etnia, religião, ou capacidade económica. Orgulho-me de viver num país onde cidadãos das mais diversas origens étnicas ascendem aos mais altos cargos da Nação. Medidas como quotas raciais são instrumentos de divisão da sociedade e de segregação racial. Não quero isso para o meu país. Estamos todos no mesmo barco, somos todos Portugueses. Apenas com uma comunidade unida conseguiremos cumprir Portugal.

    Estudante, 18 anos

    https://observador.pt/opiniao/aparth...ou-a-portugal/
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  7. #37
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    Sou a favor de quotas para mulheres em organismos públicos, numa fase inicial, para aumentar a sua representatividade.
    Para cidadaos pretos e ciganos vai ser mais complicado. Porque o sexo é algo que se conhece e existem estatísticas sobre isso, no entanto nao existe qualquer estatística em relacao á cor da pele ou á etnia. Nao deixa no entanto de ser necessário aumentar a representatividade destes alunos nas universidades (e talvez até escolas) através de bolsas específicas para eles.

  8. #38
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    Sou a favor que se proíba o homem branco de trabalhar e só seja permitido o trabalho a mulheres, pretos e ciganos, etc.

  9. #39
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    Continuo a não perceber essa das cores, há uma paleta nomenclada para podermos aproximar da pele e saber para onde ir?



    É que no meio disto tudo sinto-me confuso. É que quando chego proximo de um africano ou um brasileiro sou branco, mas se chego a um ingles ou sueco nem pensar nisso, sou mais um genero de mestiço, um "olive color" um mulato das europas. Por isso expliquem-me lá sff eu como português a que guichet me dirijo?
    Z00L gosta disto.

  10. #40
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    Sou a favor da meritocracia e da aplicação de mecanismos que não discriminem ninguém e de outros que promovam o acesso à educação de qualquer pessoa.

    Sou contra a criação de quotas. É um tipo de discriminação positiva que implica uma discriminação negativa. Passo a explicar:

    "Vai ser contratada (mulher)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por ser homem, temos de cumprir quotas."
    "Vai ser contratado (homem)"/"Apesar de ser a melhor para esta vaga, não vai ser contratada por ser mulher, temos de cumprir quotas."

    "Vai ser contratado (pessoa negra)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por não ser negro, temos de cumprir quotas."
    "Vai ser contratado (pessoa branca)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por não ser branco, temos de cumprir quotas."

  11. #41
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    Citação Originalmente Colocado por pontopt Ver Post
    Sou a favor da meritocracia e da aplicação de mecanismos que não discriminem ninguém e de outros que promovam o acesso à educação de qualquer pessoa.

    Sou contra a criação de quotas. É um tipo de discriminação positiva que implica uma discriminação negativa. Passo a explicar:

    "Vai ser contratada (mulher)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por ser homem, temos de cumprir quotas."
    "Vai ser contratado (homem)"/"Apesar de ser a melhor para esta vaga, não vai ser contratada por ser mulher, temos de cumprir quotas."

    "Vai ser contratado (pessoa negra)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por não ser negro, temos de cumprir quotas."
    "Vai ser contratado (pessoa branca)"/"Apesar de ser o melhor para esta vaga, não vai ser contratado por não ser branco, temos de cumprir quotas."
    As quotas servem numa fase inicial para que pessoas que inicialmente nao seriam consideradas para aceder a um certo lugar o possam fazer. Deste modo gera-se uma igualdade á força que depois no futuro pode perdurar mesmo que as quotas desaparecam.

  12. #42
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    Portanto, servem para os incompetentes acederem a lugares que antes nunca teriam possibilidade

    A meu ver nunca deixarão de haver incompetentes por isso irão sempre existir sempre as tais quotas, até porque não é levando ao colinho que se ensina a andar
    jimbo gosta disto.

  13. #43
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    Citação Originalmente Colocado por Error0001 Ver Post
    Portanto, servem para os incompetentes acederem a lugares que antes nunca teriam possibilidade

    A meu ver nunca deixarão de haver incompetentes por isso irão sempre existir sempre as tais quotas, até porque não é levando ao colinho que se ensina a andar
    Existem mais mulheres no ensino superior do que homens desde os anos 90, nao seria normal ver alguma paridade em cargos de topo por esta altura?
    QRod gosta disto.

  14. #44
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    Citação Originalmente Colocado por PePa Ver Post
    Quotas e integração forçada, acho mal. Acho que deveria ser óbvio, discriminação positiva é discriminação na mesma.
    Observatórios - acho ridículo

    O artigo em si, embora concorde com a opinião, acho que podia ser mais polido e menos populista (ah e tal as verdades), daí as críticas, dar exemplos de uma cabo-verdiana supostamente racista... enfim, para quê ?!
    Posso fundamentar a mesma opinião de base, e ela até o fez parcialmente, sem dar exemplos nem tecer considerações generalizadas susceptíveis de crítica.

    Antes que venham com a típica "censura do politicamente correcto" notem que não tenho problema nenhum em ver a opinião publicada, mas isso não me impede de achar que se excedeu nas generalizações, só isso.

    Até concordo em parte com a parte dos ciganos, na medida em que parte do problema da discriminação tem, para mim, a ver com o sentimento de impunidade face às legislação, e a sociedade tem essa ideia. Sendo essa face do casamento de menores particularmente grave.
    O primeiro passo para a "igualdade" passa pelos deveres não pelos direitos na sociedade, só merecerão a "aceitação" da sociedade quando a sociedade achar que seguem as mesmas regras fundamentais.

    A forma como ela expressou é que poderia ter sido mais elegante.
    "ah e tal tem que se ter cuidado com os sensíveis quando se dizem as verdades"
    Sim tem, é um artigo de opinião, que se quer ser respeitado e tido em conta pelo maior número de pessoas para transmitir uma ideia, tem que fazer por isso. Não é uma conversa de café.


    Mas a tendência hoje em dia é esta, polarizar todas as opiniões, contra uma proposta de "integração forçada" meio parola e populista à esquerda, vêm logo estes populismos à direita ... não há meio termo nas polémicas (coincidência)
    Tenho de realçar o teu post, pois não tenho absolutamente nada a acrescentar ou retirar. É isto.


    deixo a opinião deste senhor que é muto apreciado por cá, com a qual também concordo.

    João Miguel Tavares
    Opinião
    Maria de Fátima Bonifácio e a cristandade

    Afirma que nem africanos nem ciganos “fazem parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade”. Não só isso é factualmente errado, como a própria história da cristandade é, desde a sua fundação, baseada no universalismo e no desejo de abertura a todos.

    9 de Julho de 2019, 6:13

    É sempre uma chatice quando pessoas de quem gostamos escrevem textos de que não gostamos, e é ainda uma chatice maior quando nos sentimos moral e profissionalmente obrigados a comentá-los em público. Se este meu artigo sair mais coxo do que é habitual, dêem-me o desconto: eu conheço, gosto e admiro intelectualmente Maria de Fátima Bonifácio.
    Infelizmente, não gosto nem um bocadinho do artigo “Podemos? Não, não podemos”, não reconheço nele a mulher que admiro, nem percebo como pôde ele ser intelectualmente sustentado com tantas generalizações de cair o queixo — e que, sim (custa-me muito dizer isto), entram mesmo no campo do racismo.

    Porque é que não fico calado, então, e escrevo sobre outra coisa qualquer? Porque sinto que não devo, nem quero participar numa jogatana esquerda-direita nesta matéria, como alguns já se preparam para fazer, com a claque pró-Bonifácio a defender que ela disse grandes verdades que ninguém tem a coragem de verbalizar e a claque anti-Bonifácio a garantir que o seu artigo é incitação ao ódio e merece perseguição criminal.
    Seria fácil para mim ignorar o texto original e atirar-me às reacções descabeladas que já ouvi por aí (José Eduardo Agualusa, homem habitualmente ponderado, escreveu que Bonifácio e o PÚBLICO deveriam responder “perante a justiça portuguesa”, por amor de Deus), mas sendo uma estratégia fácil também seria cínica, até por causa de uma palavra que foi invocada e me é muito cara: cristandade.

    Maria de Fátima Bonifácio afirma no seu artigo que nem africanos nem ciganos “fazem parte de uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade”. Não só isso é factualmente errado (estima-se que 40% dos africanos sejam cristãos e os ciganos tendem a adoptar a religião dos países onde se instalam), como a própria história da cristandade é, desde a sua fundação, baseada no universalismo e no desejo de abertura a todos, sejam eles brancos, amarelos ou vermelhos, lusitanos, africanos ou ciganos.

    A discussão entre Pedro e Paulo sobre se os gentios, por não serem circuncidados, poderiam ser cristãos, foi ganha por Paulo no século I — ou seja, quase 2 mil anos atrás. Faz algum sentido retomar essa discussão hoje em dia, assumindo que há uns que podem partilhar os valores da cristandade (os circuncidados do século XXI) e outros, coitados, que não podem?

    Tal como Maria de Fátima Bonifácio, não acredito que todas as culturas se equivalham. Acredito no progresso; acredito que há culturas superiores a outras; acredito que o multiculturalismo assolapado desembocou numa guetização nefasta em certos países ocidentais; acredito que a cultura que produziu os Direitos Universais é infinitamente superior ao wahhabismo ou às tradições ancestrais de mutilação genital feminina; e acredito que existe demasiada complacência em relação ao tratamento das mulheres nalgumas comunidades.
    Só que pular da crítica a uma determinada cultura para a crítica de todos os indivíduos que a integram é um salto inaceitável, precisamente por ir contra os valores que Maria de Fátima Bonifácio quer defender. A razão é simples: não é possível acreditar numa matriz cultural que diz que podes ser salvo até ao último suspiro (Lucas 23, 39-43) e depois pregar que há grupos de gente condenada a ficar às portas da civilização que tanto consideras. Isso seria, mais uma vez, querer proteger a cristandade traindo os melhores valores que ela tem para nos oferecer.
    QRod gosta disto.

  15. #45
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    desse artigo sublinho a última frase:

    Citação Originalmente Colocado por cookie Ver Post

    ... Isso seria, mais uma vez, querer proteger a cristandade traindo os melhores valores que ela tem para nos oferecer.

  16. #46
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    já agora sobre a tentação da censura e as tentativas de limitação da liberdade de opinião



    imagem colocada pelo 330i no topico da crise

    estas tentações de implantação de uma censura dominada pelos beatos do politicamente correto e as quotas são faces da mesma moeda
    Z00L gosta disto.

  17. #47
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    Citação Originalmente Colocado por Karma Ver Post
    Existem mais mulheres no ensino superior do que homens desde os anos 90, nao seria normal ver alguma paridade em cargos de topo por esta altura?

    as mulheres são prejudicadas na carreira devido à vida familiar e não devido a bias nos sistemas de promoções das empresas.

    conheço dezenas de mulheres em cargos de topo, mas levam vidas de homens em cargos de topo - dias de 12 a 16 horas, viagens quase todas as semanas, disponibilidade total. Nestes casos ou são solteiras, ou o marido praticamente abdica da carreira para tratar dos filhos ou têm empregados para tudo.

    a grande maioria das mulheres não está disposta a sacrificar o seu papel na família para levar uma vida destas, logo é ultrapassada pelos homens.

    para haver paridade nos cargos a mudança não vem pelas quotas, vem pela sociedade e pela família. As quotas são ridículas e não fazem qualquer sentido.

  18. #48
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    Citação Originalmente Colocado por jimbo Ver Post
    as mulheres são prejudicadas na carreira devido à vida familiar e não devido a bias nos sistemas de promoções das empresas.

    conheço dezenas de mulheres em cargos de topo, mas levam vidas de homens em cargos de topo - dias de 12 a 16 horas, viagens quase todas as semanas, disponibilidade total. Nestes casos ou são solteiras, ou o marido praticamente abdica da carreira para tratar dos filhos ou têm empregados para tudo.

    a grande maioria das mulheres não está disposta a sacrificar o seu papel na família para levar uma vida destas, logo é ultrapassada pelos homens.

    para haver paridade nos cargos a mudança não vem pelas quotas, vem pela sociedade e pela família. As quotas são ridículas e não fazem qualquer sentido.

    Fiz login só para dizer que concordo integralmente com o jimbo, o que é uma raridade!
    TURBO e jimbo gostam disto.

  19. #49
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por jimbo Ver Post
    as mulheres são prejudicadas na carreira devido à vida familiar e não devido a bias nos sistemas de promoções das empresas.

    conheço dezenas de mulheres em cargos de topo, mas levam vidas de homens em cargos de topo - dias de 12 a 16 horas, viagens quase todas as semanas, disponibilidade total. Nestes casos ou são solteiras, ou o marido praticamente abdica da carreira para tratar dos filhos ou têm empregados para tudo.

    a grande maioria das mulheres não está disposta a sacrificar o seu papel na família para levar uma vida destas, logo é ultrapassada pelos homens.

    para haver paridade nos cargos a mudança não vem pelas quotas, vem pela sociedade e pela família. As quotas são ridículas e não fazem qualquer sentido.

    é isso, mas não apenas isso

  20. #50
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    E no entanto o proprietário do público é a Sonae

  21. #51
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    Citação Originalmente Colocado por lll Ver Post
    já agora sobre a tentação da censura e as tentativas de limitação da liberdade de opinião



    imagem colocada pelo 330i no topico da crise

    estas tentações de implantação de uma censura dominada pelos beatos do politicamente correto e as quotas são faces da mesma moeda

    A mim parece-me claro que não há motivo algum para falar-se em crimes. Foi apenas uma "Sr.ª" que se esqueceu de ligar o filtro e escreveu uma série de palermices que invalidou toda e qualquer razão que tinha. A pagar pelo que fez já está, da mesma forma como expressou.

    Contudo, apraz-me dizer que "e não conseguimos correr com este preto racista do nosso país" para se referir à tentação de censura é no mínimo estar à "altura" do "preto racista" que quer que a Bonifácio pague pelo crime.

  22. #52
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    Citação Originalmente Colocado por jimbo Ver Post
    as mulheres são prejudicadas na carreira devido à vida familiar e não devido a bias nos sistemas de promoções das empresas.

    conheço dezenas de mulheres em cargos de topo, mas levam vidas de homens em cargos de topo - dias de 12 a 16 horas, viagens quase todas as semanas, disponibilidade total. Nestes casos ou são solteiras, ou o marido praticamente abdica da carreira para tratar dos filhos ou têm empregados para tudo.

    a grande maioria das mulheres não está disposta a sacrificar o seu papel na família para levar uma vida destas, logo é ultrapassada pelos homens.

    para haver paridade nos cargos a mudança não vem pelas quotas, vem pela sociedade e pela família. As quotas são ridículas e não fazem qualquer sentido.
    Nao estou a falar de cargos de topo, que sao "meia dúzia", há outros cargos onde essa disponibilidade diária total nao é necessária e mesmo assim há poucas mulheres lá.

    Mas mesmo assim, e falando de cargos de topo, nao devem faltar mulheres disponíveis para os ocupar e ter aquela vida.

  23. #53
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    Citação Originalmente Colocado por Karma Ver Post
    Existem mais mulheres no ensino superior do que homens desde os anos 90, nao seria normal ver alguma paridade em cargos de topo por esta altura?
    ja escrevi neste forum isto
    sao mais no ES, mas nunca sao as melhores,
    os melhores sao quase sempre homens

  24. #54
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    Citação Originalmente Colocado por Karma Ver Post
    Existem mais mulheres no ensino superior do que homens desde os anos 90, nao seria normal ver alguma paridade em cargos de topo por esta altura?

    Citação Originalmente Colocado por Karma Ver Post
    Nao estou a falar de cargos de topo, que sao "meia dúzia", há outros cargos onde essa disponibilidade diária total nao é necessária e mesmo assim há poucas mulheres lá.

    Mas mesmo assim, e falando de cargos de topo, nao devem faltar mulheres disponíveis para os ocupar e ter aquela vida.

    não? É que parecia mesmo!!!

  25. #55
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    Não podemos ignorar o que escreveu Fátima Bonifácio


    José Manuel Fernandes

    10/7/2019
    As generalizações feitas por Fátima Bonifácio são abusivas, caricatas, mesmo ofensivas.O argumento sobre a herança dos Direitos do Homem é absurdo. Mas há verdades no seu texto que não podemos ignorar





    É preciso continuar a discutir o texto de Maria de Fátima Bonifácio? É. Porque é necessário separar o trigo do joio. Sendo que naquele texto o trigo e o joio estão misturados de forma desesperante: a autora criticou uma má ideia – a introdução de quotas para minorias étnico-raciais – com péssimos argumentos, escrevendo algumas verdades à mistura com generalizações abusivas e caricatas. O resultado não é de forma alguma um “manifesto racista” – não há nenhum apelo ou defesa da discriminação ou segregação racial, nada nele incita ao ódio racial – e é próprio de intolerantes que os puritanos decretem o banimento da historiadora do espaço público, como não faltou quem defendesse.

    Sendo amigo de Maria de Fátima Bonifácio não posso – até por isso – deixar de apontar publicamente os pontos em que discordo abertamente dela. E, também, de sublinhar que generalizações abusivas não anulam certas verdades que teve a frontalidade de apontar. Mas vamos por partes.
    A passagem do texto que mais me arrepia é aquela em que defende que nem africanos nem ciganos “descendem dos Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789”. Isto porque não fariam parte de “uma entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade”.
    Apetece-me dizer, sem meias palavras, que nada bate certo neste raciocínio.
    Primeiro que tudo, até onde temos de recuar para podermos “pertencer à Cristandade”? É que, como Rui Ramos já recordou, os ciganos estão em Portugal há meio milénio, falam a nossa língua e adoptaram a nossa religião. Tal como adoptaram a religião dos países (cristãos) por onde se espalharam, fossem eles católicos como nós, protestantes ou ortodoxos.
    Depois, de que necessitamos para descender da “Grande Revolução Francesa”? Não tentaram os negros do Haiti uma revolução inspirada nesses princípios quase 30 anos antes (em 1791) que nós portugueses ensaiássemos a nossa revolução liberal (1820)? Acabou mal, bem sei, mas a Revolução Francesa também acabou muito mal, o que me leva o ponto seguinte.
    Se tivesse de escolher um momento fundador para a formação política dos direitos humanos não seria seguramente a “Grande Revolução Francesa” de 1789, mas a anterior Revolução Americana de 1776, e as inspiradas palavras de Thomas Jefferson na Declaração de Independência, celebrada todos os 4 de Julho: “Consideramos estas verdades como autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.”
    Bem sei que a República Americana, que manteve a escravatura durante quase mais um século, não nasceu à altura desta ambição, mas a partir do momento em que proclamou o carácter universalista desta “verdade autoevidente” não posso achar que uns descendem dela e outros não. A minha ambição – e julgo que a ambição de todos – é precisamente que estes princípios sejam universalmente adaptados, algo que não posso limitar a uma entidade civilizacional específica.
    O segundo conjunto de erros que, a meu ver, Fátima Bonifácio comete é tratar como realidades equiparáveis as dos africanos e as das comunidades ciganas. Historicamente são realidades bem diferentes, culturalmente também. Aquilo que torna difícil a integração de tantos ciganos (já lá irei) é muito diferente daquilo que barra o caminho à maioria dos africanos. Sobretudo, não faz qualquer sentido falar do racismo dos africanos como se este se distinguisse, por exemplo, do racismo dos europeus. Ou da sua xenofobia, uma palavra de origem grega que significa “medo dos estrangeiros” — e não “ódio aos estrangeiros” — e que não distingue raças.
    Aquilo que os são-tomenses dizem dos angolanos será muito diferente do que muitos portugueses dizem dos espanhóis? Ou os ingleses dos franceses e vice-versa? Ou os milaneses dos sicilianos? O que não posso afirmar, o que é falso, é a generalização: “os africanos são abertamente racistas”. Não são, ou não serão mais do que naturalmente são todos os seres humanos, pois todos temos de ser educados a aceitar o diferente e a não ter medo do estrangeiro.
    Sim, houve movimentos de libertação africanos que eram (que ainda são, no que deles sobra) abertamente racistas, mas outros não eram nem são. Mas também na nossa “milenar Cristandade” temos abundantes exemplos de racismo e discriminação. Temos até o pior de todos os horrores, o Holocausto.
    O que interessa, o que importa então saber? A meu ver que se hoje estamos mais perto das “verdades autoevidentes” de Thomas Jeffersson é também porque quem as recordou de forma mais marcante e memorável, no discurso “I have a dream”, foi um afro-descendente, para mais pastor cristão, chamado Martin Luther King.
    E que risco traz consigo o raciocínio de Fátima Bonifácio? O de contribuir, pela afirmação de que há uns que “não têm a ver com o nosso mundo”, para a progressão das políticas identitárias. Isto é, para as novas obsessões da esquerda contemporânea, dessa esquerda que fatia a sociedade em função de micro-causas e vai criando as mais diferentes identidades, por definição hostis a uma comunidade de que se dizem vítimas oprimidas. Grupos identitários que não são apenas diferentes, antes se pretendem estanques. Seguindo por esse caminho iremos acrescentando cada vez mais variedades étnico-raciais ao nosso cardápio, da mesma forma que fomos acrescentando letras ao abecedário LGBTI+.
    Ora é precisamente isso que me parece não só contrariar o interesse comum como, no longo prazo (que pode nem ser tão longo como isso), acabar a beneficiar aqueles que realmente são racistas e realmente exploram a xenofobia com fins políticos. É nesse ponto que temos de olhar para algumas das verdades desassombradamente afirmadas por Fátima Bonifácio.
    Aqui não me vou fazer de parvo: muito do que escreveu sobre o comportamento das comunidades ciganas corresponde à experiência de quem convive de mais perto com elas. Não é regra? Seguramente que não é. Mas é difícil negar que o problema com a cultura cigana é que ela recusa integrar-se. Há excepções – há sempre excepções –, mas a persistência numa vida muitas vezes nas margens da modernidade cria muitas zonas de fricção que só por teimosa cegueira fingimos não existirem. Teimosa cegueira e medo de cairmos no preconceito xenófobo.
    Contudo, a realidade está lá, não desaparece. Um exemplo recente, entre muitos possíveis. Recentemente uma autarca do PAN dirigiu à sua Assembleia Municipal um documento onde manifestava a sua preocupação por verificar “que existe uma etnia que se multiplicou e que todos os dias se passeiam pela Moita e arredores, empilhados em cima de carroças puxadas por um único cavalo subnutrido” (sic). Neste caso, a preocupação com o cavalo subnutrido foi submersa pela indignação em torno referência à “etnia que se multiplicou”, tendo o PAN obrigado a sua eleita a retratar-se. Foi um caso raro em que as pessoas passaram, nas prioridades daquele partido, à frente dos animais, mas passaram para abafar um problema de percepção pública, pois a verdade é que entretanto a carroça não deve ter desaparecido das ruas da Moita. Mas longe das ruas da vila preferiu-se o silêncio.
    Há, de resto, uma espécie de “omertà” – lei do silêncio – em vigor na comunicação social que leva a que se omita sempre a etnia dos envolvidos em crimes ou desacatos quando se trata de ciganos. Sempre em nome de não acicatar a xenofobia, o que é meritório mas, como tudo na vida, tem um reverso da medalha: há uma parte da realidade que nunca é do conhecimento geral. Mas é do conhecimento de quem convive com estas realidades – e quem convive com tais realidades são por regra outras comunidades igualmente pobres, também elas menos instruídas e seguramente vulneráveis a discursos demagógicos.
    Fazer de conta que somos todos cidadãos exemplares e que a culpa das tensões existentes entre comunidades é sempre culpa ou do racismo dos brancos ou da violência (e racismo) das polícias, ignorar que há mesmo comportamentos como os descritos por Fátima Bonifácio (mesmo que não sejam generalizados), fazer discursos moralistas quando se vive no conforto do centro das grandes cidades, tudo isso contribuiu mais para fazer crescer sentimentos racistas do que reconhecer que há um problema de integração das minorias ciganas. E que esse problema é cultural, não apenas económico, nem criado por uma segregação artificial, mas mais depressa por uma auto-segregação secular.
    É pena que os termos em que Maria de Fátima Bonifácio colocou esta questão tenham sido mais destrutivos do que construtivos. É que se o caminho não se faz criando quotas, também não se pode proclamar que certas minorias não são do nosso mundo. O próprio sentido de Cristandade grita-nos o contrário. Tal como é universal a ambição, iluminista, dos direitos humanos.




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  26. #56
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    Nos países africanos (por exemplo nas ex-colónias), há quotas destas para brancos ?
    Então bardamerd4.

    Na África do Sul estão a exterminar os fazendeiros brancos, porque é que quase ninguém fala disto ?

    BE e PS querem encher isto de gente que não faz cá falta nenhuma, estes partidos são actualmente uma lixeira a céu aberto.

  27. #57
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    Citação Originalmente Colocado por jimbo Ver Post
    não? É que parecia mesmo!!!
    Devia ter dito antes cargos de chefia.

  28. #58
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    Citação Originalmente Colocado por jktfah Ver Post
    ja escrevi neste forum isto
    sao mais no ES, mas nunca sao as melhores,
    os melhores sao quase sempre homens
    Isso já nao sei.
    Há no entanto mais mulheres a concluir o doutoramento desde há 10 anos a esta parte.
    Mais de 60% dos licenciados em Portugal sao mulheres e proporcao nao pára de aumentar.
    65% dos candidatos colocados em medicina sao mulheres.

  29. #59
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    sim, mas os melhores - de topo é quase sempre homem
    mulheres tens muitas porque nao tem mais nada para fazer na vida, tem mesmo que ir estudar ou arranjar um homem com €

  30. #60
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    Vai haver quotas de homens para enfermagem e ensino do primeiro ciclo?

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