Icterio
Banido
Guerra do Vietname (Episódio 1)
Black Hawk, Seahawk, Jayhawk, Pave Hawk, Knighthawk... A lista de versões do Sikorsky S-70 é tão extensa como as funções que desempenha; desde o transporte de tropas no Panamá até busca anti-submarino no Atlântico Norte, este helicóptero fez (e faz) de tudo. Busca e salvamento na Nova Escócia, busca e salvamento em combate (CSAR) na Ex-Jugoslávia, inserção/extração de forças especiais na Somália até o transporte VIP desde o South Lawn na Casa Branca. Em alguns (breves) episódios vou trazer-vos apontamentos curiosos ou interessantes sobre a origem, desenvolvimento e especificações técnicas que tornaram o S-70 na história de sucesso que conhecemos.

Subjectiva como sempre, a análise "estética" não deixa de ser relevante. Sempre achei o Black Hawk elegante, coisa rara e difícil num helicóptero. Talvez seja a aparência baixa e larga que lhe dá um aspecto robusto e agressivo junto com linhas que suavizam a transição entre a fuselagem e a cauda. Em contraste, nunca apreciei o estreito e alto Puma/Super Puma e também será necessária muita boa vontade para encontrar beleza no antecessor do Black Hawk, o Bell UH-1 Huey
As origens mais firmes do Black Hawk remontam ao conflito no Vietname, a primeira "guerra do helicóptero". A enorme importância do Bell UH-1 Huey (e outros) aparelhos não necessita de mais explanações mas também ficaram claras algumas limitações sérias; a incapacidade de transportar um grupo de combate (squad) de 11 soldados em ambiente hot and high e a fraca sobrevivência em combate. O Exército Americano decidiu que o substituto teria de solucionar essas duas falhas, nascia assim em 1972 o programa UTTAS (Utility Tactical Transport Aircraft System).
Logo a seguir foram pedidas propostas à industria aeronáutica. A principal favorita era a Bell;
- A Bell tinha uma posição dominante na aviação do Exército, e com boas razões; tinha desenvolvido e fornecido milhares do revolucionário UH-1 Iroquois (Huey) e todos esperavam que desenhasse um sucessor à altura.
- Logo a seguir, a Boeing Vertol. O excelente CH-47 Chinnok espelhava a competência técnica da empresa e os seus últimos desenvolvimentos em rotores rígidos despertavam muito interesse em futuras aplicações.
- Por ultimo, a Sikorsky, um autêntico outsider nesta competição. Pioneira no desenvolvimento de helicópteros militares, a Sikorsky foi perdendo o lugar lentamente para a competição e já não fornecia aparelhos ao exército há 15 anos! Em 1965 perdeu para a Lockheed o programa AAFSS (AH-65 Cheyenne) e apenas 6 meses antes tinha perdido para a Boeing Vertol o contracto HLH (Heavy Lift Helicopter). Ambos os projectos acabariam por ser cancelados mas a Sikorsky estava claramente a perder confiança e, se fosse uma equipa de futebol, estaria a acumular uma "série de maus resultados".
Até o Exército Americano era céptico em relação á Sikorsky. Ao mesmo tempo que o programa UTTAS foi instituido, o Exército criou-se 3 equipas técnicas para negociar as propostas dos 3 concorrentes; Bell, Boeing e Sikorsky. Ninguém pediu para ficar com a "pasta" da Sikorsky! Todos achavam que era um trabalho inútil, e essa pasta ficou sem ser atribuida mesmo após a chegada a proposta escrita! Nessa altura, um jovem capitão, Arthur O'Leary, piloto de Huey recentemente chegado do Vietname, recebe a função de tratar da proposta que ninguém mais graduado quis. Acabou por ser uma escolha inspirada tanto para O'Leary como para a Sikorsky...




























