Publicação: 08-01-2009 18:42 | Última actualização: 08-01-2009 19:03
Presidente eleito dos EUA


Obama avisa que recessão pode "durar anos"

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu hoje que a "recessão durará anos" se o Congresso não injectar somas sem precedente na economia do país, um ponto considerado prioritário no seu primeiro mandato.


"Não acredito que seja tarde para inverter o rumo, mas é preciso tomar uma atitude radical o mais depressa possível", afirmou Obama num discurso proferido na Universidade de Fairfax, Virginia, arredores de Washington.

"Se a situação é má, poderá ser ainda pior", reconheceu, pintando um quadro negro da economia norte-americana, com um bilião de dólares de perdas e uma taxa de desemprego galopante, só comparável à grande depressão de 1929.

A intervenção do presidente eleito, a 12 dias da tomada de posse, em 20 de Janeiro, voltou a estar marcada, como outras antes, pelo imperativo de injectar capital público visando a salvar a economia nacional.

Empresas e contribuintes sofrem o impacte do afundamento do mercado imobiliário, da falta de acesso a crédito e de uma crise económica generalizada que começou a ganhar dimensão em Dezembro de 2008.

No último mês foram suprimidos até 700.000 postos de trabalho nos Estados Unidos, sendo aguardada com expectativa, para sexta-feira, uma comunicação do governo.

"Todos os dias há mais pessoas desempregadas. Há o perigo de um naufrágio irreversível", disse hoje Obama, aludindo à perda de poupanças e ao gorar de expectativas.

A última estimativa - dada a conhecer na quarta-feira - aponta para um défice do orçamento federal dos Estados Unidos de 1,2 biliões de dólares, três vezes acima do recorde atingido em 2008.

Obama manifestou-se confiante em que o "estímulo" governamental entretanto dado à economia norte-americana "contribuirá para reduzir o défice" e chamou a atenção para o facto de o crédito ser como o "sangue" nas veias dos norte-americanos.

Mas, em nome da prudência, o presidente eleito só está disposto a abrir os cordões à bolsa em projectos viáveis e na maior transparência, porque os contribuintes querem saber para onde vai o seu dinheiro.

Obama assegurara previamente o controlo das derrapagens na segurança social pública e nos seguros de saúde privados, com a nomeação de uma autoridade de gestão.

Está sobre a mesa uma ajuda de 800.000 milhões de dólares ao sector, a assinar logo que o próximo presidente norte-americano inicie funções.

O "pacote" implica cortes nas contribuições fiscais das empresas e das classes médias, o reforço dos programas para assistência médica e dos custos operacionais, bem como um conjunto de investimentos em infra-estruturas, aproveitamento energético e tecnologias de informação.

"É um 'pacote' para enfrentar o problema", quando há milhões de norte-americanos sem nada, concluiu Obama.

http://sic.aeiou.pt/online/noticias/...durar+anos.htm
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