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Nem tudo está perdido!Em entrevista à TVI24
Viegas admite “aperfeiçoar” Acordo Ortográfico até 2015
O secretário de Estado da Cultura sublinha que "não há uma polícia da língua" (Nuno Ferreira Santos)
O secretário de Estado da Cultura entende que existe a “possibilidade” de, até 2015, se mudarem algumas normas inscritas no novo Acordo Ortográfico (AO). “Temos essa possibilidade e eu acho que vamos usá-la. Temos de aperfeiçoar aquilo que há para aperfeiçoar”, disse Francisco José Viegas, nesta terça-feira à noite.
No programa “Política Mesmo”, da TVI24 [vídeo], o secretário de Estado da Cultura admitiu que não gosta de “algumas” regras impostas pelo AO e saiu em defesa de Vasco Graça Moura, presidente do Centro Cultural de Belém, que no início do seu mandato, há pouco menos de um mês, ordenou aos serviços que não fizessem uso do AO e que os conversores ortográficos fossem desinstalados de todos os computadores da instituição.
“Vasco Graça Moura é uma das pessoas que mais reflectiu sobre a questão do AO. É uma das pessoas que mais se empenhou no combate contra o AO, em termos pessoais. Vasco Graça Moura é um grande criador da nossa língua. O que eu acho absolutamente ridículo é que várias pessoas que não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem ortografia – nem com a nova, nem com a velha – terem vindo criticar e pedir sanções. Isso é que acho um pouco problemático”, afirmou Francisco José Viegas.
“A mim parece-me que é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do Centro Cultural de Belém obedecem a uma norma geral, que é a mesma que vigor em todos os organismos sob a tutela do Estado. Portanto, é um assunto encerrado. O dr. Vasco Graça Moura escreverá como quiser. Como eu posso escrever”, continuou, sublinhando que “não há uma polícia da língua, há um acordo que não implica sanções graves para cada um de nós”.
Viegas lembrou que há jornais que não adoptaram o novo AO (como o PÚBLICO) e que não são punidos por isso. “Há uma resolução do Conselho de Ministros já de 2010, que impõe o AO. De acordo com essa resolução, o AO entraria em vigor nos organismos sob tutela do Estado em Janeiro 2011. Parte da imprensa já utiliza o AO, a TVI utiliza o AO. Há alguns jornais que não o fazem e, como imagina, não há coimas, não há multas para quem não suprime algumas das consoantes mudas.”
“O que é bom considerar é o seguinte: do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial, provavelmente, e portanto, se é artificial, nós podemos mudá-la. Mas temos uma vantagem. É que até 2015, podemos corrigi-la. Temos essa possibilidade e eu acho que vamos usá-la”, afirmou, já depois de lamentar a forma como o processo foi conduzido, mas também o que entende ser uma discussão de “última hora”. “Temos de aperfeiçoar aquilo que há para aperfeiçoar. Temos algum tempo, temos três anos para o fazer.”
Viegas admite
Podem corrigir... mas no limite terá de ficar como estava antes do AO.
Caso contrário, continuará errada.
Se quiserem fazer alguma coisa bem feita, como deve ser, é importar o trema brasileiro
para indicar quando se lê o u (conseqüência, por exemplo), colocar as consoantes "mudas"
onde existem etimologicamente, e colocar acentos onde fazem falta (acôrdo, por exemplo).
Tudo o que seja para provocar ambigüidades é mal-vindo. Tudo o que seja para evitar
ambigüidades é bem-vindo. Regras com excepções para tudo e um par de botas é mal-
-vindo. Regras sem excepções é o ideal.
A língua altera-se para melhorar. Para piorar não vale a pena... a gente já o faze-mos
natrolment á bué d'anos, como no Caixudré, 'tás (do famoso verbo 'tar) a presseber?
Eu adorei (not)... 'Tive a ver a entrevista e...
Primeiro o responsável para a Comissão para a Liquidação da Cultura diz que «O acordo ortográfico está em discussão há 20 anos. Discutiram-se as coisas à última da hora» [e "última da hora" está errado, é "última hora"] e que o processo foi mal conduzido. E, logo a seguir, «Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la». Ou seja, vai re-re-re-rever um Aborto Ortográfico, once again, em cima do joelho, tal e qual ele criticou.
Já nem os brasileiros nem os angolanos querem este documento. Mais vale matá-lo aqui, enquanto é tempo.
P.S.: Não tenho quaisquer dúvidas que "estar" transformar-se-á em "tar" numa futura evolução da língua portuguesa, estandardizando-se aos vários dialectos do PtEu e nos diversos registos de língua. É uma questão de tempo até a gramática normativa aceitar "tar" (e quem diz "tar" diz n outras formas linguísticas) como normal e corrente.
Já estava no topo desta página.
E sim, é verdade.
Vai sofrer alterações atrás de alterações, até ficar igual ao que estava antes.
É que não há nenhuma regra do AO1990 que se aproveite.
Basta ver os "génios" que produziram semelhante "obra" para perceber que vale zero.
Se o Carlos Reis percebesse um pouquinho que fosse de Matemática ou Informática (ou
tivesse um raciocínio científico, como o guru Chomsky), perceberia que este AO1990 é
uma idiotice pegada. É só barbaridades atrás de barbaridades. Não tem ponta por onde
se pegue.
Carlos Reis: Estado deve cumprir aquilo a que se comprometeu - Artes - DN
(alterado para a grafia CORRECTA)ACORDO ORTOGRÁFICO
Carlos Reis: Estado deve cumprir aquilo a que se comprometeu
por Lusa29 Fevereiro 2012
O professor catedrático Carlos Reis, apoiante do Acordo Ortográfico (AO), afirmou hoje à Lusa que não se opõe a "ajustamentos pontuais" no documento, mas sublinhou que "um Estado sério e responsável deve cumprir aquilo a que se comprometeu".
Comentando a hipótese avançada pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, de se fazerem "ajustamentos" em alguns aspectos do AO até 2015, Carlos Reis disse que esses ajustamentos "não podem ser feitos de forma unilateral e casuística".
"Infelizmente, em matéria de política de língua, o actual Governo parece ir pelo mesmo caminho do anterior, ou seja, vacilação e ambiguidade, pequenos avanços e grandes recuos", lamentou o estudioso.
Na terça-feira, numa entrevista à TVI24, Francisco José Viegas admitiu a "possibilidade" de se mudarem algumas normas inscritas no novo Acordo Ortográfico (AO).
Fonte oficial do gabinete do SEC afirmou hoje à Lusa que, até 2015, quando termina o período de transição do AO, "é possível efectuar ajustamentos em alguns casos, relacionados com as palavras de dupla grafia e as sequências consonânticas".
"Trata-se de unilateralmente introduzir alterações naquilo que foi acordado entre vários países e ratificado em diversas instâncias?", questionou Carlos Reis, sublinhando que o que está em causa é "uma política de língua, matéria que não é do interesse exclusivo de Portugal".
"Portugal não só não é o proprietário da língua portuguesa, como é (ou deveria ser) parte interessada numa política articulada com outros Estados para a valorização internacional do nosso idioma", recordou o professor catedrático da Universidade de Coimbra.
O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa começou a ser aplicado a 01 de Janeiro deste ano nos documentos do Estado, vigorando em todos os serviços, organismos e entidades na tutela do Governo, assim como no Diário da República, que também o aplica.
A decisão de adopção do Acordo Ortográfico (AO) foi tomada em Conselho de Ministros a 25 de Janeiro de 2011.
O acordo foi assinado em Lisboa, em 1990, começou a ser aplicado em 2009 e tem um período de adaptação até 2015, durante o qual são aceites as duas grafias.
Os objectivos deste acordo são reforçar o papel da língua portuguesa como idioma de comunicação internacional e garantir uma maior uniformização ortográfica entre os oito países que fazem parte da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP).
Por aqui se pode ver o quão "conhecedor" é o Carlos Reis.
Ao contrário do que ele diz:
- Portugal é EFECTIVAMENTE dono da língua. Portugal é SOBERANO. Os outros
países não podem fazer vigorar as suas leis em Portugal. Portanto, a língua em
Portugal é escolha dos portugueses, e APENAS dos portugueses. PONTO.
- Não existe qualquer acordo a ser violado unilateralmente, PORQUE NÃO EXISTE
ACORDO. O tratado não foi assinado por todos, pelo que... NÃO É VÁLIDO. Como
tal não obriga nenhuma das partes a respeitá-lo. PONTO.
Há gajos assim... idiotas todos os dias. Mas como se acham muito importantes (devem
ser os gajos com maior QI na aldeia deles, onde a média é 80, e o máximo é 95), pensam
que tudo aquilo que julgam saber é a mais pura das verdades e realidades. Mas a realidade
é que são burros todos os dias (e às noites também).
Da forma afincada como defende o acordo, deve ter alguma coisa a ganhar.
Quer ganhar notoriedade.
Nota-se é que não percebe nada do assunto (para quem perceba o mínimo dos mínimos).
Exemplo:
Acordo Ortográfico de 1990
Só mesmo quem não conheça a realidade das outras línguas, com maior projecção que aCarlos Reis afirma: "Se queremos que o português tenha hipóteses, mesmo que de difícil concretização, de alguma afirmação internacional em confronto com outras línguas, então não podemos continuar a ignorar as debilidades de um cenário linguístico em que alegremente convivem duas ortografias e mesmo, se as coisas forem por este caminho, outras mais, à medida que os recentes países de língua oficial portuguesa (e sobretudo Angola e Moçambique) forem ganhando projecção, nesse e noutros planos"
nossa, é que pode acreditar numa barbaridade destas.
Inglês tem grafias diferentes no UK, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, etc.
Francês tem grafias diferentes em França, Canadá, países africanos, etc.
Alemão tem grafias diferentes na Alemanha, Áustria, Suiça, etc.
Castelhano tem grafias diferentes em Espanha, Venezuela, Peru, México, etc.
Etc.
Se ele fosse enganar a tia dele (ou do outro do parlamento), é que fazia bem (afinal
ele é o que tem o maior QI da aldeia dele, pelo que deve conseguir enganar bem os
vizinhos).
Tirado do facebook:
Não deixem de ler este fabuloso texto sobre o Acordo Ortográfico. De ir às lágrimas:
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” .
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som “ch” .
O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.
Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?
O “x” xama-se “xis”.
Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .
O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som “j” .
Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .
Serto ?
Maix uma letra muda qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .
A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a” .
Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .
Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o “u” ?
Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !
Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :
quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .
U mexmu para u som “ê” .
Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .
I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?
Apenas 3 posts acima: http://forum.autohoje.com/off-topic/...post1066465608
Julgo que o novo AO é só mais uma pedra no caixão da lingua Portuguesa, mas muita coisa já vem errada de trás, nós adultos já nem notamos, mas é muito complicado explicar a um miudo na escola primária porque é que determinada letra se lê com um som, como logo a seguir se lê com outro, é um completo desatino.
O pior, é no fundo concordar com as queixas dele.
Como diz o outro, "Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z” ."
Até para alguém estrangueiro aprender a nossa lingua seria muito mais fácil.
Isso é uma questão que aos adultos ainda percebo que faça confusão porque os adultos têm uma maneira diferente de aprender. Mas às crianças... a mim nunca me fez confusão absolutamente nenhuma essas regras das letras e sons diferentes. Para além disso, há coisas que se devem explicar, há outras como o caso, que só têm de perceber que é assim e mais nada! Não há mas nem meio mas!
E os estrangueiros também aprendem bem. Os de Leste, então, falam melhor que muito português. Alguns só têm problemas é em abrir a boca.![]()
Estiveste bem na do "estrangueiro", escapou-me. Mas no resto não concordo nada. Para mim quanto mais simples, melhor.
Respondendo ao tópico...
Não concordo, de todo!
É uma palhaçada o que se veio a impor num tão curto espaço de tempo!
O Acordo Ortográfico: inútil e prejudicial - Opinião - DNO Acordo Ortográfico: inútil e prejudicial
por ANSELMO BORGES
(...)
E é aqui que se coloca a questão do Acordo Ortográfico. Para que serve? Unificar a ortografia? São tantas as excepções que não se vê unificação! E a Inglaterra preocupa-se com a unificação do inglês? E ainda não foi ratificado por Angola e Moçambique. O jornal oficioso Jornal de Angola escreveu mesmo, justificando a sua não aceitação: "não queremos destruir essa preciosidade (a língua portuguesa) que herdámos inteira e sem mácula" e: "se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes de mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios".
A maior parte dos colunistas bem como a generalidade dos jornais ignoram-no. Não há consenso para a sua aplicação. Graça Moura suspendeu-a no Centro Cultural de Belém (CCB). Nos documentos oficiais da própria CPLP continua a não ser aplicado, passando-se o mesmo com a Academia das Ciências, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Fundação de Serralves, a Casa da Música. Um juiz do Tribunal de Viana proibiu a sua utilização. O secretário de Estado da Cultura admitiu que poderá ainda haver ajustamentos. O filósofo José Gil classificou-o como "néscio e grosseiro". O eurodeputado Paulo Rangel escreveu: "O gesto no CCB é o início de um movimento, cada dia mais forte, de boicote cívico a uma mudança ortográfica arrogante e inútil."
Sem querer pormenorizar (o espectáculo é cada vez mais triste, pois já não tem espectadores, mas "espetadores" e os egípcios são cidadãos do "Egito"; quando um aluno escrever "a recessão do texto", para dizer "a recepção do texto", como explicar-lhe que não é recessão, se é de recessão que constantemente ouve falar?), considero-o isso mesmo: inútil. Que vantagens trouxe? Assim, em tempos de crise, para quê gastar tanto dinheiro na sua implementação? Afinal, quem lucrou, e muito, com ele?
Mas não é só inútil. Veja-se esta antologia de escrita, colhida em trabalhos académicos: "se vi-se-mos", "há-dem ver" (mas isto até ministros dizem), "se nos entretermos", "o homem dasse a conhecer", "deve-se dizer não há violência", "há-ja compreensão", "isso nada tem haver com o real", "à muito que é assim", "tratam-se de questões complexas", "é assim; senão vejamos"; "haviam imensos erros". Se é assim, sem o Acordo, o que vai ser com a confusão em curso do Acordo? Ele não é, portanto, apenas inútil: é prejudicial.
Cavaco elogia Acordo Ortográfico mas confessa que em casa ainda escreve à moda antiga
O Presidente da República, Cavaco Silva, salientou hoje a sua participação na ratificação do Acordo Ortográfico em Portugal, mas confessou que em casa ainda escreve como aprendeu na escola.
Eu escreve com o acordo mixórdia. Uso o o acordo só nas palvras em que concordo.
Pode ser?
O problema é que o meu corrector ortográfico já aderiu e nem me deu cavaco.
Pior ainda, estou num país de língua portuguesa que não aderiu ao acordo.
Xtou tramado.
O que eu temia está a acontecer: começa a surgir nos media uma nova forma de escrever - a forma mista, com elementos pré- e pós-acordo. Assim, numa mesma frase vêem-se palavras escritas numa versão e noutra, entre as quais a temida confusão entre facto e fato, que agora passaram todos a escrever à brasileira, quando é uma das excepções do acordo. Deve ser para satisfazer ambas as partes ao mesmo tempo, numa de compromisso diplomático-ortográfico...![]()