[Sociedade] Manifestação de Protesto "Geração à Rasca", 12 Março - Página 21

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Título: Manifestação de Protesto "Geração à Rasca", 12 Março

  1. #601
    Piloto de Troféu Zell's Avatar
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por VorsprungDurchTechnik Ver Post
    Eu fico abismado com o que leio aqui.

    Tentam diminuir o impacto de uma manifestação inédita em Portugal, convocada através de uma rede social, sem estruturas profissionais a organizar, camionetes ou carne assada.
    Que reuniu um nº recorde de pessoas, que nenhum partido ou plataforma política jamais conseguirá reunir?

    Vocês vivem em que mundo?

    Alegar que a rapariga que organizou o protesto não tem legitimidade porque é licenciada em Estudos para a Paz e por isso não pode aspirar a um emprego?

    Mas está tudo parvo?

    Obviamente, esse é um problema dela - e provavelmente de dificil resolução - mas PORRA, o preconceito tem limites!

    O outro argumento surreal é o das despesas e dos créditos dos manifestantes.
    De acordo com os doutos companheiros de fórum, um gajo que se manifesta não pode ter carro, sair à noite ou sequer ter telemóvel.
    Se tem uma vida normal, é porque pediu crédito à cofidis e tem um processo em tribunal porque não pagou a prestação.

    Dass...é inacreditávelmente básico, primário, bronco.

    Eu estive na manifestação.
    Tenho a sorte (e o trabalho, já agora) de ter uma vida perfeitamente estável...num país de m*rda, vergonhosamente governado, deturpado por "direitos adquiridos" e com desequilibrios geracionais insustentáveis.
    Foi por isso que lá fui.

    E porque, finalmente, vi a sociedade acordar e manifestar-se, num movimento cívico impressionante, digno de um país desenvolvido, e completamente independente da corja que nos controla há 37 anos.

    Foi histórico. E arrepiante.

    E se querem um conselho: há mais na vida do que ser alcoviteiro de fórum.
    Depois de ler o tópico e de ter acompanhado várias opiniões pela net fora nos últimos dias, e para poupar tempo, posso dizer que sublinho esta opinião.

    Muito gosta certa gente de mandar abaixo os que querem fazer alguma coisa, que se mostram inconformados. É Portugal no seu melhor. Até pegam pela marca da lingerie ()... Se alguém tiver recebido uma camisola de marca (ou lingerie) ou um telemóvel caro pelo natal, qual é o drama? Geração à rasca não quer dizer que se ande roto ou nú, entendem? Não quer dizer que se ande com fome! Quer dizer que não se tem condições para ter uma vida normal independente (sem luxos)!
    Deixem de meter tudo no mesmo saco e fazer uma selecção das coisas más para justificar a posta de pescada!

    Tal como muita gente duvidou que a manifestação passasse da concentração de 100 ou 200 gatos pingados que iam acabar em confrontos, também lhes passa ao lado a importância que isto teve. Não por obter resultados imediatos, como é óbvio, mas pelo simbolismo e pela demonstração que há união, há vontade de mudar as coisas, que a paciência está a chegar ao limite. Que há muita gente adormecida ou contente com o estado das coisas, mas há outros que não, e fazem questão de demonstrar que estão aqui para incomodar.
    Com certeza que havia gente que foi ver a avenida, como também havia ideais opostos, radicais, e até vergonhosos, porque a crise, seja do que for, não escolhe, toca a todos. Mas não tenho dúvidas que muitas ideias se aproveitariam daquela gente para melhorar as coisas. Como se fosse difícil. Como se ninguém soubesse o que anda a afundar este país.
    E esta manifestação só não teve mais adesão porque muitos estavam a trabalhar.
    Gostei de ver vários pais e avós juntarem a sua voz, a mostrarem-se solidários em vez de fazerem uso da sua ignorância do alto das suas vidas confortáveis.

    Apesar das colagens que foram feitas à manifestação por parte de vários partidos, organizações, etc, grande parte desta geração não tem esperança neste sistema de partidocracia. Sabem como funcionam as coisas e sabem que não leva o país a lado nenhum. Nem daqui a 4, nem daqui a 40 anos. Querem uma ruptura com este sistema. Isto é revolução! Não seguir este caminho errado. É o que é preciso fazer. É dificil, é complicado, implica uma série de coisas, é quase utópico mas é o que é preciso fazer, porque esta cultura corrupta e de defesa dos interesses próprios está tão enraizada, tão ramificada e disseminada que tem de se começar mesmo do 0. É um cancro. E o doente não aguenta muito mais. É preciso inverter o rumo da situação.


  2. #602
    Piloto de Troféu nunomplopes's Avatar
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    Eu não sou do tamanho da minha altura, sou do tamanho daquilo que vejo. Benedita/Alcobaça/Leiria.
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    Também está "à rasca" senhor primeiro-ministro?


    Estou preocupado. Pareceu-me ver o primeiro-ministro, sempre tão bem disposto, algo abatido durante o discurso de tomada de posse do Presidente da República. Estarei enganado? Vi-o atrapalhado como não se via há muito. Talvez desde o incidente "corninhos de Pinho" em plena AR. Estava visivelmente Incomodado. Desconfortável. Vi um homem enfiado na cadeira, que se um buraco tivesse teria desaparecido. Um homem farto dele próprio. Desacreditado e pouco credível. Já nem o próprio acreditará na sua versão de otimismo surrealista. O país de José não é Portugal. O país do primeiro-ministro é o país que ele próprio criou. O desgoverno onde governa sem tolerar contestação. Onde o protesto é visto como radicalismo. A crítica à sua mais do que óbvia incompetência é vista como discurso sectário, populista e demagógico. A sociedade civil não é tida nem achada, é usada. Os cidadãos são números e os números são um jogo com que se vai brincando, jogando descaradamente com a vida e futuro das pessoas.
    Vi-o sorrir. O Presidente falava dos jovens e para os jovens, olhou para o lado, para o siamês que o acompanha para todo o lado, disse algo e sorriu. Este sorriso disse tudo. O olhar comprometido, perdido no vazio. Fez lembrar a versão "Zangado" dos sete anões. Os aplausos que iam acompanhando as muitas verdades debitadas pela nova versão de um mesmo Presidente, que largou o "jarrão da Vista Alegre" style e passou num ápice a líder revoltoso de uma população açaimada, acossada e enraivecida, foram autênticas pedradas a baterem no seu ego gigantesco. Derrubando-o, aos poucos. A raiva era muita e visível. Espumava.
    O nervosinho no estômago que sentira dias antes ao ver meia dúzia de jovens interromperem um discurso em Viseu estava ali novamente, presente e a atormentá-lo. Tentou gracejar, mas sem graça. Tentou dar a volta, mas há alturas em que não há grande volta a dar. Eram poucas vozes. Calaram-se. Mas elas vão-se juntando. Aumentando o coro. Fazendo eco um pouco por todo o lado, até serem milhares. Muitos milhares. Milhares que vão visitá-lo. Milhares na rua. Vai sorrir agora? Vai gracejar para o lado? Vai fingir que não existem no seu mundinho? Não vai ouvir estas vozes? E hoje, em Bruxelas, vai agir como se nada se passasse no país que ainda governa?

    Amanhã é dia 12, e agora pergunto-lhe senhor primeiro-ministro, também está "à rasca"?
    Também está à rasca senhor primeiro ministro? - Expresso.pt
    MariaHelena gosta disto.

  3. #603
    Piloto de Troféu nunomplopes's Avatar
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    Bem podem, ir preparando já as chaimites...

    A revolução dos (es)Cravos!
    Não podemos parar! Vamos mostrar ao país e ao mundo que continuamos indignados, e que seremos MUITOS MAIS que na manifestação anterior.
    A LUTA CONTINUA QUANDO O POVO SAI À RUA.
    http://www.facebook.com/25.de.Abril.a.Rasca
    Um enorme apelo a que não transformem estas manifestações em festivais. Podemos e devemos manifestar-nos com alegria, mas uma manifestação não deve ser uma "celebração desenfreada".
    ...
    Não devemos apoiar a demissão de toda a classe política. Vamos procurar soluções práticas e realistas, não atitudes extremistas.
    Manifestemo-nos de forma CONSCIENTE, RESPONSÁVEL, MORAL e ÉTICAMENTE CORRECTA.

    Procuramos pessoas ACTIVAS, sérias e responsáveis que encaixem neste perfil:
    - Não ser partidário, nem contra tudo o que seja partidos, governo, ou política (isto é, não ser antipartidarista);
    - Atitudes moderadas, e moralmente correctas (o bom senso deve assistir-nos);
    - O objectivo não é fazer provocações, mas erradica-las;
    - O objectivo é ajudar à solução, e não a que o problema se mantenha;
    - Não à violência verbal ou física;
    - Promover a união, e a força que o povo consegue ter;
    - Ripostar com a verdade, e não com a acusação ou ofensa gratuita.

    Para mais detalhes e novas informações:
    http://www.facebook.com/25.de.Abril.a.Rasca
    Devido à adesão em massa, o facebook impossibilita agora o envio de mensagens aos que foram convidado para o evento. Entra na página para receberes novas notícias relacionadas com as próximas manifestações, até 25 de Abril.

    NOVAS:
    ESTÃO ESCOLHIDOS 5 PONTOS PRINCIPAIS: Lisboa, Porto, Faro (Centro, Norte, e Sul de Portugal Continental), Funchal (Madeira), e Ponta Delgada (Açores).
    NO ENTANTO, seria ideal juntar o máximo de pessoas em Lisboa (a descentralização da manifestação é um factor inimigo do impacto que, certamente, todos estamos interessados em provocar).
    Sugestões: disponibilizar boleia, organizar autocarros.
    Entra na página acima referida, e procura a Discussão "Boleias para a Grande Manif - Lisboa".
    http://www.facebook.com/topic.php?uid=199664333384614&topic=235
    Vamos unir-nos, e fazer uso do espírito de inter-ajuda. Estamos todos para o mesmo!

    Obrigado a todos os que espalham a palavra, e tomam atitudes para melhorarmos Portugal. É POSSÍVEL, mas só com acção

    Bem-vindo(a) ao Facebook - Inicia sessão, regista-te ou sabe mais

  4. #604
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    Se todos os manifestantes votassem num partido, ele vencia- - Jornal de negócios online


    Foram mais as pessoas em protesto em Lisboa e no Porto do que os votos obtidos pelos partidos nas legislativas de 2009 nos dois concelhos. Os votos em Costa e Rio também não superaram a quantidade de manifestantes. Afinal, para que servem 300 mil na rua?

  5. #605
    joo
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    A pergunta deveria ser feita assim:

    Afinal, para que serve o voto?


  6. #606
    AMR
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    "Foram mais as pessoas em protesto em Lisboa e no Porto do que os votos obtidos pelos partidos nas legislativas de 2009 nos dois concelhos."

    Parei de ler aqui.

    É verdade que lamentavelmente existe uma elevada taxa de abstenção, que acaba por transmitir uma mensagem mais de desleixo do que um voto em branco.

    Mas em Lisboa e no Porto, não estiveram apenas pessoas desses concelhos, e logo por aí essa noticia morre à nascença.

  7. #607
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
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    Por Defeito

    Aqui está uma grande verdade que nos responsabiliza a todos nós. Leiam que vale bem a pena!
    Geração à Rasca - A Nossa Culpa
    POR: ...


    Um dia, isto tinha de acontecer.
    Existe uma geração à rasca?
    Existe mais do que uma! Certamente!
    Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
    Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
    A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
    Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

    Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se
    das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
    Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
    Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
    Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
    São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

    São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram
    que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a
    pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
    Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
    Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre
    emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
    Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
    Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
    Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
    Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

    Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
    Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
    Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
    Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

    Novos e velhos, todos estamos à rasca.
    Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
    Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
    A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
    Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
    Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
    Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
    Pode ser que nada/ninguém seja assim
    Última edição por BLADERUNNER : 21-03-11 às 21:51:15

  8. #608
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    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Aqui está uma grande verdade que nos responsabiliza a todos nós. Leiam que vale bem a pena!
    Até pode ter razão em algumas coisas que diz. No entanto a realidade é algo diferente. É óbvio que as gerações mais novas têm acesso a coisas às quais as outras não tiveram. Estamos em 2011... não estamos nos anos 70 ou 80 e como é óbvio há evolução. A questão principal é competitividade e quando nos deparamos com isso vemos que os jovens em Portugal não têm perspectivas de um futuro tão risonho e promissor como os que vivem na grande maioria dos países europeus. Mais, é inevitável afirmar que temos políticos absolutamente nojentos e que se formos a ver bem "o melhor" que a geração dos nossos pais teve para oferecer foi o Sócrates.

    "Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens."

    E vocês? Gostam que tenham "pena" de vocês?

  9. #609
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    Eu compreendo, mas nesta altura isto já não toca só aos mais jovens, toca-nos a todos.
    E os mais velhos com reformas miseráveis?
    E os de meia idade, "velhos" demais para recomeçar de novo (pelo menos com menos energia9 e novos demais para a reforma? Já para não falar que muitos deles ainda têm de sustentar os filhos que ainda não têm emprego ou rendimento decente.

    A crise toca a todos, só que a nossa geração aguenta melhor os sacrifícios do que esta, porque foi mal habituada. Dizem que não precisam de luxos, mas não dispensam certas coisas que não largam um minuto.

    Mas já os meus pais dizem o mesmo de mim e dos meus irmãos. Quanto menos habituados somos a passar sacrifícios, mais dificuldades temos em aguanter períodos de dificuldades.

  10. #610
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    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Eu compreendo, mas nesta altura isto já não toca só aos mais jovens, toca-nos a todos.
    E os mais velhos com reformas miseráveis?
    E os de meia idade, "velhos" demais para recomeçar de novo (pelo menos com menos energia9 e novos demais para a reforma? Já para não falar que muitos deles ainda têm de sustentar os filhos que ainda não têm emprego ou rendimento decente.

    A crise toca a todos, só que a nossa geração aguenta melhor os sacrifícios do que esta, porque foi mal habituada. Dizem que não precisam de luxos, mas não dispensam certas coisas que não largam um minuto.

    Mas já os meus pais dizem o mesmo de mim e dos meus irmãos. Quanto menos habituados somos a passar sacrifícios, mais dificuldades temos em aguanter períodos de dificuldades.
    Não te preocupais, com o novo Governo tudo fica resolvido!

    Em todo o caso, fazendo um pouco de futurologia, quando outras medidas forem implementadas a justificação será: A culpa é do Governo anterior que deixou isto tuto de tanga...

  11. #611
    Piloto Lendário Rasec's Avatar
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Aqui está uma grande verdade que nos responsabiliza a todos nós. Leiam que vale bem a pena!


    Excelente texto do Mia Couto!!!

    Há de facto uma coisa que os jovens da minha geração (20/30s) na sua maioria nunca tiveram de fazer, e isso chama-se sacrifícios! E ainda será mais acentuado nas duas próximas gerações!

    E uma pessoa que nunca teve de fazer sacrifícios, dificilmente saberá fazer opções! Uma pessoa que não sabe tomar opções, dificilmente saberá ser empreendedor! E sem empreendedores, o caminho não se faz...


    - O meu pai tinha casado aos 21 anos, aos 24 já era pai de dois filhos, trabalhava de dia e estudava de noite (a minha mãe não trabalhava na altura) e com pouca ajuda dos pais (mais por orgulho do que por necessidade) conseguiu alcançar muita coisa. Quando acabou de estudar, mudou de emprego e foi a minha mãe tirar um curso superior também enquanto trabalhava. Não tivemos carro até aos meus 8 anos. Só mudamos para um bom apartamento nos meus 16 anos. Os meus pais fizeram de facto muitos sacrifícios por mim e pela minha irmã!


    Quando me comparo com o meu pai aos 30 anos, pá... sinto quase vergonha! E acho que sou bem sucedido para a minha idade... no entanto, foi sempre tudo tão fácil! Graças a eles!
    BLADERUNNER gosta disto.

  12. #612
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    Geração à Rasca - A Nossa Culpa
    POR: MIA COUTO


    Um dia, isto tinha de acontecer.
    Existe uma geração à rasca?
    Existe mais do que uma! Certamente!
    Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
    Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
    A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
    Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

    Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se
    das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
    Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
    Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
    Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
    São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

    São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram
    que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a
    pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
    Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
    Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre
    emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
    Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
    Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
    Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
    Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

    Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
    Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
    Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
    Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

    Novos e velhos, todos estamos à rasca.
    Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
    Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
    A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
    Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
    Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
    Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
    Pode ser que nada/ninguém seja assim
    Epah ela que vá generalizar para outro lado!

    Desde muito nova (14/15 anos) que tomo conta das minhas finanças.
    Nunca tive mesada, os meus divorciaram-se pouco antes da minha ida para a faculdade, ou seja, não me podiam pagar nada. Tive sorte pois tive direito a bolsa de estudos completa. Refeições, transportes, material para aulas, livros, tudo à conta da bolsa, tudo gerido por mim. Consultas médicas, roupa, telemóvel, férias, tudo do meu bolso. Não gosto de Iphones.

    Tirei um curso superior numa faculdade pública, com uma boa média final, a única pública aqui do Porto mas existem 3/4 privadas que lançam turmas com 50/60 profissionais em cada ano.
    Arranjei emprego? Sim, mas precário. Falta referir que numa turma de 30, apenas 5 estão a trabalhar (nas mesmas condições que eu).

    A culpa é dos meus pais, que desde cedo me responsabilizaram monetariamente?

    Ou do governo/país que não regulariza o ensino superior para não haver demasiados profissionais para a realidade do nosso mercado, ou regularizar a criação de tantas faculdades privadas?

    Solução: emigrar!
    E faço-o com muito gosto. Porque trabalhar num país com poucas ou nenhumas perspectivas de evolução na carreira, isto se arranjar carreira, não é para mim.
    Mas isso sou eu, que sou mimada pelos pais.

    Sorte a dos outros países, que arranja profissionais qualificados sem ter de gastar um cêntimo na sua formação.
    ClioIIIRS gosta disto.

  13. #613
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Ginie Ver Post
    Epah ela que vá generalizar para outro lado!

    Desde muito nova (14/15 anos) que tomo conta das minhas finanças.
    Nunca tive mesada, os meus divorciaram-se pouco antes da minha ida para a faculdade, ou seja, não me podiam pagar nada. Tive sorte pois tive direito a bolsa de estudos completa. Refeições, transportes, material para aulas, livros, tudo à conta da bolsa, tudo gerido por mim. Consultas médicas, roupa, telemóvel, férias, tudo do meu bolso. Não gosto de Iphones.

    Tirei um curso superior numa faculdade pública, com uma boa média final, a única pública aqui do Porto mas existem 3/4 privadas que lançam turmas com 50/60 profissionais em cada ano.
    Arranjei emprego? Sim, mas precário. Falta referir que numa turma de 30, apenas 5 estão a trabalhar (nas mesmas condições que eu).

    A culpa é dos meus pais, que desde cedo me responsabilizaram monetariamente?

    Ou do governo/país que não regulariza o ensino superior para não haver demasiados profissionais para a realidade do nosso mercado, ou regularizar a criação de tantas faculdades privadas?

    Solução: emigrar!
    E faço-o com muito gosto. Porque trabalhar num país com poucas ou nenhumas perspectivas de evolução na carreira, isto se arranjar carreira, não é para mim.
    Mas isso sou eu, que sou mimada pelos pais.

    Sorte a dos outros países, que arranja profissionais qualificados sem ter de gastar um cêntimo na sua formação.

    Ela não! Ele!

    O texto fala genericamente de uma geração que pouco ou nada teve de lutar! Não significa que não faltem excepções! Obviamente não consegues retratar 2 milhões de pessoas num só texto! Mas se pensares bem, saberás identificar as excepções num todo! E saberás dar-lhe razão!

    A questão maior não é perceber a realidade (que de algum modo todos conhecemos), a maior dúvida aqui é mesmo sabermos como vamos inverter esta tendência! Tal como disse, acho que as próximas duas gerações ainda serão mais mimadas e mais dependentes dos pais! Como inverter isso?

  14. #614
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    Citação Originalmente Colocado por Rasec Ver Post
    Ela não! Ele!

    O texto fala genericamente de uma geração que pouco ou nada teve de lutar! Não significa que não faltem excepções! Obviamente não consegues retratar 2 milhões de pessoas num só texto! Mas se pensares bem, saberás identificar as excepções num todo! E saberás dar-lhe razão!

    A questão maior não é perceber a realidade (que de algum modo todos conhecemos), a maior dúvida aqui é mesmo sabermos como vamos inverter esta tendência! Tal como disse, acho que as próximas duas gerações ainda serão mais mimadas e mais dependentes dos pais! Como inverter isso?
    Acho que vai passar muito por nós, pela educação que iremos dar aos nossos filhos. Se bem que se esta situação nacional continuar assim, não há muito que possamos fazer. Não vamos inventar postos de trabalho onde eles não existem...
    Mesmo que ensinemos aos nossos filhos que nada cai do céu, que se tem de estudar/trabalhar para termos uma boa vida, se o desemprego e a precariedade continuarem, não se augura nada de bom e vão continuar a estar à rasca.

    Espero não ter de educar os meus filhos neste país. Posso com isto parecer do contra e contra Portugal, mas não me vou submeter à precariedade, muito menos os meus filhos.

  15. #615
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    Geração à Rasca - A Nossa Culpa
    POR: MIA COUTO


    Um dia, isto tinha de acontecer.
    Existe uma geração à rasca?
    Existe mais do que uma! Certamente!
    Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
    Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
    A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
    Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

    Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se
    das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
    Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
    Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
    Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
    São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

    São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram
    que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.


    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a
    pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
    Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
    Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre
    emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
    Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
    Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
    Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
    Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
    Até aqui, concordo.
    Mas já está a misturar a geração 20-30 com a dos que agora são adolescentes. O que não quer dizer que na dos 20-30 não haja adolescentes também...



    Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
    Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
    Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
    Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

    Novos e velhos, todos estamos à rasca.
    Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
    Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
    A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
    Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
    Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
    Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
    Pode ser que nada/ninguém seja assim

    Aqui já caiu na tentação de generalizar. Quando se fala de uma geração inteira, se acha que existem excepções de pessoas que têm razões para reclamar, tem de o mencionar. Assim, limita-se a pôr tudo no mesmo saco.

  16. #616
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    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    A crise toca a todos, só que a nossa geração aguenta melhor os sacrifícios do que esta, porque foi mal habituada. Dizem que não precisam de luxos, mas não dispensam certas coisas que não largam um minuto.
    Isso é tudo treta. Não o que dizes, que é totalmente verdade, mas a razão por que é uma realidade. É apenas fruto da tal vida fácil. É birra de bébé quando se lhe tira a mama. E isso vai ter de acabar algum dia. Que quanto mais cedo for, melhor. Isto é algo que me faz uma tremenda confusão. Como é que pais, tendo consciência do mal que estão a fazer aos filhos, que até são os que ficam cá para tomar conta do país (e do mundo, falando a nível geral), continuam a insistir no erro, tratando-os como flores de estufa? Eu não consigo perceber isto! Só vejo uma lógica de empobrecimento a todos os níveis e de auto-destruição. Mas supostamente não é isso que os pais pretendem para os filhos...

    Não basta dizer que como passaram dificuldades, quiseram dar aos filhos o melhor, o que resultou num grande falhanço e que a culpa morre solteira porque é de todos. Não. Têm de emendar o erro, têm de fazer o que estiver ao seu alcance, seja em relação aos filhos, seja em relação aos netos. Dêem-lhes mimos mas de amizade. E a maior amizade que lhes podem dar é ensinar-lhes o que é a vida. É fazê-los perceber de onde vieram, onde estão e para onde devem ir. Fazê-los crescer a seu tempo, criar neles auto-confiança, sentido de responsabilidade e autonomia. Saber ouvir, compreender e aconselhar. E quando se se justificar, medidas drásticas!
    É isso, não são toneladas de brinquedos e diversões que os afastam do contacto com o mundo real e de lidar com os problemas. Não é andarem à frente a fazerem tudo e falarem pelos miúdos, tratando-os como incapazes, como deficientes.
    Infelizmente vê-se muito destes erros e ninguém ganha com isso. Só quem vende as tais mordomias e vicios. Essa é outra questão, que é a de lutar contra "o que está instituído", como se tivéssemos de ter o que o vizinho tem. Como se fosse obrigatório os miúdos terem telemóvel, a consola de jogos do momento, etc, etc, etc. Mas com boa educação, creio ser possível contornar esse grande obstáculo.

    Mas já os meus pais dizem o mesmo de mim e dos meus irmãos. Quanto menos habituados somos a passar sacrifícios, mais dificuldades temos em aguanter períodos de dificuldades.
    Absolutamente. Ninguém aprende nada sem prática.

  17. #617
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    Por Defeito

    Desculpem lá, mas é uma desonestidade algumas coisas que para aqui se dizem.
    Se há pessoa que tem apoiado a juventude e a manifestação, sou eu. Todavia, a vitimização que esta geração faz, a qual ainda por poucas dificuldades passou nos seus poucos anos de vida, é injusta para quem é mais velho e já comeu o pão que o diabo amassou para que hoje não lhes falte nada.

    Argumentam que actualmente a juventude tem mais coisas porque os tempos são outros e que antigamente não havia nada. Mais uma vez egoísmo e criancice. Na minha época (e ainda sou bastante novo) havia imensos brinquedos nas montras, mas só gente de posses os poderiam comprar. Muitas vezes tínhamos de ir ao mais baratucho, ou andávamos meses a juntar os tostões (moeda miserável que aos jovens de hoje nada diz) para comprar um objecto modesto de sonho para nós ou então nem chegávamos a ter, pois não havia hipótese e a gente aceitava.
    Será que esta juventude tem mais direitos a “brinquedos” do que a geração anterior, porque sim!? Onde está isso escrito?

    Ainda hoje a minha esposa conta-me das bonecas que via na televisão espanhola e que nunca teve oportunidade de ter.
    Hoje os putos querem tudo. Se sai um telemóvel de um novo modelo, já querem (e depois têm 2 ou 3 lá por casa). Se o amigo tem a nova Playstation, também querem. Se comprou uma sapatilhas xpto, os pais que se amanhem que enquanto não tiverem não se calam.
    Esta é a realidade. E não me venham falar em necessidades, pois hoje em dia esta juventude está viciada no “TER” para se satisfazer. “Se os outros têm, eu também tenho direito a ter!” – essa é a ideia com a qual muitos cresceram.
    E, além do mais, vivem obcecados com estes objectos. Por exemplo, não são capazes de estar uns minutos sem mexer no telemóvel.

    Mas no meio de tudo isto, ninguém se está a lembrar dos sacrifícios pelos quais os pais estão novamente a passar, para que os filhos não tenham de sofrer tanto na pele os efeitos da crise.
    Hoje, ser-se pai com mais de 30 anos é uma treta. Vive-se para os filhos, poupa-se para não faltar nada aos filhos, e sacrifica-se para que os filhos não tenham de passar dificuldades. E o que vemos são pais com mais de 30 a esquecerem-se de viver a vida. Tudo gira em torno dos filhos e não há tempo nem dinheiro para gozarem a força da idade e da juventude que ainda têm.

    Aos 40 são uns autênticos velhos com a vida arruinada e a juventude afastada... e depois, chega novamente a crise e estes têm de sacrificar-se mais uma vez para os filhos ainda poderem tirar um curso ou porque ainda não arranjaram emprego ou trabalho que lhes permita autonomia. Então e os pais, porra!? Será que não estão a viver os efeitos da crise? Será que não estão a perder os empregos, os apoios sociais, a redução de salários, a degradação do emprego, etc., e ainda têm os filhos a seu cargo?

    Este é reconhecimento que manifestam aos vossos pais? Belos filhos e bela geração aquela que temos! Uma geração que não reconhece os sacrifícios que os pais – bem ou mal – fizeram por eles.
    Portanto, queixam-se que não há que generalizar, mas já começo a estar cansado dessa tal generalização de que os jovens são vítimas e os mais velhos os culpados. Enfim, infantilidade e ingratidão!
    Quando reconhecerem que além de vós, também os vossos pais e os vossos avós estão a pagar caro, talvez estejam com maturidade suficiente para compreender a realidade que a todos dói.
    Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado.
    Sei do que falo, porque cada vez são mais os pais desesperados, sem emprego ou sem dinheiro a viver num mundo à parte dos filhos – que ainda não acordaram para a realidade – que choram na minha presença. Que mundo este onde só se empurram as culpas e não se assumem!
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  18. #618
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    Citação Originalmente Colocado por Zell Ver Post
    Isso é tudo treta. Não o que dizes, que é totalmente verdade, mas a razão por que é uma realidade. É apenas fruto da tal vida fácil. É birra de bébé quando se lhe tira a mama. E isso vai ter de acabar algum dia. Que quanto mais cedo for, melhor. Isto é algo que me faz uma tremenda confusão. Como é que pais, tendo consciência do mal que estão a fazer aos filhos, que até são os que ficam cá para tomar conta do país (e do mundo, falando a nível geral), continuam a insistir no erro, tratando-os como flores de estufa? Eu não consigo perceber isto! Só vejo uma lógica de empobrecimento a todos os níveis e de auto-destruição. Mas supostamente não é isso que os pais pretendem para os filhos...

    Não basta dizer que como passaram dificuldades, quiseram dar aos filhos o melhor, o que resultou num grande falhanço e que a culpa morre solteira porque é de todos. Não. Têm de emendar o erro, têm de fazer o que estiver ao seu alcance, seja em relação aos filhos, seja em relação aos netos. Dêem-lhes mimos mas de amizade. E a maior amizade que lhes podem dar é ensinar-lhes o que é a vida. É fazê-los perceber de onde vieram, onde estão e para onde devem ir. Fazê-los crescer a seu tempo, criar neles auto-confiança, sentido de responsabilidade e autonomia. Saber ouvir, compreender e aconselhar. E quando se se justificar, medidas drásticas!
    É isso, não são toneladas de brinquedos e diversões que os afastam do contacto com o mundo real e de lidar com os problemas. Não é andarem à frente a fazerem tudo e falarem pelos miúdos, tratando-os como incapazes, como deficientes.
    Infelizmente vê-se muito destes erros e ninguém ganha com isso. Só quem vende as tais mordomias e vicios. Essa é outra questão, que é a de lutar contra "o que está instituído", como se tivéssemos de ter o que o vizinho tem. Como se fosse obrigatório os miúdos terem telemóvel, a consola de jogos do momento, etc, etc, etc. Mas com boa educação, creio ser possível contornar esse grande obstáculo.


    Absolutamente. Ninguém aprende nada sem prática.
    http://forum.autohoje.com/off-topic/...r-o-bem-2.html

  19. #619
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    Esta ideia assusta-me.....

  20. #620
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    Atenção que esse texto está erradamente atribuído ao Mia Couto.

    Comunicado do José Eduardo Agualusa (amigo pessoal de Mia Couto) no seu facebook:

    "
    Anda a circular um texto atribuído ao Mia Couto sobre a Geração à Rasca. À rasca está o Mia porque o texto não é dele. Textos apócrifos na Internet são o terror dos escritores nos dias que correm."


  21. #621
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    Desculpem lá, mas é uma desonestidade algumas coisas que para aqui se dizem.
    Se há pessoa que tem apoiado a juventude e a manifestação, sou eu. Todavia, a vitimização que esta geração faz, a qual ainda por poucas dificuldades passou nos seus poucos anos de vida, é injusta para quem é mais velho e já comeu o pão que o diabo amassou para que hoje não lhes falte nada.

    Argumentam que actualmente a juventude tem mais coisas porque os tempos são outros e que antigamente não havia nada. Mais uma vez egoísmo e criancice. Na minha época (e ainda sou bastante novo) havia imensos brinquedos nas montras, mas só gente de posses os poderiam comprar. Muitas vezes tínhamos de ir ao mais baratucho, ou andávamos meses a juntar os tostões (moeda miserável que aos jovens de hoje nada diz) para comprar um objecto modesto de sonho para nós ou então nem chegávamos a ter, pois não havia hipótese e a gente aceitava.
    Será que esta juventude tem mais direitos a “brinquedos” do que a geração anterior, porque sim!? Onde está isso escrito?

    Ainda hoje a minha esposa conta-me das bonecas que via na televisão espanhola e que nunca teve oportunidade de ter.
    Hoje os putos querem tudo. Se sai um telemóvel de um novo modelo, já querem (e depois têm 2 ou 3 lá por casa). Se o amigo tem a nova Playstation, também querem. Se comprou uma sapatilhas xpto, os pais que se amanhem que enquanto não tiverem não se calam.
    Esta é a realidade. E não me venham falar em necessidades, pois hoje em dia esta juventude está viciada no “TER” para se satisfazer. “Se os outros têm, eu também tenho direito a ter!” – essa é a ideia com a qual muitos cresceram.
    E, além do mais, vivem obcecados com estes objectos. Por exemplo, não são capazes de estar uns minutos sem mexer no telemóvel.

    Mas no meio de tudo isto, ninguém se está a lembrar dos sacrifícios pelos quais os pais estão novamente a passar, para que os filhos não tenham de sofrer tanto na pele os efeitos da crise.
    Hoje, ser-se pai com mais de 30 anos é uma treta. Vive-se para os filhos, poupa-se para não faltar nada aos filhos, e sacrifica-se para que os filhos não tenham de passar dificuldades. E o que vemos são pais com mais de 30 a esquecerem-se de viver a vida. Tudo gira em torno dos filhos e não há tempo nem dinheiro para gozarem a força da idade e da juventude que ainda têm.

    Aos 40 são uns autênticos velhos com a vida arruinada e a juventude afastada... e depois, chega novamente a crise e estes têm de sacrificar-se mais uma vez para os filhos ainda poderem tirar um curso ou porque ainda não arranjaram emprego ou trabalho que lhes permita autonomia. Então e os pais, porra!? Será que não estão a viver os efeitos da crise? Será que não estão a perder os empregos, os apoios sociais, a redução de salários, a degradação do emprego, etc., e ainda têm os filhos a seu cargo?

    Este é reconhecimento que manifestam aos vossos pais? Belos filhos e bela geração aquela que temos! Uma geração que não reconhece os sacrifícios que os pais – bem ou mal – fizeram por eles.
    Portanto, queixam-se que não há que generalizar, mas já começo a estar cansado dessa tal generalização de que os jovens são vítimas e os mais velhos os culpados. Enfim, infantilidade e ingratidão!
    Quando reconhecerem que além de vós, também os vossos pais e os vossos avós estão a pagar caro, talvez estejam com maturidade suficiente para compreender a realidade que a todos dói.
    Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado.
    Sei do que falo, porque cada vez são mais os pais desesperados, sem emprego ou sem dinheiro a viver num mundo à parte dos filhos – que ainda não acordaram para a realidade – que choram na minha presença. Que mundo este onde só se empurram as culpas e não se assumem!
    Sem tirar nem pôr! Eu admito, sou um sortudo! Nem sequer gosto de comparar a minha vida com a dos meus pais, para não me sentir mal!

  22. #622
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Patricinha Ver Post
    Atenção que esse texto está erradamente atribuído ao Mia Couto.

    Comunicado do José Eduardo Agualusa (amigo pessoal de Mia Couto) no seu facebook:

    "
    Anda a circular um texto atribuído ao Mia Couto sobre a Geração à Rasca. À rasca está o Mia porque o texto não é dele. Textos apócrifos na Internet são o terror dos escritores nos dias que correm."

    Eu achei estranho um escritor moçambicano falar de um tema destes... E sinceramente levava o Mia em melhor consideração, aquele texto tem ali muita coisa que enfim...

  23. #623
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    A crise em Portugal vai durar para sempre! A melhor era da humanidade ja passou! o mundo vai acabar!
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    Pois mas os portugueses só conhecem 2 partidos: ora o PS, ora o PSD.
    Quem está bem instalado na vida até compreendo, mas muito do povão que se manifesta e vive mal, vai votar agora no PSD porque votar na esquerda até fica mal, é uma vergonha, PCP, BE, é tudo gente rasca.
    Está mau, está a bater no fundo, bancarrota no horizonte, mas os causadores da desgraça são ao mesmo tempo as alternativas e as soluções para os portugueses. Têm os politicos que merecem.

  24. #624
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    Por Defeito

    Já li por aí que nunca poderemos pagar a brutal dívida que temos, o que vai implicar uma renegociação da mesma. Que consequências irão advir daí?

  25. #625
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Karma Ver Post
    Eu achei estranho um escritor moçambicano falar de um tema destes... E sinceramente levava o Mia em melhor consideração, aquele texto tem ali muita coisa que enfim...
    Exacto. Eu posso estar sugestionada por já ter lido o texto após saber que não era do Mia, mas de facto não muito a ver com ele.

    Aconteceu o mesmo ao Nuno Markl com um texto sobre os anos 80.

  26. #626
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    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post
    Sem tirar nem pôr! Eu admito, sou um sortudo! Nem sequer gosto de comparar a minha vida com a dos meus pais, para não me sentir mal!
    Também não tenho problemas em admitir que sou um sortudo e que nunca me faltou nada


    Mas esse texto apesar de falar de muitas verdades inconvenientes é bastante injusto para pessoas como a Ginie.


    É o problema das generalizações.

  27. #627
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    Citação Originalmente Colocado por ClioIIIRS Ver Post
    Também não tenho problemas em admitir que sou um sortudo e que nunca me faltou nada


    Mas esse texto apesar de falar de muitas verdades inconvenientes é bastante injusto para pessoas como a Ginie.


    É o problema das generalizações.
    Nem tinha visto o caso da Ginie, mas quem não generaliza? Se não podemos generalizar este tipo de fóruns não podiam existir.

    Mesmo assim, tendo em conta que tive mais sorte que a Ginie, ela teve mais sorte que os meus pais, por exemplo. E até nem se pode queixar, teve bolsa completa que lhe pagou os estudos, é um luxo!

  28. #628
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    o que eu gosto mesmo é de dividir uma sardinha por 4 pessoas.

    torna-nos mais Homens


  29. #629
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    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post
    Nem tinha visto o caso da Ginie, mas quem não generaliza? Se não podemos generalizar este tipo de fóruns não podiam existir.
    O problema não é uma ou outra generalização daquele texto, até porque uma ou outra batem certinho.

    O problema é que são às dezenas e umas nem sequer estão perto de ser verdade.

    Segundo aquele texto é como se toda a gente da "minha geração" saísse várias vezes por semana torrando várias dezenas de €€ em cada noite, como se toda a gente tivesse consolas de última geração e montes de jogos, brutos LCD's no quarto, telefones de €500, máquinas reflex, relógios caros, imensa roupa de marca, carro novo com "gota" e tudo incluindo, como se comessem sempre fora e como se fossem a todos os festivais, concertos etc etc.

    Não digo que não hajam casos de pessoas que tenha isto tudo mas não são a maioria, aliás, são uma pequena minoria.


    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post
    Mesmo assim, tendo em conta que tive mais sorte que a Ginie, ela teve mais sorte que os meus pais, por exemplo. E até nem se pode queixar, teve bolsa completa que lhe pagou os estudos, é um luxo!
    Verdade, na parte da bolsa até teve, de facto, sorte.

  30. #630
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    Citação Originalmente Colocado por ClioIIIRS Ver Post
    O problema não é uma ou outra generalização daquele texto, até porque uma ou outra batem certinho.

    O problema é que são às dezenas e umas nem sequer estão perto de ser verdade.

    Segundo aquele texto é como se toda a gente da "minha geração" saísse várias vezes por semana torrando várias dezenas de €€ em cada noite, como se toda a gente tivesse consolas de última geração e montes de jogos, brutos LCD's no quarto, telefones de €500, máquinas reflex, relógios caros, imensa roupa de marca, carro novo com "gota" e tudo incluindo, como se comessem sempre fora e como se fossem a todos os festivais, concertos etc etc.

    Não digo que não hajam casos de pessoas que tenha isto tudo mas não são a maioria, aliás, são uma pequena minoria.

    Verdade, na parte da bolsa até teve, de facto, sorte.
    Eu percebo-te e como se costuma dizer "pimenta no c* dos outros para mim é refresco". Mas hoje em dia os jovens têm a vida muito facilitada em relação à juventude de quem tem hoje 50/55/60 anos. Acho que a maior parte não tem noção disso e tem pouca humildade para "ter os pés assentes na terra". A geração jovem de hoje, da qual me incluo, ainda sentiu em criança o que é ter poucos brinquedos, mas quem está hoje a entrar na adolescência (e até um pouco mais velhos) sempre teve excesso de tudo, isso pode ser mau! Houve uns anos de crescimento enorme e em 5/10 anos as diferenças entre pessoas eram enormes!

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