[Sociedade] Manifestação de Protesto "Geração à Rasca", 12 Março - Página 22

Ver Resultados da Sondagem: Irás participar no Protesto?

Votantes
197. Não pode votar nesta sondagem
  • Sim

    76 38.58%
  • Não

    121 61.42%
Página 22 de 26 PrimeiraPrimeira ... 12212223 ... ÚltimaÚltima
A mostrar resultados 631 para 660 de 758
Like Tree410Likes

Título: Manifestação de Protesto "Geração à Rasca", 12 Março

  1. #631
    Piloto de Troféu zerorpm's Avatar
    Data de Registo
    Jun 2003
    Posts
    6,637

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Desculpem lá, mas é uma desonestidade algumas coisas que para aqui se dizem.
    Se há pessoa que tem apoiado a juventude e a manifestação, sou eu. Todavia, a vitimização que esta geração faz, a qual ainda por poucas dificuldades passou nos seus poucos anos de vida, é injusta para quem é mais velho e já comeu o pão que o diabo amassou para que hoje não lhes falte nada.

    Argumentam que actualmente a juventude tem mais coisas porque os tempos são outros e que antigamente não havia nada. Mais uma vez egoísmo e criancice. Na minha época (e ainda sou bastante novo) havia imensos brinquedos nas montras, mas só gente de posses os poderiam comprar. Muitas vezes tínhamos de ir ao mais baratucho, ou andávamos meses a juntar os tostões (moeda miserável que aos jovens de hoje nada diz) para comprar um objecto modesto de sonho para nós ou então nem chegávamos a ter, pois não havia hipótese e a gente aceitava.
    Será que esta juventude tem mais direitos a “brinquedos” do que a geração anterior, porque sim!? Onde está isso escrito?

    Ainda hoje a minha esposa conta-me das bonecas que via na televisão espanhola e que nunca teve oportunidade de ter.
    Hoje os putos querem tudo. Se sai um telemóvel de um novo modelo, já querem (e depois têm 2 ou 3 lá por casa). Se o amigo tem a nova Playstation, também querem. Se comprou uma sapatilhas xpto, os pais que se amanhem que enquanto não tiverem não se calam.
    Esta é a realidade. E não me venham falar em necessidades, pois hoje em dia esta juventude está viciada no “TER” para se satisfazer. “Se os outros têm, eu também tenho direito a ter!” – essa é a ideia com a qual muitos cresceram.
    E, além do mais, vivem obcecados com estes objectos. Por exemplo, não são capazes de estar uns minutos sem mexer no telemóvel.

    Mas no meio de tudo isto, ninguém se está a lembrar dos sacrifícios pelos quais os pais estão novamente a passar, para que os filhos não tenham de sofrer tanto na pele os efeitos da crise.
    Hoje, ser-se pai com mais de 30 anos é uma treta. Vive-se para os filhos, poupa-se para não faltar nada aos filhos, e sacrifica-se para que os filhos não tenham de passar dificuldades. E o que vemos são pais com mais de 30 a esquecerem-se de viver a vida. Tudo gira em torno dos filhos e não há tempo nem dinheiro para gozarem a força da idade e da juventude que ainda têm.

    Aos 40 são uns autênticos velhos com a vida arruinada e a juventude afastada... e depois, chega novamente a crise e estes têm de sacrificar-se mais uma vez para os filhos ainda poderem tirar um curso ou porque ainda não arranjaram emprego ou trabalho que lhes permita autonomia. Então e os pais, porra!? Será que não estão a viver os efeitos da crise? Será que não estão a perder os empregos, os apoios sociais, a redução de salários, a degradação do emprego, etc., e ainda têm os filhos a seu cargo?

    Este é reconhecimento que manifestam aos vossos pais? Belos filhos e bela geração aquela que temos! Uma geração que não reconhece os sacrifícios que os pais – bem ou mal – fizeram por eles.
    Portanto, queixam-se que não há que generalizar, mas já começo a estar cansado dessa tal generalização de que os jovens são vítimas e os mais velhos os culpados. Enfim, infantilidade e ingratidão!
    Quando reconhecerem que além de vós, também os vossos pais e os vossos avós estão a pagar caro, talvez estejam com maturidade suficiente para compreender a realidade que a todos dói.
    Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado.
    Sei do que falo, porque cada vez são mais os pais desesperados, sem emprego ou sem dinheiro a viver num mundo à parte dos filhos – que ainda não acordaram para a realidade – que choram na minha presença. Que mundo este onde só se empurram as culpas e não se assumem!
    Fantástico, para além de excelente Professor é também um ser humano exemplar... Flawless!!

    Parabéns pelo carácter, pelo vasto conhecimento sobre tudo e mais alguma coisa...

    "Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado."

    Confesso que veio uma lágrima no canto do meu olho, pois finalmente consegui escutar as lágrimas dos meus papás...


  2. #632
    Piloto de Fórmula 1 ClioIIIRS's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2008
    Localização
    Portugal
    Posts
    15,669

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post
    Eu percebo-te e como se costuma dizer "pimenta no c* dos outros para mim é refresco". Mas hoje em dia os jovens têm a vida muito facilitada em relação à juventude de quem tem hoje 50/55/60 anos. Acho que a maior parte não tem noção disso e tem pouca humildade para "ter os pés assentes na terra". A geração jovem de hoje, da qual me incluo, ainda sentiu em criança o que é ter poucos brinquedos, mas quem está hoje a entrar na adolescência (e até um pouco mais velhos) sempre teve excesso de tudo, isso pode ser mau! Houve uns anos de crescimento enorme e em 5/10 anos as diferenças entre pessoas eram enormes!
    Isto das novas gerações terem cada vez mais até eu noto comparando a minha infância com a da minha "sobrinha" de dois anos (é sobrinha da miúda).

    Noto sobretudo no facto da menina ter roupas de marca desde que nasceu e eu só aí a partir dos 12/13 anos me lembro de começar a pedinchar umas roupas de marcas de surf e tal.

    Mas a culpa nem se pode atribuir apenas aos pais até porque muita "tralha" é oferecida.

    Aliás ela ainda nem idade tem para ter nenucos e já tem uns quantos.

    Ok um deles (na verdade foi um baby born) a culpa é minha , mas também custava €50 e estava a €15 no Jumbo, é dificil resistir a promoções destas

  3. #633
    Piloto de Fórmula 1 AMGfan's Avatar
    Data de Registo
    Oct 2005
    Posts
    16,576

    Por Defeito

    Hum...mais uma perspectiva...



    Geração parva.pdf

  4. #634
    Piloto de Troféu nunomplopes's Avatar
    Data de Registo
    Sep 2007
    Localização
    Eu não sou do tamanho da minha altura, sou do tamanho daquilo que vejo. Benedita/Alcobaça/Leiria.
    Posts
    9,940

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por zerorpm Ver Post
    Fantástico, para além de excelente Professor é também um ser humano exemplar... Flawless!!

    Parabéns pelo carácter, pelo vasto conhecimento sobre tudo e mais alguma coisa...

    "Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado."

    Confesso que veio uma lágrima no canto do meu olho, pois finalmente consegui escutar as lágrimas dos meus papás...
    Se nunca vistes os teus a verter uma lágrima, lá saberás da tua história!

    Agora dos meus sei bem o seu sacrificio e bem me recordo da pequena história, de que me fica sempre marcada, aquando da Peste suina africana arruinou tudo o que o meu pai tinha, e com credores à porta (naturalmente), e implorar e completamente lavado em lágrimas, com o pouco o que pudesse dar aos filhos, do que não tinha.

    Eu por cá, fico-me pela minha realidade.
    zerorpm e BLADERUNNER gostam disto.

  5. #635
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por zerorpm Ver Post
    Fantástico, para além de excelente Professor é também um ser humano exemplar... Flawless!!

    Parabéns pelo carácter, pelo vasto conhecimento sobre tudo e mais alguma coisa...

    "Se calhar muitos de vós que tanto vos queixais, de tanto estarem preocupados convosco não consigais escutar as lágrimas dos vosso pais no quarto ao lado."

    Confesso que veio uma lágrima no canto do meu olho, pois finalmente consegui escutar as lágrimas dos meus papás...
    Porquê? Incomoda-te aquilo que eu penso? Perturba-te pensar em certas coisas?
    Conheces-me de algum lado para teceres considerações dessas sobre a minha pessoa?
    Esses «à partes» desnecessários aliados ao fervor pelo teu PS levam-te a saídas infelizes dessas.

    Por vezes, as pessoas só vêem aquilo que querem ver.
    Só assim se explica ser tão normal tantas pessoas olharam para a mesma coisa ou acontecimento e os verem de maneira tão diferente. O motivo por que o fazem só cada um sabe.

    O mais fantástico nestes fóruns é que os utilizadores têm imensa dificuldade em falar sobre qualquer assunto sem tecerem críticas acerca dos outros. Hello! O assunto não são os outros users!

    Para tua informação, eu não preciso de excelência, basta não cair nessa mediocridade de adjectivar os outros para fazer toda a diferença.
    E é muito simples: respeitas a opinião diferente da tua e contra-argumentas com o teu pensamento. Não é preciso esses considerandos sobre a minha pessoa... que desconheces.

    Se alguns users tivessem a humildade de dar a sua opinião sem insultar os outros talvez o ambiente por aqui fosse bem melhor. Mas pelos vistos é mais fácil ir malhando, do que contribuir com ideias.
    Poderás até ter uma opinião mais acertada do que a minha (que infelizmente não li no teu post), mas não é a ofender os outros que provas ter razão. Pois é, atrás de um ecrã não faltam heróis.


  6. #636
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    Pontos incontornáveis:
    -na generalidade os nossos avós passaram mais dificuldades do que os nossos pais (uma época em que pão e vinho sobre a mesa, ficavam bem com certeza). O comum era uma côdea no bolso e duas sardinhas com uma panela cheia de batatas que davam para toda a família. Uma miséria? Sem dúvida, mas foi assim para muita gente.

    -os nossos pais já puderam ter uma vida mais desafogada. Muitos ainda passaram muito mal na infância, mas na idade adulta já começaram a usufruir de alguma liberdade e de menos miséria. Começaram a surgir oportunidades. A emigração para a europa ou para o ultramar em tempos áureos, assim como um país que posteriormente começava a conhecer a liberdade e a democracia, propiciaram oportunidades nunca antes vistas.

    -quanto a nós, crescemos com muita coisa que nos foi dito ser um luxo. Alguns brinquedos e roupas da moda, telemóveis, PCs que começaram a surgir, oportunidade de estudar e tirar um curso num ensino que se massificou devido à sua universalização e o aumento substancial de liberdade, poder de compra e oportunidades provenientes de um país que abriu portas para a europa, fez de nós aquilo que somos hoje.

    -os nossos filhos estão a ter tudo aquilo que sempre tivemos e muito do que quisemos e não pudemos ter. Não há que os recriminar, pois neles estamos a projectar os sonhos que não concretizámos. A sua felicidade é a nossa felicidade, o seu conforto é o nosso conforto e a sua segurança é a nossa segurança. Prometeram-lhes que se estudassem estava garantido o seu futuro como prémio justo pelo sacrifício de uma juventude agarrada ao estudo. Depois, num país desorganizado, com cursos mal enquadrados para o mercado de trabalho, aliado a um período de enorme crise, a juventude viu-se enganada. Venderam-lhes um sonho que era uma ilusão (como eu os compreendo!)

    E este não é um problema dos filhos, dos pais ou dos avós – é um problema de todos nós, portugueses de classe média, média-baixa e baixa (que no global já representam 51% no limiar ou em risco de pobreza).

    >É um drama dos filhos que ficam sem emprego ou sem saída profissional depois de tanto esforço na sua formação, acabando a engrossar as fileiras do desemprego, ou aceitando trabalho temporário, precário, com salário mínimo, ou a recibos verdes. Muitos chegam aos 30 (quando os pais ou avós já tinham família, independência e vida própria) e são obrigados a estar ainda a viver debaixo do mesmo teto dos pais. Entende-se a frustração.

    >Os pais acabam por ter de sustentar os filhos quando eles próprios também estão a sofrer os mesmos flagelos do desemprego, trabalho precário e perda do poder de compra. Sofrem ainda mais com o sofrimento dos filhos.

    >Os avós, esses que mereciam um fim de vida de descanso, absorvem isto tudo e tentam ajudar como podem, tomando conta dos netos, ajudando estes e os filhos com o pouco dinheiro que ainda têm das poupanças de uma vida e das reformas miseráveis.

    Por isso, todos estamos neste tormento e fazemos parte desta «geração à rasca», porque estamos todos enrascados até ao pescoço. Enquanto isso, os maiores responsáveis fazem novelas políticas na TV.

  7. #637
    Piloto de Testes Ginie's Avatar
    Data de Registo
    Aug 2005
    Localização
    V.N.Gaia, Portugal.
    Posts
    1,261

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post
    Nem tinha visto o caso da Ginie, mas quem não generaliza? Se não podemos generalizar este tipo de fóruns não podiam existir.

    Mesmo assim, tendo em conta que tive mais sorte que a Ginie, ela teve mais sorte que os meus pais, por exemplo. E até nem se pode queixar, teve bolsa completa que lhe pagou os estudos, é um luxo!
    Pois realmente, tive sorte...porque se não tivesse tido direito a bolsa, nem curso superior tinha neste momento. Sim, porque não ia obrigar os meus pais a pagarem um curso que na altura não podiam pagar.
    E antes que se ponham a dizer "fosses trabalhar para pagar o curso", eu trabalhei 3 anos durante o verão, enquanto estava no secundário.

    Não é sorte. Concorrer à bolsa não é um sorteio.

  8. #638
    Piloto de Troféu zerorpm's Avatar
    Data de Registo
    Jun 2003
    Posts
    6,637

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Porquê? Incomoda-te aquilo que eu penso? Perturba-te pensar em certas coisas?
    Conheces-me de algum lado para teceres considerações dessas sobre a minha pessoa?
    Esses «à partes» desnecessários aliados ao fervor pelo teu PS levam-te a saídas infelizes dessas.

    Por vezes, as pessoas só vêem aquilo que querem ver.
    Só assim se explica ser tão normal tantas pessoas olharam para a mesma coisa ou acontecimento e os verem de maneira tão diferente. O motivo por que o fazem só cada um sabe.

    O mais fantástico nestes fóruns é que os utilizadores têm imensa dificuldade em falar sobre qualquer assunto sem tecerem críticas acerca dos outros. Hello! O assunto não são os outros users!

    Para tua informação, eu não preciso de excelência, basta não cair nessa mediocridade de adjectivar os outros para fazer toda a diferença.
    E é muito simples: respeitas a opinião diferente da tua e contra-argumentas com o teu pensamento. Não é preciso esses considerandos sobre a minha pessoa... que desconheces.

    Se alguns users tivessem a humildade de dar a sua opinião sem insultar os outros talvez o ambiente por aqui fosse bem melhor. Mas pelos vistos é mais fácil ir malhando, do que contribuir com ideias.
    Poderás até ter uma opinião mais acertada do que a minha (que infelizmente não li no teu post), mas não é a ofender os outros que provas ter razão. Pois é, atrás de um ecrã não faltam heróis.
    Não meu caro Bladerunner (por acaso também adoro o filme)

    É o discurso típico português do coitadinho...

    Às vezes parece que há um concurso para ver quem tem a vida mais triste...

    Eu sofri muito para ter o que tenho... Depois vem o outro, não eu sofri mais ainda...

    Só que nos países desenvolvidos o discurso é diferente:
    Eu tive uma brilhante ideia, abri um negócio e enriqueci... Ele sabe que passou as passas do algarve, mas só fala do sucesso.

    É só isso caro colega!

  9. #639
    air
    air está offline
    Piloto Veterano air's Avatar
    Data de Registo
    Jan 2004
    Localização
    Porto/Aveiro
    Posts
    21,386

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Ginie Ver Post
    Pois realmente, tive sorte...porque se não tivesse tido direito a bolsa, nem curso superior tinha neste momento. Sim, porque não ia obrigar os meus pais a pagarem um curso que na altura não podiam pagar.
    E antes que se ponham a dizer "fosses trabalhar para pagar o curso", eu trabalhei 3 anos durante o verão, enquanto estava no secundário.

    Não é sorte. Concorrer à bolsa não é um sorteio.
    Quantas pessoas são trabalhador-estudantes? Não é fácil e se o curso for exigente como o meu era é muito difícil conseguir. Mas se não conseguem em 5, conseguem em 8. Aliás muitos a tempo inteiro só mesmo ao fim de 8 anos.

    A bolsa é "sorte" e é "um luxo", como estávamos a comparar com o tempo dos nossos pais, que aos 10 anos iam trabalhar e estudar era mesmo só para quem podia pagar. Se hoje o estado te paga/ pagou uma bolsa que te dava "Refeições, transportes, material para aulas, livros, tudo à conta da bolsa" é um luxo e é uma sorte! Se não fosse isso terias de ter pedido um empréstimo e hoje tinhas de o estar a pagar.

    Não falem tão mal do estado, porque uma mudança com certeza será para termos menos direitos e mais deveres.

    Há dias na brincadeira vi quanto o estado tinha gasto comido para ter feito o estágio de 2 anos fora, foi quase 50,000€!!! Agora com os meus impostos quando é que pagarei este dinheiro?! O estado é que está à rasca!

  10. #640
    v7
    v7 está offline
    Banido v7's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2005
    Localização
    Lisboa, Portugal
    Posts
    32,659

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Pontos incontornáveis:
    -na generalidade os nossos avós passaram mais dificuldades do que os nossos pais (uma época em que pão e vinho sobre a mesa, ficavam bem com certeza). O comum era uma côdea no bolso e duas sardinhas com uma panela cheia de batatas que davam para toda a família. Uma miséria? Sem dúvida, mas foi assim para muita gente.

    -os nossos pais já puderam ter uma vida mais desafogada. Muitos ainda passaram muito mal na infância, mas na idade adulta já começaram a usufruir de alguma liberdade e de menos miséria. Começaram a surgir oportunidades. A emigração para a europa ou para o ultramar em tempos áureos, assim como um país que posteriormente começava a conhecer a liberdade e a democracia, propiciaram oportunidades nunca antes vistas.

    -quanto a nós, crescemos com muita coisa que nos foi dito ser um luxo. Alguns brinquedos e roupas da moda, telemóveis, PCs que começaram a surgir, oportunidade de estudar e tirar um curso num ensino que se massificou devido à sua universalização e o aumento substancial de liberdade, poder de compra e oportunidades provenientes de um país que abriu portas para a europa, fez de nós aquilo que somos hoje.

    -os nossos filhos estão a ter tudo aquilo que sempre tivemos e muito do que quisemos e não pudemos ter. Não há que os recriminar, pois neles estamos a projectar os sonhos que não concretizámos. A sua felicidade é a nossa felicidade, o seu conforto é o nosso conforto e a sua segurança é a nossa segurança. Prometeram-lhes que se estudassem estava garantido o seu futuro como prémio justo pelo sacrifício de uma juventude agarrada ao estudo. Depois, num país desorganizado, com cursos mal enquadrados para o mercado de trabalho, aliado a um período de enorme crise, a juventude viu-se enganada. Venderam-lhes um sonho que era uma ilusão (como eu os compreendo!)

    E este não é um problema dos filhos, dos pais ou dos avós – é um problema de todos nós, portugueses de classe média, média-baixa e baixa (que no global já representam 51% no limiar ou em risco de pobreza).

    >É um drama dos filhos que ficam sem emprego ou sem saída profissional depois de tanto esforço na sua formação, acabando a engrossar as fileiras do desemprego, ou aceitando trabalho temporário, precário, com salário mínimo, ou a recibos verdes. Muitos chegam aos 30 (quando os pais ou avós já tinham família, independência e vida própria) e são obrigados a estar ainda a viver debaixo do mesmo teto dos pais. Entende-se a frustração.

    >Os pais acabam por ter de sustentar os filhos quando eles próprios também estão a sofrer os mesmos flagelos do desemprego, trabalho precário e perda do poder de compra. Sofrem ainda mais com o sofrimento dos filhos.

    >Os avós, esses que mereciam um fim de vida de descanso, absorvem isto tudo e tentam ajudar como podem, tomando conta dos netos, ajudando estes e os filhos com o pouco dinheiro que ainda têm das poupanças de uma vida e das reformas miseráveis.

    Por isso, todos estamos neste tormento e fazemos parte desta «geração à rasca», porque estamos todos enrascados até ao pescoço. Enquanto isso, os maiores responsáveis fazem novelas políticas na TV.
    Caracterização muito interessante, só com uma salvaguarda que me parece feita por alguém sensivelmente da minha idade que já estou nos 40 (creio que a idade média aqui do fórum será pelos 25 anos ou próximo).

    Ou seja, a generalidade dos que lê serão mais os "filhos" do que "nós".

    Eu tenho uma opinião muito particular acerca deste tema, eu acho que muita abundância é negativa especialmente numa fase de formação.

    Tenho 3 filhas e tento gerir os seus bens materiais, a sua atitude perante a "posse" de forma parcimoniosa, não fazendo delas monges, não lhes dou tudo o que querem nem próximo (nem tudo o que posso).

    Preocupo-me mais em proporcionar-lhes passeios e viagens do que bens materiais e principalmente preocupo-me em lhes passar a mensagem da relevância dos bens materiais, que nunca devem ser motivo de descriminação.

    Acho um absurdo que alguns pais tentem com enormes dificuldades proporcionar uma vida muito abastada aos seus filhos em prejuízo da sua própria.
    Zell gosta disto.

  11. #641
    Piloto de Fórmula 1 AyrtonRose's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2010
    Localização
    GPT-3
    Posts
    18,476

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por air Ver Post

    Há dias na brincadeira vi quanto o estado tinha gasto comido para ter feito o estágio de 2 anos fora, foi quase 50,000€!!! Agora com os meus impostos quando é que pagarei este dinheiro?! O estado é que está à rasca!
    Saíste nos caro. Vê lá se te pões fino.
    air gosta disto.

  12. #642
    Piloto de Fórmula 1 ClioIIIRS's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2008
    Localização
    Portugal
    Posts
    15,669

    Por Defeito

    Discussão desse texto nos "Magos do Social":

    GERAÇÃO À RASCA | Facebook

  13. #643
    Piloto de Kart Botzilla's Avatar
    Data de Registo
    Jan 2010
    Localização
    Algures na Via Lactea
    Posts
    400

    Por Defeito

    Pessoal esclareçam-me 1 coisa:
    A culpada da crise não é a classe média da qual estes jovens fazem parte?

    De há muitos anos para cá todos sabemos que já não existem empregos para toda a vida nem emprego para todos
    Mas porque razão continua a classe média a enterrar-se em créditos quando não tem a certeza de 12 meses depois tem trabalho?

    Créditos:
    Casa de 150k€
    20k€ remodelar e equipar a casa
    40k€ para comprar o "BM"
    1k€ ferias anuais
    ?k€ para credito anual (alimentação, prendas, saúde)
    ?k€ para educação dos filhos


    Só aqui já vao 210k€ fora o resto.
    A banca para poder sustentar estes "sonhos" tem de ir buscar o dinheiro lá fora, e esta verba é apenas para um casal.

    Como é que um casal da Geração à Rasca, que quer ganhar 1.2k€ cada um, vão honrar todas as suas dividas?

    Um casal = 2.4k€ /Mes , consegue pagar os + de 300k€ quando sabe que não existe emprego para toda a vida

    Não será a classe média, aquela que se sente tão injustiçada e que tão mal fala dos bancos, completamente irresponsável por viver muito acima das suas posses?

  14. #644
    Piloto de Troféu Zell's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2003
    Localização
    , , Portugal.
    Posts
    6,350

    Por Defeito

    Acho que esse estereótipo não tem nada a ver com o caso. Pessoal que vive de 500€ a recibos verdes ou coisa igualmente precária ou vive forçosamente à custa dos pais não tem sequer hipótese de pedir crédito.

  15. #645
    Suspenso Alpiger's Avatar
    Data de Registo
    Jun 2004
    Localização
    Lisboa, Portugal
    Posts
    30,327

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Botzilla Ver Post
    A banca para poder sustentar estes "sonhos" tem de ir buscar o dinheiro lá fora, e esta verba é apenas para um casal.


    A banca sustenta porque quer. Por isso não se pode queixar de ter de ir buscar o dinheiro lá fora.


    Não será a classe média, aquela que se sente tão injustiçada e que tão mal fala dos bancos, completamente irresponsável por viver muito acima das suas posses?
    Isso não é irresponsabilidade da classe media, é de todas as classes.
    E acima de tudo dos bancos que lhes emprestam o dinheiro e dos que lhes impingem empréstimos e creditos.

  16. #646
    Piloto de Testes campos1's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2009
    Posts
    1,694

    Por Defeito

    Participei na manif à rasca.

    Sou da geração que começou a colher alguns dos frutos da revolução de Abril, embora na minha altura muitos se ficassem ainda pela 4ª classe e alguns chegassem à escola descalços. Uma das primeiras benesses da revolução foram os pacotinhos de leite gratuitos que nos davam no intervalo.

    Nas escolas que frequentei, inclusive no Secundário (inaugurei duas das primeiras escolas secundárias que foram construídas graças aos ECUS, não havia aquecimento e tiritávamos de frio até ao 3º tempo da manhã).
    Recordo que estávamos todos de casacos e cachecóis dentro da aula e nem conseguíamos escrever de tanto frio. As aulas de ginástica eram ao ar livre..., o almoço custava 25 escudos... e uma "sandes" de manteiga, 2,50 escudos.

    No país que, infelizmente, tive de deixar, na escola pública tínhamos aquecimento, almoço à borla, livros e material à borla, prendas e visita do Saint Nicolas no Natal, ovos de chocolate na páscoa, consultas no dentista à borlix, natação em piscina aquecida, teatro e cinema, actividades várias e passeios.

    Quando cheguei a Portugal, foi um choque, nunca o consegui ultrapassar.
    A primeira vez que trabalhei num computador foi quando cheguei à faculdade!

    A evolução registada em Portugal desde Abril, ainda hoje, está longe dos parâmetros de alguns países europeus.

    É normal que um país neste estado com a chegada de milhões de "Ecus" quisesse evoluir e oferecer melhores condições e os seus cidadãos quisessem emular os seus "congéneres" europeus.
    Lembro-me perfeitamente que os primeiros BMW começaram a chegar em massa depois da chegada dos primeiros fundos europeus.

    O problema do Bancos, do Estado, das Empresas e da Sociedade em geral foi que grassou um mal chamado "novo-riquismo".

    Deu-se o peixe em vez de ensinar a pescar.

    Com dinheiro dado, depois da morte do Pai Salazar que tudo provinha e das vindas do FMI, o "Tuga" viu os bolsos cheios e gastou como se não houvesse amanhã, afinal já não éramos um país em vias de desenvolvimento e fazíamos parte do grupo rico e restrito dos 12.

    Não sou dado a excessos e também sou daqueles que não dá tudo aos filhos, embora os meus tenham mais do que eu tive.

    Também tive de trabalhar e estudar.

    Considero também que no seio da "geração rasca" há uma fatia importante de "betinhos" e outros "copinhos de leite" que não tendo conseguido arranjar "emprego" lêem as notícias no seu Mac e convocam manifs pelo seu telele de última geração, enquanto almoçam no McDonalds.

    Aliás parece-m eque muitos deles andam atrasados uns 20 anos, pois o que parecem querer é emprego da 9:00 às 17:30 e subsídios inerentes.

    E é uma pena porque ainda não compreenderam que "the future ain't what it used to be"

    Defendo uma profunda transformação de Portugal que já devia ter começado, dos apaniguados do poder já não espero nada, são metástases de um sistema moribundo que têm de ser removidos, Temo é que quem os tem de remover enferma do mesmo mal, espero estar enganado.

    Cabe às novas gerações e não tão novas, como a geração que nasceu nos 70s, levar a cabo a mudança e "varrer" dos destinos da nação quem já não apresenta soluções e apenas vive do sistema.
    Pois já não é com soluções do século passado e Pecs que a gente lá vai.
    É preciso olhar para o futuro, perceber de uma vez por todas que o mundo mudou e que o século XX já passou e construir um país para nós e para as gerações futuras.

    Por exemplo, uma medida que se poderia tomar de imediato, seria limitar as reformas e pensões. Porque hei-de pagar reformas milionárias se quando chegar a minha vez nada receberei? Onde está a solidariedade inter-geracional?

    Cumps!

  17. #647
    Chefe de Equipa Omega's Avatar
    Data de Registo
    Feb 2003
    Posts
    28,138

    Por Defeito

    Já deve ser conhecido mas nunca é demais evidenciar estas verdades! (recebi por mail).

    MIA COUTO
    Geração à Rasca - A Nossa Culpa
    Um dia, isto tinha de acontecer.
    Existe uma geração à rasca?
    Existe mais do que uma! Certamente!
    Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
    Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
    A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
    Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
    Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
    Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
    Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
    Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
    São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
    São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
    Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
    Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
    Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
    Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
    Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
    Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
    Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
    Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
    Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
    Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
    Novos e velhos, todos estamos à rasca.
    Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
    Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
    A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
    Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
    Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
    Pode ser que nada/ninguém seja assim.

  18. #648
    Piloto de Rallye Eddy's Avatar
    Data de Registo
    Jan 2007
    Localização
    Este post não respeita o [des]acordo ortográfico, qq semelhança é erro ortográfico / gramatical.
    Posts
    12,646

    Por Defeito

    Omega,

    Acho q esse texto n é do Mia Couto, foi desvendado algures p aí...


    Edd

  19. #649
    Piloto de Testes UmDois's Avatar
    Data de Registo
    Nov 2005
    Localização
    braga, , Portugal.
    Posts
    3,435

    Por Defeito

    Foram agora entrevistados na sic dois dos responsáveis do movimento à rasca no facebook.

    Só tenho a dizer:

    É que tem mesmo pinta de quem gosta de trabalhar.
    ricardodsb gosta disto.

  20. #650
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    À geração à rasca pertencemos todos, dos 8 aos 80: os que ainda não trabalharam, os tais (que se dizem à rasca) que estão no início da vida activa, os que - como eu - já aqui andamos há uns anitos a trabalhar, e aqueles que trabalharam uma vida inteira e vivem do dinheiro que descontaram.

    Estamos todos enrascados até ao pescoço para os próximos anos.

    Os únicos que não estão nada à rasca são aqueles que por meia dúzia de anos de trabalho bem remunerado acumulam reformas milionárias, e os que a salários escandalosos (muito acima do vencimento do PR) juntam prémios, bónus e ajudas de custo intermináveis.

  21. #651
    Piloto de Testes pateta's Avatar
    Data de Registo
    Oct 2010
    Posts
    2,220

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por UmDois Ver Post
    Foram agora entrevistados na sic dois dos responsáveis do movimento à rasca no facebook.

    Só tenho a dizer:

    É que tem mesmo pinta de quem gosta de trabalhar.
    Infelizmente os responsáveis são assim um bocado coiso e tal mas paciência..

    Os 300mil que estiveram na manifestação, nas eleições passadas conseguiam ter "derrotado" o Sócrates.. Vamos a ver se não esquecem de ir votar outra vez..

    "Falam falam..."
    ricardodsb gosta disto.

  22. #652
    Piloto de Troféu nunomplopes's Avatar
    Data de Registo
    Sep 2007
    Localização
    Eu não sou do tamanho da minha altura, sou do tamanho daquilo que vejo. Benedita/Alcobaça/Leiria.
    Posts
    9,940

    Por Defeito

    Pode não ter qualquer associação, mas aqui fica...

    O Centro de Emprego da Rua da Saudade foi o palco escolhido no Porto para uma intervenção do movimento «É o povo, pá!» que esta madrugada colou 25 cartazes de protesto em centros de emprego e formação profissional de 23 localidades.

    Pouco passava das 02:30, a hora marcada, quando dois elementos do movimento chegaram em passos rápidos à Rua da Saudade no Porto, perto da Rotunda da Boavista, trazendo as caras tapadas por máscaras sorridentes de José Sócrates e Pedro Passos Coelhos e nas mãos os cartazes e um balde de cola.

    «Não queremos subsídios, queremos emprego», pode ler-se nas duas folhas que, sem hesitar, colaram na porta envidraçada do número 132 da rua, junto à qual dormia um sem-abrigo que nem se apercebeu da agitação. É ali que fica o Centro de Emprego e Formação Profissional.

    A iniciativa «é nacional» e o objectivo é conseguir replicar esta forma «inusitada» de protesto em «cerca de 30 localidades» e sempre nos centros de emprego.

    «Escolhemos centros de emprego porque achamos que perderam a vocação que tinham, que era centrada numa política nacional de combate ao desemprego e à criação de emprego», explicou à Lusa um dos membros do movimento, acrescentando que actualmente são apenas «fiscalizadores dos desempregados» que «impõem formações» que não «têm nada a ver» com o desejado.

    É precisamente contra «esta relação de humilhação que o estado português estabeleceu com os desempregados» que o movimento decidiu manifestar-se desta forma, lembrando que «ninguém está desempregado porque quer», sendo «o direito ao trabalho e a um salário, um direito constitucional».

    E porque trazem a cara tapada? «Porque aquilo que nos move são ideias, propostas e não quem nós somos. Queremos é que se fale naquilo que vimos dizer e não que se discuta quem nós somos», apressaram-se a responder.

    O movimento é formado por pessoas «diversas», funciona «em rede» assenta num texto publicado on-line no qual todos se revêem.

    A ideia principal é pois «somar protesto ao protesto», «acrescentar pensamento e matéria para discussão na sociedade» e ainda «lançar o debate de alguns temas na sociedade portuguesa de uma perspectiva diferente daquela que normalmente é colocada».

    Depois do BPN, contra o qual realizaram a sua primeira acção durante o mês de Março, foi a vez de «reclamar quanto à ausência de uma política de emprego» e «contra a forma como os desempregados são tratados neste país».

    «Temos ideias para continuar, temos várias iniciativas pensadas mas a conjuntura é que vai impor a próxima acção», garantem.

    José Luís Peixoto associa-se ao protesto

    O escritor José Luís Peixoto associou-se ao protesto contra as políticas de emprego em Portugal levado a cabo pelo movimento «E o povo pá» em várias cidades do país.
    http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos-...3584-5795.html (Com reportagem)

    E mesmo aqui ao lado...

    https://www.youtube.com/watch?v=gstb...embedded#at=34

  23. #653
    Piloto de Testes UserAHO's Avatar
    Data de Registo
    Jun 2010
    Posts
    1,484

    Por Defeito

    Considero opiniões como a desse Mia Couto simplesmente ridículas.

    Reparem que ele não escreve uma única linha sobre o endividamento do estado nem sobre as políticas económicas que nos trouxeram até à bancarrota

    O texto dele faz uma análise completamente alienada da situação actual, culpando a geração dos que hoje têm 25 anos pela bancarrota em que Portugal se encontra.

    Não quero de maneira nenhuma por todos no mesmo saco, mas a verdade é que foi um conjunto de pessoas da geração desse Mia Couto que colocou Portugal na bancarrota.

    Este senhor, apesar de escrever bem, não tem a mínima noção da realidade, vejam bem como neste parágrafo ele descreve como a crise chegou, quase como uma surpresa ou uma catástrofe, e não como resultado de 20 anos consecutivos de endividamento promovido por pessoas da geração dele e provavelmente fruto de políticas que ele mesmo apoiou durantes estes anos todos...

    Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
    Foi então que os pais ficaram à rasca.
    A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
    Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
    Pois claro, a culpa da crise é dos jovens de 20/25 anos, foram eles que promoveram as políticas que endividaram Portugal até ao pescoço!


    É muito fácil deitar as culpas para cima dos outros, neste caso para cima de quem tinha 15/16 anos e estava no banco de trás quando viajávamos com aceleração constante em direção à parede, mas isso não nos leva a lado nenhum, nem nos faz evoluir como pessoas...


    E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
    Este texto é um exemplo flagrante de um desses filmes de terror em que o condutor inconsciente acusa os filhos de terem atirado o carro, a 170 kilómetros por hora, contra o poste, ou foi o poste que se atirou para o meio da estrada???

    Tenha vergonha Mia Couto!
    Última edição por UserAHO : 20-05-11 às 08:35:22

  24. #654
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    Algo que também é preciso saber, pois há quem não saiba o que foi ser-se jovem noutros tempos...
    GERAÇÃO À RASCA FOI A MINHA!

    Artigo da autoria duma jovem de 61anos (isso mesmo!)...

    Geração à rasca foi a minha. Foi uma geração que viveu num país vazio de
    gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser
    diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à
    segurança social.

    Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos
    direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de
    crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.

    Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio
    proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
    Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de
    facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães
    solteiras porque sim, pais biológicos, etc.

    A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o
    chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e
    que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.

    Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes,
    em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens,
    mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados.

    Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.

    Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a
    católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos
    os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da
    época.

    Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional,
    agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os
    meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a
    abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os
    bilhetes esgotaram.

    As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são
    para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de bebidas, e não só...

    O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a
    geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama
    duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de
    Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.

    As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude
    enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou
    amigos que estavam por cá.

    Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails
    cheios de "k" e vazios de conteúdo.

    As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas
    viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".

    Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Pátria, do Timor, do Quanza, do
    Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só
    tínhamos uma certeza...** **...a viagem de ida.

    Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os
    nossos cruzeiros.
    Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.

    Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar,
    não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito.

    Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.
    A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça
    de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma
    lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5 pessoas.

    Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais,
    o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão
    comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para
    comemorar, tudo pago pelos paizinhos.

    Têm brutos carros, Ipad's, Iphones, PC's, .... E tudo em quantidade. Pago
    pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!
    Tiram cursos só para ter diploma. Só querem trabalhar começando por cima.

    Afinal qual é a geração à rasca...???

  25. #655
    Piloto de Fórmula 1 TheMoBsTeR's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2003
    Localização
    apetece-me um hamburguer
    Posts
    16,396

    Por Defeito

    Como a carta é absolutamente demagógica, vamos por os pontos nos "is".


    GERAÇÃO À RASCA FOI A MINHA!

    Artigo da autoria duma jovem de 61anos (isso mesmo!)...

    Geração à rasca foi a minha. Foi uma geração que viveu num país vazio de
    gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser
    diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à
    segurança social.

    E as gerações anteriores, que viveram duas guerras mundiais? Que viveram uma 1ª República? As que viveram um sistema feudal? As que viveram o absolutismo? A evolução compreende sempre melhoria de qualidade de vida.

    Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos
    direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de
    crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.

    Curiosamente, a mortalidade infantil desceu abruptamente durante o Estado Novo. Hoje há mais igualdade e liberdade. Ainda bem, não é?

    Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio
    proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
    Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de
    facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães
    solteiras porque sim, pais biológicos, etc.

    A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o
    chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e
    que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.

    A igualdade de direitos é anterior à actual "geração à rasca". E todas as gerações anteriores à do autor sofreram na pele a desigualdade.

    Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes,
    em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens,
    mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados.

    No séc XIX nem havia televisão, coitados.

    Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.

    Sim, porque as TVs antigas não custavam uma pipa de massa...

    Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a
    católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos
    os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da
    época.

    Então, tinham humoristas também...

    Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional,
    agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os
    meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a
    abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os
    bilhetes esgotaram.

    Não é a geração à rasca que os enche, portanto...

    As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são
    para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de bebidas, e não só...

    Cais do Sodré, jet-set? Só pode ser a brincar.


    O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a
    geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama
    duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de
    Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.

    O Bairro Alto continua a ser isso tudo, tirando as meninas.

    As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude
    enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou
    amigos que estavam por cá.

    E...?

    Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails
    cheios de "k" e vazios de conteúdo.

    As cartas da adolescência do antigamente tinham cá um conteúdo, vai lá vai.

    As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas
    viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".

    Hoje há o Fiat 500. E então?

    Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Pátria, do Timor, do Quanza, do
    Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só
    tínhamos uma certeza...** **...a viagem de ida.

    Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os
    nossos cruzeiros.

    Quer dizer que vamos recriminar as gerações que não viveram em tempos de guerra? Boa...


    Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.

    Errado. SPAs são SPAs. Termas são termas.


    Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar,
    não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito.

    Hoje bebe-se gasosa e laranjada também.

    Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.
    A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça
    de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma
    lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5 pessoas.

    Por favor. E os homens primitivos, coitadinhos, que tinham que andar o dia todo a caçar, semi-nus, à mercê da natureza e dos animais selvagens? Esse é que sim, viviam à rasca, sem ponta de medicina para lhes curar das doenças e sem ponta de tecnologia.


    Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais,
    o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão
    comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para
    comemorar, tudo pago pelos paizinhos.

    Parte dos finalistas vão. Dessa parte, parte trabalhou para juntar dinheiro para a viagem. Outra parte poupou. Apenas uma fracção dos alunos vai com tudo pago pelos pais. Curiosamente, quem me pagou a viagem foi o meu avô, da mesma idade do autor. E esta hein? Coisa feia, a inveja...

    Têm brutos carros, Ipad's, Iphones, PC's, .... E tudo em quantidade. Pago
    pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!

    Só pode ser para rir. Do meu grupo de amigos, só um tem um carro novo, e só um tem um carro com mais de 150 cavalos (e trabalha desde bastante novo, inclusivamente nas obras). Dos meus colegas, só um tem um carro novo, e de gama baixa.
    E nenhum tem iPhone ou iPad. Um PC custa menos que um ordenado mínimo...

    Tiram cursos só para ter diploma. Só querem trabalhar começando por cima.

    É mau tirar cursos agora? Formação é fundamental! Só querem trabalhar começando de cima? Então os licenciados que ocupam as vagas nas cadeias de fast food e caixas de supermercado??





    Conclusão: mais um monte de palavras demagógicas que recriminam uma geração principalmente por não ter vivido em tempo de guerra e por serem bafejadas pela natural evolução da tecnologia e da medicina. As gerações não têm mais nem menos valor por isso, e seguramente extrapolar a situação de alguns para um todo não vai ajudar rigorosamente nada.
    domfillas e Joana1984 gostam disto.

  26. #656
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    Já mostrei os 2 lados da moeda, mas há quem só queira ver um. Alguns mais velhos acham que esta geração nasceu e vive em berço de ouro e não sabe o que custa a vida, a mais nova acha que são uns desgraçados e que a anterior usurpou tudo. Ver preto e branco faz parte da cegueira. Muitas das tuas respostas estão tão carregadas de demagogia como algumas das afirmações do texto.

    Geração à rasca não foi a tua nem a daquela senhora, nem a minha, foram todas porque isto ainda continua a funcionar muito mal para os mesmos de sempre.
    Agora, só não vê que a gerações dos nossos pais e avós que viveram na ditadura sofreram muito, quem quer fazer os outros passar por parvos. A democracia trouxe muitas coisas boas como poderes estar aqui a dizer o que queres sem que sejas preso, p. ex. As mulheres viviam em situação de inferioridade. Nem viajar podiam sem autorização. E falar que tudo eram sinais dos tempos é mais retórica para encher chouriços de quem não sabe nem faz ideia de como eram difíceis aqueles tempos.

    E muito do que dizes está completamente errado. Os meus pais passaram iséria como muitíssima gente na sua época. Comer frango era só em dia de festa, no bolso andava-se com uma côdea de pão todo o dia e 1 sardinha com umas batatas era a refeição para toda a família. Fome era algo com o qual se convivia e do qual se fugia. A política do "pão e vinho sobre a mesa fica bem com certeza" era aquela que vigorava no nosso país.
    E não confundas avanços tecnológicos com bem-estar, porque sempre existiram países ricos e países mais pobres e o nosso viveu em grande miséria durante a ditadura. Tu não sabes o que era isso, nem eu que também não vivi nessa época, mas daí a vires com esse rol de demagogias é de bradar aos céus. Mais um bocado e dizes que na ditadura as pessoas viviam bem porque sim.

    Claro que quem agora se encontra em situação difícil apoiará palavras bonita como as tuas (e eu compreendo perfeitamente). Mas são um lado da questão a querer ignorar o outro e nada mais.
    Esta geração que se queixa tanto querer ignorar uma outra que passou tanta miséria, dificuldades e privações, achando que tiveram aquilo que era comum na época é triste, porque nessa ordem de ideias os vosso pais e avós poderiam dizer o mesmo de mim e de vocês agora. Mas não. Existe o solgan "Geraçao à rasca" e eles, tal como vocês, debatem procurando soluções e fazendo ver que também pasaram por períodos muito difíceis.

  27. #657
    air
    air está offline
    Piloto Veterano air's Avatar
    Data de Registo
    Jan 2004
    Localização
    Porto/Aveiro
    Posts
    21,386

    Por Defeito

    Eu acho que muitas vezes as pessoas que mais se queixam são as que menos dificuldades passaram/ passam. Vinha hoje no comboio a pensar nisso, conheço pessoas com bons salários, óptimas casas, bom carro e que se queixam muito (menos não tendo empréstimos o salário não sobra muito, devido aos gastos que enumerei atrás). Conheço outras pessoas que com salários bem menores se queixam muito menos, simplesmente porque não têm essa maneira de ser e conseguem viver confortávelmente com aquilo que têm.

  28. #658
    Piloto de Fórmula 1 TheMoBsTeR's Avatar
    Data de Registo
    Jul 2003
    Localização
    apetece-me um hamburguer
    Posts
    16,396

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    Já mostrei os 2 lados da moeda, mas há quem só queira ver um. Alguns mais velhos acham que esta geração nasceu e vive em berço de ouro e não sabe o que custa a vida, a mais nova acha que são uns desgraçados e que a anterior usurpou tudo. Ver preto e branco faz parte da cegueira. Muitas das tuas respostas estão tão carregadas de demagogia como algumas das afirmações do texto.

    Algumas respostas são demagógicas, pois é a única maneira de se perceber quão fácil é virar o bico ao prego a alguma argumentação.

    Geração à rasca não foi a tua nem a daquela senhora, nem a minha, foram todas porque isto ainda continua a funcionar muito mal para os mesmos de sempre.
    Agora, só não vê que a gerações dos nossos pais e avós que viveram na ditadura sofreram muito, quem quer fazer os outros passar por parvos. A democracia trouxe muitas coisas boas como poderes estar aqui a dizer o que queres sem que sejas preso, p. ex. As mulheres viviam em situação de inferioridade. Nem viajar podiam sem autorização. E falar que tudo eram sinais dos tempos é mais retórica para encher chouriços de quem não sabe nem faz ideia de como eram difíceis aqueles tempos.

    Exacto, não foi nenhuma, foi isso que quis explicar. Não se deve recriminar as gerações mais jovens por terem nascido numa época com outras condições. A frase sublinhada não corresponde a nada da minha autoria, portanto não a percebo.

    E muito do que dizes está completamente errado. Os meus pais passaram iséria como muitíssima gente na sua época. Comer frango era só em dia de festa, no bolso andava-se com uma côdea de pão todo o dia e 1 sardinha com umas batatas era a refeição para toda a família. Fome era algo com o qual se convivia e do qual se fugia. A política do "pão e vinho sobre a mesa fica bem com certeza" era aquela que vigorava no nosso país.

    Onde é que eu disse o contrário? Mais uma vez, não compreendo.

    E não confundas avanços tecnológicos com bem-estar, porque sempre existiram países ricos e países mais pobres e o nosso viveu em grande miséria durante a ditadura. Tu não sabes o que era isso, nem eu que também não vivi nessa época, mas daí a vires com esse rol de demagogias é de bradar aos céus. Mais um bocado e dizes que na ditadura as pessoas viviam bem porque sim.

    Mais uma vez, não compreendo estas palavras. Onde falei noutros países? E agora só se pode falar daquilo que conhecemos? Então não se pode falar de factos históricos? A frase final desse parágrafo, novamente, não a compreendo, pois não corresponde a nada do que eu disse.


    Claro que quem agora se encontra em situação difícil apoiará palavras bonita como as tuas (e eu compreendo perfeitamente). Mas são um lado da questão a querer ignorar o outro e nada mais.

    Palavras são palavras, leva-as o vento. O passado já passou e não requer solução.


    Esta geração que se queixa tanto querer ignorar uma outra que passou tanta miséria, dificuldades e privações, achando que tiveram aquilo que era comum na época é triste, porque nessa ordem de ideias os vosso pais e avós poderiam dizer o mesmo de mim e de vocês agora. Mas não. Existe o solgan "Geraçao à rasca" e eles, tal como vocês, debatem procurando soluções e fazendo ver que também pasaram por períodos muito difíceis.

    Ninguém quer ignorar nada. Apenas não se tape o sol com uma peneira porque já houve quem vivesse em piores condições. A perseguição por melhores condições é uma constante numa sociedade moderna. Ninguém recrimina alguém bem alimentado só porque em África milhões passam fome, pois não?
    Apesar de não compreender alguns trechos, respondi a bold.

  29. #659
    Piloto Veterano BLADERUNNER's Avatar
    Data de Registo
    Dec 2008
    Posts
    21,544

    Por Defeito

    @air Eu próprio vejo isso na minha escola. Pago empréstimo do apartamento sem luxo, tenho um carro antigo e nunca pude comprar novo. Nunca fiz férias lá fora e estou no 3º escalão de professor com perto de 2 décadas de trabalho. Tenho um ordenado muito abaixo do desses colegas mais velhos, trabalho mais horas semanais, ainda gasto dinheiro com a educação da filha e das prestações da casa e vou levando a vida preocupado com o trabalho e em pagar as contas.

    Nesta escola de cidade onde estou agora, os mais velhos com ordenados muito acima do meu e menos horas, com vivendas, a andarem em carros premium de alta gama, com casa de férias e férias no estrangeiro, sem despesas com filhos já criados, já no topo de carreira, passsam dia-sim dia-sim a queixarem-se. Isso revolta-me e de que maneira, ainda para mais sabendo que irei pagar forte e feio derivado ao abuso feito por essa geração. Mas, lá está, eu sei ver os 2 lados da moeda. Quem assim não faz está a falr para o umbigo.

    Houve muitos abusos principalmente depois do 25 de Abril. Um despesismo excessivo, um açambarcar de subsídios, apoios sociais, salários e prémios, e um "eu tenho o direito" que esvaziou os cofres do estado. Agora, eu e mutos outros que nos consideramos a geração à rasca, que vamos vendo os anos passar e nunca mais estabilizamos a vida nem temos segurança sufuiciente no presente nem no futuro, sentimos estar a pagar por esses excessos.

    Agora, a geração que viveu antes da chegada da Democracia, vivia na miséria. Isto era um atraso de vida e as pessoas viviam num estado colectivo de excessiva humildade acatando uma existência deplorável quase sem direitos. Nós que vivemos em democracia beneficiámos e muito com oportunidades que os agora reformados não tiveram (nem todo, porque no meio desses há muitos oportunistas que se governaram muito bem). Agora fala-se em fome. Mas fome aonde. vos joens? Não. São os nossos pais e avós (os tais que também conheceram a privação no tempo da velha senhora) aqueels que voltam agora a conhecer essa palavra de perto. É na 3ª idade que grassa esa iséria e o abadono. Muitos deles fizeram tantos sacrifícios para que nada nos faltasse a nós nem aos nosso pais e agora estão ali esquecidos voltando a serem sacrificados. no meio de tudo isto, sobra uma franja que se soube governar bem e uma esmagadora maioria que tem dificuldade sem ver um futuro. Tenho poucos mais anos do que a maioria de vós nos vintes, e petenço à tal "Geração rasca" dos anos 90 que nunca deixou de estar "à rasca". Logo logo sem darem conta vocês estarão a vestir a minha pele, com mais uns aninhos em cima e enrascados na mesma.
    Mas deixem lá. Liguem a TV e comparem as campanhas eleitorais com as de há 10 anos e vejam lá se alguma coisa mudou.

  30. #660
    Piloto de Rallye Joana1984's Avatar
    Data de Registo
    Feb 2008
    Localização
    Por aí
    Posts
    11,148

    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por BLADERUNNER Ver Post
    @air Eu próprio vejo isso na minha escola. Pago empréstimo do apartamento sem luxo, tenho um carro antigo e nunca pude comprar novo. Nunca fiz férias lá fora e estou no 3º escalão de professor com perto de 2 décadas de trabalho. Tenho um ordenado muito abaixo do desses colegas mais velhos, trabalho mais horas semanais, ainda gasto dinheiro com a educação da filha e das prestações da casa e vou levando a vida preocupado com o trabalho e em pagar as contas.

    Nesta escola de cidade onde estou agora, os mais velhos com ordenados muito acima do meu e menos horas, com vivendas, a andarem em carros premium de alta gama, com casa de férias e férias no estrangeiro, sem despesas com filhos já criados, já no topo de carreira, passsam dia-sim dia-sim a queixarem-se. Isso revolta-me e de que maneira, ainda para mais sabendo que irei pagar forte e feio derivado ao abuso feito por essa geração. Mas, lá está, eu sei ver os 2 lados da moeda. Quem assim não faz está a falr para o umbigo.

    Houve muitos abusos principalmente depois do 25 de Abril. Um despesismo excessivo, um açambarcar de subsídios, apoios sociais, salários e prémios, e um "eu tenho o direito" que esvaziou os cofres do estado. Agora, eu e mutos outros que nos consideramos a geração à rasca, que vamos vendo os anos passar e nunca mais estabilizamos a vida nem temos segurança sufuiciente no presente nem no futuro, sentimos estar a pagar por esses excessos.

    Agora, a geração que viveu antes da chegada da Democracia, vivia na miséria. Isto era um atraso de vida e as pessoas viviam num estado colectivo de excessiva humildade acatando uma existência deplorável quase sem direitos. Nós que vivemos em democracia beneficiámos e muito com oportunidades que os agora reformados não tiveram (nem todo, porque no meio desses há muitos oportunistas que se governaram muito bem). Agora fala-se em fome. Mas fome aonde. vos joens? Não. São os nossos pais e avós (os tais que também conheceram a privação no tempo da velha senhora) aqueels que voltam agora a conhecer essa palavra de perto. É na 3ª idade que grassa esa iséria e o abadono. Muitos deles fizeram tantos sacrifícios para que nada nos faltasse a nós nem aos nosso pais e agora estão ali esquecidos voltando a serem sacrificados. no meio de tudo isto, sobra uma franja que se soube governar bem e uma esmagadora maioria que tem dificuldade sem ver um futuro. Tenho poucos mais anos do que a maioria de vós nos vintes, e petenço à tal "Geração rasca" dos anos 90 que nunca deixou de estar "à rasca". Logo logo sem darem conta vocês estarão a vestir a minha pele, com mais uns aninhos em cima e enrascados na mesma.
    Mas deixem lá. Liguem a TV e comparem as campanhas eleitorais com as de há 10 anos e vejam lá se alguma coisa mudou.
    Já na escola onde um familiar dá aulas, os que se queixam são os mesmos que são referidos neste post, mas não dispensam as férias no Brasil, a empregada doméstica, etc....
    No caso a que me refiro, essa pessoa já está no topo da carreira, mas não tem metade dos luxos que os colegas no mesmo escalão.
    Btw, também conheço casos de antigos colegas que trabalham e ganham razoavelmente bem e por isso podem ir tendo pequenos luxos (férias com os amigos, carro, saídas a noite) e que se estão a queixar que o dinheiro não estica, etc...
    BLADERUNNER gosta disto.

Página 22 de 26 PrimeiraPrimeira ... 12212223 ... ÚltimaÚltima

Tópicos semelhantes

  1. Manifesto da Geração À Rasca
    Por prymo na secção OFF Topic
    Respostas: 7
    Último Post: 24-02-11, 12:24:44
  2. Se a geração anterior era rasca, que dizer desta?
    Por Thatsme na secção OFF Topic
    Respostas: 137
    Último Post: 10-05-08, 00:44:09
  3. Respostas: 54
    Último Post: 16-03-08, 21:56:57
  4. Pois é, no meu tempo chamavam-me geração rasca...
    Por Baiones na secção OFF Topic
    Respostas: 32
    Último Post: 04-12-07, 20:56:15
  5. Depois da geração rasca... vem a geração brega?
    Por paralelo na secção OFF Topic
    Respostas: 78
    Último Post: 23-12-06, 00:13:24

Regras de Colocação

  • Não pode criar tópicos
  • Não pode responder
  • Não pode colocar anexos
  • Não pode editar os seus posts
  •