Eu percebo o que queres dizer, mas não podes generalizar a toda a "China". Isso também aconteceu com a nossa indústria têxtil quando a China entrou na OMC por exemplo. Porque é que a UE dormiu e deixou a China comer tantas indústrias europeias e só abriu os olhos agora que isso afecta a indústria alemã e francesa?
A China dos dias de hoje não é o que era há 20 ou há 10 anos. Eu percebo o teu ponto no geral e concordo com parte do teu ponto... Mas para mim o ónus da responsabilidade não está no consumidor mas no decisor e nos poderes económicos. Exigir maior virtuosismo ao consumidor final enquanto quem tem mais poder faz o que quer, não concordo.
E já agora podias ir buscar notícias mais recentes relativamente ás bicicletas. Quando partilhaste isso pensei que estavas a escrever sobre algo que se passou no último ano porque
Portugal continua a ser o país que mais bicicletas fabrica na Europa em 2025. Exportou 2.3 milhões de bicicletas.
Em 2017, ano do artigo que partilhaste
encontrei outro artigo que menciona que foram exportadas 1.73 milhões de bicicletas.... Só aumentaram as exportações em quase meio milhão de bicicletas em 8 anos e
ficas a saber que as bicicletas da Decathlon (que são bem porreiras para o preço) são fabricadas em Portugal. Claramente os sinais de uma indústria portuguesa que foi destruída pelos chineses!
Podemos debater os méritos de escolher tudo pelo preço mais baixo, e aí acho que quem tem que começar a assumir uma postura diferente são as instituições e empresas europeias antes do consumidor. Olha aí o teu exemplo da Mota Engil. Exiges ao pessoal que não compre chinês mas devias era mandar mails de protesto a empresas que fazem parcerias com empresas chinesas que recebem subvenções do Estado. Ou ao Governo quando escolhe soluções chinesas em concursos públicos por serem bem mais baratas.
A União Europeia já está a acordar para o perigo:
os seus financiamentos e concursos públicos vão passar a prioritizar empresas europeias e passar a prioritizar preço:qualidade em vez de preço somente.