Uma espécie de Consultório de Saúde....mas à borla !

Uma dúvida técnica, para não ser "enganado".

Alguém sabe por quanto tempo os hospitais são obrigados a manter os registos clínicos dos pacientes, e se eu consigo obter um registo completo, com horários e todo o tipo de procedimentos que foram feitos?

Por exemplo, consigo obter um registo que diz:


às 9:00 deu entrada na urgência, tensões X , frequência cardíaca Y, saturação Z.

Foi atribuida pulseira amarela

Foi antendido às 13:00 ...


Etc etc?

Isto é possível? Se sim, como?
Obrigado
 
a lei portuguesa estabelece que se deve criar, manter e preservar os processos clínicos, no entanto não existe um prazo, por isso dependendo da informação, estabelecimento ou mesmo tipo de documento, podes encontrar "validades" diferentes.

a informação que podes pedir e tens direito ao acesso à mesma, é precisamente o tipo de informação que mencionas, no entanto lembra-te que tens direito à informação que existe, mas isso não significa que todos os atos tenham obrigatoriamente um registo individual com hora exata, nem que exista um registo automático de cada interação. Por exemplo, a hora de inscrição pode ser diferente da hora de triagem, da chamada para observação ou do momento em que o médico regista a nota clínica

Contacta o estabelecimento e solicita o departamento responsável, geralmente denominado gestão de doentes ou Arquivo clinico ou Gabinete do cidadão, faz um pedido por escrito de acesso e reprodução integral do processo clinico e guarda para ti uma copia desse pedido (especifica que pretendes registos detalhados e horários).

Se houver uma recusa infundada, resposta não te agradar ou o que for, podes apresentar reclamação junto do próprio estabelecimento ou na ERS
 
a lei portuguesa estabelece que se deve criar, manter e preservar os processos clínicos, no entanto não existe um prazo, por isso dependendo da informação, estabelecimento ou mesmo tipo de documento, podes encontrar "validades" diferentes.

a informação que podes pedir e tens direito ao acesso à mesma, é precisamente o tipo de informação que mencionas, no entanto lembra-te que tens direito à informação que existe, mas isso não significa que todos os atos tenham obrigatoriamente um registo individual com hora exata, nem que exista um registo automático de cada interação. Por exemplo, a hora de inscrição pode ser diferente da hora de triagem, da chamada para observação ou do momento em que o médico regista a nota clínica

Contacta o estabelecimento e solicita o departamento responsável, geralmente denominado gestão de doentes ou Arquivo clinico ou Gabinete do cidadão, faz um pedido por escrito de acesso e reprodução integral do processo clinico e guarda para ti uma copia desse pedido (especifica que pretendes registos detalhados e horários).

Se houver uma recusa infundada, resposta não te agradar ou o que for, podes apresentar reclamação junto do próprio estabelecimento ou na ERS


Obrigado. Sem entrar em mais detalhes pessoais, tem a ver com uma pessoa que ficou 8 horas à espera de ser atendida, depois de ter pulseira amarela, não teve nenhuma assitência nesse período (nem mesmo uma única visita de enfermagem), e que acabou por ter problemas graves. Em princípio a informação deve chegar pelo menos para provar os horários, certo? Ou seja, provar quanto tempo se passou entre a triagem e a primeira vez que houve alguma interação com o médico.
 
Bem, para não ser sempre a cascar no SNS, mas também falar quando é preciso dizer bem. Comecei a sentir arritmias em março de 2024, consulta na médica de família, bateria de exames. Holter a detetar quase 7% de extrassistoles, ecocardiograma a dar uma fração de ejecção de 39%. O normal é acima de 50-55%. A médica de família encaminha-me para cardiologia, aconselhou gaia ou guimaraes, por esta ordem. De gaia veio recusado, comecei a ser seguido em guimarães. De notar que a médica de família aqui colocou-me logo medicado. Sou chamado em finais de julho para primeira consulta, muda alguma medicação, e começa nova bateria de exames. RMN, TAC, cintigrafia, e mais uma série deles que já nem me recordo. Passo 2 anos em consultas regulares e ajustes de medicação, a médica mandou cortar ao máximo com o exercício físico e com o alcool. Tabaco não fumo e a alimentação é minimamente regrada, não houve stress. no ano passado, nova ecocardiografia, a fração de ejeção já a 54%, e novo holter, a detetar apenas cerca de 300 extrassistoles em 24 horas, ou seja, muito melhor.

Este ano, em junho, na consulta com a médica, já quase a dar-me mais liberdade com o exercício, e a marcar consulta apenas no próximo ano, até que comentei com ela que em abril, no contexto de uma gastroenterite severa, ao regressar a casa adormeci e bati com o carro. Ela aí ficou não com 1 mas com 2 pés atrás. Marcou consulta logo para dali a 2 meses, ia ponderar fazer um estudo eletrofisiologico ao coração e ponderar implantar um registador de eventos.

Bem, na passada sexta-feira, ao fazer o estudo eletrofisiologico, o coração entrou em fibrilação e tive de ser reanimado. Já não saí do hospital, fiquei internado nos cuidados intermédios com monitorização 24h por dia, e já não foi o registador de eventos que me implantaram mas sim um CDI extra-vascular, um anjo da guarda que agora tenho aqui dentro que em caso de acontecer uma fibrilação ou entre em taquicardia severa, ele simplesmente reinicia o coração . Cheguei ontem a casa. um pouco dorido, mas com a noção que se isto não fosse detetado a tempo, a coisa poderia correr muito mal. O aparelho não é propriamente barato, mas a administração do hospital recebeu o pedido para a minha implantação na segunda de manhã, na terça-feira estava validado, e na quarta as 8:00 da manhã estava a descer para o bloco operatório. Apesar de tudo, apesar de por vezes haver desorganização, de por vezes ser uma confusão, sinto que aquele pessoal me salvou a vida, não olharam a meios, e me colocaram o aparelho mais avançado que existe presentemente no mercado. Não sabia muito bem onde colocar isto, já deixei por aqui alguns desabafos, foi só mais um. ;)
 
Bem, para não ser sempre a cascar no SNS, mas também falar quando é preciso dizer bem. Comecei a sentir arritmias em março de 2024, consulta na médica de família, bateria de exames. Holter a detetar quase 7% de extrassistoles, ecocardiograma a dar uma fração de ejecção de 39%. O normal é acima de 50-55%. A médica de família encaminha-me para cardiologia, aconselhou gaia ou guimaraes, por esta ordem. De gaia veio recusado, comecei a ser seguido em guimarães. De notar que a médica de família aqui colocou-me logo medicado. Sou chamado em finais de julho para primeira consulta, muda alguma medicação, e começa nova bateria de exames. RMN, TAC, cintigrafia, e mais uma série deles que já nem me recordo. Passo 2 anos em consultas regulares e ajustes de medicação, a médica mandou cortar ao máximo com o exercício físico e com o alcool. Tabaco não fumo e a alimentação é minimamente regrada, não houve stress. no ano passado, nova ecocardiografia, a fração de ejeção já a 54%, e novo holter, a detetar apenas cerca de 300 extrassistoles em 24 horas, ou seja, muito melhor.

Este ano, em junho, na consulta com a médica, já quase a dar-me mais liberdade com o exercício, e a marcar consulta apenas no próximo ano, até que comentei com ela que em abril, no contexto de uma gastroenterite severa, ao regressar a casa adormeci e bati com o carro. Ela aí ficou não com 1 mas com 2 pés atrás. Marcou consulta logo para dali a 2 meses, ia ponderar fazer um estudo eletrofisiologico ao coração e ponderar implantar um registador de eventos.

Bem, na passada sexta-feira, ao fazer o estudo eletrofisiologico, o coração entrou em fibrilação e tive de ser reanimado. Já não saí do hospital, fiquei internado nos cuidados intermédios com monitorização 24h por dia, e já não foi o registador de eventos que me implantaram mas sim um CDI extra-vascular, um anjo da guarda que agora tenho aqui dentro que em caso de acontecer uma fibrilação ou entre em taquicardia severa, ele simplesmente reinicia o coração . Cheguei ontem a casa. um pouco dorido, mas com a noção que se isto não fosse detetado a tempo, a coisa poderia correr muito mal. O aparelho não é propriamente barato, mas a administração do hospital recebeu o pedido para a minha implantação na segunda de manhã, na terça-feira estava validado, e na quarta as 8:00 da manhã estava a descer para o bloco operatório. Apesar de tudo, apesar de por vezes haver desorganização, de por vezes ser uma confusão, sinto que aquele pessoal me salvou a vida, não olharam a meios, e me colocaram o aparelho mais avançado que existe presentemente no mercado. Não sabia muito bem onde colocar isto, já deixei por aqui alguns desabafos, foi só mais um. ;)
A PDI não perdoa. Votos de melhoras.
 
Bem, para não ser sempre a cascar no SNS, mas também falar quando é preciso dizer bem. Comecei a sentir arritmias em março de 2024, consulta na médica de família, bateria de exames. Holter a detetar quase 7% de extrassistoles, ecocardiograma a dar uma fração de ejecção de 39%. O normal é acima de 50-55%. A médica de família encaminha-me para cardiologia, aconselhou gaia ou guimaraes, por esta ordem. De gaia veio recusado, comecei a ser seguido em guimarães. De notar que a médica de família aqui colocou-me logo medicado. Sou chamado em finais de julho para primeira consulta, muda alguma medicação, e começa nova bateria de exames. RMN, TAC, cintigrafia, e mais uma série deles que já nem me recordo. Passo 2 anos em consultas regulares e ajustes de medicação, a médica mandou cortar ao máximo com o exercício físico e com o alcool. Tabaco não fumo e a alimentação é minimamente regrada, não houve stress. no ano passado, nova ecocardiografia, a fração de ejeção já a 54%, e novo holter, a detetar apenas cerca de 300 extrassistoles em 24 horas, ou seja, muito melhor.

Este ano, em junho, na consulta com a médica, já quase a dar-me mais liberdade com o exercício, e a marcar consulta apenas no próximo ano, até que comentei com ela que em abril, no contexto de uma gastroenterite severa, ao regressar a casa adormeci e bati com o carro. Ela aí ficou não com 1 mas com 2 pés atrás. Marcou consulta logo para dali a 2 meses, ia ponderar fazer um estudo eletrofisiologico ao coração e ponderar implantar um registador de eventos.

Bem, na passada sexta-feira, ao fazer o estudo eletrofisiologico, o coração entrou em fibrilação e tive de ser reanimado. Já não saí do hospital, fiquei internado nos cuidados intermédios com monitorização 24h por dia, e já não foi o registador de eventos que me implantaram mas sim um CDI extra-vascular, um anjo da guarda que agora tenho aqui dentro que em caso de acontecer uma fibrilação ou entre em taquicardia severa, ele simplesmente reinicia o coração . Cheguei ontem a casa. um pouco dorido, mas com a noção que se isto não fosse detetado a tempo, a coisa poderia correr muito mal. O aparelho não é propriamente barato, mas a administração do hospital recebeu o pedido para a minha implantação na segunda de manhã, na terça-feira estava validado, e na quarta as 8:00 da manhã estava a descer para o bloco operatório. Apesar de tudo, apesar de por vezes haver desorganização, de por vezes ser uma confusão, sinto que aquele pessoal me salvou a vida, não olharam a meios, e me colocaram o aparelho mais avançado que existe presentemente no mercado. Não sabia muito bem onde colocar isto, já deixei por aqui alguns desabafos, foi só mais um. ;)
Muita sorte tiveste apesar de tudo.

Como se chama a tua patologia?

Foi o exame que te fizeram que provocou a paragem? Já vi que é um processo invasivo.
 
Muita sorte tiveste apesar de tudo.

Como se chama a tua patologia?

Foi o exame que te fizeram que provocou a paragem? Já vi que é um processo invasivo.

Sim, se isto acontecesse fora do hospital, as hipóteses de ficar no sítio eram grandes. Tenho cardiomiopatia dilatada, de origem genética.

Foi o exame que provocou a paragem, mas a mesma poderia ter acontecido no dia a dia. Se calhar quando tive o acidente foi algo do género, mais soft. Assim sendo, tive sorte de ter sido detetada em ambiente controlado.

Já estou bem menos dorido, é pior é para dormir que ainda só consigo de papo para o ar. Vou tirar os pontos na próxima quarta-feira.
 
Bem, para não ser sempre a cascar no SNS, mas também falar quando é preciso dizer bem. Comecei a sentir arritmias em março de 2024, consulta na médica de família, bateria de exames. Holter a detetar quase 7% de extrassistoles, ecocardiograma a dar uma fração de ejecção de 39%. O normal é acima de 50-55%. A médica de família encaminha-me para cardiologia, aconselhou gaia ou guimaraes, por esta ordem. De gaia veio recusado, comecei a ser seguido em guimarães. De notar que a médica de família aqui colocou-me logo medicado. Sou chamado em finais de julho para primeira consulta, muda alguma medicação, e começa nova bateria de exames. RMN, TAC, cintigrafia, e mais uma série deles que já nem me recordo. Passo 2 anos em consultas regulares e ajustes de medicação, a médica mandou cortar ao máximo com o exercício físico e com o alcool. Tabaco não fumo e a alimentação é minimamente regrada, não houve stress. no ano passado, nova ecocardiografia, a fração de ejeção já a 54%, e novo holter, a detetar apenas cerca de 300 extrassistoles em 24 horas, ou seja, muito melhor.

Este ano, em junho, na consulta com a médica, já quase a dar-me mais liberdade com o exercício, e a marcar consulta apenas no próximo ano, até que comentei com ela que em abril, no contexto de uma gastroenterite severa, ao regressar a casa adormeci e bati com o carro. Ela aí ficou não com 1 mas com 2 pés atrás. Marcou consulta logo para dali a 2 meses, ia ponderar fazer um estudo eletrofisiologico ao coração e ponderar implantar um registador de eventos.

Bem, na passada sexta-feira, ao fazer o estudo eletrofisiologico, o coração entrou em fibrilação e tive de ser reanimado. Já não saí do hospital, fiquei internado nos cuidados intermédios com monitorização 24h por dia, e já não foi o registador de eventos que me implantaram mas sim um CDI extra-vascular, um anjo da guarda que agora tenho aqui dentro que em caso de acontecer uma fibrilação ou entre em taquicardia severa, ele simplesmente reinicia o coração . Cheguei ontem a casa. um pouco dorido, mas com a noção que se isto não fosse detetado a tempo, a coisa poderia correr muito mal. O aparelho não é propriamente barato, mas a administração do hospital recebeu o pedido para a minha implantação na segunda de manhã, na terça-feira estava validado, e na quarta as 8:00 da manhã estava a descer para o bloco operatório. Apesar de tudo, apesar de por vezes haver desorganização, de por vezes ser uma confusão, sinto que aquele pessoal me salvou a vida, não olharam a meios, e me colocaram o aparelho mais avançado que existe presentemente no mercado. Não sabia muito bem onde colocar isto, já deixei por aqui alguns desabafos, foi só mais um. ;)
Que cena….

As melhoras! A ver se o “susto” fez com que o problema agora tenha a solução definitiva.

Lembras-te do que sentiste quando isso aconteceu? Um “desmaio” e depois não te lembras de mais nada?

Ficaste sem sequelas, certo?

Forte abraço!
 
Que cena….

As melhoras! A ver se o “susto” fez com que o problema agora tenha a solução definitiva.

Lembras-te do que sentiste quando isso aconteceu? Um “desmaio” e depois não te lembras de mais nada?

Ficaste sem sequelas, certo?

Forte abraço!
Certo, não deixou sequelas, aquilo durou "apenas" cerca de 30s.

O que senti... estava a sentir o coração bué estranho, lembro-me de dizer que não me sentia bem. No momento a seguir começo a ouvir vozes mas parecia que estava dentro de um sonho, abrir os olhos, ver as luzes todas, estar completamente desorientado, não me lembrar de onde estava, ver a cara da enfermeira a uns 10cm da minha, ela a falar comigo, até que comecei a vir a mim, e pensar: "ok, estou no hospital, afinal deram-me um sedativo", até que a enfermeira explicou o que aconteceu, que durante o exame o coração parou, mas que conseguiram reanimar com sucesso. Lembro-me de perguntar quanto tempo é que se tinha passado, e foi aí que ela disse que foi apenas 30s. Deixaram-me apagar completamente antes de reanimar para não ficar com lembranças do choque. Depois explicaram-me que ia ficar internado, o tipo de aparelho que me queriam colocar, que era o que de melhor havia, bla bla bla, e eu só disse: "Estou nas vossas mãos, o que vocês decidirem, por mim está bem. Avisem só a minha mulher para ela não ficar aflita."

Amanhã vou tirar os pontos, já me mexo bem melhor, e dia 22 já devo poder conduzir.
 
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