Em relação a Sra. e a sua nomeação...
Rosa Veloso foi a ‘espinha’ cravada na garganta de José Rodrigues dos Santos. Mas quem é, afinal, esta mulher, desconhecida da maior parte dos portugueses e que saltou para as primeiras páginas dos jornais na última semana?
Rosa Veloso, 38 anos, esteve ‘oficialmente’ na origem da demissão da direcção de Informação da RTP na passada segunda-feira. A jornalista foi escolhida pela administração para suceder a Cesário Borga no posto de correspondente em Madrid, apesar de, alegadamente, ter ficado em quarto lugar no concurso interno para o lugar.
Divorciada, mãe de dois filhos, Rosa Veloso é licenciada em Filosofia pela Universidade Católica, tendo ainda frequentado o segundo ano de Direito, onde foi aluna de Marcelo Rebelo de Sousa. Tentou o mestrado em Ciência Política pela Católica, orientado por João Carlos Espada, mas acabou por concluir, isso sim, uma pós-graduação em Direito da Comunicação pela Universidade de Coimbra.
O número 1991 marca indelevelmente a sua vida profissional. É esse o número que surge na sua Carteira Profissional e foi nesse ano que entrou nos quadros da RTP, embora já antes colaborasse, em regime de prestação de serviços, com a televisão pública, após a sua actividade na Rádio Renascença.
PIVÔ DO ‘JORNAL 2’
Começou pelos jornais de fim-de-semana, passando depois para os informativos do segundo canal. Com a saída de António Santos, para a assessoria do então primeiro-ministro António Guterres, e de Joaquim Furtado para a direcção de Informação, apresentou durante três anos o ‘Jornal 2’. “Fui a jornalista de mais baixa categoria a ser pivô de um jornal”, recorda Rosa Veloso, o que levou a profissional a enfrentar judicialmente a empresa. “Nunca foi beneficiada nesta casa. A única promoção que consegui foi decidida pelo Tribunal”, sublinha, afirmando-se “triste e injustiçada com tudo o que se tem dito, ao cabo de 16 anos de profissão”.
POLÉMICA E FRONTAL
Os seus companheiros de trabalho na redacção da televisão consideram-na “uma pessoa muito independente” e “competente”, embora sublinhem o seu “feitio muito difícil, polémico e contestatário”. “De qualquer forma, é uma mulher corajosa e frontal”, acrescentam as mesmas fontes. Quanto às propaladas amizades com gente do poder, Rosa Veloso não tem problemas em admiti-lo. “Com tantos anos na editoria de política, é natural que assim seja. Tenho amigos em todos os partidos políticos. Mas qual é o mal disso? Qualquer dia temos de fazer uma declaração de amizades ou será que os amigos que temos nunca podem exercer cargos públicos?”, questiona. Comentadas na redacção são também as “inimizades que fez com alguns colegas”, fruto do seu “feitio especial”. E, apesar de entretanto negadas por ambas as partes, as mesmas fontes confirmam as “difíceis relações entre a Rosa e Judite de Sousa”, a demissionária directora-adjunta de Informação.
Actualmente a trabalhar na área de sociedade, acompanhou no ano passado os 25 anos de pontificado de João Paulo II e assinou já este ano uma grande reportagem sobre o aborto clandestino em Portugal e outra sobre o celibato dos padres.
CORREIO DA MANHA 2004-11-20
...Já a CT criticou «mais um novo e lamentável sinal de interferência do Governo» na RTP e considera que o CA contrariou «os mais elementares princípios de transparência, respeito e legalidade», ao escolher para correspondente em Madrid Rosa Veloso, que ficou em quarto lugar no concurso. O CR, que reuniu ontem com a Administração e com o director cessante, apurou «novos dados» que permitirão a este organismo «aprofundar» a posição tomada na segunda-feira, disse fonte do conselho.
José Rodrigues dos Santos demitiu-se na segunda-feira, por não aceitar a decisão do CA de nomear Rosa Veloso para Madrid. O CR considera que a escolha de um correspondente deve resultar de um consenso entre administração e direcção editorial e não deve ser uma decisão unilateral.
O concurso para os lugares de correspondente em Madrid, Maputo, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau é um procedimento contestado na redacção, onde se defende que esses lugares devem ser atribuídos por convite. A transparência do concurso é questionada, por terem ficado de fora alguns dos jornalistas com melhores qualificações para os cargos
DN 17.11.04