O Miguel Morgado a chamar os bois pelos nomes sem qualquer medo ou complexo!
Um texto lúcido ,em tres tempos, sobre o que é o actual PSD e os tres motivos porque deixou de ser PPD e perdeu a sua identidade, desde que este partido assumiu o governo há uns meses sem saber exatamente o que fazer com ele....
Sem PPC, IMHO, só o Miguel Morgado tem as coordenadas certas para dar um destino útil a este PSD, desencontrado da suas origens...
Sintese para os calões que não gostam, como eu, de textos grandes
Primeiro, veio a tese de que o país era "estruturalmente esquerdista". Uma tão rica intuição sociológica condicionou tudo o resto. Desde a identidade ideológica dos militantes e eleitores que devia ser escondida para não envergonhar ninguém, até às propostas de políticas públicas que não se deviam desviar muito das da esquerda para não causar derrotas eleitorais.
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Segundo, o PPD era PSD. Isto é, o partido popular fundado após o 25 de abril que acolheu todo o tipo de pessoas e de aspirações que podiam ser descritas de muitos modos, mas não certamente como sendo "socialistas" ou "esquerdistas", era na verdade um partido de seita, ideologicamente identificado com uma linha estreita que se designou, para confusão de toda a gente, "social-democrata". Nos seus piores momentos, o PPD resumiu-se a esta cassete que repetia obsessivamente que era "social-democrata" como sinónimo de "socialista", usando o pretexto para repudiar o seu património, e, mais importante do que isso, para desdenhar elementos políticos essenciais a qualquer democracia civilizada. Era o "liberalismo" que era um horror ou o "conservadorismo" que era uma barbárie.
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Em vez de abraçar a vocação e a função do seu partido no sistema português como o lugar da alternativa ao PS, ou a uma grande coligação das esquerdas liderada pelo PS, lideranças várias ajudaram ao desmoronamento convertendo-o numa seita ideológica falsa, que nem eles conseguiam caracterizar. Um partido pequeno, incapaz de representar fosse o que fosse, complexado até com a sua sombra, aterrorizado com a crítica ideológica da esquerda. Com Rui Rio, esta estratégia atingiu o seu ponto mais caricato. O resultado foi imediato.
Leiam leiam....