EscapeLivre
Well-known member
Isso é a visão utópica das coisas que não tem nenhuma solução directa nem rápida.
Isso todos sabem, o ideal era menos carros a ir para "Lisboa". Simples.
Agora e resolver isso?
Porque não é só uma questão de transportes, é uma questão de habitação, de escola, de hospitais, está tudo interligado.
A Margem sul um pouco por causa do estigma da ponte e do trânsito, ainda é um local onde se compram casas a um preço relativamente mais justo. Na margem norte é preciso ir quase para o Cartaxo para ter preços semelhantes. Isso empurrou muita gente para o outro lado do rio, mas a grande maioria dos empregos continuam a ser na margem norte, pelo que essas pessoas todas têm de se deslocar.
E a ideia antiga de que um gajo trabalhava na mesma empresa a vida toda, e morada na mesma casa a vida toda e que havia escola "à porta de casa", já acabou há muito... As empresas mudam muito, os empregos mudam muito e as vidas mudam muito, com isso há cada vez mais trajectos a fazer no dia a dia, que muitas vezes não se coadunam com transportes públicos.
Claro que também há comodismo, sem dúvida, eu mesmo assumo isso. Mas parece que esse é o mal de todo o mundo, quando é uma parte mínima do problema.
Poderá haver algum comodismo sim.
Mas há um principio em economia ( nao me recordo do nome mas ouvi no Podcast sobre carris ) em que se houver boa oferta, haverá procura para ocupar essa oferta.
Agora enquanto tivermos uma cidade entupida, a atrasar os autocarros, enquanto tivermos linha de cascais completamente podres, linha de sintra ainda pior, metro a avariar constantemente, greves aqui e ali, comboio da ponte que anda pela hora da morte, tudo isto desincentiva o uso de transporte publico.
Se eles forem bem melhores, haverá mais gente a deixar o carro em casa. Coisa que acontece noutros países sem nada de inventar a roda.

