Uma pequena actualização esta semana sobre a guerrilha interna em matéria de representação da UE no exterior. É importante que não fique abafado na espuma do mundial e outras notícias de lana caprina.
Aqui vai: tudo começou com um descontentamento manifestado por Zelensky que pediu -com razão- um representante da UE único e com poder sugerindo a figura do AC isto ainda em Maio. O assunto andou mas Kallas não achou piada e começou a meter areia no processo que não podia ser só numa pessoa que deveriam ser muitas , que não podia ser este nem aquele etc. O normal nela.
Não se sabe bem porquê nem sequer se relacionado, França e Alemanha começaram a tirar o tapete a Kallas este mês. É vai acabar por saltar.
O nosso estimado AC, ao aperceber-se da oportunidade de assumir este papel, aproveitou a onda e iniciou um contacto diplomático directo com a Rússia de forma antecipada através do seu chefe de gabinete.
Já depois disso, esta 5a feira foi duramente criticado por variados país e apoiado por outros.
Há várias notícias nomeadamente esta do Público:
Líderes da UE divididos sobre contactos preliminares de António Costa com o Kremlin
Se é pacífico para todos os chefes de Estado e governo da União Europeia que o bloco deve estar sentado à mesa e participar activamente nas negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia, as “démarches” de António Costa para “abrir canais de comunicação” entre Bruxelas e Moscovo expuseram um fosso entre os líderes que veio comprometer a imagem de unidade no seio do Conselho Europeu.
O que eu acho disso?
Revela bem a complexidade organizacional excessiva da UE actual mas sobretudo o ancestral problema dos egos.
Ao tentar abrir um canal diplomático para a paz. António Costa sabia para o que ia e, mesmo assim, não hesitou. Mas na arena geopolítica: quem brilha mais que os outros: vai sempre ao castigo mais tarde ou mais cedo.
Levou logo nos costados do Macron e Mertz.
CNN:
Macron e Merz juntam-se contra Costa após contactos com o Kremlin que estão a dividir a União Europeia
o presidente de França e o chanceler da Alemanha mostraram desagrado com a opção de tentar reabrir a comunicação com o Kremlin, numa posição que marca uma clara colisão diplomática dentro do bloco.
A conclusão para mim é que, enquanto a UE não solidificar o federalismo, vai andar sempre nestes circos do "eu é que sou o presidente da junta".
Isso resolve-se bem em democracia plenas: com mais eleições directas e menos reuniões à porta fechada...[

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