A Devida Comédia

Henkel V6

Banido
[FONT=&quot]Criancinhas[/FONT]


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[FONT=&quot]A criancinha quer Playstation. A gente dá.

A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.

A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.

A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.

A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.

A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.

A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.

Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.

Desperta.

É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.

A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.

A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».

Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».

A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».

Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.



Recebi isto por mail. Só discordo da parte em que o autor situa este problema apenas nos bairros problemáticos.

Aceita-se comentários.
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A realidade como ela é...não generalizando[;)]

EDIT:O meu "não generalizando" refere-se ao facto de que felizmente existem pais que sabem dar uma boa educação aos filhos...
 
Last edited:
Vive-se bem nos bairros sociais desse pais de quem te mandou o mail
Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.

É essa a realidade cá mas não é propriamente nos bairros sociais, e quem tem filhos nas escola vê disso todos os dias em todos os niveis de rendimento/classe social,...

cpts
 
Bairros problemáticos? Essas situações são até mais comuns em classes mais altas, especialmente a parte das roupas de marca, da 1ª mota, do carrinho (carrão?), das férias para todo o lado, da mania, da má-educação, da desatenção e falta de atenção dos pais, etc...

E já não é de agora, porque no meu tempo não eram muito diferentes, eram apenas mais bem-educados do que hoje em dia.

O grande problema são os pais.
Vamos ao hipermercado fazer umas compras e vemos a mãe a arrastar o puto que berra e chora desalmadamente porque quer "isto", faz uma cena do caraças e no fim ainda tem o que quer, e vemos a cena a repetir-se uns corredores mais à frente. Quando era comigo, um par de açoites no rabo ou um calduço e um gajo mancava-se logo. Acabava o berreiro e acabava o mau aspecto, e incutia-se algum sentido à criancinha.
Só tenho a dizer que me fez bem. Claro que nunca fui espancado, eram apenas advertências veementes. E fizeram efeito.

Hoje em dia parece que não se pode dar uma palmada ao filho porque somos logo uns pais abusivos e violentos, o que para mim é uma estupidez.

Metade dos problemas desses putos tinham-se resolvido com uns tabefes na devida altura.
 
Generalizações e preconceitos à parte, convém não esquecer que as crianças são, mesmo, o melhor do mundo. Apreciem-nas bem, pois elas crescem mais depressa do que imaginamos.

Saudações a todos os pais e mães do fórum que sabem bem o quanto custa educar os filhos.
 
apenas discordo da parte dos bairros sociais e nem é preciso esperar muito para ver essa realidade. Na nossa geraçao há mais exemplos do que pensamos...
 
É uma realidade geral e nao de zonas ou origens sociais, infelizmente esta juvententude na sua grande maioria ate mete medo
 
" As crianças quando são pequeninas são tão giras que até as apetece comer; quando as crianças crescem, arrependemos-nos de não os termos comido" [:D]
 
" As crianças quando são pequeninas são tão giras que até as apetece comer; quando as crianças crescem, arrependemos-nos de não os termos comido" [:D]

Olha que hoje em dia há para aí algumas crianças que... qualquer dia sou preso [:D]
 
Há por ai algumas crianças que "cresceram" muito depressa, não é??? [:D]

Só dá vontade é de ... [:p]

O Bibi é que era um gajo iluminado! Abriu o olho a muita gente [:D]

Mas agora mais a sério (antes que tranquem isto), o problema desta geração é realmente a forma como os pais se desligam dos filhos. Cumprem com as obrigações básicas (sustento, tecto, educação - ainda que apenas a escolar - e pouco mais), e não são pais verdadeiros, não são um amigo, um apoio, uma fonte de informação e de segurança nos momentos lixados da vida, etc...

E depois temos a televisão, a morangada com açúcar e claras em castelo, as modas, as marcas, as campanhas de marketing agressivas, o consumismo... mesmo que tentemos isolar os nossos filhos dessas más influências, eles vão para a escola e têm lá colegas que não tiveram essa sorte, e acabam por ser expostos através deles a tudo aquilo que nós não queremos... é complicado. Isso faz-me pensar duas vezes antes de trazer uma criança a este mundo.
 
Concordo plenamente com o texto, e discordo q é só em situações problemáticas. Grande parte da juventude actual (digamos, entre os 12 e os 16 anos) demonstra uma clara falta de uns bons tabefes, julgam-se os reis do mundo e q podem faltar ao respeito a tudo e todos e fazer o q bem lhes dá na gana.

Não digo q se resolva tudo ao tabefe, e muito menos à porrada, mas alguns pais podiam ter uma participação bem mais activa na educação da criança, não é só mandá-los para a escola e está tudo bem (até pq actualmente nem as crianças demonstram respeito pelos professores, nem os pais, o q é ainda mais grave !!!!) e mimá-los com tudo o q queiram.

Obviamente q não quero generalizar, mas vêm-se cada vez mais e mais casos de putos cujo rumo já é muito difícil de endireitar por falta de bases em casa ...
 
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