A pobreza que não pára de aumentar em Portugal...

Aproveito o tópico só para partilhar que embora se fale em crescimento, saída da troika, eleições e outras coisas bonitas, assisto bem de perto a cada vez mais casos de pessoas que ou começam a passar mal (e quando me refiro a passar mal é a racionalizar recursos essenciais) ou começam a ficar com a vida num ponto em que as coisas estão bastante tremidas. E nenhum dos casos que conheço é por irresponsabilidade.
 
Fónix. Afinal a abrilada falhou.[s)]

Serviu apenas para que as gerações que a promoveram arrecadassem direitos e garantias de forma a serem eternamente sustentados pelos que os sucederem. Quem diria?
Nação valente e imortal

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio.

Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.


O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.

Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.

Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.

Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.

Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

 
O que me aflige, e isso é sinonimo de país de terceiro mundo, é que cada vez há menos famílias com posses para jantar fora umas x por semana, passa férias fora de casa, trocam de viatura a cada 5 anos, dá escapadinhas de fim de semana e muitas outras coisas que realmente alimentam a economia. Cada vez mais esta franja está sobrecarregada de impostos.
 
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Não sei se tenho mais pena dos pobres de carteira se os de espírito.

A autocomiseração fica-te mal![;)]

Deverias ter pena é dos hipócritas, aqueles que pensam essencialmente no seu umbigo, mas quiçá para atenuar o peso na sua consciência, invocam regularmente os pobres e as criancinhas carentes.

Acabam por cair no ridículo![;)]
 
A autocomiseração fica-te mal![;)]

Deverias ter pena é dos hipócritas, aqueles que pensam essencialmente no seu umbigo, mas quiçá para atenuar o peso na sua consciência, invocam regularmente os pobres e as criancinhas carentes.

Acabam por cair no ridículo![;)]


Serviu-te?[:D]



Por acaso não estava a falar de ti...não sei se és pobre de carteira...[;)] Mas da forma como falas de umbigo para fora/barriga proeminente, calculo que de carteira estejas bem aviado, o que muito folgo.

E dos que pensam só no seu umbigo tenho repulsa e nojo...bem os vejo, os liberais(liberalóides...[:D]) a invocarem o "bem público", certas "mordomias" alheias(como ordenadões de 700 euros) e depois é vê-los a encher a pança com contratos e ajustes directos fraudulentos que os amigalhaços dos partidos lhes arranjam directamente de onde? Do Estado!:sh)

Pimenta....no dos outros...ora bem!
 
Serviu-te?[:D]



Por acaso não estava a falar de ti...não sei se és pobre de carteira...[;)] Mas da forma como falas de umbigo para fora/barriga proeminente, calculo que de carteira estejas bem aviado, o que muito folgo.

E dos que pensam só no seu umbigo tenho repulsa e nojo...bem os vejo, os liberais(liberalóides...[:D]) a invocarem o "bem público", certas "mordomias" alheias(como ordenadões de 700 euros) e depois é vê-los a encher a pança com contratos e ajustes directos fraudulentos que os amigalhaços dos partidos lhes arranjam directamente de onde? Do Estado!:sh)

Pimenta....no dos outros...ora bem!

Podias dizer de que Câmara Muncipal falas.
 

Assim uns nomes de cidades só para a humilhação.[:D]
Alguém sabe se o cenário dos ajustes directos, CEI´S a ex estagiários, filhos sobrinhos e enteados dos presidentes a trabalhar na câmara... se repete nas Câmaras do Partido Comunista? Não tenho o mínimo contacto com uma autarquia comunista e até gostava de saber...
 
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