Só para complementar, nesta questão das proporções, sem dúvida que existem diferenças claras caso seja FWD ou RWD.
E claro que seria previsivel, que ao atacarem o segmento com uma carroçaria sedan assente sobre uma plataforma com motor longitudinal e tracção atrás todos eles iriam apresentar proporções gerais semelhantes. Eixo dianteiro em posição avançado, "dash-to-axle" de dimensões generosas, capot e distância entre-eixos longos e habitáculo em posição recuada.
O XE, o Giulia e o série 3 assemelham-se bastante nesse ponto.
O C e o IS demarcam-se mais devido a questões superficiais, ou seja, o estilo propriamente dito. Mas as proporções típicas estão lá.
Tivessem o Giulia e o XE optado por outros contornos para a área vidrada lateral, e já não havia nenhuma destas discussões.
Ou a transição do segundo para o terceiro volume não fosse tão fluida nos três, e já haveria maior distinção entre eles.
Tanto o 159, como o 156 não conseguem esconder a sua arquitectura. Não significa que seja uma coisa má em proporções. Nesse capítulo estão praticamente no ponto.
O 159 até resulta muito melhor que o Brera, já que o 3ª volume ajuda a equilibrar todo o desenho, sobretudo a típica e generosa overhang frontal de um FWD. E compare-se a "dash-to-axle" (distância, na horizontal, da base do pilar A ou párabrisas ao eixo dianteiro) do 159 e do Giulia e verifica-se logo as diferentes arquitecturas.
Mas existem excepções à regra. A Volvo a brincar com as percepções do pessoal com o novo S90:
Se não soubesse que isto era um tudo à frente com motor transversal, acreditaria facilmente que isto era um RWD. Trabalho de mestre por parte da Volvo resultando em proporções praticamente perfeitas.
Muito mais convincente do que o pilar A recuado da Mazda numa tentativa de disfarçar visualmente a arquitectura do 6.
Isto.
É aqui que acho que a Alfa peca. Eles e também a Jaguar sabem perfeitamente que não estão ali para lutar pela liderança do segmento.
Tanto a Alfa como a Jaguar prevêem vender no máximo 100 mil unidades/ano global do Giulia e XE. Parece muito, mas a BMW, Mercedes e Audi, devem vender mais do triplo ou quádruplo cada uma do 3, C e A4, no planeta todo.
Focando na Alfa, acho que poderiam ter arriscado um pouco mais no plano visual. O Giulia não é feio, está ao nível estético dos rivais, mas falta aquele toque que elevava o 156 e 159 da restante multidão.
Apesar de achar que o série 4 é demasiado tímido, não se distanciando o suficiente do série 3, o comprimento e largura superior, o estilo mais "coupeizado", e os centimetrozitos mais baixo do GranCoupe relativamente ao 3, permitem um conjunto de proporções mais desejáveis, e maior apelo visual.
Outro exemplo seria a relação entre o A5 SB e o A4.
A meu ver, acho que pouco ou nada afectaria a performance comercial esperada do Giulia, caso apresentasse um conjunto de proporções um pouco mais dramáticas, e elementos não tão vulgares.
Mesmo que afectasse um pouco as cotas internas, o plano da Alfa inclui pelo menos um crossover sacado da mesma base. Apostem nesse como o carro "familiar". Apostem nesse como o produto para fazer volume. Até a Jaguar prevê que o F-Pace se torne o seu modelo mais vendido e não o XE.
Tal como o 4C serviu de dramático manifesto para a nova Alfa, o Giulia poderia reflectir um pouco mais desse arrojo conceptual ou filosófico nas linhas e proporções do Giulia.
Já que está tudo com a febre "crossoveriana" e parece não estar para acabar brevemente, poderia sacar-se um sedan que não fosse tão colado à concorrência e passar o ónus do volume para o crossover.
De qualquer forma, espero, sinceramente, que esta criatura seja um sucesso.
Sobre os ombros do Giulia e do Stelvio caem grandes responsabilidades sobre o futuro da Alfa.