Animais em circos

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Parece que este ano não vai haver animais nos habituais circos de Natal nos Coliseus de Lisboa e Porto.

O espectador fica a perder ou era expectável isto acontecer? Estará na calha uma proibição para todos os outros circos?
 
http://www.publico.pt/sociedade/not...a-felicidade-os-animais-ja-nao-entram-1717326

Depois da estranheza, o progresso. Eduardo Paz Barroso não perdeu muito tempo a imaginar possíveis perdas de bilheteira ou lamentos. Para o presidente do Coliseu do Porto, a decisão era tomada num binómio certo-errado e, por isso, não havia dúvidas: pela primeira vez, a icónica instituição da cidade apresenta um circo onde os animais não entram. No Funchal foi decretada formalmente há um ano a proibição de utilização de bichos nestes espectáculos. Lisboa, Cascais, Évora e Faro também seguem recomendações das respectivas assembleias municipais nesse sentido. Está o circo em Portugal a transformar-se?

Quando assumiu a presidência do Coliseu, em Setembro de 2014, o programa do circo de Natal desse ano estava fechado. E tinha cães e tigres como “trabalhadores”. Fascinado pelos “lindíssimos tigres”, Eduardo Paz Barroso escreveu na sua página do Facebook que lhe lembravam os desenhados por Júlio Pomar. Só mais tarde, “num exercício de auto-pedagogia”, se pôs a pensar nas “restrições” impostas aos bichos — e em como tudo isso estava errado e era contraditório com o conceito de circo que defendia. A reviravolta deu-se este ano, com o Coliseu a assumir, pela primeira vez, a responsabilidade exclusiva da programação do circo de Natal, banindo os animais: um “sinal de contemporaneidade”.
A 300 quilómetros de distância, o recém-eleito deputado do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Lourenço e Silva, aplaudiu o exemplo. O caminho da evolução, acredita, está já a ser feito — e teve a sua grande demonstração quando o PAN conseguiu o seu primeiro representante no Parlamento, nas legislativas de Outubro. De resto, é olhar para a televisão ou ver o que se passa nas ruas: “Começa a ser unânime esta tendência de se abolir a utilização de animais para divertimento, o caso dos circos e das touradas”, observa.
No programa de Governo de António Costa, aparece apenas um bloco com cinco medidas “no domínio do bem-estar animal” — propostas que não constavam do documento inicial, incluídas no seguimento de conversações com o PAN. Mas nenhuma fala directamente do circo. André Lourenço e Silva acredita ainda assim que “o Partido Socialista, tal como outros movimentos políticos com assento na Assembleia da República, sentem já esta questão como um passo a dar na evolução do bem-estar e protecção animal”. Um caminho, sublinha, já iniciado pelo PS “na gestão do município de Lisboa”.
Faltam poucos minutos para o início do espectáculo e o Coliseu do Porto vai-se compondo. A família Silva, fiel seguidora do circo de Natal da cidade, faz o aquecimento de balde de pipocas nas mãos e ignora questões de programa: “A gente quer divertir-se, com ou sem animais”. A questão do bem-estar dos bichos foi coisa que não lhes passou pela cabeça noutros anos, admite Cristina, mãe de duas crianças. A resposta está-lhe, ainda assim, na ponta da língua: “Se me dizem que os animais sofrem digo já que sou contra, gosto muito de bichos. Mas também já ouvi dizer que nem sempre é assim.” Junto ao palco circular montado no centro da sala Carolina, de quatro anos, está prestes a estrear-se como espectadora de circo. Os pais, António e Mónica, consideram a questão do bem-estar animal “importante”, mas querem os “extremismos” fora da equação: “Se formos para extremos nem um cavalo podemos montar”, diz o pai de Carolina. Para o casal, a fórmula pode ser qualquer coisa como: “Retirar os animais do seu habitat natural, não. Mas se já nascem em cativeiro e forem bem tratados, sim.”
Cresce a ansiedade nos bastidores. Enquanto uns ensaiam exercícios de aquecimento ou fazem malabarismos em tom de brincadeira e relaxamento, Rosa Sáez, palhaça da companhia Los Quixotes, tenta adormecer o filho de um ano num carrinho de bebé. Por ali, mas longe do palco, há um caniche branco a marcar presença. “Apenas cão de companhia”, viajando desde Madrid com o trio de palhaços do qual Rosa faz parte. Em Espanha, como em Portugal, não há uma regra única sobre a utilização de animais em espectáculos de diversão — numas regiões é permitido, noutras não. É um “tema delicado”, consideram. Palavra a Ramón Merlo: “Está a desaparecer e penso que deve desaparecer, sobretudo quando falamos de animais selvagens. Mas um cãozinho a fazer uma participação não me choca.”
 
Provavelmente, para os animais, melhor do que proibir a sua apresentação em espectáculos de circo era obrigar as Companhias de Circo a dar-lhes condições de vida dignas!
 
A porta-voz do PAN e o cabeça de lista às europeias juntaram-se hoje a uma manifestação, à porta do Jardim Zoológico de Lisboa, que pede o fim dos espetáculos com golfinhos e a transição dos delfinários para santuários marinhos.

Na semana passada, o PAN já entregou no parlamento um projeto de resolução que recomenda ao Governo a reconversão de delfinários, a criação de centros de conservação e recuperação das espécies e de santuários.

"Nós queremos garantir que em Portugal são construídos santuários em zonas marinhas naturais para que os golfinho que aqui vivem em cativeiro há já várias décadas possam ser colocados em alto mar numa zona controlada, vigiada, que permita uma transição para um modelo de maior respeito pela vida animal", explicou Inês Sousa Real, em declarações aos jornalistas.

A porta-voz do PAN salientou que os golfinhos que vivem em delfinários (que estimam ser 35 em Portugal, oito dos quais no jardim zoológico) vivem "em espaços pequenos, muitas vezes sobrelotados".

"O PAN defende jardins zoológicos do século XXI, acompanhando o repto da sociedade civil", afirmou.

Questionada se já teve "feedback" do Governo sobre estas matérias, Inês Sousa Real lamentou que a proteção animal volte, na orgânica do atual Governo, a estar na tutela da agricultura.

"Queremos garantir que não há retrocesso em matéria de bem-estar animal. As pessoas cada vez têm mais preocupação com o bem-estar animal e queremos garantir que, ao nível do Governo, há essa sensibilização", disse.

Também o número um do PAN às europeias, Pedro Fidalgo Marques, considerou que a nível europeu "é possível garantir que a implementação da diretiva sobre zoos é efetiva em Portugal" e se possam banir os delfinários.

Os dois dirigentes do PAN juntaram-se à manifestação organizada pela associação "Empty the tanks", que juntou algumas dezenas de pessoas que empunharam cartazes onde se lia "Cativeiro circense não é solução" e gritaram palavras de ordem como "30 minutos de diversão, uma vida na prisão", distribuindo panfletos às pessoas que iam entrando no Jardim Zoológico de Lisboa.

O movimento explica que não está a pedir "a libertação imediata dos golfinhos ou o desemprego dos funcionários" que com eles trabalham, mas "a transição de um modelo de exploração circense em delfinário para um modelo de reabilitação em santuário da natureza", dizendo que este é um modelo testado "com grande sucesso em nove países".

No projeto de resolução (sem força de lei), o PAN refere estudos científicos que "revelam que animais selvagens mantidos em cativeiro sofrem diversas consequências adversas em seu comportamento e saúde".

O PAN recomenda ao Governo que "promova e execute programas de reconversão de delfinários e oceanários, sitos em território nacional, em centros de conservação, recuperação e observação das espécies, sem qualquer componente lúdica" e "implemente, no âmbito dos programas de reconversão e em colaboração com especialistas e organizações não governamentais de conservação da natureza e de proteção animal" a transição dos espaços e a criação de santuários naturais.

O PAN pede ainda recursos necessários para a implementação dos programas de reconversão, e ao Governo que promova a sensibilização pública sobre os impactos negativos do cativeiro de animais selvagens e os benefícios da reconversão dos delfinários e oceanários e que estabeleça prazos e metas para a implementação dos programas de reconversão.

Foto: Filpe Amorim/Lusa
Foto: Filpe Amorim/Lusa

PAN quer acabar com espetáculos com golfinhos
 
Calma??
Para que servem elas num zoo? Para gáudio dos ditos humanos?
Devíamos era preservar todas as espécies no seu habitat natural pois aqui é que são importantes para todos nós e para todas as espécies em todos os aspectos.
Infelizmente onde pomos a "pata" estragamos ao contrário das outras espécies
 
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