ASAE afinal pode não estar plenamente legal

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só estão a fazer cumprir a lei. não percebo o vosso problema.

Fazer cumprir a lei ...

Pois pois, há mais de 20 anos que conheço a Dimofel e as casas da rua das Portas de St. Antão.
Sempre tiveram estes equipamentos e equipamentos relacionados com captação de som, de audio HI-FI, etc, etc.

Cumprir a lei OK, sonha ... e depois passem a abrir todas as encomendas que chegam via SEUR, MRW (de Espanha) e UPS, DHL, TNT que invariávlemenet trazem estes dispositivos do MUNDO, e esses sim com muito maior fiabilidade e precisão.
 
A notícia é de simples leitura e interpretação no que toca ao cumprir da Lei, ou será que o problema se coloca neste ponto em particular.
 
se é proibido e dá pena de cadeia, achas mal fiscalizarem isso?
já agora, coitadinhos dos ciganos a vender cds e dvds piratas nas feiras, afinal de contas se a ASAE os apanhar a pirataria não acaba.

se apanharem um traficante de droga, também não vão acabar com a droga. por isso, pela tua lógica, não vale a pena combater?

[:D]
 
se é proibido e dá pena de cadeia, achas mal fiscalizarem isso?
já agora, coitadinhos dos ciganos a vender cds e dvds piratas nas feiras, afinal de contas se a ASAE os apanhar a pirataria não acaba.

se apanharem um traficante de droga, também não vão acabar com a droga. por isso, pela tua lógica, não vale a pena combater?

[:D]

O que eles apreenderam foram KIT's preparados para serem montados.

Se eu for lá e comprar exactamente os mesmos componentes em separado .. obtenho o mesmo e não estava sujeito a apreensão e fiscalização.

É preciso dizer mais ...
 
O trabalho da ASAE não me incomoda. De facto até estão a zelar pelos consumidores.

O que me incomoda são estas "acções propagandistas", porque esta "rusga" não tem efeitos práticos nenhuns. E incomoda porque é simplesmente um esbanjar de dinheiro público.

Para quando uma "verificação surpresa" a bombas de gasolina, por exemplo ?

"V"
 
eles apanharam comerciantes a vender voluntariamente kits para escutas ilegais. achas mal serem penalizados?


O que eles fizeram foi abrir a caixa de pandora ...

Há cerca de 5~6 anos, começaram a vender umas caixas que limpavam o bloqueio da TV Cabo, as pessoas iam a determinadas lojas e pediam N componentes e com uma Caixa que se ligava ao SCart viam os canais da TV Cabo. quem montava isto, montava por carolice e para um ou outro amigo.

Efectuaram uma acções de fiscalização, e logo apareceu a industria, dantes alguém montava por ele próprio o circuito, e a partir daquele momento passou a haver uma industria que açambarcava os componentes no mercado e que chegou a vender as caixas por 30.000$00.

Neste caso até direi que quem usa estes sistemas provávelmente seria para proteger as instalações da sua casa ou empresa, a partir de agora a procura vai massificar-se.

A lei provavelmente está mal feita no que toca definir o que pode e não pode ser vendido, porque como digo estes componentes vendem-se em separado, e os resultados são iguais ou superiores ao de comprar um Kit.
 
Última edição:
aqui prende-se por ter cão e por não ter.

a asae devia eera ser multiplicada por 500 .
porque a pirataria não serve o interesse de ninguem.
acho bem que as autoridades se mostreme o façam com aparato.

pois aqueles que como eu pagam licensas não acham piada nenhuma aqueles que não pagam.
e deviam começar tambema fiscalizar os particulares
 
aqui prende-se por ter cão e por não ter.

a asae devia eera ser multiplicada por 500 .
porque a pirataria não serve o interesse de ninguem.
acho bem que as autoridades se mostreme o façam com aparato.

pois aqueles que como eu pagam licensas não acham piada nenhuma aqueles que não pagam.
e deviam começar tambema fiscalizar os particulares



Claro que na ansia de também criticarem, não repararam que ninguém defendeu as praticas ilegais, mas que se recriminou a idiotice da medida de fiscalização.


Porque ...

O pacote do KIT era ilegal - violava a lei -, foi apreendido e lavrou-se um auto e contra ordenação.

Nos mesmos escaparates existem os mesmo 325 componentes que compoêm qualquer KIT, são vendidos em separado, mas não constituem nem personificam qualquer violação da lei.

Ou ainda

Compra um Kit de montagem de emissões RF
Compra um outro kit de captação de audio de HI-FI
Compra um Kit de camera de video
Compra um kit de captação de imagens por CCD

Junto tudo numa montagem seguindo um esquema disponivel na revista vendida no mesmo escaparate existente na loja de artigos de electrónica.

Ilegal ?

Não não é, só o kit que dizia "Kit de escuta e gravação oculta" é que viola a lei.

Por isto, é que a medida de fiscalização é ridicula, e a imagem que passaram, é ridicula por demonstrar a falta de preparação técnica antes de uma acção destas.
 
A ASAE é um braço da lei, e ao fazer uma inspecção e encontrar ilegalidades, não pode pactuar com a ilegalidade e fazer de conta que nada encontrou quando este tema das escutas está tão polemizado e actualizado mediaticamente.
 
A ASAE é um braço da lei, e ao fazer uma inspecção e encontrar ilegalidades, não pode pactuar com a ilegalidade e fazer de conta que nada encontrou quando este tema das escutas está tão polemizado e actualizado mediaticamente.

Zen

Vão ter de levar Kits
Componentes - muuuuiiiiitttttooooossss
Revistas - muuuuiiitttaaasss
Esquemas - muuuuiiiittttassss

E duvido que consigam alguma coisa, o que eles estão a fazer é entusiasmar alguns fulanos a entrar nesta actividade que vai passar a ser muito lucrativa.
 
se é proibido e dá pena de cadeia, achas mal fiscalizarem isso?
já agora, coitadinhos dos ciganos a vender cds e dvds piratas nas feiras, afinal de contas se a ASAE os apanhar a pirataria não acaba.

se apanharem um traficante de droga, também não vão acabar com a droga. por isso, pela tua lógica, não vale a pena combater?

[:D]

Acho que nao vale.... ou pouco vale...

Desde sempre que me lembro de pirataria e nunca ninguem acabou com ela e cada vez há mais maneiras de a fazer...Musicos e empresas informaticas já acabam por por coisas gratuitas on-line e é a unica forma de a combater e divulgam os seu produtos...programas como o autocad nem teriam expressao sem a pirataria.

droga tb ninguem até hoje acabou com ela apesar do milhoes gastos...se eu kisessse comprar droga bastava ir compra-la a realidade é esta. Apreensões de droga por exemplo servem é para enriquecer quem apreende, deves pensar que é queimada[:D]

vives num mundo herméticamente correcto mas irreal, vive a vida nao se centralizes só no politicamente correcto a vida é mais que isso.[;)]
 
Zen

Vão ter de levar Kits
Componentes - muuuuiiiiitttttooooossss
Revistas - muuuuiiitttaaasss
Esquemas - muuuuiiiittttassss

E duvido que consigam alguma coisa, o que eles estão a fazer é entusiasmar alguns fulanos a entrar nesta actividade que vai passar a ser muito lucrativa.


mas tu tás a alucinar?!?!?!

se era um kit preparado para fazer escutas ilegais out-of-the-box, para que qualquer pessoa possa praticar um acto ilegal sem ter "muitas chatices" é natural que nao seja permitido!

é a mesma coisa que um perito em explosivos decida "por carolice" (como tu dizes) preparar uma caixinha onde coloca pólvora, fios, detonadores, temporizadores e uns parafusos ou outra "metralha". com este "kit" qualquer pessoa pode fazer explodir o carro do vizinho apenas programando o temporizador....

Nao vês nada de ilegal nesta acçao? Apesar de tudo ele apenas juntou uma série de componentes que podem perfeitamente ser vendidos por separado....

Segundo a tua lógica se a ASAE ou outra entidade o fiscaliza e levanta um processo por actividade ilegal está a cometer uma injustiça porque "ele nao fez nada errado"
 
mas tu tás a alucinar?!?!?!

se era um kit preparado para fazer escutas ilegais out-of-the-box, para que qualquer pessoa possa praticar um acto ilegal sem ter "muitas chatices" é natural que nao seja permitido!

é a mesma coisa que um perito em explosivos decida "por carolice" (como tu dizes) preparar uma caixinha onde coloca pólvora, fios, detonadores, temporizadores e uns parafusos ou outra "metralha". com este "kit" qualquer pessoa pode fazer explodir o carro do vizinho apenas programando o temporizador....

Nao vês nada de ilegal nesta acçao? Apesar de tudo ele apenas juntou uma série de componentes que podem perfeitamente ser vendidos por separado....

Segundo a tua lógica se a ASAE ou outra entidade o fiscaliza e levanta um processo por actividade ilegal está a cometer uma injustiça porque "ele nao fez nada errado"


1º eu não disse que era legal mediante o que está prescrito na lei, se ainda não entendeste tal, presumo que tenhas de voltar a interpretar o que disse.

O que eu disse é que é ridicula a forma como a fiscalização é/foi feita.

Existem centenas de esquemas/circuitos, vendidos legalmente e ninguém fiscaliza a sua aplicação.

Estes circuitos têm uma lista de material que sem ser um expert em electronica , compras e consoante as instruções de montagem do "Lego", qualquer estudante numa escola na aula de trabalhos manuais/oficinais monta, aliás estou em querer que dado a forma prática de testar e verificar/ver estes trabalhos em uso, a captação de audio e video serão dos trabalhos mais executados pelos alunos nas escolas.

Entregas a lista numa qualquer casa de electronica e quase posso garantir que em 48 horas eles te telefonam a dizer que já lá têm o material.

Existem centenas de circuitos em Kit concebidos dos quais alguns centenas exemplares por certo entraram legalmente em Portugal, entraram na listagem de milhares de kits que são importados para Portugal.

Existem dezenas de publicações que podes fotocopiar e retirar a lista de materiais.

Tudo na prateleira ao lado de onde a ASAE apreeendeu os kits.

A ASAE fiscalizou tudo isto !?

Presumo que não, porque senão, nem haviam chegado aos escaparates.

Percebes que esta mediatização deste problema das escutas é uma forma de achar bodes espiatórios ?
Percebes que esta de fiscalizar as casa de electronica que vendem os kits não vai atingir quem executa as escutas ao sr PGR e outros !

Achas que quem executa escutas ao PGR ou a outra individualidade não recorre ao state of the art em escutas?

Percebes que dizer que vendiam circuitos de escuta ilegal é uma forma parva de ver o assunto ?
Estes circuitos dão para N aplicações, as escutas são só uma delas.

As entidades competentes foram incompetentes ao deixar que não houvesse restrições á importação dos KITs, se é ilegal façam como nas armas exijam um manifesto e definam quem e o que se pode importar.

Mas isso inclui KIT's, componentes, esquemas, publicações técnicas e manuais de ensino.

Isto não foi feito.

Agora sou eu que deliro ou os srs da ASE que não se prepararam para agir convenientemente ?

Vê estes sites
http://www.electronickits.com/kit/complete/complete.htm
http://solorb.com/elect/

Consegues identificar os circuitos que são ilegais?

Não !?
Pois eu garanto que estão lá.


Mas para quem quiser entender o que digo, basta ler este artigo e ver quem recorre às escutas e de que forma o faz, e presumo não é quem compra estes KIT.


Escuta-me... se puderes

Ricardo Fonseca e Tiago Fernandes*
Do bunker de São Bento às redes telefónicas secretas do Governo e da Presidência, passando pelos telemóveis encriptados e salas antiespionagem de bancos e grandes empresas. Num momento em que o tema das escutas está na ordem do dia e que os dispositivos para as executar se vendem sem limitações, a VISÃO mostra como as principais entidades do País se defendem dos ouvidos indiscretos
Na sede do Milleniumbcp, onde, nos últimos meses, se discutiram jogadas de milhões (OPA sobre o BPI, batalha entre Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto, fusão com o BPI) existe um bunker à prova de escutas. É uma sala vedada à entrada e saída de ondas electromagnéticas (ver infografia) que assegura a privacidade que 400 mil euros de tecnologias antiespionagem do último grito podem garantir. Percebe-se porquê: o que são 400 mil euros comparados com os 11 mil milhões que vale o maior banco privado português?
Todavia, também em matéria de segurança das comunicações, protecção vital contra a espionagem industrial e política, Portugal é um país a duas velocidades. Enquanto os principais bancos, empresas privadas, ministérios e polícias gastam centenas de milhares de euros em salas à prova de microfones, em linhas telefónicas seguras e telemóveis encriptados, alguns órgãos de soberania recorrem a tácticas artesanais de duvidosa eficácia. E, no entanto, «a espionagem empresarial não é apenas uma coisa de filmes, há casos reais em Portugal», afirma uma fonte que trabalha na segurança anti-intrusão. «Não são conhecidos da opinião pública, porque nunca chegam a tribunal.»
Aos tribunais não chegam os casos. Mas chegarão as escutas? No Conselho Superior de Magistratura (CSM), órgão que tutela a acção dos juízes, acredita-se que as várias linhas e cabos dos eléctricos que percorrem a zona do Cais do Sodré – onde se situa o edifício da sua sede, a dois passos do BCP – bloqueiam qualquer tentativa de intercepção. No mesmo registo, um oficial da GNR socorre-se da maciça construção do antigo convento do Carmo, que é, hoje, o Comando-Geral da Guarda, para alvitrar que «com umas paredes tão grossas, não é fácil entrarem aqui ondas vindas de fora».
A melhor história, essa, foi dada a conhecer ao País pelo procurador-geral da República (PGR): Pinto Monteiro contou que o técnico que lhe instalou o telefone no gabinete o aconselhou a fazer as chamadas perto da televisão, com o som alto, se quisesse efectuar algumas conversas confidenciais. O episódio relatado, há dias, pelo PGR, no Parlamento, seria somente caricato, não fosse o próprio chefe do Ministério Público ter denunciado um clima de proliferação, sem controlo, das escutas ilegais, mostrando exemplos de aparelhos comercializados livremente e, em muitos casos, disponíveis, a baixo preço, na Internet. Pinto Monteiro alertou, assim, para o facto de, hoje, com um mínimo conhecimento de electrónica, qualquer pessoa poder, facilmente, interceptar conversas ou «plantar» um microfone – como, aliás, aconteceu a um seu antecessor, Cunha Rodrigues, que descobriu um desses dispositivos debaixo do soalho do seu gabinete.
Quem mais se protege
Após a detecção daquele microfone, em 1994, a sala do PGR foi vistoriada de alto a baixo. Pela primeira e última vez, apurou a VISÃO. E já antes de Pinto Monteiro, Souto Moura manifestara, várias vezes, preocupação com a vulnerabilidade do seu escritório e das comunicações da Procuradoria.
A julgar pelas informações recolhidas para esta investigação da VISÃO, os órgãos judiciais ocupam o último lugar na prevenção da espionagem. No topo, estão, além dos bancos e de grandes empresas como a Sonae, de Belmiro de Azevedo, a hierarquia do poder político. Com o Ministério da Defesa a ocupar o lugar cimeiro.
É revelador que, no âmbito da Presidência portuguesa da União Europeia, o maior número de meios de vigilância antiescutas tenha sido canalizado, não para a Cimeira Informal dos líderes dos 27, onde foi aprovado o Tratado de Lisboa, mas para uma quase despercebida reunião de ministros da Defesa, em Évora. A explicação é simples: não há «segredos», na alta política. Mas há muitas informações valiosas, nas pastas dos ministros que tutelam as tropas.
Em Évora, em finais de Setembro, a segurança portuguesa accionou uma das mais extremas formas de evitar escutas: o «empastelamento» de comunicações. Nessa altura, num perímetro alargado, era de todo impossível fazer ou receber chamadas, mesmo nos edifícios vizinhos. O mesmo aconteceu na recente visita a Lisboa e Mafra do Presidente russo, Vladimir Putine, altura em que aquele dispositivo foi accionado para prevenir atentados.
O objectivo desta medida é duplo: não só impedir intercepções de comunicações como evitar que um possível engenho explosivo seja accionado por telefone celular.
São Bento ‘hot line’
Na residência oficial do primeiro-ministro existe, desde o inicio dos anos 80, um bunker à prova de espiões (ver caixa). Mas todo o Governo se rodeia de sérias cautelas. Nas secretárias dos ministros e dos secretários de Estado repousam vulgares telefones brancos de teclas, com a lista secreta das extensões dos restantes governantes. As conversas entre José Sócrates e os seus ministros (ou de estes entre si) são mantidas através de uma linha telefónica especial, que só permite ligações entre números predeterminados. «Se um primeiro-ministro quer saber alguma coisa de um ministro, pega no telefone e liga-lhe directamente, sem passar por nenhuma telefonista», explica à VISÃO um ex-assessor governamental. E quando um membro do Governo é substituído, o seu telefone é reprogramado e toda a rede é alvo de uma vistoria.
O Ministério da Defesa Nacional (MDN) dispõe de uma rede telefónica dedicada (em circuito fechado) e de um sistema de encriptamento de mensagens. O mesmo se passa no Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas o equipamento da Defesa é tido como mais eficaz, uma vez que segue os padrões da NATO. As salas do MDN são «varridas» electronicamente, com frequência. E, como atesta um membro do gabinete de Severiano Teixeira, existem, «obviamente, salas seguras, mas mais não posso dizer».
O telemóvel é o mais arriscado dos meios de comunicação: «É possível activar permanentemente o microfone, sem que o utilizador se aperceba, e ouvir o que este capta, noutro telemóvel», diz-nos uma fonte. «Pode também programar-se o aparelho para transferir para outro as chamadas efectuadas e recebidas – e em tempo real.»
Daí o Corpo de Segurança Pessoal da PSP estar equipado com uma série de telemóveis que são, atesta fonte policial, o último grito na arte de baralhar possíveis escutas. O jornal 24 Horas revelou, há dias, que o primeiro-ministro e outros membros do Executivo utilizam, frequentemente, estes aparelhos. Ou seja, quando se ausentam dos gabinetes, os governantes do Governo recorrem a telefones móveis encriptados com um software interno que converte a voz em dados – estes são constantemente trocados através de uma fórmula matemática, dificultando a intercepção da chamada.
Devido a esta elasticidade de funções, encontra-se à venda equipamento que impede o funcionamento dos telemóveis, barrando-lhes o sinal de rede. Trata-se de uma tecnologia que é utilizada com frequência em Portugal, seja na área financeira seja até durante operações policiais – como no assalto e sequestro de quatro pessoas num banco, em Setúbal, em 2006, em que foi inutilizado o funcionamento dos telemóveis no interior do banco, para que o assaltante só pudesse comunicar com a polícia.
O sigilo de Belém
Tal como o Governo, também a Presidência da República tem uma rede própria de comunicações, autónoma e independente das operadoras e que permite ligações directas aos titulares de outros órgãos de soberania. A central funciona no Palácio de Belém e é dirigida por um militar, embora dependa da Casa Civil do Presidente da República (PR). O gabinete de Cavaco Silva admite que «há uma preocupação com linhas seguras» e que a confidencialidade das conversas do PR está garantida pelos «meios adequados», mas escusa-se a fornecer pormenores sobre os meios e equipamentos usados para esse fim.
Sabe-se, porém, que não há, em Belém, «salas limpas» ou bunkers. É o grau de sigilo das reuniões com as individualidades que o Presidente recebe em audiência – autarcas, representantes de sindicatos, Ordens ou partidos – que determina o secretismo dos encontros. No entanto, todos respeitam a regra de nunca desvendar o teor das conversas com o PR, que só este pode divulgar. As audiências que todas as quintas-feiras Cavaco concede a Sócrates também são reservadas (os assuntos ali tratados não serão abordados em público), mas não envolvem, geralmente, «segredos de Estado». O mesmo se pode dizer das reuniões do Conselho de Estado, onde, por exemplo, há três anos, se discutiu a dissolução do Parlamento. Aí, nem uma mera vistoria aos telemóveis ou uma apreensão de aparelhos foi feita. A reunião é de carácter reservado, mas, indica um colaborador de um ex-Presidente, «os senhores conselheiros faziam questão de relatar o teor das discussões aos seus jornalistas favoritos, mal saíam da sala».
Todos os membros da Casa Civil (desde o chefe aos assessores) utilizam um telemóvel com identidade reservada, com acesso directo ao PR e ao Governo. No consulado de Jorge Sampaio, que não tinha telemóvel, as comunicações do PR faziam-se ou presencialmente, ou por telefone fixo. Quando o antecessor de Cavaco se via obrigado a usar telemóvel, pedia emprestado o aparelho do seu Ajudante de Campo ou de um assessor.
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Conclusão do artigo.

Os’ bunkers’ dos bancos
Não deixa de ser irónico que algumas das lojas que comercializam gadgets de espionagem, vendam também tecnologia antiescutas. Embora seja ilegal vender material de espionagem, existem alguns estabelecimentos que o fazem de porta escancarada. «Não podemos ser responsabilizados pela forma como as pessoas utilizam o equipamento», justifica-se o dono de uma dessas lojas, em Lisboa. «Alguns dos nossos clientes são polícias e detectives privados», revela. O recheio das montras demonstra que, hoje em dia, é possível esconder um microfone, ou uma câmara de filmar em qualquer objecto.
Em Portugal, as contas estão por fazer, embora seja o próprio Serviço de Informações e Segurança (SIS) a admitir «um aumento significativo do roubo de informações com valor económico nas empresas e nos centros de investigação científica e tecnológica». Este organismo criou, inclusive, um Programa de Segurança Económica, que visa alertar as empresas para os perigos reais da espionagem industrial, dando-lhes, também, a hipótese de comunicarem qualquer tipo de suspeita através da Internet.
Há vários anos que algumas das maiores empresas nacionais têm tomado medidas para se proteger. A VISÃO sabe que as sedes dos principais bancos portugueses estão equipadas com a mais moderna tecnologia antiescutas. Caixa Geral de Depósitos, BCP e Santander Totta são algumas das instituições que, segundo as nossas fontes, resolveram investir na construção de «salas limpas». Uma opção que só foi tomada após várias reuniões com consultores de segurança. «Quando alguém quer manter uma conversa privada, sobretudo na área financeira, esta é a melhor forma de o fazer», diz à VISÃO, um especialista nesta área, que preferiu falar sob o anonimato.
Do tecto à caneta
As «salas limpas» são imunes a qualquer tipo de vigilância electrónica. A sua construção custa cerca de 400 mil euros e conta com materiais fabricados com o fim de impedir a entrada ou saída de ondas electromagnéticas (ver infografia). As janelas, paredes e condutas de ar-condicionado ficam, assim, rigorosamente protegidas da intrusão electrónica. A construção tem sido efectuada por empresas internacionais, como a polaca EMC-SYSTEM, criada em 1996, e que já terá instalado várias «salas limpas», em Portugal.
O funcionamento desta tecnologia é aparentemente simples. Há muitos anos que são conhecidos os métodos que permitem escutar uma conversa a decorrer no interior de um edifício. Um dos pontos mais vulneráveis são as janelas. Um microfone, equipado com um canhão laser apontado ao vidro, capta as ondas produzidas pela voz, transformando-as em registos áudio perfeitamente perceptíveis, mesmo a vários metros de distância. «Não há nada como colocar um microfone, no local. É um método que garante uma grande qualidade de som», assegura uma fonte que trabalha na área da segurança electrónica.
Actualmente, existem no mercado vários aparelhos capazes de cumprir essa função. Seja uma microcâmara, escondida no tecto, seja um microfone dissimulado numa caneta, todos os gadgets precisam de transmitir a informação para um receptor que, habitualmente, se encontra a alguns metros do sítio onde a escuta foi plantada. Ora, é precisamente esta transmissão de dados que as «salas limpas» evitam, ao não consentirem a circulação de ondas electromagnéticas. A referida empresa polaca disponibiliza, também, protecção para computadores e faxes, pois, afirma, é possível captar informação desses aparelhos, à distância.
Viagra ‘entra’ no DCIAP
São raros os filmes policiais em que não aparece uma carrinha de nove lugares – com o dístico de uma empresa de reparações ou de TV por cabo – pejada de gente com auscultadores e receptores áudio, destinados a captar conversas e telefonemas que venham do interior do edifício à porta do qual se encontra estacionada. «Se uma carrinha dessas parar aqui à porta, só não espia o que não quiser», diz-nos um magistrado do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), a unidade do MP que lida com a criminalidade mais complexa, a transnacional, mas que, à semelhança dos restantes organismos judiciais, está praticamente no grau zero da defesa contra a intrusão electrónica. «O Governo e as polícias estão bem apetrechados, mas não se investe nesses equipamentos para os tribunais», frisa fonte do CSM. «No nosso caso, é a miséria total.»
No DCIAP, não há telemóveis encriptados, linhas telefónicas dedicadas ou qualquer barramento de ondas electromagnéticas para o exterior. Os computadores, ligados em rede, são igualmente considerados frágeis, do ponto de vista da penetração. A caixa de e-mail dos procuradores «nem sequer consegue filtrar os mails a promover Viagra», ironiza o mesmo magistrado. «Os colegas mais versados em informática fartam-se de nos avisar para não guardarmos documentos importantes no disco do computador.» Vigora, assim, para os magistrados, aquilo a que vários dos contactados pela VISÃO chamam a «jurisprudência das cautelas»: evitar referências ao conteúdo de processos, quer por telefone quer por correio electrónico.
No sector judicial, tal como no caso do gabinete do PGR, que só foi «varrido» após ter sido ali encontrado um microfone, as trancas à porta surgem apenas depois da casa ser roubada. O juiz de instrução Carlos Alexandre (titular do processo Portucale e da Operação Furacão) só teve direito a uma vistoria do seu gabinete, à procura de escutas, quando a sua casa foi assaltada. Nessa altura, sim, a polícia montou um esquema de comunicações seguro para proteger este magistrado, responsável por dois complexos casos de criminalidade económica, de possíveis intrusões.
De mão em mão
Para muitos magistrados, o trabalho à mão e a entrega pessoal de documentos acabam, pois, por se revelar o melhor método antiescuta. Um procurador do MP de Setúbal conta que, nos inquéritos em que há delitos de branqueamento de capitais ou associação criminosa, regista informaticamente o documento como crime «indiferenciado» e os arguidos como «desconhecidos», para não «suscitar apetites do alheio». Concluídos os autos, entrega-os, não raras vezes, em mão à directora da PJ de Setúbal. Mas mesmo nos organismos apetrechados com dispositivos de contra-espionagem, há papéis e ficheiros que só circulam debaixo do braço. Na PJ, apesar da existência de uma linha de comunicações interna e vistoriada com frequência, «acumula-se informação sensível, como relatórios de escutas, que são guardados em envelopes lacrados, guardados num cofre e, se for caso disso, entregues em mão ao ministro da Justiça», conta um inspector.
Na GNR, não obstante as linhas seguras e mails encriptados, certos documentos nunca passam por um faxe ou computador. O mesmo sucede no Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CF-SIRP), composto por três membros escolhidos pelo Parlamento para averiguar a actividade das secretas. A sala onde o trio se reúne é «limpa» e os telemóveis de cada um são encriptados. «Mas há documentos que só podem vir em mão», explica o presidente e constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia. «Sabe-se, assim, à partida, que funcionário o vem entregar e quem o recebe.»
A pista ‘boer’

As declarações do PGR Pinto Monteiro ao semanário Sol sobre a proliferação de escutas ilegais em Portugal virou os holofotes da suspeição para o SIS, entidade que está proibida por lei, de proceder à intercepção de comunicações, mas que há muito tem a fama de o fazer. Ao mesmo tempo, porém, o ministro da Justiça, Alberto Costa, e o seu homólogo da Administração Interna, Rui Pereira, defenderam que as secretas deviam poder realizar escutas, à semelhança do que sucede em muitos países europeus. Bacelar Gouveia subscreve a ideia «por permitir melhorar a eficiência dos serviços de informações». Mas sempre, alerta, «na condição de ser sob controlo judicial e parlamentar».
Em 1997, a PJ deteve um homem suspeito de tráfico de armas e de diamantes. Na casa de Pieter Hendrik Groenewald – um ex-espião da secreta sul-africana, no tempo do apartheid – foi encontrada uma parafernália de equipamentos de escutas – microfones disfarçados em máquinas de calcular, bolsas de mão, e outros brinquedos. Groenewald confessou, em tribunal, que tinha sido contratado pelo SIS. Em 2001, foi, porém, absolvido, e apesar de os juízes terem ficado convencidos de que o SIS tinha recorrido ao antigo espião para realizar escutas ilegais, acabaram por esbarrar no mesmo argumento de sempre: «o segredo de Estado», desta feita invocado por Rui Pereira, então director da secreta, para não esclarecer se tinha ou não contratado Peter.
Hoje, multiplicam-se as suspeitas de que o SIS adquire aparelhos de escutas em lojas ou, como referiu, recentemente, o Diário de Notícias, subcontrata detectives privados para certas vigilâncias electrónicas. O presidente do CF-SIRP disse à VISÃO que, após a entrevista do PGR, efectuou «várias reuniões» com responsáveis dos serviços de informações e que, «como sempre até aqui», saiu com a «garantia» de que a lei não foi violada. «Temos acesso a todos os funcionários, ficheiros e bases de dados e nunca detectámos o menor indício de crime», sublinha Bacelar Gouveia que, no entanto, abre uma pequena frincha de incerteza: «Não dormimos lá...».
O ‘bunker’ da Nação
Foi numa cave do Palácio de S. Bento que José Sócrates reuniu, pela primeira vez, em 2005, o seu Conselho de Ministros, tendo-se ali recolhido a tradicional foto de família do Governo. Aquela zona da residência oficial do chefe de Governo, de paredes grossas, foi transformada numa sala protegida, equipada com material informático e de telecomunicações e com uma porta igual às dos cofres dos bancos. Aberta no início dos anos 80, no auge da agitação social, greves e manifestações pelo então primeiro-ministro, Pinto Balsemão, aquela sala, conhecida como o bunker de São Bento, tinha a particularidade (muito útil, à época) de receber sinal de televisão sem passar pela RTP. Mas foi no consulado de Cavaco Silva que o bunker sofreu algumas mudanças, passando a funcionar como um gabinete de acompanhamento de crises (uma espécie de situation room, como a que Kennedy mandou construir na ala oeste da Casa Branca, em 1962). Foi ali que Cavaco assistiu, com alguns assessores e com o seu núcleo duro, ao eclodir da Guerra do Golfo. No bunker, há telefones directos para os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e podem ser recebidas informações das várias polícias. Os meios de comunicação são operados por um elemento da PSP, para maior segurança das conversas.


*com Francisco Galope, Paulo Pena, Pedro Vieira e Sónia Sapage
Fonte: VISÂO
 
ASAE FECHA ASAE
"Na sequência de uma visita relâmpago dos inspectores da ASAE às instalações da ASAE, foram detectadas quantidades consideráveis de material videográfico e fonográfico, bem como de alimentos em adiantado estado de putrefacção. Alguns dos elementos da ASAE chegaram mesmo a ser presos por elementos da ASAE no momento em que transportavam os sacos negros onde o material havia sido recolhido para análise. As alegações do responsável de dia pelas instalações de que aquele material era resultante de uma acção sobre uma feira não foram tidas em conta pelos oficiais da ASAE que comandaram esta acção, já considerada a mais bem sucedida desde a criação da Autoridade."
 
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