Assédio moral no local de trabalho

Assédio moral no local de trabalho

  • Sim

    Votes: 24 54.5%
  • Não

    Votes: 20 45.5%

  • Total voters
    44

Nthor

Banido
Em Portugal quase não há queixas deste tipo de situações, provavelmente pela característica mais subserviente dos Portugueses.

Em 2000 havia cerca de 15% de casos relatados na Finlândia contra 4% em Portugal.

E o que é assédio moral no trabalho?

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e sem ética de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.
Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjectiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares. Estes, por medo do desemprego e a vergonha de serem também humilhados associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afectivos com a vítima e, frequentemente, reproduzem e reactualizam acções e actos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando o 'pacto da tolerância e do silêncio' no colectivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, 'perdendo' sua auto-estima.
O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do 'novo' trabalhador: 'autónomo, flexível', capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado que procura a excelência e saúde perfeita. Estar 'apto' significa responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los pelo desemprego, aumento da pobreza urbana e miséria, desfocando a realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso.
A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo directo, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afectivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laboral, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.
A violência moral no trabalho constitui um fenómeno internacional segundo levantamento recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com diversos países desenvolvidos. A pesquisa aponta para distúrbios da saúde mental relacionado com as condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polónia e Estados Unidos. As perspectivas são sombrias para as duas próximas décadas, pois segundo a OIT e Organização Mundial da Saúde, estas serão as décadas do 'mal estar na globalização", onde predominará depressões, angustias e outros danos psíquicos, relacionados com as novas políticas de gestão na organização de trabalho e que estão vinculadas as políticas neoliberais.
Os agressores classificam-se em:

Profeta: Sua missão é "enxugar" o mais rápido possível a "máquina", demitindo indiscriminadamente os trabalhadores/as. Refere-se às demissões como a "grande realização da sua vida". Humilha com cautela, reservadamente. As testemunhas, quando existem, são seus superiores, mostrando sua habilidade em "esmagar" elegantemente.

Mala-babão: É aquele chefe que bajula o patrão e não larga os subordinados. Persegue e controla cada um com "mão de ferro". É uma espécie de capataz moderno.

Grande irmão: Aproxima-se dos trabalhadores/as e mostra-se sensível aos problemas particulares de cada um, independente se intra ou extra-muros. Na primeira "oportunidade", utiliza estes mesmos problemas contra o trabalhador, para rebaixá-lo, afastá-lo do grupo, demiti-lo ou exigir produtividade.

Pitt-bull: é o chefe agressivo, violento e perverso em palavras e atos. Demite friamente e humilha por prazer.

Garganta: É o chefe que não conhece bem o seu trabalho, mas vive contando vantagens e não admite que seu subordinado saiba mais do que ele. Submete-o a situações vexatórias, como por exemplo: colocá-lo para realizar tarefas acima do seu conhecimento ou inferior à sua função.

Troglodita: É o chefe brusco, grotesco. Implanta as normas sem pensar e todos devem obedecer sem reclamar. Sempre está com a razão. Seu tipo é: "eu mando e você obedece".

Tasea: "Ta se achando".
Confuso e inseguro. Esconde seu desconhecimento com ordens contraditórias: começa projectos novos, para no dia seguinte modificá-los. Exige relatórios diários que não serão utilizados. Não sabe o que fazer com as demandas dos seus superiores. Se algum projecto é elogiado pelos superiores, colhe os louros. Em caso contrário, responsabiliza a "incompetência" dos seus subordinados.

Tigrão: Esconde sua incapacidade com atitudes grosseiras e necessita de público que assista seu ato para sentir-se respeitado e temido por todos.
 
Segundo os resultados do III Inquérito Europeu sobre Condições de Trabalho, realizado em 2000, numa amostra de cerca de 21500 trabalhadores, representativa da população trabalhadora dos então 15 Estados-membros da União Europeia (N= 159 milhões) (Paoli e Merllié, 2001):
  • 2% (3 milhões) estavam sujeitos a violência física, exercida por superiores hierárquicos, colegas de trabalho ou outras pessoas habitualmente presentes no local de trabalho (por exemplo, pessoal de segurança);
  • 4% (6 milhões) foram vítimas de violência física, exercida por outras pessoas exteriores ao seu local de trabalho (por ex., clientes, utentes, utilizadores, fornecedores, público em geral, assaltantes, polícia);
  • 2% (3 milhões) foram objecto de assédio sexual;
  • 9% (13 milhões) terão sido alvo de acções de intimidação (mobbing / bullying, o que nas línguas latinas é traduzido por haarcèlement, acoso moral ou assédio moral);
  • e, por fim, cerca de 7% foram objecto de discriminação em função da idade (3%), do sexo (2%), do grupo étnico (1%) ou de outra condição como a doença crónica ou a deficiência (1%).
A partir destes dados pode estimar-se uma proporção de 3 casos de violência verbal para 1 caso de violência física Extrapolando para o universo da população trabalhadora da União Europeia em 2000 (N=159 milhões), poderíamos ter 6% (9 milhões) de trabalhadores vítimas de violência física, e 18% (27 milhões) de vítimas de violência verbal (incluindo assédio e discriminação).
Comparando os resultados dos inquéritos realizados em 1995 (o segundo) e em 2000 (o terceiro), verifica-se que o problema da violência no trabalho persiste, sob as suas diferentes formas (violência física, assédio sexual, assédio moral ou intimidação, discriminação e segregação vertical) (Quadro I).
As diferenças entre países (nalguns casos acentuadas, conforme se pode ver na Figura 1: 15% na Finlândia, 4% em Portugal e na Itália) serão muito provavelmente devidas a diferenças de atitude face a estas questões e ao facto de serem ou não objecto de debate público, como acontece na Europa do Norte.

Mais informação em:

http://www.ensp.unl.pt/lgraca/textos188.html
 
Mas aí é que divergimos. E completamente.

A relação que as pessoas têm com o seu emprego revela-se na maioria das vezes perversa.

Se uma pessoa não está bem, deve fazer qualquer coisa para mudar ou muda-se.

Ninguém é obrigado a trabalhar a contragosto.

Porque é que as pessoas em Portugal, tal como tu apontas, são subservientes em EXCESSO ?

Pensa aqui numa coisa, como o direito dos consumidores, por exemplo.

A nossa mentalidade como consumidor mudou ao longo destes 20 anos.

E não te sei dizer se o que mudou primeiro. Se os consumidores ou comerciantes.

A minha mãe lembra-me que há uns 2 anos, comprava umas embalagens de leite em plástico e que se estivesse estragado, tinha um 31 dos grandes com o dono do estaminé que lhe vendeu o leite.
Agora, aceitam a devolução e mais nada. Nem que seja por te teres enganado e compraste o meio-gordo em vez do magro.

Em relação ao trabalho, a mentalidade tem de mudar.

As pessoas têm de assumir que são a componente mais importante no mercado de trabalho.

A espécie do patrão abusador e explorador está a extinguir-se. Ninguém precisa de trabalhar em condições que não sejam as desejadas.

Mudem de emprego.

Se forem pessoas activas e com vontade de singrar, vão mais cedo ou mais tarde econtrar um sítio onde o seu mérito será reconhecido.

Agora isto é muito bonito, mas a vontade de trabalhar e participar no desenvolvimento da empresa tem que estar presente.
 
Artigo muito interessante. Contudo coloca-se aqui duas outras perguntas paralelas (que nao pertendem contrapor a situação esposta!).

1. E se este método de pressão moral fôr utilizado para que um trabalhador de péssima qualidade, do tipo não trabalha nem deixa trabalhar, ou exageradamente conflituoso, se auto-dispensar?

2. E se este método fôr utilizado para pressionar um trabalhador a efectivamente se dedicar muito mais ao trabalho, mas aqui devido ao facto de esse proprio trabalhador ser uma garantia de qualidade?

nestas situações é legítimo (moralmente falando) o uso de tais técnicas?
 
com o "bicho papão" do desemprego sempre com valores elevados, ainda se vê muito patrão com a ideia que os empregados sao gente inferior em todos os aspectos.

infelizmente vivo uma situação de constante degradação do ambiente de trabalho. não comigo directamente, mas que me vai afectando.
 
SIM, claro!

SIM, claro!

Já sofri isso de uma forma subtil e resolvi o assunto.
E se esta sociedade ainda fosse mais LIBERAL ainda tinha sido mais giro.
Assim, o "querido chefe" continuou de vento e popa mas eu tb fiquei melhor.

E hoje dá-me um gozo qd me cruzo com ele.....
 
Artigo muito interessante. Contudo coloca-se aqui duas outras perguntas paralelas (que nao pertendem contrapor a situação esposta!).
:confused:

1. E se este método de pressão moral fôr utilizado para que um trabalhador de péssima qualidade, do tipo não trabalha nem deixa trabalhar, ou exageradamente conflituoso, se auto-dispensar?
É mais fácil convidar as pessoas a saírem ou recorrer a justa causa, já que em Portugal tudo serve de justa causa, para despedir.

2. E se este método fôr utilizado para pressionar um trabalhador a efectivamente se dedicar muito mais ao trabalho, mas aqui devido ao facto de esse proprio trabalhador ser uma garantia de qualidade?

nestas situações é legítimo (moralmente falando) o uso de tais técnicas?
Qql tipo de assedio não é legitimo, se pretendes uma maior dedicação de um colaborador de grande qualidade, pagas melhor, ofereces carro, cartão de crédito, etc, fazes o que for preciso para garantir que ele fica na empresa.




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com o "bicho papão" do desemprego sempre com valores elevados, ainda se vê muito patrão com a ideia que os empregados sao gente inferior em todos os aspectos.

infelizmente vivo uma situação de constante degradação do ambiente de trabalho. não comigo directamente, mas que me vai afectando.

Claro e pior esse tipo de situação afecta tb outras pessoas na família, pq os problemas laborais nunca ficam só no trabalho.






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tendo em conta que sou estudante... pode-se dizer que já me assediaram na universidade! lol :P
 
Acreditavas em quê?

Pelos vistos tu acreditas apenas na tua experiência.

O que é curto, para este tipo de conversa.
Tudo o que te ultrapassa é curto, esta maneira de ignorar os outros e os seus conhecimentos é típico.

Como vai este país para a frente se há ainda quem está firmemente agarrado ao passado.





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Assédio moral há-o na generalidade dos locais e na generalidade das experiências humanas...
 
Tudo o que te ultrapassa é curto, esta maneira de ignorar os outros e os seus conhecimentos é típico.

Como vai este país para a frente se há ainda quem está firmemente agarrado ao passado.

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O homem Almanaque, falou. apr:)
 
Esse texto apenas aborda uma parte do problema, tb há assédio moral em sentido inverso, Trabalhador ---> Patrão. Mas este em Portugal nunca existe, os patrões são sempre os maus da fita.

PS - Tb sou apenas um trabalhador.
 
Last edited:
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É mais fácil convidar as pessoas a saírem ou recorrer a justa causa, já que em Portugal tudo serve de justa causa, para despedir.

Qql tipo de assedio não é legitimo, se pretendes uma maior dedicação de um colaborador de grande qualidade, pagas melhor, ofereces carro, cartão de crédito, etc, fazes o que for preciso para garantir que ele fica na empresa.




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Claro....e se a pessoa não quiser sair, e se fôr muito complicado "despedi-la", uma vez que a justa causa requer procedimentos muito específicos, mas que a um certo ponto se torna imperativo que esse trabalhador seja relegado para fora da esfera de "produção"?

eu levantei a questão porque, sem vergonha nenhuma confesso: já sofri do exposto no ponto 2. e hipoteticamente falando, já "testemunhei" o recurso ao ponto 1. Se o país ficou a beneficiar? em ambas as situações, sim!

pelo que posso concluir que esta questão é muito relativa: a pressão laboral por parte do "patrão" influi sobre e através de inúmeras variáveis....Assim, discordo do teu comentário de que qualquer tipo de pressão (não lhe quero chamar assédio) dirigida é contraproducente ou ilegítima (não me estou a referir a termos legais, que como sabemos é um mar de relatividades...)
 
Claro....e se a pessoa não quiser sair, e se fôr muito complicado "despedi-la", uma vez que a justa causa requer procedimentos muito específicos, mas que a um certo ponto se torna imperativo que esse trabalhador seja relegado para fora da esfera de "produção"?

eu levantei a questão porque, sem vergonha nenhuma confesso: já sofri do exposto no ponto 2. e hipoteticamente falando, já "testemunhei" o recurso ao ponto 1. Se o país ficou a beneficiar? em ambas as situações, sim!

pelo que posso concluir que esta questão é muito relativa: a pressão laboral por parte do "patrão" influi sobre e através de inúmeras variáveis....Assim, discordo do teu comentário de que qualquer tipo de pressão (não lhe quero chamar assédio) dirigida é contraproducente ou ilegítima (não me estou a referir a termos legais, que como sabemos é um mar de relatividades...)
Não estou a ver que pelo facto de lhe chamares "pressão" ou outro nome qql, possas mudar o que é e o que faz as pessoas.

É a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções(...) Caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados(...)A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares.(...)A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador e trabalhadora de modo directo, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afectivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental, que podem evoluir para a incapacidade laboral, desemprego ou mesmo a morte, constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho.
A meu ver, não há nada que justifique este tipo de comportamento, nem a ideia (algo estranha) de que uma pessoa possa ser "trabalhador de péssima qualidade, do tipo não trabalha nem deixa trabalhar, ou exageradamente conflituoso", pq se de facto o é, isso é mais do que suficiente para o dispensar legalmente.

As pessoas não trabalham para dar cabo da vida ao patrão, fazem-no pq querem sentirem-se úteis, mas acima de tudo, trabalham pq precisam de dinheiro para viver, pagar contas, comer, dar educação aos filhos, ter um tecto, etc.




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