A Parpública vai iniciar o processo de venda da sociedade gestora do Autódromo do Estoril. O primeiro contacto com um potencial comprador será feito esta semana com a Câmara Municipal de Cascais, a entidade que até agora mostrou interesse em adquirir a infra-estrutura, adiantou ao DN o presidente da holding do Estado. Plácido Pires não revela um valor de referência para o negócio, mas sublinha que o Estado não quer perder dinheiro na transacção.
"Não se justifica vender o Autódromo para perder dinheiro". Por isso, o preço terá que ser superior aos 33 milhões de euros investidos até agora pelo Estado no Autódromo do Estoril e que envolvem a aquisição da sociedade gestora, para além de investimentos realizados entretanto, segundo números avançados pela holding de capitais públicos
Outra das condições para fechar o negócio é a de que o novo proprietário se comprometa a manter em exploração o Autódromo até pelo menos o final de 2012. Depois dessa data, a infra-estrutura deverá necessitar de investimentos.
"Uma infra-estrutura destas não é eterna e a dada altura precisa de obras. Não é possível fazermos um modelo que obrigasse a manter a exploração", disse. Para já, a câmara é a principal candidata, mas o presidente da Parpública lembra que ainda não começaram à procura de outros potenciais compradores.
O Autódromo Fernanda Pires da Silva foi parar ao controlo público no Verão de 1997 no quadro de um acordo com o Grão Pará como contrapartida pelas dívidas do grupo ao Estado, então aprovado pelo ministro da Economia, Augusto Mateus.
Para além do encontro das dívidas, um dos objectivos do Governo da altura era realizar os investimentos necessários na infra-estrutura para evitar a perda das competições de Fórmula 1. No entanto, a "nacionalização" da infra-estrutura não evitou que Portugal tivesse perdido o Grande Prémio do Estoril, que era o principal activo do Autódromo.
Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas de 2002, os governos até à data tinham atribuído 24,7 milhões de euros em financiamentos públicos à Sociedade Gestora do Autódromo, sociedade criada em 1997 para gerir a estrutura.
A verba, superior em 500% ao previsto inicialmente, não conseguiu recuperar a Fórmula 1 em Portugal, concluía o Tribunal de Contas no referido documento.