Calou-se mais uma Voz do Rock!

Já tinha falado do assunto no tópico do metal, mas nunca é demais recordar uma das maiores vozes de sempre

RIP [s)]
 
R.I.P. DIO
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Poucas vezes a morte de um músico me deixou tão triste. Confesso que, na noite de domingo, li e reli a notícia vezes sem conta, como se o meu cérebro se recusasse a acreditar... apesar de há muito saber que o Dio estava com um cancro (a mesma doença que, há pouco tempo, me levou um tio).

Sempre imaginei o Dio como uma criatura imortal, um ser incapaz de ser derrubado por uma coisa tão mesquinha como a morte. Sempre o vi como aquele baixinho que ia envelhecendo de cara, mas que nunca perdia a postura, a energia, a voz - e que voz! Muitos músicos chegam aos 40 com a voz numa lástima, mas o Dio chegou aos 67 a cantar como... como um Dio, um deus.

Há alguns meses, quando soube que o Optimus Alive ia trazer a Portugal, pela primeira vez, os Black Sabbath (Heaven&Hell não existe - é um álbum, não uma banda), dei pulos de contente e jurei a mim mesmo que nada me iria impedir de ver a BANDA ao vivo. Mas temi sempre que o estado de saúde do Dio não o deixasse vir cá, facto que se confirmou em Abril. No entanto, sempre quis acreditar que, de alguma forma, ele venceria o monstro que se gerou no seu organismo - ao longo dos últimos meses, não houve entrevista em que ele não jurasse que ia vencer. No fim, perdeu.

Há poucos dias, vi um vídeo no YouTube onde ele, Dio, diz ao público antes de cantar o "Die Young": "I don't want this to happen to you". Infelizmente, aconteceu-lhe a ele, que parte novo demais e com tanto para dar ao mundo da música.

Resta-me um consolo - pequeno, é certo. Antes de abandonar a vida, o Dio voltou a reunir-se com o Iommi e o Geezer para mais uma reencarnação dos Black Sabbath. E lançaram, 14 anos depois, o sucessor do "Forbidden" (com o Tony Martin na voz), um suposto último álbum dos Sabbath e um registo muito abaixo daquilo que a banda era e é capaz de fazer. Na altura, ninguém sabia que o "The Devil You Know" seria o último registo do Dio e, provavelmente, dos Sabbath, mas, pelo menos, resta aquela magra consolação: é um álbum soberbo, digno de uma voz lendária, de uma banda lendária e de um naipe de músicos inacreditável (o Iommi é, para mim, o melhor guitarrista de todos os tempos).

Mas tudo o que eu possa escrever é um magro consolo para a triste realidade: o Dio morreu. Numa época em que as pessoas são, cada vez mais, incapazes de apreciar boa música, é uma perda grande demais para poder ser descrita em palavras.
 
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