Caracóis

Obrigado pessoal....amanhã já vou comprar os caracois e os ingredientes e fazer uma bela de uma "caracolada" para os amigos:)[:I][8D]

3com faltou-te o [:p] :D:D
 
citação:Originalmente colocada por necos

Obrigado pessoal....amanhã já vou comprar os caracois e os ingredientes e fazer uma bela de uma "caracolada" para os amigos:)[:I][8D]

3com faltou-te o [:p] :D:D
OK, prescindes de mais uma receita!...:D

Bom apetite, então!;)
 
citação:Originalmente colocada por Pé Leve

citação:Originalmente colocada por necos

Obrigado pessoal....amanhã já vou comprar os caracois e os ingredientes e fazer uma bela de uma "caracolada" para os amigos:)[:I][8D]

3com faltou-te o [:p] :D:D
OK, prescindes de mais uma receita!...:D

Bom apetite, então!;)
Pé Leve "manda" a receita....eu como tenho a mania da "boa educação" gosto de ir agradecendo ás pessoas que me ajudam nas minhas dúvidas;):)

P.S- Pé Leve DESCULPA é que só agora é que vi o teu post dos "caracóis à Pé Leve"....por isso é que não percebi lá muito bem este teu ultimo post[8)][8)][8)].....diz lá a receita que eu sou todo de ouvidos..Obrigado:)
 
citação:Originalmente colocada por Pé Leve

citação:Originalmente colocada por necos

Obrigado pessoal....amanhã já vou comprar os caracois e os ingredientes e fazer uma bela de uma "caracolada" para os amigos:)[:I][8D]

3com faltou-te o [:p] :D:D
OK, prescindes de mais uma receita!...:D

Bom apetite, então!;)
Eu já conhecia a receita que aqui está, por isso força e mete aí a tua, gosto sempre de conhecer aquelas receitas em que alguém da um "toque especial";)
 
Por acaso curto caracois e caracoletas[:p][:p][:p][B)][B)][B)]

Tenho tb de fazer...vou aproveitar a receita e em breve vou comprar caracois[:p]
 
Por acaso uma bela de uma caracolada e umas cervejinhas um pãozinho torrado e uma manteiga...[:p][:p] que saudades...é do de cheirinho dos caracois[B)][B)][B)][B)] não ha melhor[:p][B)]
 
GASTRONOMIA ALENTEJANA



(Nuno Rebocho)



I – Sua excelência o caracol



O nobre caracol: nobre porquanto tem história velha, desde tempos romanos, quando as legiões transportavam as caracularia, grandes caixas de rede onde os gastrópodes se criavam e reproduziam – serviam de gratificante alimento aos soldados do Império. Hermafroditas, com posturas várias ao ano, os caracóis estimam áreas calcárias que contribuam para as casas às costas. Mas serão uma praga para a horticultura se não debastados. Estupidamente, há quem atire para a lavoura pesticidas que, se os destroem, sempre contaminam o humano – preferível é que se comam os caracóis, cujo valor nutritivo é elevado: uma destas pratadas terá mais proteínas que um bife.



Os alentejanos fizeram-se devoradores destes bichos e espalharam o vício por outros pontos do País. Por isso, quando a Primavera vai entrada e até que o Outono o desaconselhe, é ver pelas bermas de estradas e caminhos do Alentejo a gente que por lá vai, catando ervagens e postes e matos. Estão na colecta. Sacos cheios, a abarrotar. Só por mandriice se compreende que, nos nossos dias, até os caracóis se importem – do norte de África, calculem! Ao que chegamos. Habituamo-nos a desprezar o trabalho, falta-nos o engenho para a criação em caracolário, sobra a preguiça e toca de recorrer a importações, com prejuízo da economia (a tal balança comercial) e de portugueses – então não seria mais conveniente trazer desempregados a vasculhar os campos e a vender o produto aos centros comerciais? Que se importem nos anos de má abundância, como foi este. Mas nos restantes?



Saiba-se que o caracol português é mais saboroso que o importado, talvez em consequência dos pastos e do clima. Talvez. E não só o riscado (erradamente chamado “algarvio”); mesmo o branquinho. Convém é que o habitáculo tenha já três voltas, indicativo de que o bicho já tem idade para a panela.





MIL E UMA RECEITAS DE CARACOLADA



Porque se habituaram os alentejanos ao petisco? Fomes ancestrais, meus senhores, fomes ancestrais de quando não havia carne para repasto e se buscava no campo o que por lá houvesse que acalmasse estômagos. O caracol calhava. O trastagano aprendeu a cozinhá-lo – com bom sabor e pouco custo: pitadas de orégãos, mailo alho, às vezes cebola, folhazita de louro e sal. Bastava. Com tamanha simplicidade se granjeou um pitéu que, hoje, é árvore das patacas em muita cervejaria que por aí se planta.



Há variantes: na Vidigueira, por exemplo, trinquei-os eu com pitada de poejo. Maravilha. Noutro acolhedor recanto da terra do Gama, deliciei-me com eles temperados a hortelã da ribeira! Mas simples, simples, cozidos em água. (Convém aqui despedir melindreiras: porque são “ranhosos”, há quem exija que se lavem em muitas águas – disparate! Há que lavá-los bem para lhes retirar lixos e poeiras; quanto à baba, deixá-la, que até é saudável e ajuda a apaladar. Não falta quem justifique o exagero da lavagem como forma de lhe retirar a “terra” – ora. Ora, o que lhe limpa a baba e a terra é colocá-los em jejum, por uns dias, na rede. Porque a “terra”, se ainda for ou já for época de reprodução, essa sempre fica lá dentro. Os “grãos” são os ovos dos bicharocos. E com os ovos também eles ganham sabor mais amargoso).



Este modo de cozinhar caracóis nada tem a ver com usanças francesas – à bourgognone, ou como os gregos fazem, uma espécie de caldeirada. Claro que há mil maneiras de os levar à mesa: em tomatada, cozido em vinho ou em cerveja, com nacos de chouriço, com cenoura e outros vegetais, há o caracol salgado, há o caracol amargo, a caracoleta assada na chapa, eu sei lá. Depende de gostos e inventivas. Cá por mim, os mais saborosos são os cozinhados da maneira mais simples, à alentejana ou, se assim se quiser, à moda da tasca (taberna).



No entanto: importa que vos diga que foi no Alentejo que se inventou a feijoada de caracóis – qual Minde, qual Samora Correia, qual carapuça. O berço é o Alentejo, receita tão velha como a memória dos homens e dos antepassados. Quantas vezes não foi esta feijoada a forma de as bocas provarem carne. Abençoada invenção essa! Não apenas porque desenrascou muito lar; também porque assim se fabricou um manjar de se lhe tirar o chapéu. Provem, provem e digam-me se não concordam.



O caracol, sua excelência. Um símbolo da gastronomia alentejana, fiquem a saber.





II – A memória dos cachafritos



Nos tempos relhos, frigoríficos não havia. Nem gelo. Faltavam ao Alentejo cumes altos onde se condensassem águas. E só pelos meados do anterior século é que as casas abastadas começaram de receber uns monstros a que o vulgo chamava de frigidére, como referência à marca que se fez mais comum: a linguagem tem destas coisas, como pelo Porto ainda hoje se designa o café de máquina a partir da referência do instrumento – o famoso cimbalino.



Ora, não havendo como conservar os produtos, o que fazer? Os antigos tinham recursos: a salga, o fumado. Mas não só. No Alto Alentejo, inventaram o cachafrito, parente do beirão refrito e do nortenho rojão. O excelente cachafrito de coelho, que ainda se descobre por Marvão, tem a ver com o segredo doméstico de conservar carne para a largura do ano: coelho morto, esfolado, cozido com cebola, conservado no pote da banha que se escondia na arrecadação da cozinha. Cozedura simples e levemente temperada, para ficar escondida para as necessidades de carne, sobretudo em tempo de festas ou de abrir portas da casa a convidados de alguma consideração: que exigiam os modos que, por então, se apresentasse do melhor que a pobreza consentia.



Em tais circunstâncias, a dona da casa sacava na tulha: retirava o coelho aconchegado na gordura, trazia-o à fritadeira de barro; enquanto a banha derretia, o coelho voltava a fritar, apaladava-se de alho e de louro. Na Beira Baixa, o cabrito tinha fritura antes do gordurento repouso – daí o nome, refrito.



Agora, é raro encontrar-se este pitéu que deixa a carne quase a desfazer-se na boca. Convirá trazê-lo à lembrança das papilas, recolhendo-o da sabedoria dos mais velhos. É que se merece a memória, merece a homenagem, como lhe fiz aqui há uns anos na pousada de Marvão, nos tempos em que por lá parava mestre Fernandes. Fiquei cliente: que bem sabia repimpar-me com o cachafrito, embalado pelo calor do sobro a crepitar enquanto os olhos vadeavam a serra, algumas vezes assombrado pelas trovoadas espanholas. Bons tempos. Atentai, amigos: que se acompanhe o progresso, mas que se perdurem as coisas que sempre embelezam a vida e projectam no tempo nosso a antiga sabedoria.







III – A sopa de tomate com lembranças de Cabo Verde



Tanto se cruzam os caminhos como os paladares. Chegando eu, da primeira vez, aos brancos de Cuba (Alentejo) para mesendar no Lucas, deparo com a sopa de tomate, a melhor que já devorei nas voltas do Alentejo e dei comigo a lembrar-me do caldo de peixe da Cidade Velha, a antiga Ribeira Grande da ilha de Santiago, em Cabo Verde: num tasco sobre a arriba, ao ar livre, com o mar a desinquietar os olhos. Interessa saber que esta Cidade Velha foi a primeira urbe que os portugueses construíram quando desafiaram o mar temeroso para a rota das índias: levaram as gentes ao arquipélago deserto e levaram sabores, que o caldo de peixe que por lá se faz descende de certeza deste modo que achamos pelos alentejos, como a cachupa descende do nosso cozido só que enfarpelado com os produtos que a terra dá por aquelas bandas, tão diferentes dos que por cá colhemos.



Faz-se em Cabo Verde o caldo com a mandioca e o inhame. O bom do Lucas com batata a acrescentar à couve e à cenoura. Já deparei com pimento e nabo também. Mas a base é o caldo de peixe tomatado e ervado, como cabe na maneira própria, alentejana, de cozinhar. De norte a sul, do alto ao baixo Alentejo, podemos dizer que, mais coisa menos coisa, a sopa de tomate é assim: uma sopa de peixe, especialmente corvina. Ainda que também se faça, a norte, com bacalhau ou á falta da corvina se opte pelo cherne, pela garoupa, pela pescada, o que der no jeito. O melhor, sem dúvida, é um peixe de qualidade: a corvina.



Não tem muito que saber: a melhor cozinha do Alentejo é aquela mais simples, sempre com recurso às ervagens do campo, o poejo, o coentro, o oregão. Claro que o requinte exige truques e a sopa de tomate não foge a esta regra, tal como aprendi pelos lados da Orada. Um truque com lógica. Ora, tente-se – comece-se a cozedura pelos vegetais: batata, cenoura, alho, cebola, nabo, pimento. A água absorve-lhes a alma. Depois que se retiram do caldo estes ingredientes é que nele se coze o pescado por forma que lhe passe à carne os sabores da terra. Por fim, cozido e sonegado o peixe à panela, fabrica-se a tomatada que segue à parte para a mesa. No prato de sopa, com pão casqueiro, depositam-se os vegetais e o peixe, bem regados com o espantoso caldo.



Mandam as regras o tempero comedido: sal, logo na primeira fervura. Para quem goste, um fio de azeite abafado na tomatada. Por mim, dispenso. Mesmo que a receita fosse, nos tempos idos, repasto de lavrador, esta sopa de tomate quer-se sem muitos arrebiques. Singela
 
citação:Originalmente colocada por necos
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Pé Leve "manda" a receita....eu como tenho a mania da "boa educação" gosto de ir agradecendo ás pessoas que me ajudam nas minhas dúvidas;):)

P.S- Pé Leve DESCULPA é que só agora é que vi o teu post dos "caracóis à Pé Leve"....por isso é que não percebi lá muito bem este teu ultimo post[8)][8)][8)].....diz lá a receita que eu sou todo de ouvidos..Obrigado:)
Pá, estava a reinar, claro!;)

Bem, quanto à receita cá vai:

Pessoalmente costumo comprar entre dois a três litros de caracóis cá para casa.

Então:

- Dois/três litros de caracóis;
- Uma cabeça de alho;
- Um punhado de sal por cada litro de caracóis;
- Um caldo Knorr por cada litro de caracóis;
- Uma "lasca" de casa de limão por litro de caracóis;
- Oregãos, qb.

Colocar os caracóis, depois de muito bem lavados (três, quatro, cinco águas de lavagem), dentro de água quente, quase a queimar a mão (pouco mais do que a água de lavagem).

Deixá-los repousar, para sairem todas as sujidades e eles sairem bem da casca, por força da água quente.

Esta água quente muda-se, pelos menos, duas vezes e na última, quase a ferver, com os caracóis bem dormentes e já bem saídos da casca, coloca-se durante uns cinco minutos sumo de limão (muito pouco) e um pequeno ramo de oregãos, para que os caracóis, ainda vivos, absorvam esse molho...

Depois, num tacho com água quente (dois/três dedos de altura), quase a queimar a mão (...), colocam-se os ingredientes, todos ao mesmo tempo, excepto os oregãos, e dentro deles, claro, os caracóis.

Lume brando, meia potência, até ferver a água. Quando começar a ferver deixar estar cerca de cinco minutos após os quais mexer com os oregãos durante um minuto ou dois e, depois, deixar ferver mais uns cinco minutos.

Quem gostar pode juntar um piri-piri (malagueta) no início.

Servir quente, acompanhar com umas bjecas geladinhas e umas torradinhas!;)

Bom apetite.:)
 
citação:Originalmente colocada por andmiguel

caracois aos litros? são de beber? :D
Aqui são vendidos ao litro...[:p][:p][:p]:D;)

Olha, caro amigo, eu também estive aí na Madeira há uns anos, em trabalho, e os meus amigos daí também não gostavam (fazia-lhes "confusão") de caracóis... até ao dia em que a minha mulher me foi visitar e, a meu pedido, levou-me dez litros com ela no avião!

Ao princípio fez-lhes confusão, depois o cheiro cativou-os e, finalmente, comeram "até cair para o lado" e até lamberam os dedos...[:p];)
 
citação:Originalmente colocada por Pé Leve

citação:Originalmente colocada por andmiguel

caracois aos litros? são de beber? :D
Aqui são vendidos ao litro...[:p][:p][:p]:D;)

Olha, caro amigo, eu também estive aí na Madeira há uns anos, em trabalho, e os meus amigos daí também não gostavam (fazia-lhes "confusão") de caracóis... até ao dia em que a minha mulher me foi visitar e, a meu pedido, levou-me dez litros com ela no avião!

Ao princípio fez-lhes confusão, depois o cheiro cativou-os e, finalmente, comeram "até cair para o lado" e até lamberam os dedos...[:p];)
Em Lisboa compro ao quilo, por estranho que pareça.


Uma caracolada com boa cerveja ou vinho rosé, verde ou branco sempre muito fresquinho, é um espectaculo[B)]
E o pãozinho torrado com manteiga com sal, não pode faltar:D



PS: Por acaso gosto de receitas simples, pois, tento ao maximo conservar o sabor da chicha que vou trincar.
Mas essa tua receita..... acho que vou experimentar[8D]
Conheço que coloque chouriço mas quando experimentei, não gostei muito[xx(]
 
O pessoal do Alentejo e do Algarve é que sabe como é, vendidos ao litro! É a melhor coisa que Portugal tem, a gastronomia. É com cada pitéu que me arregalo todo.

Então uma tarde passada à conversa com uns caracóis e umas loirinhas a acompanhar, upa upa! :D
 
citação:Originalmente colocada por Pé Leve

citação:Originalmente colocada por andmiguel

caracois aos litros? são de beber? :D
Aqui são vendidos ao litro...[:p][:p][:p]:D;)

Olha, caro amigo, eu também estive aí na Madeira há uns anos, em trabalho, e os meus amigos daí também não gostavam (fazia-lhes "confusão") de caracóis... até ao dia em que a minha mulher me foi visitar e, a meu pedido, levou-me dez litros com ela no avião!

Ao princípio fez-lhes confusão, depois o cheiro cativou-os e, finalmente, comeram "até cair para o lado" e até lamberam os dedos...[:p];)


estiveste aqui na madeira? :)

Ia jurar que nunca lá fui [}:)][}:)][}:)]
 
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