"Características básicas de um sobredotado"

Relativamente às características observáveis das crianças sobredotadas (pois existem muitas conceptualizações diferentes que não irei referir senão amanhã ainda estaria aqui), estas apresentam, frequentemente, um desenvolvimento precoce da linguagem, da leitura e da locomoção; são muito observadoras, extremamente curiosas e possuem uma excelente memória. O seu pensamento é fluente e flexível, manifestam competências de argumentação desenvolvidas e capacidades de abstracção, conceptualização e síntese elevadas, com facilidade na compreensão e estabelecimento de relações e proposições entre ideias; revelam ser cépticos, críticos e avaliativos, e demonstram possuír uma imaginação invulgar e elevada originalidade na resolução de problemas. Estas crianças revelam gosto por novas aprendizagens, que são realizadas mais rapidamente do que os alunos regulares e com menor recurso à prática e à repetição; estes alunos apresentam, normalmente, um vocabulário extenso e uma capacidade de concentração elevada. Ao nível sócio-emocional, os alunos sobredotados apresentam níveis de sensibilidade elevados e possuem uma consciência moral desenvolvida; revelam, frequentemente, um bom sentido de humor e são perfeccionistas nas actividades que realizam, para as quais possuem uma motivação intrínseca.
No entanto, os alunos sobredotados apresentam, frequentemente, um desenvolvimento assíncrono: enquanto que o desenvolvimento cognitivo é significativamente superior à média para a sua idade, o desenvolvimento físico e emocional encontra-se nos níveis normais. Os alunos sobredotados conseguem compreender, intelectualmente, concepções abstractas, mas não possuem capacidades para lidar emocionalmente com algumas concepções, o que pode provocar preocupações sobre determinados conceitos como a morte, o futuro e a sexualidade. O desfasamento entre os níveis de desenvolvimento intelectual e físico pode despoletar sentimentos de frustração quando um aluno consegue delinear todos procedimentos envolvidos na realização de uma tarefa, mas a sua capacidade física não permite efectivar aquilo que ele tinha concebido. As elevadas capacidades de argumentação e de linguagem podem também provocar alguns problemas devido à incompreensão, pelos seus pares, da mensagem que tentam expressar; em contexto de sala de aula, as intervenções mais rebuscadas podem ser interpretadas pelos professores como atitudes desafiantes, o que resulta frequentemente em repreensões; se associarmos a estas situações a elevada sensibilidade relativamente a críticas recebidas, estes alunos podem desenvolver sentimentos de rejeição, inferioridade e frustração, tornando-se tímidos. A timidez e a retracção em relação a certas situações podem resultar, também, das elevadas capacidades de observação e compreensão de situações, pois estes alunos preferem emitir juízos e considerações só depois de possuírem todos os dados passíveis de serem recolhidos. Noutras situações, o perfeccionismo intrínseco destes alunos pode provocar o medo de falhar, o que pode fazer com que simplesmente deixem de tentar realizar actividades para as quais não sintam confiança nas suas capacidades; as elevadas expectativas frequentemente criadas pelos pais e professores em torno dos alunos sobredotados também podem provocar a falta de confiança. Em contexto escolar, os alunos sobredotados ficam frequentemente aborrecidos, o que se reflecte nas suas aprendizagens; esta situação deve-se ao facto destes alunos aprenderem muito mais rapidamente do que os seus colegas não sobredotados: enquanto que um aluno regular necessita de exposição repetida das mesmas informações e realização consecutiva de vários exercícios do mesmo género para assimilar adequadamente os conhecimentos, os alunos sobredotados não necessitam de tal redundância; esta redundância aborrece-os e provoca, frequentemente, desmotivação, o que pode provocar consequências negativas na sua aprendizagem. Outra situação problemática passível de acontecer em contexto escolar é o isolamento, como resultado da rejeição pelos pares que desenvolvem uma imagem negativa destes alunos; em casos mais extremos podem acontecer situações de bullying. Estas situações podem desencadear uma aversão à escola.

Infelizmente, a ideia de que os alunos sobredotados terão sucesso educativo sem receberem nenhum apoio específico encontra-se ainda enraizado nos pensamentos menos esclarecidos que dominam a sociedade.

Numa perspectiva inclusiva, se é incorrecto tratar de forma diferente aqueles que são iguais, também é incorrecto tratar aqueles que são diferentes de forma igual.

Pois, essa é a descrição da minha filha de 4 anos e penso que 90% dos pais diriam o mesmo dos seus filhos...[:D] Isso é tudo muito relativo.

Os miúdos no geral são espectaculares, estragam-se é com as más companhias e falta de exemplo e motivação dos pais. Eu por exemplo andei sempre em escolas medíocres, com professores sofríveis, e não foi por isso que deixei de alcançar os meus objectivos. Se não tivesse, se calhar tinha boa desculpa, tinha sido o sistema, que não apoiou as minhas capacidades e tal...
 
Eu gostaria de conhecer a tua amiga doutoranda que proferiu tal afirmação, pois tal frase revela desconhecimento sobre a temática em questão.
Aconselho uma revisão simples do estudo de Terman que, apesar de ser algo redutor, poderá dar algumas indicações sobre a evolução de um indivíduo sobredotado ao longo da sua vida. Isto para uma elucidação simples, pois para quem está mais interessado na problemática sugiro que procurem os trabalhos de Renzulli, Gagné, Sternberg ou Mönks.
Se tiverem dificuldade em encontrar os trabalhos destes autores, sugiro que leiam a tese de doutoramento de Oliveira, que está online.

Relativamente às características observáveis das crianças sobredotadas (pois existem muitas conceptualizações diferentes que não irei referir senão amanhã ainda estaria aqui), estas apresentam, frequentemente, um desenvolvimento precoce da linguagem, da leitura e da locomoção; são muito observadoras, extremamente curiosas e possuem uma excelente memória. O seu pensamento é fluente e flexível, manifestam competências de argumentação desenvolvidas e capacidades de abstracção, conceptualização e síntese elevadas, com facilidade na compreensão e estabelecimento de relações e proposições entre ideias; revelam ser cépticos, críticos e avaliativos, e demonstram possuír uma imaginação invulgar e elevada originalidade na resolução de problemas. Estas crianças revelam gosto por novas aprendizagens, que são realizadas mais rapidamente do que os alunos regulares e com menor recurso à prática e à repetição; estes alunos apresentam, normalmente, um vocabulário extenso e uma capacidade de concentração elevada. Ao nível sócio-emocional, os alunos sobredotados apresentam níveis de sensibilidade elevados e possuem uma consciência moral desenvolvida; revelam, frequentemente, um bom sentido de humor e são perfeccionistas nas actividades que realizam, para as quais possuem uma motivação intrínseca.
No entanto, os alunos sobredotados apresentam, frequentemente, um desenvolvimento assíncrono: enquanto que o desenvolvimento cognitivo é significativamente superior à média para a sua idade, o desenvolvimento físico e emocional encontra-se nos níveis normais. Os alunos sobredotados conseguem compreender, intelectualmente, concepções abstractas, mas não possuem capacidades para lidar emocionalmente com algumas concepções, o que pode provocar preocupações sobre determinados conceitos como a morte, o futuro e a sexualidade. O desfasamento entre os níveis de desenvolvimento intelectual e físico pode despoletar sentimentos de frustração quando um aluno consegue delinear todos procedimentos envolvidos na realização de uma tarefa, mas a sua capacidade física não permite efectivar aquilo que ele tinha concebido. As elevadas capacidades de argumentação e de linguagem podem também provocar alguns problemas devido à incompreensão, pelos seus pares, da mensagem que tentam expressar; em contexto de sala de aula, as intervenções mais rebuscadas podem ser interpretadas pelos professores como atitudes desafiantes, o que resulta frequentemente em repreensões; se associarmos a estas situações a elevada sensibilidade relativamente a críticas recebidas, estes alunos podem desenvolver sentimentos de rejeição, inferioridade e frustração, tornando-se tímidos. A timidez e a retracção em relação a certas situações podem resultar, também, das elevadas capacidades de observação e compreensão de situações, pois estes alunos preferem emitir juízos e considerações só depois de possuírem todos os dados passíveis de serem recolhidos. Noutras situações, o perfeccionismo intrínseco destes alunos pode provocar o medo de falhar, o que pode fazer com que simplesmente deixem de tentar realizar actividades para as quais não sintam confiança nas suas capacidades; as elevadas expectativas frequentemente criadas pelos pais e professores em torno dos alunos sobredotados também podem provocar a falta de confiança. Em contexto escolar, os alunos sobredotados ficam frequentemente aborrecidos, o que se reflecte nas suas aprendizagens; esta situação deve-se ao facto destes alunos aprenderem muito mais rapidamente do que os seus colegas não sobredotados: enquanto que um aluno regular necessita de exposição repetida das mesmas informações e realização consecutiva de vários exercícios do mesmo género para assimilar adequadamente os conhecimentos, os alunos sobredotados não necessitam de tal redundância; esta redundância aborrece-os e provoca, frequentemente, desmotivação, o que pode provocar consequências negativas na sua aprendizagem. Outra situação problemática passível de acontecer em contexto escolar é o isolamento, como resultado da rejeição pelos pares que desenvolvem uma imagem negativa destes alunos; em casos mais extremos podem acontecer situações de bullying. Estas situações podem desencadear uma aversão à escola.

Infelizmente, a ideia de que os alunos sobredotados terão sucesso educativo sem receberem nenhum apoio específico encontra-se ainda enraizado nos pensamentos menos esclarecidos que dominam a sociedade.

Numa perspectiva inclusiva, se é incorrecto tratar de forma diferente aqueles que são iguais, também é incorrecto tratar aqueles que são diferentes de forma igual.


Achei a sua intervenção brilhante!!!!

Agradeço, o ter aumentado e alargado o meu espírito. [;)]
Na verdade, nem todos somos especialistas de tudo. É bom vermos as vertentes dos conhecedores das mais diversas áreas, que por vezes aparecem por aqui. [;)]

A observação de uma criança por parte de um especialista em determinada área, é diferente de um pai ou de uma pessoa que não tenha conhecimentos conceptuais do assunto observado.

Ainda este ano uma colega minha de Educação Visual, detectou uma criança da minha DT, que tinha dificuldades em traçar uma linha direita, incapaz de repetir padrões simétricos, a aliar a isto tinha uma escrita simplesmente ilegível, revelando dificuldades a nível da motricidade fina.

Na minha área disciplinar, reparei igualmente numa aluna de 10º ano, que tinha problemas de coordenação motora, inclusivé na locomoção. Falando com ela referiu-me que tinha dislexia, mas que não queria que se soubesse. Um dos problemas da dislexia é a nível de lateralidade e na coordenação motora,...

Soube de outro caso, de uma criança, escrevia de "uma forma simétrica", até se descobrir a causa teve tudo sempre errado A professora do E.B. descobriu por acaso e pelo facto, de ter um espelho posicionado na secretária, que o reflexo no espelho mostrava um exercício correcto.

Estes dois casos que referi foram canalizados para um neurologista.

Isto para dizer que nem todos percebemos de tudo,...as nossas opiniões sobre as coisas tem que ter a humildade do senso comum! [;)]

Referiu no seu texto a caracterização de uma criança sobredotada, dando a entender um perfil unico. Sabendo que hoje em dia são aceites diversos tipos de inteligência, gostaria de perguntar se não há outros perfis, para além do que referiu. [;)]

No perfil traçado utilizou, a dicotomia, desenvolvimento cognitivo/desenvolvimento físico, como se o desenvolvimento de um, fosse contraditório ao desenvolvimento do outro, ou como se fossem antagónicos. Ora o desenvolvimento cognitivo, pode nas primeiras idades ser desenvolvido através de experiências motoras, é até uma forma de verificar o desenvolvimento da criança. Vários psicólogos, se pronunciaram sobre este assunto. Inclusive, em crianças com dificuldades de aprendizagem,...é um dos factores a avaliar, também uma das formas de as superar.
O professor Victor da Fonseca, é um estudioso português nesta área, na área de desenvolvimento motor/aprendizagem, tenho como referência o professor Carlos Neto e o professor João Barreiros. Poderia desenvolver mais a sua opinião referente a este assunto?

Gostaria de saber algo mais sobre estas questões que lhe coloco. [;)]
 
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Pois, essa é a descrição da minha filha de 4 anos e penso que 90% dos pais diriam o mesmo dos seus filhos...[:D] Isso é tudo muito relativo.

Os miúdos no geral são espectaculares, estragam-se é com as más companhias e falta de exemplo e motivação dos pais. Eu por exemplo andei sempre em escolas medíocres, com professores sofríveis, e não foi por isso que deixei de alcançar os meus objectivos. Se não tivesse, se calhar tinha boa desculpa, tinha sido o sistema, que não apoiou as minhas capacidades e tal...

Sim, tudo é relativo. Mas a perspectiva de um pai sobre a sua filha não constitui uma avaliação fundamentada e adequada sobre as suas reais potencialidades, ainda para mais numa criança tão nova.
A sua última observação revela o seu desconhecimento sobre a realidade destas crianças, ou então o seu comentário foi propositado e depreciativo em relação ao meu post. Independentemente do seu objectivo, esta realidade existe e é pertinente que os legisladores, educadores, pais e sociedade em geral mentalizem-se de que não são apenas os indivíduos com discrepâncias negativas em relação à normalidade (portadores de deficiência mental e outros) que possuem necessidades educativas especiais, pois os alunos com discrepâncias positivas (sobredotados) também têm imensos problemas que deveriam ser alvo de maior atenção.
 
Achei a sua intervenção brilhante!!!!
(...)
Isto para dizer que nem todos percebemos de tudo,...as nossas opiniões sobre as coisas tem que ter a humildade do senso comum! [;)]

Referiu no seu texto a caracterização de uma criança sobredotada, dando a entender um perfil unico. Sabendo que hoje em dia são aceites diversos tipos de inteligência, gostaria de perguntar se não há outros perfis, para além do que referiu. [;)]

No perfil traçado utilizou, a dicotomia, desenvolvimento cognitivo/desenvolvimento físico, como se o desenvolvimento de um, fosse contraditório ao desenvolvimento do outro, ou como se fossem antagónicos. Ora o desenvolvimento cognitivo, pode nas primeiras idades ser desenvolvido através de experiências motoras, é até uma forma de verificar o desenvolvimento da criança. Vários psicólogos, se pronunciaram sobre este assunto. Inclusive, em crianças com dificuldades de aprendizagem,...é um dos factores a avaliar, também uma das formas de as superar.
O professor Victor da Fonseca, é um estudioso português nesta área, na área de desenvolvimento motor/aprendizagem, tenho como referência o professor Carlos Neto e o professor João Barreiros. Poderia desenvolver mais a sua opinião referente a este assunto?

Gostaria de saber algo mais sobre estas questões que lhe coloco. [;)]

Realmente ninguém compreende de forma significativa todas as temáticas existentes na nossa realidade: tal não seria humanamente possível e não irei fazer considerações sobre isto. De facto a humildade é fundamental em qualquer domínio de acção humana.

Não existe apenas um perfil de sobredotação. Aliás, existem variadíssimas teorias, algumas semelhantes e com pontos em comum, e outras bastante diferentes entre si. De facto, não existe consenso sobre um perfil do indivíduo sobredotado. Eu referi apenas as características mais comuns entre os diversos autores, sendo que um indivíduo sobredotado não apresenta, necessariamente, todas aquelas características e até poderá apresentar outras não enunciadas. Cada ser humano é único.
Ao considerarmos a influência das diversas concepções de inteligência no conceito de sobredotação, devemos pensar que a sociedade humana é intrínseca e extrinsecamente mutável; como tal, verifica-se uma metamorfose constante da erudição de acordo com o pensamento vigente em cada época: surgem novas concepções que, através de uma abordagem crítica, procuram complementar ou reajustar as ideias anteriores à nova realidade ou então, quando se constata a invalidade das mesmas, assiste-se a uma ruptura com os postulados anteriores para produzir novos conhecimentos significativos mais ajustados à realidade.O conceito de sobredotação tem acompanhado esta transformação de ideologias das sociedades, reflexo das consecutivas concepções de inteligência que valorizam actividades humanas distintas, de acordo com as necessidades sociais e humanas, adoptadas nos diferentes contextos ao longo da história. Inicialmente a definição de sobredotação reportava-se exclusivamente a capacidades intelectuais superiores, mas ao longo do tempo foram sendo introduzidos outros factores devido á evolução do conceito de inteligência:

O modelo de inteligência proposto por Guilford, em 1956, especifica a necessidade de se considerarem outros factores como a criatividade e a inteligência social.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, proposta em 1991, constituiu um passo importante para se compreender a sobredotação num âmbito mais alargado, ao propor uma abordagem multidimensional que distingue sete tipos de inteligências independentes, mas que estabelecem uma interacção importante entre si; cada uma destas inteligências tem uma forma especial de memória, aprendizagem e percepção, ou seja, uma aptidão numa determinada área da inteligência não implica necessariamente uma aptidão nas outras áreas; para além disto, a inteligência é mutável perante as interacções desenvolvidas entre o indivíduo e o contexto em que este se insere. Esta concepção multidimensional de inteligência abriu novos horizontes ao conceito de sobredotação: cada inteligência deve ser considerada em termos individuais de capacidade potencial, capacidade esta que pode manifestar-se de forma superior, ou não, consoante as interacções estabelecidas entre as características de um indivíduo e as influências recebidas dos contextos onde este se insere.

A Teoria Triárquica da Inteligência de Sternberg constituiu, também, uma abordagem relevante para a compreensão dos processos mentais utilizados por um indivíduo na realização de uma determinada tarefa, bem como das relações estabelecidas pelo indivíduo com os contextos e a manifestação dessas mesmas relações; a interpretação da teoria Triárquica transmite uma noção de sobredotação intelectual constituída por vários componentes e passível de categorização: é possível distinguir um comportamento excepcional ao nível analítico, criativo ou prático, sendo que um indivíduo poderá apresentar capacidades elevadas apenas num ou em várias categorias. Assim, a operacionalização dos conceitos verificada permitiu uma distinção e compreensão das várias componentes da sobredotação e, consequentemente, o reconhecimento da existência de vários tipos de sobredotação.

O Modelo Diferenciado de Sobredotação e Talento proposto por Gagné vai ainda mais longe ao diferenciar sobredotação e talento: o conceito de sobredotação reporta-se a habilidades e aptidões excepcionais inatas num determinado domínio, fruto de uma herança genética, enquanto que o talento resulta da interacção entre as capacidades inatas com os contextos (físicos e sociais) em que o indivíduo se insere. O desenvolvimento de um talento é também influenciado pelos factores intrapessoais (saúde, motivação, auto-regulação, temperamento e auto-estima) e pela prática sistemática num domínio da actividade humana que permita o desenvolvimento de competências e, consequentemente, o surgimento do talento.

A enfatização da importância das influências recebidas da sociedade por um indivíduo, expresso aqui em vários posts de vários users, é corroborada pelo Modelo Multifactorial proposto por Monks. Este autor, à semelhança do proposto por Gagné, atribui grande relevância ao papel desempenhado pelos contextos sociais onde o indivíduo portador de capacidades acima da média se insere. Deste modo, devemos considerar a família, a escola e o grupo de pares como elementos com os quais um indivíduo com altas capacidades pode estabelecer interacções significativas que proporcionem oportunidades estimulantes e que potenciam o desenvolvimento da excelência.

Relativamente à dicotomia desenvolvimento cognitivo/físico, não se trata de uma questão antagónica: é necessário considerar que o desenvolvimento físico destes alunos reporta-se à normalidade para a sua idade; aliás, alguns indivíduos sobredotados são excelentes atletas. A questão é que o desenvolvimento intelectual é bastante superior, e constata-se, assim, um desfasamento entre ambos. Existe também um desfasamento entre o desenvolvimento de competências sociais e emocionais e o desenvolvimento intelectual, como referi anteriormente. Existem algumas intervenções educativas que procuram colmatar este desfasamento, especialmente ao nível social e emocional, e desconsiderando um pouco as actividades físicas, pelas quais muitos alunos sobredotados apresentam uma certa aversão, e que são pouco valorizadas na nossa sociedade.

Desculpem o "testamento", mas considerei pertinente esclarecer aqui algumas ideias e responder também às questões colocadas.

MariaHelena, espero ter esclarecido as tuas dúvidas, se bem que em Portugal existem pessoas mais indicadas para responder às tuas questões e que se quiseres indico-te.
 
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Realmente ninguém compreende de forma significativa todas as temáticas existentes na nossa realidade: tal não seria humanamente possível e não irei fazer considerações sobre isto. De facto a humildade é fundamental em qualquer domínio de acção humana.

Não existe apenas um perfil de sobredotação. Aliás, existem variadíssimas teorias, algumas semelhantes e com pontos em comum, e outras bastante diferentes entre si. De facto, não existe consenso sobre um perfil do indivíduo sobredotado. Eu referi apenas as características mais comuns entre os diversos autores, sendo que um indivíduo sobredotado não apresenta, necessariamente, todas aquelas características e até poderá apresentar outras não enunciadas. Cada ser humano é único.
Ao considerarmos a influência das diversas concepções de inteligência no conceito de sobredotação, devemos pensar que a sociedade humana é intrínseca e extrinsecamente mutável; como tal, verifica-se uma metamorfose constante da erudição de acordo com o pensamento vigente em cada época: surgem novas concepções que, através de uma abordagem crítica, procuram complementar ou reajustar as ideias anteriores à nova realidade ou então, quando se constata a invalidade das mesmas, assiste-se a uma ruptura com os postulados anteriores para produzir novos conhecimentos significativos mais ajustados à realidade.O conceito de sobredotação tem acompanhado esta transformação de ideologias das sociedades, reflexo das consecutivas concepções de inteligência que valorizam actividades humanas distintas, de acordo com as necessidades sociais e humanas, adoptadas nos diferentes contextos ao longo da história. Inicialmente a definição de sobredotação reportava-se exclusivamente a capacidades intelectuais superiores, mas ao longo do tempo foram sendo introduzidos outros factores devido á evolução do conceito de inteligência:

O modelo de inteligência proposto por Guilford, em 1956, especifica a necessidade de se considerarem outros factores como a criatividade e a inteligência social.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, proposta em 1991, constituiu um passo importante para se compreender a sobredotação num âmbito mais alargado, ao propor uma abordagem multidimensional que distingue sete tipos de inteligências independentes, mas que estabelecem uma interacção importante entre si; cada uma destas inteligências tem uma forma especial de memória, aprendizagem e percepção, ou seja, uma aptidão numa determinada área da inteligência não implica necessariamente uma aptidão nas outras áreas; para além disto, a inteligência é mutável perante as interacções desenvolvidas entre o indivíduo e o contexto em que este se insere. Esta concepção multidimensional de inteligência abriu novos horizontes ao conceito de sobredotação: cada inteligência deve ser considerada em termos individuais de capacidade potencial, capacidade esta que pode manifestar-se de forma superior, ou não, consoante as interacções estabelecidas entre as características de um indivíduo e as influências recebidas dos contextos onde este se insere.

A Teoria Triárquica da Inteligência de Sternberg constituiu, também, uma abordagem relevante para a compreensão dos processos mentais utilizados por um indivíduo na realização de uma determinada tarefa, bem como das relações estabelecidas pelo indivíduo com os contextos e a manifestação dessas mesmas relações; a interpretação da teoria Triárquica transmite uma noção de sobredotação intelectual constituída por vários componentes e passível de categorização: é possível distinguir um comportamento excepcional ao nível analítico, criativo ou prático, sendo que um indivíduo poderá apresentar capacidades elevadas apenas num ou em várias categorias. Assim, a operacionalização dos conceitos verificada permitiu uma distinção e compreensão das várias componentes da sobredotação e, consequentemente, o reconhecimento da existência de vários tipos de sobredotação.

O Modelo Diferenciado de Sobredotação e Talento proposto por Gagné vai ainda mais longe ao diferenciar sobredotação e talento: o conceito de sobredotação reporta-se a habilidades e aptidões excepcionais inatas num determinado domínio, fruto de uma herança genética, enquanto que o talento resulta da interacção entre as capacidades inatas com os contextos (físicos e sociais) em que o indivíduo se insere. O desenvolvimento de um talento é também influenciado pelos factores intrapessoais (saúde, motivação, auto-regulação, temperamento e auto-estima) e pela prática sistemática num domínio da actividade humana que permita o desenvolvimento de competências e, consequentemente, o surgimento do talento.

A enfatização da importância das influências recebidas da sociedade por um indivíduo, expresso aqui em vários posts de vários users, é corroborada pelo Modelo Multifactorial proposto por Monks. Este autor, à semelhança do proposto por Gagné, atribui grande relevância ao papel desempenhado pelos contextos sociais onde o indivíduo portador de capacidades acima da média se insere. Deste modo, devemos considerar a família, a escola e o grupo de pares como elementos com os quais um indivíduo com altas capacidades pode estabelecer interacções significativas que proporcionem oportunidades estimulantes e que potenciam o desenvolvimento da excelência.

Relativamente à dicotomia desenvolvimento cognitivo/físico, não se trata de uma questão antagónica: é necessário considerar que o desenvolvimento físico destes alunos reporta-se à normalidade para a sua idade; aliás, alguns indivíduos sobredotados são excelentes atletas. A questão é que o desenvolvimento intelectual é bastante superior, e constata-se, assim, um desfasamento entre ambos. Existe também um desfasamento entre o desenvolvimento de competências sociais e emocionais e o desenvolvimento intelectual, como referi anteriormente. Existem algumas intervenções educativas que procuram colmatar este desfasamento, especialmente ao nível social e emocional, e desconsiderando um pouco as actividades físicas, pelas quais muitos alunos sobredotados apresentam uma certa aversão, e que são pouco valorizadas na nossa sociedade.

Desculpem o "testamento", mas considerei pertinente esclarecer aqui algumas ideias e responder também às questões colocadas.

MariaHelena, espero ter esclarecido as tuas dúvidas, se bem que em Portugal existem pessoas mais indicadas para responder às tuas questões e que se quiseres indico-te.

O assunto da forma como o colocou, apaixona-me,...muito conteúdo e pouca palha,...[;)]


Bem,...o que escreveu, vai ter que ser muito bem digerido,...os autores que refere já estão apontados, assim como os seus posts, já estão num documento do Word,...para agora fazer um pouco de pesquisa por minha conta, [:D] [:)]
Percebi, mas o seu texto trouxe-me outras dúvidas,...que colocarei não hoje pelo adiantado da hora, mas em altura mais oportuna.

Continuo a achar que apesar de dizer que a sobredotação é factorial, são somente considerados aqueles que manifestam performances excepcionais a nível cognitivo em desprimor de outro tido de inteligências.
Mas colocarei mais tarde, as minhas questões de leiga no assunto,...[:p]
 
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O objectivo do tópico é dar a conhecer as características que diferenciam estas pessoas, garantindo o fim do preconceito e xenofobia de que são alvo alertando os pais e amigos para o seu potencial.





Tem sede de conhecimento


É intolerante com a estupidez


É intuitivo e de grande poder de observação


Tem forte capacidade de abstracção


Tem grande versatilidade


Tem invulgar capacidade de liderança


É crítico, entusiástico e sensível


É independente e persistente


É intelectual, inventivo e criativo


É original e extrovertido


Aprende com facilidade os temas do seu agrado




Existem dois tipos de sobredotação: a cognitiva e a criativa. Dentro da primeira categoria são múltiplas as inteligências segundo o investigador Howard Gardner.​









Inteligência Lógico-Matemática


Capacidade lógico-quantitativa que permite, com facilidade, ordenar factos e objectos, assim como quantidades. É muitas vezes designada de pensamento científico. Os sobredotados nesta área têm, normalmente, um excepcional desempenho nas ciências exactas.​



Inteligência Linguística


Capacidade de dominar as linguagens. Mestria da fonética, da fonologia, da semântica, da pragmática e da sintaxe. Capacidade para comunicar verbalmente.​



Inteligência Naturalista


Capacidade para perceber a Natureza e sentir uma grande empatia com os animais e plantas. Grande percepção dos ecossistemas e habitat naturais.​



Inteligência Espacial


Capacidade para relacionar o espaço próprio com o espaço envolvente. Prima pela aptidão para perceber relações espacio-visuais e um sentido apurado de orientação.​






Inteligência Social (Interpessoal)


Capacidade para as relações interpessoais e sociais. Envolve faculdades de persuasão, tolerância e simpatia. A principal habilidade é a de compreender os outros: o que os motiva, o que sentem e como lidam com eles. Esta inteligência revela-se no modo fácil como interagem com os outros, sem complexos de ordem cultural, social, racial, ética ou religiosa.​



Inteligência Emocional (Intrapessoal)


Capacidade de auto-conhecimento. Reconhece facilmente as suas forças e fraquezas, desejos e medos e pode adaptar a sua maneira de agir com base nesse conhecimento. Revela-se, também, na auto-disciplina, na capacidade de perseverança e na auto-confiança.​



Inteligência Musical


Capacidade para perceber, combinar e compor sons não verbais em sequências rítmicas harmoniosas e melódicas. Habilidade que envolve aptidão para criar música.​



Inteligência Corporal-Cinestésica


Capacidade para utilizar e controlar o corpo e a motricidade em tarefas motoras complexas e em situações novas ou em manipular objectos de forma criativa e diferenciada para resolver problemas. É uma forma de "raciocinar com o corpo", permitindo desempenhos de alto nível em disciplinas e actividades como a dança, o desporto, a escultura, o teatro, etc.​
"Xenófobia de que são alvo"?! Não estarás a confundir o conceito de xenófobia?
 
"Xenófobia de que são alvo"?! Não estarás a confundir o conceito de xenófobia?
Não, a xenofobia é o medo do que é estranho, diferente.

Basta ver a origem da palavra, Xenos + phobia, xenos que tb deu origem à nossa palavra "estranho".

Muita gente aplica a palavra quando se refere ao racismo, mas são coisas diferentes, é uma confusão recorrente.
 
Ando com um dilema importante. E já tive inúmeras opiniões de técnicos, conhecidos e amigos por isso acho q as vossas, mais distantes, mal não farão.
Um dos meus filhos anda no infantario e sempre se revelou mt precoce, com uma habilidade manual, rapidez de raciocínio e discurso q faz pasmar a família e amigos.
"Sobredotado" dizem uns, "fora do normal" dizem outros, nomes q sempre me opus e recuso pq não acho q seja nada disso. Apenas um miúdo c uma inteligência ou desenvoltura maior para a idade, fruto de ter sido sempre mt estimulado pelos pais. Como os irmãos, aliás.
E a última coisa q preciso é de uma criança catalogada pelos adultos, tipo atração de feira, à espera do q vai dizer a seguir...ou olhada c desconfiança pelos irmãos e amigos, como "diferente".

Mas como sou leigo, e depois de mta insistência da minha mulher, optamos por ir a uma pedopsicóloga q lhe fez uma série de testes (nada de fios na cabeça, tenham calma!), apenas conversa, desenhos, jogos...testes mt divertidos e extremamente interessantes, q ele adorou. Alguns na presença dos pais, outros sozinho.
No final da "consulta" a psicóloga foi de opinião q a criança tinha um desenvolvimento cognitivo e pessoal (capacidade de estar concentrado e atento X tempo, capacidade de fazer um desenho em q lhe era pedido para desenhar 4 coisas consecutivas, etc) mt acima da sua idade física. Atenção q nunca referiu ser sobredotado. Mas sugeriu q devia entrar na escola mais cedo, ir p uma escola específica e não escola pública...enfim. O q pretendia ser esclarecedor para mim, suscitou-me ainda mais dúvidas.

Agora não sei se devo colocar a criança mais cedo na escola, se o vou fazer perder os melhores anos da sua infância e ingenuidade, sobrecarregando-o c as responsabilidades inerentes ao ensino básico qd devia estar a gozar as brincadeiras da sua idade... Por outro lado, posso estar a refrear a vontade de aprender, a capacidade de desenvolvimento dele, tentando q seja igual aos outros.
Muitas dúvidas... E poucas certezas
 
Fiquei a saber duas coisas:

-Sou sobredotado (não me parece!)

-Os sobredotados são extrovertidos (não me parece mesmo!)

[:D]

EDIT: silversurfer *thumbs up* :)
 
Acho que muito que vocês nunca tiveram contacto com um sobredotado...

Lá por se ter características básicas de um sobredotado não quer dizer que se o seja.. a capacidade de aprendizagem de um sobredotado na sua area ( por exemplo matematicas) é brutal, por vezes dá reportagem na tv sobre isso.

tenho um colega de faculdade que se não é sobredotado pouco lhe falta, tem as características básicas ai descritas, e o que acho brutal, é o facto de praticamente só estudar de véspera e tira melhores notas que aqueles cromos que passam a vida a estudar

Não acho que isso do teu colega se apresente como um sobredotado, eu também não precisava de estudar muito para ter boas notas, e no entanto não sou um sobredotado.

Acho que um sobredotado é uma pessoa algo apática, mas que interioriza tudo e mais alguma coisa ao longo da sua vida, tem uma capacidade de armazenamento de informação fora do normal. Isto sou eu a dizer na minha perspectiva, posso estar redondamente enganado [;)]
 
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