Como Zeinal Bava afundou a PT em benefício do BES

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PORTUGAL
[FONT=&quot]18.11.2017 às 8h30[/FONT]





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[FONT=&quot]Gonçalo Rosa da Silva / Arquivo VISÃO

[h=2]Escutas, emails e outros documentos mostram como o “gestor do ano” terá endividado deliberadamente a PT para salvar Ricardo Salgado[/h][/FONT]


SÍLVIA CANECO
Jornalista


[FONT=&quot]“Austero nos gastos” e “cioso do controlo dos custos”, “o mais competente dos presidentes-executivos da PT”, um dos melhores CEO da Europa, “o gestor do ano”,“o génio das Finanças”, “o guru dos mercados financeiros”, “o Messi das telecomunicações”.
Ainda alguém se lembra dos elogios feitos a Zeinal Bava – por cá, no Brasil, no El País ou no Financial Times? Se a sua imagem já estava desgastada com o fim da Portugal Telecom ou com os lapsos de memória com que abrilhantou a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o fim do BES e do Grupo Espírito Santo, o conteúdo da Operação Marquês destrói todos os perfis que se escreveram sobre o engenheiro formado em Londres que, aos 42 anos, assumiu a presidência executiva da PT.
No despacho de acusação de Rosário Teixeira, Zeinal Bava não é merecedor de elogios por resistir à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Sonaecom sobre a PT nem por combater a investida da espanhola Telefónica ou ter conseguido entrar no capital da brasileira OI. Nem tão-pouco é descrito como um gestor “cioso do controlo dos custos”. Bem pelo contrário. Bava é acusado de ter feito tudo isto a troco de 25,2 milhões de euros de Ricardo Salgado. Segundo a tese da acusação, foi ele quem destruiu aquela que era a maior operadora de telecomunicações portuguesa, endividando-a deliberadamente para comprar dívida de empresas falidas do Grupo Espírito Santo.
São páginas e páginas com escutas telefónicas repescadas do processo Monte Branco e com emails, atas e outros documentos herdados do processo PT/GES que mostram como, sobretudo Zeinal Bava, mas também Henrique Granadeiro (ex-chairman da PT) responderam durante anos às ordens de Salgado, indo contra as recomendações do diretor de Finanças Corporativas da operadora telefónica e contra todas as regras de boa gestão, prejudicando a PT para acudir aos desesperos do então presidente do BES.
[h=2]COMO TUDO COMEÇOU[/h]O despacho de acusação de Rosário Teixeira é taxativo: Salgado “capturou e submeteu à sua estratégia para o Grupo Espírito Santo a estratégia e a gestão do grupo Portugal Telecom”. E fê-lo usando como seus homens de mão Zeinal Bava, então presidente-executivo da PT, e Henrique Granadeiro, ex-chairman e antigo presidente-executivo da empresa. Ambos são acusados de receber cerca de 50 milhões de euros para acatarem ordens de Salgado.
Esse esquema entre o então presidente do BES, Bava e Granadeiro acentuou-se em 2010, quando a PT começou a receber da espanhola Telefónica os 7,5 mil milhões de euros da venda da participação na Vivo. Salgado terá decidido então canalizar esse dinheiro para o BES e para o GES, acordando em setembro com os dois gestores que esse montante não só seria depositado no BES como serviria para subscrever dívida do Grupo Espírito Santo.
Amílcar Morais Pires, o homem que era o braço-direito de Ricardo Salgado no BES e que Henrique Granadeiro descrevia ao telefone como “um mastim, danado para o trabalho”, ficou encarregue dos contactos com Zeinal Bava. Ainda não tinha chegado a primeira tranche dos milhões pela venda da Vivo e já Morais Pires lhe enviava emails: “Zeinal, disseram-me que os fundos entram segunda-feira… Quando é que quer negociar as taxas?”
Bava convocou de imediato Carlos Cruz, o diretor de Finanças Corporativas da PT SGPS. Sabendo que aquele se opunha ferozmente desde 2007 à aplicação dos fundos de tesouraria da PT em títulos comercializados pelo BES, Bava não esteve para meias-palavras: depois de lhe pedir para aplicar 250 milhões de euros em títulos da ESI, ter-lhe-á dito que o que estava em causa era satisfazer Ricardo Salgado.
As reticências do diretor de Finanças da PT não passavam despercebidas a Morais Pires que, ao ter conhecimento de qualquer decisão de Carlos Cruz que fosse prejudicial aos interesses do BES, logo contactava Zeinal Bava. No post scriptum de um email que o Ministério Público cita no despacho de acusação da Operação Marquês, datado de janeiro de 2011, Morais Pires sublinha mesmo que “a embirração” que sentia por Cruz era “culpa das conversas que mantinha” com Bava.
Quando, a 20 de outubro de 2010, Morais Pires se apercebeu da saída de 400 milhões de euros investidos pela PT SGPS no BES, não perdeu tempo a enviar um email a Bava. O gestor da PT prontificou-se a averiguar o que estava a acontecer, mas a resposta não sossegou o número dois do BES que, no dia seguinte, voltou a enviar um email para Bava: “Zeinal, a sua direção financeira continua a tirar os fundos do BES… é melhor ver o que se está a passar.”
[h=2]UM GESTOR “MUITO SOLÍCITO”[/h]Não foi um ato isolado. Emails que constam da Operação Marquês mostram que por várias vezes Morais Pires lembrou Zeinal Bava da necessidade de manter os investimentos no BES e no Grupo Espírito Santo. Se houve dia em que tudo azedou foi numa sexta-feira, 10 de dezembro de 2010, quando Carlos Cruz informou que alguns depósitos não seriam renovados. Na segunda-feira seguinte, dia 13, Bava convocou Carlos Cruz para uma reunião a fim de tratarem do “tema da liquidez”. Morais Pires estava em pânico porque a PT precisava de desmobilizar 900 milhões de euros para pagar dividendos extraordinários devido à alienação da Vivo. Apesar de estar combinado com Jorge Tomé, representante da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na PT, que esse pagamento iria ser feito com fundos retirados do BES, perante a pressão de Morais Pires, Bava mudou de planos e determinou que metade desses 900 milhões de euros seria desmobilizada de aplicações da Portugal Telecom na CGD.
O risco aumentou exponencialmente para a operadora telefónica quando, a partir de 2011, Ricardo Salgado passou a pressionar Bava e Granadeiro para que, além dos excedentes de tesouraria, a PT passasse a investir em dívida do GES com fundos que guardava em depósitos a prazo.
De setembro de 2010 a abril de 2014, o grupo PT fez sucessivos investimentos, e em montantes cada vez mais avultados, em papel comercial da ESI e da Rioforte (outra empresa do GES). Em maio de 2014, esses investimentos atingiram o montante de 897 milhões de euros.
Representavam, nada mais, nada menos, do que 98,32% dos investimentos da operadora.
Para a equipa do Ministério Público que investigou os pagamentos de Ricardo Salgado aos dois ex-gestores da PT não sobrou dúvidas de que, a dada altura, os investimentos no GES começaram a ser feitos “em claro prejuízo da Portugal Telecom”. E Bava teve um papel decisivo nessa estratégia ruinosa.
Em janeiro de 2011, a PT investiu 250 milhões de euros em títulos da ESI. Carlos Cruz recomendou a Bava que a taxa de juro não deveria ficar abaixo dos 4,5%, sugerindo até que poderia subi-la para os 5%. Mas Bava, que tinha recebido um email de Morais Pires, fez exatamente o contrário, determinando uma taxa de juro de 4,25%. Nesse email, o número dois do BES apelava ao patriotismo e lembrava a necessidade de “todos estarem unidos, coordenados nos esforços para manter o máximo de liquidez nas instituições financeiras verdadeiramente portuguesas”.
Quando, em junho de 2011, a PT precisou de 1 165 milhões de euros para pagar dividendos, Bava não hesitou em dar ordens para sacar o maior montante possível das aplicações da PT na CGD, evitando retirar fundos do BES. Tal como não discordou quando Salgado pediu por email um investimento adicional de 200 milhões de euros da PT SGPS em títulos da ESI. Ou tal como prontamente se deslocou à sede do BES para tomar o pequeno-almoço com Salgado, a 6 de fevereiro de 2012, e lhe prometeu que a aplicação da PT Finance de 200 milhões de euros em títulos da ESI seria renovada.
Zeinal Bava, diz o despacho assinado por sete procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), sempre se revelou “muito solícito” a “acomodar” os pedidos de Ricardo Salgado.
[h=2]O DESCALABRO[/h]Tudo isto piorou ainda mais em 2013. Perante o agravamento da situação financeira do grupo que liderava, Salgado montou um novo plano: além dos excedentes de tesouraria e dos fundos guardados em depósitos a prazo, a PT deveria passar a emitir dívida e usar esses rendimentos para comprar dívida do GES. Apesar dos riscos, e de não terem garantias de reembolso, Bava e Granadeiro consentiram e a PT “passou a suportar despesas de financiamento para conseguir fundos exclusivamente destinados a ser aplicados em obrigações do GES”.
Nesta altura, Salgado passou a contactar diretamente Luís Pacheco de Melo, então diretor financeiro da PT SGPS. E quando aquele, a 18 de abril de 2013, disse num sms que a PT precisava de dinheiro, e por isso “estava a rapar em todo o lado”, Salgado não desistiu e pressionou Bava. O presidente da PT mandou que a PT SGPS emitisse papel comercial de curto prazo e “se endividasse” para assim ter dinheiro disponível para efetuar um novo investimento em títulos da Espírito Santo Internacional – a holding por onde começou a derrocada do GES.
No final desse ano, Salgado reestruturou o GES e determinou que a dívida do grupo passaria a ser emitida pela Rioforte. Em fevereiro de 2014, deu instruções a Pacheco de Melo para que subisse o investimento de 750 para 900 milhões de euros. Para isso, a PT precisou de recorrer a fundos aplicados em dois depósitos bancários. Mas nem assim Salgado ficou satisfeito, exigindo que os gestores da PT investissem mais 100 milhões de euros. Pacheco de Melo disse que a operadora não tinha essa disponibilidade, Salgado ficou aflito. 
A 25 de março de 2014, quando Pacheco de Melo se deslocou com Carlos Cruz à sede do BES, Morais Pires informou-os que não valia a pena apresentarem resistência: a decisão de renovação das aplicações da PT na Rioforte já tinha sido tomada por acordo entre Bava, Granadeiro e Salgado.
A dada altura, quando a PT resolveu renovar o investimento em dívida do GES e, ao mesmo tempo, teve de cumprir com obrigações decorrentes do contrato com a OI, a direção de finanças da PT SGPS viu-se forçada a usar duas linhas de crédito que a operadora detinha junto de três bancos, num total de 855 milhões de euros, suportando o pagamento de taxas de juro superiores às que devia receber pelas aplicações em dívida da Rioforte.
Em maio de 2014, o mercado ficou a saber que as contas da ESI tinham sido manipuladas. Em julho, a PT não conseguiu reaver os 897 milhões de euros investidos em papel comercial da Rioforte. Os representantes da Oi alegaram desconhecer aqueles investimentos e aproveitaram para renegociar o acordo com a PT. A comandar os destinos da OI no Brasil, e à distância os investimentos da PT no GES, Zeinal Bava também não sobreviveu à derrocada. Esta história não combina com os perfis do supergestor austero. Também não combina com a sua última aparição pública quando, no Parlamento, alegou não saber dos investimentos ruinosos da PT.
[h=2]AS ‘‘LUVAS’’ DE BAVA[/h]O antigo presidente-executivo da PT é acusado de aceitar pagamentos para seguir os interesses definidos por Ricardo Salgado para o BES enquanto acionista da PT. 
Deve responder por cinco crimes
25,2 milhões - O total do dinheiro que Zeinal Bava recebeu de empresas do Grupo Espírito Santo, entre 2007 e 2011.
6,7 
milhões - O primeiro pagamento de Salgado a Bava chegou a 7 de dezembro de 2007, através de uma transferência para uma conta do então presidente-executivo da PT em Singapura. A acusação diz que se destinava a premiar a oposição do gestor à oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo grupo Sonae e os frutos da separação da PT Multimédia.
8,5 milhões - Em dezembro de 2010, Bava recebeu, na sua conta suíça associada à offshore Rownya, este montante vindo de uma conta da Enterprises Management Services, do GES. 
A acusação frisa que esse pagamento foi feito logo após Bava ter dado a primeira ordem para investimento da PT em dívida da Espírito Santo Internacional (ESI).
10 milhões - A 20 de setembro de 2011, Zeinal Bava recebeu esta quantia na sua conta da UBS em Singapura. Para o Ministério Público, esse pagamento pretendia recompensá-lo pela implementação da estratégia que Salgado delineara para a PT no Brasil, por proteger os depósitos da PT no BES e por conseguir aumentos dos investimentos em papel comercial da ESI.
[h=1]O que diz a acusação[/h]Nas quase 4 mil páginas do despacho de acusação da Operação Marquês há um longo capítulo a descrever como Salgado tomou as rédeas da PT e há muitas outras 
a explicar os crimes de Bava
[h=2]OS PAGAMENTOS[/h]Zeinal Bava utilizou contas bancárias em seu nome e em nome da sociedade offshore Rownya “para receber e ocultar a origem ilícita” de quantias pagas por Ricardo Salgado com origem em contas do grupo BES. Ao todo, 25,2 milhões de euros
[h=2]A FRAUDE FISCAL[/h]Zeinal Bava, na qualidade de residente em Portugal, estava “obrigado pelo dever de verdade e lealdade perante a administração fiscal a declarar todos os rendimentos recebidos”, aí se incluindo as quantias que recebeu através da Espírito Santo Enterprises, o alegado saco azul do GES. Apesar disso, o ex-presidente executivo do PT, “convencido de que os montantes assim recebidos não seriam associados à sua pessoa e pretendendo ocultar a sua origem e obter ganho pela sua não tributação, decidiu omiti-los” nas suas declarações de IRS. 
É acusado de dois crimes de fraude fiscal qualificada por ter escondido rendimentos de 2007 e 2011
[h=2]A OPA E O BRASIL[/h]Ricardo Salgado atuou com o propósito de que Granadeiro e Bava, no exercício das suas funções de administradores de concessionária de serviço público, atuassem “determinados exclusivamente pelos interesses do acionista BES, designadamente rejeitando a OPA lançada pelo grupo Sonae e apoiando a sua estratégia para os investimentos da PT no Brasil”
[h=2]FALSIFICAÇÃO[/h]Zeinal Bava é acusado de um crime de falsificação de documento por, em coautoria com Ricardo Salgado, ter elaborado um contrato a posteriori para justificar os pagamentos da Espírito Santo Enterprises
(Artigo publicado na VISÃO 1285, de 19 de outubro de 2017)
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[h=1]As revelações de Ricardo Salgado sobre Sócrates e muito mais[/h]PORTUGAL
[FONT=&quot]11.10.2017 às 17h42[/FONT]





mw-860
[FONT=&quot]António Bernardo

[h=2]Durante quatro horas de interrogatório, o banqueiro explicou a sua relação com José Sócrates e justificou a saída de fundos do GES para Zeinal Bava, Henrique Granadeiro e para uma offshore em seu nome. Leia aqui a versão do arguido da Operação Marquês, relatada na VISÃO de 2 de Março[/h][/FONT]


SÍLVIA CANECO
Jornalista


[FONT=&quot]O procurador Rosário Teixeira demorou mais de 30 minutos a ler as razões porque Ricardo Salgado estava a ser ouvido como arguido na Operação Marquês. No final, o ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) só conseguia falar em "choque". Pediu desculpa ao magistrado pela afronta e disse nunca ter visto "tanta mentira junta".Rosário Teixeira perguntou-lhe se não queria tempo para conferenciar com os seus advogados numa outra sala do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e Salgado, abatido, pediu apenas "um copinho de água", alegando que quem sofria um choque daqueles o merecia. Ainda bem que tinha "alguma preparação física", desabafaria mais à frente. Caso contrário, teria "caído para o lado" com as acusações que lhe faziam.Seguir-se-iam quase quatro horas de um interrogatório tenso, de que a VISÃO teve conhecimento e revela em exclusivo, e em que o ex-líder do BES foi "apertado" pelos investigadores para explicar transferências bancárias de mais de €90 milhões feitas pelo Grupo Espírito Santo (GES). Para responsáveis políticos, em Portugal e no Brasil, administradores da PT e até para o próprio Ricardo Salgado, entre 2006 e 2014.Foi uma das revelações mais surpreendentes do interrogatório.O Ministério Público (MP) descobrira que tinham sido "desviados" da Espírito Santo Enterprises (o alegado saco azul do GES) €7,75 milhões para uma conta da Savoices, offshore que era, nada mais, nada menos, de Ricardo Salgado. A equipa liderada por Rosário Teixeira acreditava que o então presidente do BES o teria feito deliberadamente, para também "tirar proveitos" dos negócios da PT e ocultar esses valores das suas declarações de rendimentos. As suspeitas eram gravíssimas: Salgado não só era apontado como o corruptor de José Sócrates e de administradores da PT, como era suspeito de ter prejudicado as contas do grupo que liderara durante mais de duas décadas, ao desviar o dinheiro para contas suas e para pagar subornos. O Grupo Espírito Santo ruiu, a PT também.Chamado a explicar-se, o antigo banqueiro disse ter recorrido àquela empresa do grupo, em 2010 e em 2011, para ter financiamento e assim entrar em aumentos de capital do banco. Só não devolveu todo o dinheiro porque teria sido desse bolo que pagara a caução de €3 milhões que "o sr.procurador tinha feito questão" de lhe estabelecer, no processo Monte Branco. E não tinha mais "recursos", como Rosário Teixeira bem saberia: "Congelou-me as contas na Suíça!", queixou-se.Para explicar as razões que motivariam Salgado a corromper políticos e gestores em negócios da PT, o procurador começou por recuar até 2006, altura em que a Sonaecom, de Belmiro de Azevedo, lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a PT.À época, diz o MP, Ricardo Salgado teria um controlo real sobre a operadora telefónica: porque o BES tinha uma participação direta de 8,3% na PT e porque era próximo de membros da comissão executiva da empresa.O estatuto permitia-lhe dar início a um plano para a OPA ser chumbada.Perder a PT significaria perder dividendos e capacidade de influência, em Portugal e no Brasil. Por essa razão, diz a investigação, Salgado terá procurado apoio político para bloquear uma eventual decisão favorável à OPA, acordando com José Sócrates "o pagamento de uma quantia", que deveria chegar à posse do então primeiro-ministro "de forma oculta", com recurso a intermediários, contratos forjados e contas de passagem.Nesta primeira fase, Ricardo Salgado terá "simulado" financiamentos à Escom empresa do Grupo Espírito Santo e do luso-angolano Hélder Bataglia para fazer o dinheiro chegar, de forma encapotada, a José Sócrates. Bataglia, acionista da Escom, e Pedro Neto, administrador da empresa, terão visto passar pelas suas contas €7,5 milhões, entre abril e maio de 2006. Desses, €6 milhões foram transferidos para uma conta na UBS de José Paulo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates residente em Angola, e já referenciado no processo Freeport. Uma parte terá sido enviada em numerário para Portugal, através de um circuito paralelo; e outra parte terá, mais tarde, sido transferida para as contas suíças do empresário e então administrador do grupo Lena, Carlos Santos Silva, suspeito de ser o testa de ferro de Sócrates.O suposto plano de Ricardo Salgado para não perder o controlo da PT não terminaria aí. Em 2007, o então líder do BES terá acordado com Sócrates e com administradores da operadora telefónica "novos pagamentos" para levar avante a estratégia de reestruturação da PT e de investimentos no Brasil. Fundos de €7 milhões foram transferidos da Espírito Santo Enterprises (E.S. Enterprises) para Bataglia em julho de 2007, justificados por um contrato que o MP diz ter sido forjado entre a Markwell, offshore do luso-angolano, e a Pinsong, uma subsidiária da E.S. Enterprises.Dos €7 milhões, €3 milhões chegariam a Santos Silva.No mesmo mês, aquela empresa do GES passou também a ser o veículo para distribuir dinheiro aos administradores da PT. O primeiro contemplado foi Henrique Granadeiro, então chairman da empresa, que terá recebido €6,5 milhões numa conta do banco Pictet, na Suíça. Em dezembro, também Bava receberia, numa conta em Singapura, os seus primeiros €6,7 milhões com origem no GES. Esse pagamento nunca foi tornado público: o antigo gestor da PT assumira ter recebido €18,5 milhões do GES em 2011, mas ocultara esta transferência de 2007. No total, terá recebido mais de €25 milhões.[h=2]€48 MILHÕES PARA ADMINISTRADORES DA PT[/h]Durante o interrogatório, Salgado justificou as transferências de 2011 para Zeinal Bava com o que chamou de "garantia fiduciária". Disse que deu adiantamentos ao então presidente--executivo da PT para garantir que a sua equipa de gestores brilhantes, com Bava "montado em cima do cavalo", não abandonava a corrida antes de pôr em ordem a brasileira Oi. E a transferência feita em 2007 para Bava? Salgado não sabia explicar.Entre 2010 e 2012, contas no banco Pictet voltaram a ser alimentadas, desta vez com €5,5 milhões e cerca de 15 milhões de francos suíços (à data o equivalente a cerca de €12 milhões).Salgado associou essas transferências a Granadeiro, constituído arguido a 24 de fevereiro, dia em que Zeinal Bava também foi ouvido e constituído arguido. São suspeitos de corrupção passiva, fraude fiscal e branqueamento de capitais na Operação Marquês.Sobre estes movimentos bancários para o ex-chairman da PT, Salgado já tinha explicações. Ou parte delas.Primeiro, que o dinheiro serviria para pagar favores antigos do gestor, do tempo em que a família do banqueiro decidira investir em negócios ruinosos de cerâmicas. Depois, que seria para pagar a aquisição de parte de uma quinta de Granadeiro, reconhecido por Salgado como "um dos maiores sábios" da área agrícola e produtor de "uns vinhos fantásticos". Qual quinta? Não sabia. Que participação? Não se lembrava. E o contrato? Não chegou a ser redigido, disse Salgado, garantindo porém que de certeza teria sido feita uma avaliação. No total, os administradores da PT terão recebido mais de €48 milhões, mais do dobro dos €22 milhões que terão chegado a Sócrates pelas suas alegadas interferências políticas nos negócios da operadora telefónica.No ano de 2010, novas propostas alargaram os horizontes da PT.A operadora portuguesa e a espanhola Telefónica tinham participações na brasileira Vivo. Em junho de 2010, a Telefónica formalizou uma proposta para adquirir a participação da PT.À primeira vista, o negócio era bom para a empresa portuguesa, que encaixava o dinheiro da venda da Vivo e ganhava fundos para entrar no capital da Oi, outra operadora de telecomunicações brasileira.Salgado não estava convencido.Nesse momento, segundo o MP, o antigo banqueiro terá montado uma estratégia "para convencer o poder político a usar a goldenshare" detida pelo Estado na PT. A assembleia geral da PT concordou na venda da participação da Vivo à Telefónica. E no mesmo dia Sócrates usou as "ações douradas" para bloquear o processo.A estratégia permitiu que a Vivo subisse a oferta de €7,15 mil milhões para €7,5 mil milhões, um valor que se considerava impensável. Na mesma data, a PT fez um acordo prévio para aquisição de capital da Oi.Uns meses depois, em novembro, os administradores da PT foram compensados pela estratégia de expansão para o Brasil com novas transferências da E.S. Enterprises. Nas mesmas datas, Salgado recebeu dinheiro daquela empresa na sua Savoices e €4 milhões foram transferidos para Álvaro Sobrinho, então presidente do BES Angola.O MP também descobriu movimentos em sentido inverso: entradas de verbas na E.S. Enterprises vindas da Socidesa, uma sociedade offshore com ligações à família de Sobrinho e que terá beneficiado dos créditos sem garantias dados pelo banco angolano. Salgado não soube explicar nenhuma das operações, mas lembrou não ser a única pessoa do grupo a poder movimentar as contas da empresa.[h=2]"NUNCA FUI ÍNTIMO DE SÓCRATES"[/h]Ricardo Salgado acabaria por não se ficar só pelo "copinho de água". Depois de uma paragem, regressou à sala do DCIAP e quis fazer uma declaração sobre o seu caráter: teria cometido erros de julgamento mas não "erros de princípio". Nunca tinha falado "com o engenheiro José Sócrates" sobre a história da PT. E muito menos tinha entregado subornos a um ex-primeiro-ministro. E as coincidências das datas das transferências do Grupo Espírito Santo com as datas de decisões importantes para a PT? Salgado reconhecia a coincidência e respondia com humor: "Já ouvi falar várias vezes do diabo. Isto foi o diabo." Com José Sócrates diz ter mantido apenas "relações institucionais". "Nada de intimidades." Aliás, nunca tivera relações íntimas com nenhum primeiro-ministro. Nunca usara contas de passagem. E tinha ficado "perplexo" por o dinheiro ter ido parar a Santos Silva, que jurou nunca ter visto. De resto, tinha estado duas vezes contra Sócrates publicamente: quando disse que a Vivo não devia ser vendida e quando, em 2011, foi à TVI defender a intervenção da troika. Desde então, acreditava que o ex-primeiro-ministro estaria "um bocado torcido" consigo. Depois disso, Sócrates não teria ido jantar à sua casa em Cascais?, perguntaram-lhe. Salgado tinha a vaga ideia de ter recebido uma visita de Sócrates no seu regresso de Paris, a pretexto da entrega do seu livro, que o banqueiro disse nunca ter lido. Nesse contexto, admitia lapsos de memória, mas não sobre passagens de dinheiro.Isso, disse, só podia ter sido feito por uma pessoa: "Hélder Bataglia."[h=2]DOIS PÁSSAROS, AS MESMAS PENAS[/h]Desde o início da conversa que Ricardo Salgado pedia paciência e tentava interromper a ordem das perguntas para falar sobre as suas relações com Hélder Bataglia. Naquele dia, 18 de janeiro, Salgado já sabia que estava ali por causa do depoimento demolidor daquele que foi o homem do GES em África. Cerca de duas semanas antes, Bataglia tinha ido a Lisboa incriminar Salgado, dizendo que o então presidente do BES lhe pedira para ser intermediário do dinheiro para Santos Silva.Salgado estava inquieto por ripostar.E na onda acabou também por arrastar o ex-presidente do BES Angola (BESA), dizendo que, "ao buracão" de Sobrinho (havia 5 mil milhões de dólares de créditos irregulares no BESA), hoje já não tinha receio de juntar o nome de Bataglia. Salgado citou até o que dizia ser um provérbio inglês: "Pássaros com as mesmas penas voam juntos." Contou que seria uma cunhada de Sobrinho a aprovar os créditos no BESA e que o angolano, escolhido para o cargo pelos seus dotes matemáticos, teria usado a matemática "só para benefício próprio".O ex-presidente do BES ia lançado e não poupou nas palavras. Quando ouviu que Bataglia tinha dito que vendera a sua posição no BESA a Sobrinho por 60 milhões de dólares, questionou de onde viria esse dinheiro, afirmando ter "quase a certeza" de que saíra dos cofres do banco em Angola. Nessa altura, insistiu, Sobri nho já se teria "servido muito bem" e já se falava que sairia de Angola com o dinheiro "em malas". Salgado estranhava que tivesse comprado uma torre na Escom (o mais emblemático prédio de Luanda) por 400 milhões de dólares, financiado pelo BESA, e posteriormente vendido a torre por 800 milhões a outra entidade, também financiada por aquele banco. Para Salgado, era um escândalo como em Angola ainda ninguém lhe tinha tocado.Para o ex-presidente do BES, isso só se explicava de uma maneira: com a existência de mais pessoas a lucrarem com o prejuízo do banco.Embalado, Salgado chegou mesmo a levar para a história nomes de generais.Disse ter ficado surpreendido ao saber que a equipa liderada por Rui Guerra que substituiu Álvaro Sobrinho no comando do BESA tinha chegado a Angola com "passaportes militares" e sido reencaminhada para o general Leopoldino Nascimento ("Dino"). "O Kopelipa era mais regrado", terá então comentado Salgado.O ex-líder do BES recordou como Bataglia tinha entrado no grupo nos anos 90; e como o BES tinha ajudado Angola ao liderar um sindicato bancário, que deu um empréstimo para o país conseguir pagar uma parte da sua dívida. Aqui, Salgado brincou. Disse que se as pessoas agora não gostavam de ouvir falar de offshores deviam saber que o Estado português tinha montado uma nesse negócio, para onde iriam os fundos para pagar a Portugal com "garantias de barris de petróleo". Ironia maior ainda, lembrava Salgado, é que na mesa dessas reuniões estivesse sentado Carlos Costa, então na área internacional do BCP, e hoje governador do Banco de Portugal.Depois da expansão dos negócios da Escom, o BES consegue a licença para abrir o primeiro banco de direito angolano e o BESA começa a crescer brutalmente. Cresce tudo de forma tão "inusitada" que Bataglia salta dali para o Congo Brazzaville. Para Salgado, esta terá sido mais uma forma de "passar dinheiros de Angola para fora".A primeira vez que se sentira traído por Bataglia aconteceu quando "um chinês esquisitíssimo" chamado Sam Pa, trazido na mão pelo luso-angolano, quis fazer negócios com o GES e lhes "passou a perna". Certo é que, por mais desavenças que tivesse com Bataglia, e por mais que o chateasse que o fundador da Escom estivesse a toda a hora a pedir "success fees", Salgado até assinou um contrato de prestação de serviços em 2005, prometendo remunerá-lo em negócios do petróleo aos diamantes, como diz ter feito.O MP não acredita na veracidade deste contrato. Dos €29 milhões que o GES terá dado a Bataglia, o luso-angolano só terá ficado com €7 milhões.[h=2]A BONDADE NOS NEGÓCIOS DA PT[/h]Salgado arrancou sorrisos na sala ao dizer que todas as decisões que tomou enquanto acionista da PT tinham sido em defesa da empresa e não com "objetivos maquiavélicos". E lamentou o facto de hoje já não conseguir convencer as pessoas da sua "bondade".Contou que soube pelo bilionário mexicano Carlos Slim que a Telefónica iria comprar a Vivo. Slim estaria interessado porque era concorrente da Telefónica no Brasil. E Salgado não via razões para apoiar a OPA, nem para favorecer os espanhóis na venda da participação na Vivo, numa altura em que todos tinham interesse em estar no Brasil.Também desmentiu ter forçado Nuno Vasconcellos, então presidente da Ongoing, a entrar no capital da PT.Vasconcellos era "Rocha dos Santos" pelo lado materno e, por aí, tinha capitais.O erro, diz, foi que Vasconcellos "exagerou" ao convencer-se de que a Ongoing iria ser "uma grande empresa de multimédia".Sobre os alegados lucros obtidos com a separação entre a PT e a PT Multimédia, em 2007, Salgado teimou em desmenti-los, puxando dos galões por ter sido durante 12 anos membro do Nyse Euronext, em Nova Iorque: "Ó sr. procurador, se alguém sabe alguma coisa de mercados sou eu!" O ex-presidente do BES foi então levado a explicar as alterações no conselho de administração da PT, com a saída de Miguel Horta e Costa e a entrada de Henrique Granadeiro.É que César Alierta, presidente da Telefónica, teria convidado Horta e Costa para o conselho de administração da operadora espanhola. Além disso, recordou Salgado, a imagem do gestor estava denegrida na empresa.Porque, além de Horta e Costa "se vestir muito bem" e ter "gravatas muito bonitas", seria conhecido pelas viagens ao Brasil, "despesas sumptuárias" em festas e por ir a Paris apanhar um avião para São Paulo só para ir recostado "em cadeiras-cama". Granadeiro, por seu turno, seria "extremamente controlado" nas despesas.[h=2]MILHÕES PARA HOMEM DE LULA[/h]No interrogatório, que estava a ser gravado, o MP destacou Salgado como o grande impulsionador de outro plano para favorecer as parcerias da PT no Brasil. Salgado terá convencido a administração da PT a fazer pagamentos de 500 mil euros a José Dirceu, então braço-direito do presidente Lula da Silva, através de "pretensos contratos" de prestação de serviços com a sociedade de advogados de Abrantes Serra, já constituído arguido na Operação Marquês. Terá ainda desembolsado mais de €1,2 milhões (sem IVA) para Dirceu, através da Espírito Santo Financial, outra empresa do GES. Para o efeito, terão sido encenados outros contratos de prestação de serviços com aquele escritório, que justificavam uma avença de 30 mil euros por mês.Esses pagamentos, que se estenderam durante três anos, terão acabado numa conta que seria usada exclusivamente para pagar despesas, designadamente viagens, do ex-ministro Dirceu, condenado em 2016, no Brasil, a uma pena de 23 anos de prisão no processo Lava-Jato.Salgado insistiu que o dinheiro não era para Dirceu, mas para pagar ao escritório de advogados que tinha correspondentes no Brasil, para o ajudarem num processo judicial antigo relacionado com a invasão de uma propriedade da família. Mas Rosário Teixeira não descolava dos factos: Dirceu reunira-se em Portugal com Granadeiro e os pagamentos entregues a Abrantes Serra tinham acabado numa conta bancária onde, durante muitos anos, não tinha caído um cêntimo além dos do GES. Rosário Teixeira terá então desabafado em voz alta: "Outra vez essas coincidências..."[h=1]Para quem foi o dinheiro[/h]O Grupo Espírito Santo terá distribuído mais de €90 milhões, de forma encapotada, por responsáveis políticos, administradores da PT e banqueiros, incluindo o próprio Ricardo SalgadoOs pagamentos para a PTEm 2007 saíram cerca de €13,2 milhões da Espírito Santo Enterprises, do GES, para contas de Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.A 9 de julho saem €6 milhões para Granadeiro e a 7 de dezembro mais 468 mil euros. Nesse mesmo dia de dezembro, Bava recebe €6,7 milhões. De 2010 a 2012, decorre uma nova ronda de pagamentos.São feitas cinco transferências para contas no banco Picté, na Suíça, que Salgado associa a Granadeiro no interrogatório. Em janeiro de 2011, uma conta em Singapura de uma offshore de Bava recebe €8,5 milhões. Outros €10 milhões chegam em setembro desse ano.No total, os administradores da PT terão lucrado mais de 48 milhões de euros.Os pagamentos para SócratesSegundo o Ministério Público, Salgado terá dado as primeiras ordens de transferências para o então primeiro-ministro em abril de 2006. Os fundos vêm do BES Angola e da Sucursal Financeira Exterior do BES, através de supostos financiamentos à Escom, a empresa do Grupo Espírito Santo em que Hélder Bataglia detinha 33%. Seguem para uma conta do BESA no Santander. Passam por Hélder Bataglia e Pedro Neto, administrador da Escom. Vão para uma conta de José Paulo Pinto de Sousa, primo de Sócrates.Uma parte chega a Portugal em numerário, através de um circuito paralelo. Outra segue para as contas suíças de Santos Silva, mas só em 2008. Em julho de 2007, seguem mais €7 milhões para Bataglia, mas desta vez com origem no alegado saco azul do GES (a Espírito Santo Enterprises): só €3 milhões chegam a Santos Silva. Em 2008 e 2009, a ronda de pagamentos para Sócrates completa-se com a chegada à Suíça de €12 milhões, através de duas offshores de Bataglia, a Monkway e a Markwell. O primeiro circuito financeiro não incluiria Carlos Santos Silva. Na verdade, o empresário só foi chamado ao plano de ocultação de fundos em 2008. Até então, segundo Rosário Teixeira, o alegado testa de ferro seria José Paulo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates residente em Angola, conhecido como "O Gordo". O problema começou quando José Paulo passou a ser visado em investigações judiciais, como o processo Freeport, que rebentara nas vésperas das eleições legislativas e continuaria a perseguir Sócrates depois de ser eleito. Era preciso desviar os fundos para alguém mais discreto, que escapasse aos olhos da justiça.Terão então escolhido Santos Silva.Os pagamentos para Ricardo SalgadoDepois de concluída a venda da participação na Vivo por mais €350 milhões (devido ao uso das "ações douradas" pelo Estado), e da entrada da PT no capital da operadora Oi, o alegado saco azul do GES transferiu a 8 e a 18 de novembro de 2010 mais €7,5 milhões para a Green Emerald, offshore de Bataglia.Só que desta vez o destinatário final não seria José Sócrates. A 9 de novembro são feitas duas transferências para a sociedade Savoices, de Ricardo Salgado, no total de €2,75 milhões. A 21 de outubro de 2011, outros €4 milhões seguem diretamente da Espírito Santo Enterprises para a Savoices, que acumula assim €6,75 milhões.Em 2011, a Green Emerald volta a distribuir verbas que tinham ficado guardadas desde a transferência do GES, ainda em 2010: a 3 de janeiro saem €4 milhões com destino à Grunberg, de Álvaro Sobrinho, então presidente do BESA.[/FONT]
 
Estes gajos até parecem suíços...

Ha uma diferença:

WED SEP 3, 2014 / 8:00 AM EDT
Swiss watchdog investigates Espirito Santo private bank
Reuters Staff

Photo
People walk near an office of Portuguese bank Banco Espirito Santo (BES) in downtown Lisbon August 26, 2014.
REUTERS/HUGO CORREIA
(Reuters) - Switzerland's financial regulator said on Wednesday it is investigating Banque Privee Espirito Santo SA (BPES), a Swiss private bank which is part of the Espirito Santo family's troubled business empire.

The Lausanne-based bank is owned by Espirito Santo Financial Group (ESFG), which has been under creditor protection since late July after it buckled under massive debts linked to its founding family.

ESFG was the biggest shareholder in Banco Espirito Santo, which was Portugal's largest listed bank that had to be rescued on Aug 4 in a 4.9 billion euro (6.44 billion US dollar) deal.
 
E que transacçoes suspeitas sao investigadas.

Em Portugal o patrao compra um bmw e paga menos e o povo acha normal.

Cada vez que vou a Portugal e ouço isto.

Entao os rogue traders sao presos asap. Em Portugal injecta-se milhoes num fundo perdido e nada acontece.

Nenhum empregado reporta? Estamos mesmo mal
 
E que transacçoes suspeitas sao investigadas.

Em Portugal o patrao compra um bmw e paga menos e o povo acha normal.

Cada vez que vou a Portugal e ouço isto.

Entao os rogue traders sao presos asap. Em Portugal injecta-se milhoes num fundo perdido e nada acontece.

Nenhum empregado tem tomates e reporta? Estamos mesmo mal

Vais começar a ser reportado por spam. Já chega de ler sempre a mesma coisa.
 
Ha uma diferença:

WED SEP 3, 2014 / 8:00 AM EDT
Swiss watchdog investigates Espirito Santo private bank
Reuters Staff

Photo
People walk near an office of Portuguese bank Banco Espirito Santo (BES) in downtown Lisbon August 26, 2014.
REUTERS/HUGO CORREIA
(Reuters) - Switzerland's financial regulator said on Wednesday it is investigating Banque Privee Espirito Santo SA (BPES), a Swiss private bank which is part of the Espirito Santo family's troubled business empire.

The Lausanne-based bank is owned by Espirito Santo Financial Group (ESFG), which has been under creditor protection since late July after it buckled under massive debts linked to its founding family.

ESFG was the biggest shareholder in Banco Espirito Santo, which was Portugal's largest listed bank that had to be rescued on Aug 4 in a 4.9 billion euro (6.44 billion US dollar) deal.

Apresentar a Suíça como um exemplo no que toca à transparência financeira e investigação séria da criminalidade financeira é para rir à gargalhada.[:)]
 
Pelos vistos qualquer calhau com olhos era capaz de fazer melhor do que "um dos melhores CEOs da Europa".
 
1) não li o relambório.
2) a mim nunca me enganou
3) cheguei a ser criticado aqui no FAH qd desconfiei das competências dele qd ele era o supra sumo da batata
4) Com recursos ilimitados ( mesmo que falsamente): qq bandalho é bom CEO. Contrata os melhores marketeiros os melhores técnicos os melhores em todas a áreas, paga-lhes bem e cria um seita à volta dele e vai dando palestras e entrevistas para criar o mito à volta dele.
5) temos outros da mesma escola. Basta esta atento.
6)E um coisa aprendemos: todo o CEO de carreira (aquele que herda ou assume comando de empresa alheia) com suporte dos accionistas: é sempre um fantoche. Sempre. Quem manda nas empresas é sempre o detentor do capital , como se viu, não necessariamente aquele que detém mais capital.
7) Vai voltar a acontecer em Portugal( tudo: bancos ao charco e empresa grandes esfumadas) tão certo como hoje ser 3ª feira 21 de Novembro.
 
Pelos vistos qualquer calhau com olhos era capaz de fazer melhor do que "um dos melhores CEOs da Europa".
Qualquer pessoa com olhos na cara já há muito que percebeu que o Zeinal e outros da sua laia não são mais do que boys que não estao no cargo pelas suas competências mas pela lista de contactos.
 
Nãaaa, não acredito, esse gestor de topo que há anos atrás era adorado, especialmente no tópico da crise, tido como a última bolacha do pacote...fez uma coisa dessas....é mentira, só pode....isso é uma cabala como a que armaram contra o sócrates e a família espírito santinho, só pode
 
1) não li o relambório.
2) a mim nunca me enganou
3) cheguei a ser criticado aqui no FAH qd desconfiei das competências dele qd ele era o supra sumo da batata
4) Com recursos ilimitados ( mesmo que falsamente): qq bandalho é bom CEO. Contrata os melhores marketeiros os melhores técnicos os melhores em todas a áreas, paga-lhes bem e cria um seita à volta dele e vai dando palestras e entrevistas para criar o mito à volta dele.
5) temos outros da mesma escola. Basta esta atento.
6)E um coisa aprendemos: todo o CEO de carreira (aquele que herda ou assume comando de empresa alheia) com suporte dos accionistas: é sempre um fantoche. Sempre. Quem manda nas empresas é sempre o detentor do capital , como se viu, não necessariamente aquele que detém mais capital.
7) Vai voltar a acontecer em Portugal( tudo: bancos ao charco e empresa grandes esfumadas) tão certo como hoje ser 3ª feira 21 de Novembro.

este post diz tudo, especialmente o último ponto----um grande like para os Pastis
 
Qualquer pessoa com olhos na cara já há muito que percebeu que o Zeinal e outros da sua laia não são mais do que boys que não estao no cargo pelas suas competências mas pela lista de contactos.

Era um individuo socialmente inteligente. Manipulador e encantador. Sem dúvida. Sempre houve mercado de trabalho para pessoas assim. São extremamente úteis mas nem sempre é boa ideia colocá-los no top das organizações.

Porquê? O que é que resta hj da PT? Naõ é preciso dizer + nada. Esfumou-se a zero.
Restam activos pertencentes a credores.
Não há espinha dorsal na empresa.
 
Alguém me explica como é que a PT tinha para começar aqueles excedentes todos de tesouraria?
 
Alguém me explica como é que a PT tinha para começar aqueles excedentes todos de tesouraria?

É perguntar aos financeiros de top que os cozinharam e às consultoras de top que os validaram.

Não sou guru mas pode acontecer isso quando recebes agora dinheiro referente a serviços futuros ou quando começas a facturar um serviço ao teu cliente suportado num financiamento já recebido mas que ainda não estás a amortizar nem a pagar juros do mesmo (parece estranho mas pode ocorrer).

O dinheiro deve aplicar-se em aplicações de curto temos sem risco na medida em que não é teu na realidade pois que tens de o devolver a 3ºs no futuro. Não deve ser considerado lucro mas mas só um contabilista poderá esclarecer.

Não sei se foi 1 dos casos.
 
É perguntar aos financeiros de top que os cozinharam e às consultoras de top que os validaram.

Não sou guru mas pode acontecer isso quando recebes agora dinheiro referente a serviços futuros ou quando começas a facturar um serviço ao teu cliente suportado num financiamento já recebido mas que ainda não estás a amortizar nem a pagar juros do mesmo (parece estranho mas pode ocorrer).

O dinheiro deve aplicar-se em aplicações de curto temos sem risco na medida em que não é teu na realidade pois que tens de o devolver a 3ºs no futuro. Não deve ser considerado lucro mas mas só um contabilista poderá esclarecer.

Não sei se foi 1 dos casos.

Pode acontecer, mas eu suspeito de outras explicações como lucros supranormais, ausência de concorrência, conluio, etc..
 
O que se passou com a Portugal Telecom durante o governo Sócrates é um dos maiores crimes económicos e financeiros da história moderna portuguesa.

A maior empresa portuguesa, com uma dimensão que só a EDP conseguia rivalizar, desapareceu em meia dúzia de anos graças a 3 ou 4 corruptos.

E o país assistiu a tudo impávida e serenamente.
 
Cinquenta milhões de euros só para dois corruptos. A nível de beneficios da corrupção parece que levam a melhor sobre o Pinócrates. Ele agora ao saber disto deve estar chateado por o Salgado lhe ter pago tão pouco. :sh)
Isto fala-se em dezenas de milhões como se não fosse nada. Fora isto que se conhece, deve haver centenas ou milhares de milhões de euros em contas de ex-governantes e ex-gestores.
Isto só foi tudo descoberto porque o Pinócrates não foi cuidadoso e porque estava o Passos Coelho no governo, que felizmente não salvou o BES.
Se o governo fosse outro, se o Pinócrates não tivesse ido para Paris viver à grande e à francesa, provavelmente nunca saberíamos estes casos de corrupção.
E de certeza que deve haver por aí muito mais dinheiro escondido. Temos andado a ser roubados à grande, e o pessoal gosta, porque ainda os defende e ainda vota neles. [8b][8b]
 
Zeinal Bava é para mim uma lição de vida, mas pelos piores motivos. À medida que vamos avançando na idade vamos aprendendo coisas, captando padrões, e percebendo como é que se faz para farejar certas coisas à distância. Numa palavra, vamos ganhando experiência.
Zeinal Bava, que eu conheço pessoalmente mas fora de contexto profissional, era praticamente endeusado dentro da PT (e fora também). Toda a gente que falava com ele bebia-lhe as palavras com fervor, como se estivesse a falar com Cristo na Terra! Isto era assim porque Zeinal Bava é um excelente orador, um contador de histórias nato. O problema é que o foco da sua grande inteligência (não nego que a tenha) está aí e em mais nada: contar histórias bem contadas. Bava é daqueles tipos extremamente insuflados que conseguiu enganar muita gente durante muito tempo. Mas no fim viu-se que é apenas mais uma pessoa comum, facilmente corruptível. Mas não é só isso. Se formos a ver bem toda a carreira de Zeinal Bava na PT (e para isso é preciso ter passado por lá), acabaremos por ver que ele sempre foi um verbo de encher, e que nenhum dos sucessos da PT se deveu a ele, mas sim a actores mais ou menos anónimos dentro daquela casa, ficando o Bava com os louros todos. Já quanto aos insucessos e ao rumo que a PT levou, está bom de ver de quem é a culpa.

Para mim, Zeinal Bava é o arquétipo de um certo tipo de pessoa que infelizmente tem aparecido cada vez mais por aí: o Guru (da gestão, da finança, do empreendedorismo, disto e daquilo). Com raríssimas excepções, o Guru mais tarde ou mais cedo acaba por se revelar.
Portanto, façam como eu: quando alguém vos apresentar alguém como sendo o supra-sumo disto ou daquilo, desconfiem logo!
 
33Stradale, acabaste de escrever algo com muito valor, que reflete muita sabedoria e experiência de vida.

E essa caracterização do Zeinal aplica-se a muitas outras pessoas que pululam nos media e sociedade, desde empresários a políticos. Infelizmente, cada vez mais o importante é o "parecer" em vez do "ser"...
 
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