Consumos - estranhas constatações

E esse atmosférico mais antigo estava montado numa carroçaria com algumas semelhanças com a da Scenic que mencionas?

Era a minha ex 156 SW que tambem nao era propriamente leve e ja se sabe que tambem era um bocado gulosa.

Sendo que os trajectos que fazia em ambos era um misto de cidade e estradas secundarias pouco movimentadas.
 
Os SUVs para além do peso, têm normalmente uma superficie frontal consideravelmente maior e uma aerodinâmica consideravelmente pior que uma berlina ou uma station.

O 156 é leve.

Sim, concordo contigo se bem que a Scenic é mais uma amostra de monovolume do que propriamente um SUV. Mas continua a ter um CX aerodinamico pior que a 156.

De qualquer forma a Scenic neste tipo de trajecto misto, tava com consumos a rondar os 10L enquanto a 156 fazia 11L
 
Mas qual era a motorização dessa 156 sw para ter quase o dobro dos cavalos da Scenic Tce?

A Alfa ainda assim gastava mais, certo?
 
Eu prefiro que as comparações sejam feitas com base em utilizações comparáveis.

Já se sabe que um proprietário de um Prius normalmente conduz devagar e o de um M3 conduz depressa.

Um amostra estatística maior é sempre mais fiável para estimar os consumos... mas ok.

Pegando nos consumos a 90km/h e na diferença registada.
Obviamente que a caixa de velocidades tem um papel importante aqui, possivelmente o Kia vai fora do regime ideal enquanto que o Mercedes tem uma 9 relações para optimizar isso.

Por outro lado quem é que anda a 90 estabilizados?
Em AE a 90? Numa nacional com Cruise Control?

P.S. Sabendo conduzir para os consumos, o cruise control é pior que o pé direito.
 
Mas qual era a motorização dessa 156 sw para ter quase o dobro dos cavalos da Scenic Tce?

A Alfa ainda assim gastava mais, certo?

2.0 JTS com 166 cvs. Gastava 1 L a mais no mesmo percurso com o mesmo estilo de conduçao. Em AE ai sim a Scenic fazia consumos bastante bons, fiz um pequeno percurso em AE com ela e fiquei surpreendido, mas se o trajecto mete se um pouco de para-arranca, os consumos descambavam por completo.
 
O que a realidade da termodinâmica diz é o seguinte:

Ciclo diesel + turbo ........ consumo desce

Ciclo otto + turbo............. consumo sobe

É óbvio que tudo é optimizavel mas... não esperem milagres do downsizing dos motores a gasolina.

Só para entender se estou a raciocinar bem:

- O turbo num motor a gasolina faz o consumo subir comparado com o quê?

É que se for com o mesmo motor a gasolina sem turbo, só faz sentido que aumente visto que o turbo está a permitir injectar mais ar e consequentemente combustível nos cilindros...

...mas com isso surge um ganho de potência que o faz equiparar a motores atmosféricos substancialmente maiores (em cilindrada).

Se um 1.4 atmosférico tiver 80 ou 90 cavalos e passar para 160cv com turbo, ele estará próximo de algo de um motor 2.0 atmosférico ou eventualmente mais a nível de performance (se procurarmos não só potências idênticas como valores de binário idênticos).

Num 1.4 turbo com 160cv não será muito difícil fazer consumos superiores a 15 litros se for conduzido em modo de ataque durante kms a fio, mas o tal 2.0 (ou mais) atmosférico também não vai gastar 12 ou 13 litros nesse mesmo exercício com o pé a fundo.
Aliás, eu tenho comprovado que um motor 1.1 atmosférico com 160cv pode gastar mais de 15 litros se for a fundo em AE a puxar 270kg (incluindo já o peso do condutor).

Se eu não estiver muito enganado, creio que a finalidade destes novos motores pequenos turbo a gasolina é permitirem valores mais baixos de emissões e consequentes custos de homologações, testes esses que são feitos com a menor carga de acelerador possível.

E nesta linha de raciocínio, a vantagem expectável de um turbo num motor a gasolina mais pequeno é que nas alturas de pouca carga de acelerador (incluindo trânsito e afins) se está a alimentar um motor mais pequeno do que um atmosférico que tenha a mesma potência máxima.

O que não me parece de todo expectável é ter um carro a gasolina com bastantes cavalos e binário e conseguir usá-los à vontade sem pagar essa factura no consumo!

Pelo menos eu nunca vi um motor a gasolina com os tais 160cv que mencionei atrás como exemplo que não consumisse imenso quando se utilizam os cavalos! [;)]

Aliás, até um carro a diesel com essa potência vai gastar bastante se for conduzido como se tivesse sido roubado, sendo evidentemente mais poupado (mas também já o é ao ralenti).
 
2.0 JTS com 166 cvs. Gastava 1 L a mais no mesmo percurso com o mesmo estilo de conduçao. Em AE ai sim a Scenic fazia consumos bastante bons, fiz um pequeno percurso em AE com ela e fiquei surpreendido, mas se o trajecto mete se um pouco de para-arranca, os consumos descambavam por completo.

Mas o Tce da Scenic que mencionas atrás não é o de 130cv?

É que se for, o Alfa estava muito longe de ter o dobro da potência. [;)]
 
Só para entender se estou a raciocinar bem:

- O turbo num motor a gasolina faz o consumo subir comparado com o quê?

Faz parte da termodinamica base dos ciclos térmicos das máquinas térmicas (passo a redundância).

Respondendo directamente à tua questão, é comparado com o mesmo motor sem turbo.

Aplicas um turbo num motor diesel e ele baixa imediatamente o consumo. Aplicas um intercooler e baixa ainda mais.

Aplicas um turbo num motor a gasolina e ele sobe imediatamente o consumo, porque ele é estequiométrico e o diesel não.

É óbvio que o consumo final de um carro é função de um conjunto de variáveis. Se tiveres mais potência disponível vais usar menos o acelerador, etc...

Mas é muito importante distinguir esta base técnica dos motores para que não olhemos para o dowsizing com os mesmo olhos. Não é assim tão imediato que funcione nos ciclos otto. Aliás, por algum motivo se começou no diesel e demorou bastante a aplicar-se aos otto... e com resultados duvidosos.

A maioria das pessoas olha para o dowsizing como uma solução irremediavel para o futuro, mas o ciclo otto parece-me estar a beneficiar bastante mais dos restantes avanços da tecnologia: bombas de óleo, direcções eléctricas, menores inercias e atritos globais. Aliás até os turbos são hoje mais avançados, menos "gastadores".

Também não me parece alheio a esta mudança o facto de a maioria das pessoas estar habituada a motores turbo. Se calhar se dermos um 1.4T e um 2.0i (otto os 2)* a escolher, a maioria das pessoas escolhe o 1º.

edit:
*Supondo que têm a mesma potência e consumo, porque é possível.

Edit2: nos otto, o consumo parece-me bastante indexado à potência final (posso estar enganado). Nos diesel, já nos 90's era habitual ter um 1.9d, 1.9td e 1.9td_intercooler em que o mais potente era o menos gastador... sem grandes avanços tecnológicos.
 
Última edição:
Então no fundo parece-me que a minha linha de raciocínio não estará muito errada, ao indexar o consumo mais à potencia final (isto partindo do princípio que tudo o resto permanece razoavelmente dentro de parâmetros similares).

A ideia que eu tenho (e fortalecida por um motor 1.8 turbo de 180cv já algo oldschool) é que se mantivermos uma condução estilo "híbrido" [:D], com acelerações muito suaves, pouco pára-arranca e velocidades comedidas, ele consegue fazer consumos facilmente alinhados com um motor atmosférico mais pequeno.

A usar os cavalos gasta o que precisa de gastar (e precisa de muito se os usarmos todos continuamente), e no para-arranca gasta o que um normal 1.8 de injecção gasta.

Ou seja, eu acho que um motor 1.4 turbo com a mesma potência gastaria menos no pára-arranca, mas a puxar não acredito que poupasse algo "que se visse".

É o que dizia antes: - nunca vi um carro a gasolina potente a gastar pouco enquanto se usam os cavalos. [;)]
 
São testes de revistas, analíticos e desfasados de condições reais, valem o que valem.
Até me questiono se não serão médias de CB feitas num pequeno troço.

Tirei do SprintMonitor, onde os consumos fazem muito mais sentido face ao esperado.

Consumo / N.º Utilizadores
7.37 / 13 -------- Mercedes GLC 250d
6.43 / 24 -------- Kia Sportage 1,7 crdi
10.79 / 8 ------- Range Rover Sport 3,0 diesel
8.82 / 8 -------- Jeep Renegade 1,4 multiair
Sem dados ------ Mercedes GLE 63S, mas um GL 500 faz 16l
Pelo menos nos testes de revista as condicoes sao sempre iguais (ou muito parecidas).
O spritmonitor não é nada fiavel, na minha opinião.
 
A que se deve a diferença de 2L dos 90 km/h (4,7) para os 120k/h (6,7) no GLC? Aerodinâmica?

Tem a ver com a carga no acelerador.

A 90 deve ir mesmo só com um fiozinho a umas 1.500/1.800 rpms e a 120 tem que ser com um pouco mais de carga a umas 2.000/2.500.

Da mesma forma que se for a 150 deverá gastar uns bons 2,5 ou 3 litros mais e por aí adiante num crescimento exponencial.
 
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