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Fifa planeja fazer Copa América a cada quatro anos
RODRIGO BUENO
da
Folha de S.Paulo, em Maracaibo (VEN)
A Fifa quer a Copa América a cada quatro anos. E a Conmebol está com receio de aumentar a periodicidade do torneio.
Quem revela isso é o paraguaio Nicolás Leoz, presidente da Conmebol e membro do Comitê Executivo da Fifa, que falou com a
Folha de S.Paulo ontem em Maracaibo antes da primeira semifinal da Copa América.
"Ainda não sabemos de quanto em quanto tempo haverá Copa América. A Fifa está pedindo que mudemos, que façamos de quatro em quatro anos.
Mas vamos definir ainda. Pode ser de três em três ou de dois em dois anos.
A princípio, a próxima edição do torneio seria em 2009", falou o dirigente.
A proposta da Fifa é não inchar o calendário mundial e fazer a Copa América ser uma disputa paralela à Eurocopa, o torneio europeu de seleções que ocorre a cada quatro anos.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, é esperado na Venezuela no final de semana --chegaria ao país-sede da Copa América na sexta-feira para ver a decisão do torneio.
A Conmebol tem na Copa América seu principal produto (acaba de lançar um livro com toda a história do torneio) e teme perder dinheiro se a competição for mais espaçada. Hoje, a disputa é exibida para 188 países e é organizada de forma a não conflitar comercialmente com a Eurocopa, que é jogada sempre nos anos olímpicos.
"Vamos definir nos próximos dias também o local da próxima edição. O México nos pediu, sim, para receber o torneio. E a Conmebol não vê problema em fazer uma Copa América fora da América do Sul. Mas a Argentina também quer o torneio", disse Leoz.
A Argentina abriu em 1987 um rodízio de países-sede da Copa América. A partir daquele ano, todos os membros da Conmebol foram recebendo a competição a cada dois anos. Um pulo de três anos, porém, já foi dado da edição no Peru, em 2004, para a disputa deste ano.
O presidente da federação argentina, Julio Grondona, também vice-presidente da Fifa, enfrenta agora oposição forte em seu país, uma vez que Carlos Bilardo tenta assumir seu posto. Essa disputa política, além da fila de títulos da seleção argentina principal, aumenta o interesse do país em ser sede do evento continental.
A Traffic, empresa que tem os direitos sobre o torneio, cuidará de pelo menos mais duas edições do evento. "Seria legal se o México recebesse a Copa América. Eles têm disputado todas as edições já faz tempo", diz J. Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo.
Segundo ele, seja lá qual for a sede da próxima edição, terá que enfrentar um desafio. "Será uma responsabilidade grande porque se espera uma Copa América melhor que a da Venezuela, que está muito boa."
Os venezuelanos têm recebido muitos elogios dos dirigentes da Conmebol e, além de pedir à Fifa a sede de um Mundial sub-20 ou sub-17, agora já há planos para Copa do Mundo.
"Há o rodízio de continentes, e queremos ver a próxima Copa na América do Sul, no Brasil. Depois, em 2022, podemos apresentar candidatura, pois temos os melhores estádios da América do Sul", falou Rafael Esquivel, o presidente da federação venezuelana.
A Conmebol, ao apontar a Copa América deste ano como a "melhor da história", destacou o aumento de jornalistas no torneio (de 3.800 credenciados em 2004 para 5.749).
Em http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u310908.shtml
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