Eu próprio quando isto andava só pela China fartei-me de desvalorizar em privado, "tanta coisa por causa de uma gripe e tal", e agora perante o quadro italiano e espanhol estou de quarentena voluntária muito antes da imposta pelo governo. Até porque sou doente crónico de risco.
Esta geração (dos que estão vivos agora) nunca tinha passado por isto, e com tanta teoria da conspiração e 'fake news' por aí é normal que desvalorizassem. Quando finalmente perceberam que era a sério foram apanhados com as calças em baixo, ao contrário daqueles países que já tinham tido experiência com o SARS.
Depois disto, se houver uma próxima, vamos estar muito melhor preparados. Mas, claro, casa roubada, trancas à porta. Foi assim em todo o mundo.
Mas tento manter alguma sanidade mental no meio de tudo isto. Entrar em parafuso (não estou a dizer que é o teu caso!) perante o número de casos e de mortos não é solução. Até porque nunca olhei para essas estatísticas no meu dia-a-dia, aquelas que dizem que morrem 16 pessoas por dia de pneumonia em Portugal. Muitas mais do que as que têm morrido com o Covid, felizmente. Ou pelo menos, por enquanto.
Acho que em Portugal em 2017 morreram 2500 pessoas de pneumonia. Mas isso foi NUM ANO. Esta pandemia se não se fizer nada tem potencial para ter esse número de mortos POR DIA. Portanto, olhar apenas para o total de mortos num ano, quando isto ainda agora começou, induz imediatamente em erro.
Quanto aos cuidados, só acho realmente contra-producente quando se entra no campo do obsessivo-compulsivo (por exemplo, lavar as mãos de 5 em 5 minutos, passar o dia todo a desinfectar a casa descurando outras tarefas, etc...). De resto é apenas ter mais cuidados que o normal.
É que repara, mesmo que a probabilidade de levar o virus para casa na superficie de uma embalagem seja na prática muito baixa, ela não é ZERO. E mesmo quando a probabilidade é 0,00001%, há sempre alguém que é o tal 0,00001% que entra para a estatistica. Há sempre alguém que leva com a fava, ele apenas está a diminuir a probabilidade de vir a ser ele e a familia - o que, no meu entender, é uma atitude perfeitamente compreensivel.
Agora, que vai haver muita gente a dar em maluquinho ao final de algum tempo fechado em casa, ai isso não tenho dúvidas. Eu felizmente já trabalho em casa há muitos anos, por isso estou habituado - mas mesmo assim o facto de ser imposto (voluntáriamente ou não) pela situação presente faz muita diferença.