No Público de hoje:
“(…) Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), deu uma longa entrevista ao PÚBLICO que deveria ser de leitura obrigatória (…).
A percentagem de alunos que estão no ensino secundário privado já atinge os 25% em Portugal. (…)
É verdade que, nesse bolo dos 25%, há contratos de associação e escolas profissionais.
Mas mesmo retirando essas escolas, ainda ficamos com “17% ou 18% dos alunos” a pagar para estudar.
Diz o director executivo da AEEP: “
A generalidade dos países civilizados tem 2%, 3%, 4%, 5% dos alunos a pagar. Ninguém tem o que nós temos.”
E as consequências disso não estão apenas na desigualdade do ensino.
Estão na criação de uma bolha de “segregação social”.
“O que isto significa é que aqueles que dão mais valor à educação estão a crescer juntos e a ser educados juntos, do 1.º ano ao 12.º, conhecem-se, namoram, vão casar-se, construir empresas juntos, network… Isto é uma bolha.
“Repare, uma bolha de 2% ou 3% acontece em todos os países, é indiferente. Uma bolha de 17%? É uma loucura em termos sociais.” (…)
Há colégios que não nasceram “só para educar uma elite”, e desejam uma escola mais diversa.
(…) O know-how de que dispõem fica fechado na bolha dos privilegiados e não se estende àqueles que no país mais necessitam desse conhecimento.
Este é o tipo de assunto que merecia estar a ser discutido na campanha eleitoral.
Não se vê nada. (…)
A direita vive com medo da própria sombra e do poder da Fenprof.
A esquerda enche a boca com a escola pública, mas é a grande responsável pelo seu declínio. (…)
Os alunos do ensino público estão há anos a ficar para trás, enquanto sucessivos governos proclamam o seu amor à escola pública. (…)
Mudem.
Arrisquem.
Façam alguma coisa.”
https://www.publico.pt/2025/05/12/opiniao/opiniao/entrevista-ler-aprender-mudar-ensino-pais-2132770