Estamos cá para escrever e argumentar. [

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Quando digo "povo" quero dizer sociedade em geral.
O que tentei explicar é que num ciclo de expansão a economia cresce como um castelo insuflável e a expectativa de ganhos - de que a coisa corre bem - leva-nos a excessos de uma forma geral.
Há 3 anos as bolsas cresciam fortemente, os lucros eram crescentes, os mercados emergentes estavam a explodir e a riqueza multiplicava-se.
Estes ciclos geram sempre a ideia que é possível ir mais longe - todos nos tornamos mais exigentes, queremos mais.
Provavelmente, qualquer um de nós não faria hoje o que fez no ano de 2005 - comprar casa, comprar carro, ir de férias, trocar de emprego, investir numa empresa - a economia baseia-se em expectativas, que alimentam o crescimento.
Os bancos só emprestaram a quem não podia pagar porque o dinheiro era barato e abundante - por outro lado, a pessão da procura justificava a oferta - por isso é que digo que a culpa é nossa. [

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O exemplo dos créditos instantaneos, vulgo cetelems, cofidis e afins:
1) o banco obtém dinheiro a rodos no mercado interbancário a taxas de financiamento em torno de euribor+0,2% - com euribor na altura a 2-3%, estamos a falar de custos de 3%.
2) coloca no mercado em pequenas tranches de 5-10 mil € (dispersando o risco de incumprimento) a taxas de 20%.
3) estamos a falar de margens de 15% líquidas (descontando custos de publicidade, estrutura, etc).
4) por ex., o banco pede 1.000.000€ para distribuir no pograma do Goucha, em empréstimos de 10.000€ a pagar em 4 anos.
São 100 empréstimos.
Vamos admitir uma taxa de incumprimento de 10% (o valor da banca nacional situa-se actualmente em cerca de 2,5%)
Margem anual para o banco = 150 mil €
Prejuízo nos 4 anos = 100 mil €
Resultado líquido nos 4 anos = 500 mil €
É esta a lógica de atribuição do crédito nestes casos.
Só que a teoria dos ciclos diz-nos que tudo tem um prazo. O prazo deste ciclo terminou abruptamente quando alguém percebeu que os EUA andavam a sonhar alto no mercado imobiliário - nos empréstimos NINJA (No Income No Job or Assets - exactamente o mesmo exemplo Cetelem aplicado ao financiamento imobiliário, com a diferença que esperavam também que a valorização dos imóveis contribuisse para rentabilidades estrondosas - foi esta premissa que deu cabo do negócio).
E depois de quebradas as expectativas, entramos na ressaca e viramos para o pessimismo, onde se considera que tudo o que fizemos no período anterior foi uma palhaçada sem fundamento.
O problema é que nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Estamos agora na ressaca. Tomemos guronsan, que há-de passar! [

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