Crise !? Satus !? Mais Olhos que Barriga???

O facto de estarem mais baratas, não quer dizer absolutamente nada, pois os preços das casas em Portugal ainda estão muito inflacionados logo estão acima do seu real valor!!

Agora se me disseres que existem montes de familias que estão com a corda na garganta e vendem abaixo do preço que estão a dever à banca, só para ficar com uma prestação melhor, isso não é comprar é beneficiar da desgraça alheia

Uma compra é o dar dinheiro que pedem por aquilo que querem vendem....

independente dos motivos pessoais e da razão de quem vende...
 
uma pergunta, imaginando que o o BPN é comprado por outro banco (quem sabe nacionalizado), o que acontece às acções desse banco?


Vão ao charco??


Felizmente tenho poucas, mas sempre é dinheiro :(:(
Se for comprado por outro banco em principio receberás uma carta com uma oferta publica de compra das tuas acções, ou vendes pela oferta e recebes o dinheiro ou continuas com elas e se a opa for bem sucedida uns tempos mais tarde receberás uma carta a dizer que trocaram as tuas acções do bpn por acções da empresa com que se fundiu o bpn e talvez algum dinheiro (nos entretantos pode continuar a ser transaccionado normalmente em bolsa ou pode ser suspenso pela cmvm).
Se for nacionalizado recebes uma "cartinha" do estado a dizer que vendeste as acções pelo dinheiro que apeteceu ao estado pagar.
 
Fala-se dos bancos "normais", mas o que dizer dos bancos mais virados para o investimento?

Eu tenho uma conta no ActivoBank7 e outra no BigOnline. Estes dois bancos estão também abrangidos pelo fundo de garantia de que se fala aqui?
 
Eu acho piada a ver a malta toda assustada com o seu dinheiro e a querer repartir os depósitos por vários bancos.

Acham que se um banco for à falência e nem o estado ou uma injecção de capital o salvar, os outros também não vão passar pelo mesmo?
 
Eu acho piada a ver a malta toda assustada com o seu dinheiro e a querer repartir os depósitos por vários bancos.

Acham que se um banco for à falência e nem o estado ou uma injecção de capital o salvar, os outros também não vão passar pelo mesmo?
Mas se tiveres 100 mil€ é melhor por 50 mil em cada banco, pq ao menos tens os 50 mil salvaguardados pelo seguro do banco, mesmo q os dois bancos vão à falência.
 
Mas se tiveres 100 mil€ é melhor por 50 mil em cada banco, pq ao menos tens os 50 mil salvaguardados pelo seguro do banco, mesmo q os dois bancos vão à falência.

Certo, concordo.
O minha ponto de vista é que esse tipo de atitudes de defesa ainda piora mais a situação actual. Imagina que resgatas 50 mil do banco A e que por sua vez era dinheiro emprestado ao banco B, o Banco A vai ter de procurar outro banco para emprestar esses 50 mil € que foram resgatados e depois começa o processo em cadeia. Isto é um exemplo muito básico, claro. O que vale é que o pânico não se instalou, porque quando isso acontecer vai ser muito catastrófico!
 
Certo, concordo.
O minha ponto de vista é que esse tipo de atitudes de defesa ainda piora mais a situação actual. Imagina que resgatas 50 mil do banco A e que por sua vez era dinheiro emprestado ao banco B, o Banco A vai ter de procurar outro banco para emprestar esses 50 mil € que foram resgatados e depois começa o processo em cadeia. Isto é um exemplo muito básico, claro. O que vale é que o pânico não se instalou, porque quando isso acontecer vai ser muito catastrófico!
50 mi€ parados numa conta já é bom dinheirito!!!
 
E que tal deixar 50.000 no banco e usar os outros 50.000 em certificados de aforro que o estado nunca se deixará de endividar..., ou procurar (com olhos de ver) nos leilões das finanças, dos bancos e dos tribunais por bagatelas...
 
2) e agora a associação:

[...]

Quem obrigou a banca a emprestar dinheiro a quem não podia pagar?
O povo.

[...]
Liquidez excessiva no mercado, esse foi o mote.
Depois, a pressão da sociedade em querer mais, mais e mais, accionou o gatilho.


Vorsprung, desculpa sinceramente, mas isto parece-me uma desculpa confortável, um sacudir de água do capote de quem trabalha com o sector bancário e financeiro.

Antes de haver "ranchos" e "associações" há pessoas. As pessoas tentam contratar um serviço do banco, e o banco acede ou não.

Os contratos são celebrados com pessoas, na base do "case by case". Se transformam um grupo de clientes num rancho ou numa associação, esses mesmos clientes não são tidos nem achados. Eu, pessoa individual, tenho os meus negócios com os meus bancos, não sou um "rancho" e muito menos uma "associação".

"Se tolo é quem muito come, mais tolo é quem lho dá."

Não guio a minha existência por aforismos, mas este parece-me um tiro certeiro da sabedoria popular.

- Tolo é quem muito come (o pateta sem dois dedos de testa que não sabe fazer contas e prevenir o futuro, o idiota que contrái dívidas com taxas de esforço absurdas e provavelemente tão imbecil que nem sabe o que "taxa de esforço" quer dizer);

- Mais tolo é quem lho dá (o banco, que empresta com risco demasiado elevado, que impinge créditos, que sobreavalia as garantias, os ratings estupidamente optimistas - e falsos!, ou seja, as irresponsabilidades de quem tem ainda mais obrigação de saber fazer as contas e não as fez).


Vorsprung, com tudo isto eu não estou a desculpabilizar o povo. Apenas não me parece razoável que se tente APENAS culpabilizar o povo.

(Nota: Claro que não pretendo fazer nenhum ataque pessoal a ti ou a ninguém. Na verdade, agradeço o tempo que tu e outros neste fórum perdem e o latim que gastam para me explicar estes mecanismos. Um abraço.) [;)]
 
Estamos cá para escrever e argumentar. [;)]

Quando digo "povo" quero dizer sociedade em geral.
O que tentei explicar é que num ciclo de expansão a economia cresce como um castelo insuflável e a expectativa de ganhos - de que a coisa corre bem - leva-nos a excessos de uma forma geral.

Há 3 anos as bolsas cresciam fortemente, os lucros eram crescentes, os mercados emergentes estavam a explodir e a riqueza multiplicava-se.
Estes ciclos geram sempre a ideia que é possível ir mais longe - todos nos tornamos mais exigentes, queremos mais.

Provavelmente, qualquer um de nós não faria hoje o que fez no ano de 2005 - comprar casa, comprar carro, ir de férias, trocar de emprego, investir numa empresa - a economia baseia-se em expectativas, que alimentam o crescimento.

Os bancos só emprestaram a quem não podia pagar porque o dinheiro era barato e abundante - por outro lado, a pessão da procura justificava a oferta - por isso é que digo que a culpa é nossa. [;)]

O exemplo dos créditos instantaneos, vulgo cetelems, cofidis e afins:
1) o banco obtém dinheiro a rodos no mercado interbancário a taxas de financiamento em torno de euribor+0,2% - com euribor na altura a 2-3%, estamos a falar de custos de 3%.
2) coloca no mercado em pequenas tranches de 5-10 mil € (dispersando o risco de incumprimento) a taxas de 20%.
3) estamos a falar de margens de 15% líquidas (descontando custos de publicidade, estrutura, etc).
4) por ex., o banco pede 1.000.000€ para distribuir no pograma do Goucha, em empréstimos de 10.000€ a pagar em 4 anos.
São 100 empréstimos.
Vamos admitir uma taxa de incumprimento de 10% (o valor da banca nacional situa-se actualmente em cerca de 2,5%)

Margem anual para o banco = 150 mil €
Prejuízo nos 4 anos = 100 mil €
Resultado líquido nos 4 anos = 500 mil €
É esta a lógica de atribuição do crédito nestes casos.

Só que a teoria dos ciclos diz-nos que tudo tem um prazo. O prazo deste ciclo terminou abruptamente quando alguém percebeu que os EUA andavam a sonhar alto no mercado imobiliário - nos empréstimos NINJA (No Income No Job or Assets - exactamente o mesmo exemplo Cetelem aplicado ao financiamento imobiliário, com a diferença que esperavam também que a valorização dos imóveis contribuisse para rentabilidades estrondosas - foi esta premissa que deu cabo do negócio).

E depois de quebradas as expectativas, entramos na ressaca e viramos para o pessimismo, onde se considera que tudo o que fizemos no período anterior foi uma palhaçada sem fundamento.

O problema é que nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Estamos agora na ressaca. Tomemos guronsan, que há-de passar! [;)]
 
Não sendo economista, há uma série de evidências que constato:

Em primeiro lugar, todo o crescimento económico do mundo desenvolvido está dependente do endividamento, ou seja, ninguém investe verdadeiramente, pedem emprestado...

Por outro lado, a maior parte do consumo é pago com dívida.

Ou seja, todos os intervenientes do processo, antecipam ganhos e vencimentos que ainda não auferiram. Tudo funciona penhorando o futuro.

Acontece que ninguém pode penhorar o futuro indefinidamente - um dia, o futuro cola-se ao presente e já não é possível fugir mais.

Podemos atribuir as culpas ao mercado de capitais, podemos fazer o quisermos, contudo, para mim, esta crise é inevitável e não se pode fugir. É resultado duma imensa mentira vivida por todos.

A globalização só veio acelerar o processo, porque ao destabilizar o equilíbrio podre existente (pela transferência de riqueza para os países pobres), pôs a nu um rei que já estava despido (só que ninguém queria ver).

Atirar dinheiro para cima deste problema poderá ser uma solução a curto prazo (para evitar convulsões de proporções inimagináveis) mas a longo prazo, teremos eventualmente de mudar o nosso paradigma de desenvolvimento, talvez não penhorando o futuro. Até lá, ou muito me engano, vamos passar um mau bocado.
 
"depois da tempestade ...a bonança" [;)] [:D]

é um velho ditado popular que vai ter a sua aplicação pratica, daqui a algum tempo vamos todos para o mercado de capitais "comprar", "comprar" vamos ter crescimentos de dois digitos, e vamos ter outra fase de prosperidade.[:D]
claro que vão ficar muitos pelo caminho... é lei natural da selecçao!!!

e este "novo conhecimento" vai ser tema nos proximos anos, dos proximos Mestrados e MBAs, em Business [;)] [:D] [:)]
 
Ontem um amigo enviou-me um e-mail com o seguinte texto (em português do brasil, infelizmente, apesar de ter corrigido algumas das maiores diferenças) e que se refere a 15 de Setembro último, dia da falência do L. Brothers.

Por ainda não ter passado aqui e pelo interesse:


A CRISE DA ECONOMIA AMERICANA


Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou ao Paul se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando o seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou nos 800.000 dólares.

Com os 800.000 dólares, Paul, vendo que os imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares que Paul recebeu do banco, ele se comprometeu: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou tv de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas.
Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas para que o Paul tinha dado entrada e que estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham mais liquidez...
O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro.

Fácil....parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma ideia, ao mesmo tempo. As taxas que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o Paul percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.

Milhões tiveram a mesma ideia do Paul. Tinha casa para vender como nunca.

Paul foi aguentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da tv de plasma e do cartão de crédito.
Assim que as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas, ele tinha que começar a pagar uma grande parcela. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Paul havia pago. Paul se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa em que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul.

Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos que não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Paul quebrou. Ele e sua família pararam de consumir...

Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com o incumprimento dos diversos Pauls, esses títulos passaram começaram não valer nada.
Biliões e biliões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam espalhados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel... Preço que descambou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer 300.000 dólares. E mesmo pelos 300.000 não havia compradores.
Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. O incumprimento dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam
centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba.
Acabou.

Com o incumprimento dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado.

O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.
O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injectar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O
governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo porém essas acções levam meses para surtir efeitos práticos.
Essas acções foram correctas e, até agora, não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.
O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas.

Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, aforradores correndo para sacar suas economias, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, quebrado, insolvente.

No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por acção. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um super banco. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira.
O que começou com o Paul hoje afecta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo dirá.
E hoje, dia 15 de Setembro/2008, o Lehman Brothers pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (quinhentos ) pontos no Indice Dow Jones, que mede o valor ponderado das acções das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de New York - a maior queda num único dia, desde a quebra de 1929 ... O dia de hoje, certamente, será lembrado para sempre na historia do capitalismo.
 
Última edição:
Ontem um amigo enviou-me um e-mail com o seguinte texto (em português do brasil, infelizmente, apesar de ter corrigido algumas das maiores diferenças) e que se refere a 15 de Setembro último, dia da falência do L. Brothers.

Serviço público! [;)]

Está claro como água e resume na perfeição o fenómeno.
Apenas a 2ª parte (da titularização de dívida) está bastante simplificada, mas é isso mesmo.
 
Obrigado VdT,

Fiquei com uma 9utra noção sobre o problema quando o li.

Este texto deve ser conjugado com o excelente video cómico colocado no post dos Investimentos na Bolsa e que, penso demonstra, de forma genial o fenómeno da titularização em Wall-Street.
 
Voltar
Superior