citação:O PSD considerou hoje que o anúncio do “fim da crise” feito pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, só pode ser “uma piada de mau gosto”, enquanto o PCP considera que a afirmação contradiz a posição do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
O CDS-PP aconselha o ministro a “ter cuidado com o que diz” e lembra a manifestação desta semana. Já o deputado do Bloco de Esquerda Francisco Louçã defendeu que a afirmação do ministro mostra que Manuel Pinho confunde “desejos com realidades”.
O PSD, através do seu vice-presidente, Azevedo Soares, disse também, citado pela Lusa, que “no bolso” dos portugueses a crise ainda continua.
Para o vice-presidente do PSD não só a crise continua, como “os impostos aumentam, os salários descem, as pensões diminuem, (...) a saúde fica mais cara, os serviços de urgência ficam mais longe, o PRACE [Programa de Reestruturação da Administração Central] é adiado, o investimento cai abruptamente, quer seja público, privado ou estrangeiro, e a despesa corrente primária não diminui”.
“A crise só acabou na cabeça do ministro, mas não acabou no bolso dos portugueses, nem sequer acabou na cabeça dos outros membros do Governo”, sublinhou o vice-presidente social-democrata.
O deputado do PCP Honório Novo considerou por seu lado, não só que a afirmação do ministro da Economia contradiz a posição do seu colega das Finanças, Teixeira dos Santos, como a atribuiu ao “carácter irrequieto” de Manuel Pinho.
Citado pela Lusa, Honório Novo considerou que as afirmações de Manuel Pinho revelam que existem “contradições e vozes dissonantes” no Governo sobre a mesma matéria e rejeitou que Manuel Pinho tenha razão.
“Ainda na terça-feira, o ministro do Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, nos disse na Assembleia da República que o quadro macro-económico para 2007 não significava que o crescimento previsto pelo Governo permita entrar na rota de convergência com a União Europeia e o aliviar do cinto, antes pelo contrário”, disse Honório Novo.
O CDS-PP aconselhou o ministro da Economia a “ter cuidado com o que diz”, lembrando as manifestações dos últimos dias, depois de Manuel Pinho ter anunciado hoje o fim da crise na economia portuguesa.
“Quando pensamos no que foram a manifestação dos professores no 5 de Outubro e a manifestação de ontem [quinta-feira], só falta mesmo que o sr. ministro faça estas declarações com uma manifestação a passar-lhe por trás”, ironizou o deputado do CDS-PP Diogo Feyo, em declarações à Lusa.
Pelo, Bloco de Esquerda, Francisco Louçã destacou que “temos um problema de desemprego estrutural, que atingiu níveis inéditos em Portugal”. E disse que o ministro da Economia “sabe que o investimento privado é o mais baixo dos últimos três anos”. “Não é por declarar o fim da crise que a crise acaba”, afirmou Louçã.
Em declarações aos jornalistas em Aveiro, o ministro da Economia, Manuel Pinho, assegurou que a “crise acabou”, estando a economia num “ponto de viragem”, porque já não se fala “em recessão e em investimento zero”. A questão agora, acrescentou, é saber “quando é que a economia portuguesa começa a crescer”.