Li hoje que a Goldman Shachs e Morgan Stanley deixam de ser bancos de investimento.
Segundo ouvi, vai ser possivel a estes bancos que a partir de agora possam também receber depósitos.
Fiquei com uma dúvida: qual é a diferença entre um banco de investimento e um banco "normal" de retalho?
E como se financiam?
Em Portugal a generalidade dos bancos de retalho têm na sua estrutura de grupo um banco de investimento, por ex.: BES - BESI ou Banco BPI - Banco Português de Investimento.
Também as seguradoras utilizam este tipo de instituição para gerir os seus fundos de investimento (PPRs e afins) e a liquidez decorrente do mercado segurador.
Em Portugal, a dimensão do mercado é pequena para que um banco possa prescindir de uma unidade de retalho para captação de fundos - se bem que na última década surgiram pequenos bancos de investimento alicerçados num mercado financeiro global.
Nos mercados de maior dimensão e mais desenvolvidos, um banco de investimento é mais´rentável e fácil de montar que uma estrutura de retalho.
O que se passou nas últimas 2 décadas - muito dinheiro a circular e taxas de juro históricamente baixas, com os mercados bolsistas a bombar - promoveu a proliferação deste tipo de bancos.
Os bancos de investimento são meros escritórios que aplicam e gerem dinheiro captado por diversas fontes: particulares (desde o cliente de retalho que subscreve um fundo ao balcão ao segmento Private - onde podem ser feitos "à medida"), empresas (mais complexo, essenciamente aplicação de liquidez de curto prazo e gestão de cobertura de risco, mas especialmente "project finance").
Depois, tem como actividades principais a gestão de fundos de investimento, cobertura da dívida dos bancos comerciais (a raíz do subprime) e instrumentos financeiros de elevada complexidade - que constituem um emaranhado mundial de relacionamentos entre instituições que é virtualmente impossível de decompor.
Na minha opinião, a intromissão dos governos nesta actividade pode resolver no curto-prazo, mas vai custar muito caro no futuro.
A teoria económica está cheia de maus exemplos das distorções que o intervencionismo estatal pode causar. E podem estar a acender o rastilho para problemas bem piores no futuro.
Além de que não acredito que aquele plano mirambolante da administração Bush possa ser aprovado à papo-seco - se abrirem a caixa de Pandora, o Estado americano ficará mais refém da oligarquia empresarial que o próprio Putin - a tradição da jurisprudência norte-americana será uma arma letal às mãos de qualquer empresa cotada.
A História é mesmo imprevisível...[

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