Crise !? Satus !? Mais Olhos que Barriga???

Em Portugal a generalidade dos bancos de retalho têm na sua estrutura de grupo um banco de investimento, por ex.: BES - BESI ou Banco BPI - Banco Português de Investimento.
Também as seguradoras utilizam este tipo de instituição para gerir os seus fundos de investimento (PPRs e afins) e a liquidez decorrente do mercado segurador.

Em Portugal, a dimensão do mercado é pequena para que um banco possa prescindir de uma unidade de retalho para captação de fundos - se bem que na última década surgiram pequenos bancos de investimento alicerçados num mercado financeiro global.

Nos mercados de maior dimensão e mais desenvolvidos, um banco de investimento é mais´rentável e fácil de montar que uma estrutura de retalho.

O que se passou nas últimas 2 décadas - muito dinheiro a circular e taxas de juro históricamente baixas, com os mercados bolsistas a bombar - promoveu a proliferação deste tipo de bancos.

Os bancos de investimento são meros escritórios que aplicam e gerem dinheiro captado por diversas fontes: particulares (desde o cliente de retalho que subscreve um fundo ao balcão ao segmento Private - onde podem ser feitos "à medida"), empresas (mais complexo, essenciamente aplicação de liquidez de curto prazo e gestão de cobertura de risco, mas especialmente "project finance").
Depois, tem como actividades principais a gestão de fundos de investimento, cobertura da dívida dos bancos comerciais (a raíz do subprime) e instrumentos financeiros de elevada complexidade - que constituem um emaranhado mundial de relacionamentos entre instituições que é virtualmente impossível de decompor.

Na minha opinião, a intromissão dos governos nesta actividade pode resolver no curto-prazo, mas vai custar muito caro no futuro.
A teoria económica está cheia de maus exemplos das distorções que o intervencionismo estatal pode causar. E podem estar a acender o rastilho para problemas bem piores no futuro.

Além de que não acredito que aquele plano mirambolante da administração Bush possa ser aprovado à papo-seco - se abrirem a caixa de Pandora, o Estado americano ficará mais refém da oligarquia empresarial que o próprio Putin - a tradição da jurisprudência norte-americana será uma arma letal às mãos de qualquer empresa cotada.

A História é mesmo imprevisível...[:D]

Obrigado.
 
Entenda-mo-nos: o último sonho do liberalismo ruíu.

Eis a face arruinada de um antigo sonho doente.

Ruíu não ruíu?

Como estás enganado meu caro!

Ainda vamos no começo.

A era de Friedman
Os vinte e cinco anos entre 1980 e 2005 são uma das épocas mais prósperas na história da humanidade.

Ricardo Reis

Como em todas as épocas da história do mundo, não faltam hoje as queixas sobre o estado do planeta, acompanhadas por suspiros de saudade pelo passado. É por isso importante lembrar os factos: os 25 anos entre 1980 e 2005 são uma das épocas mais prósperas na história da humanidade. Os dados são arrebatadores:

I) o rendimento per capita no mundo cresceu a uma média de 2% por ano;

II) a desigualdade diminuiu de forma extraordinária, sobretudo porque a Europa do Leste e a Ásia (onde moram 2/3 da humanidade) cresceram a um ritmo nunca visto;

III) a fracção da população que vive com menos de $1 por dia caiu de 35% para 19%, pelo que a pobreza extrema é hoje um problema quase só africano e não mundial;

IV) a mortalidade infantil caiu em todas as regiões, de em média 64 mortes por 1000 nascimentos, para apenas 38;

V) a esperança de vida aumentou em todos os continentes excepto África, e mesmo na Europa em perto de 5 anos;

VI) o número de anos de escolaridade aumentou em média de 4,4 para 6 anos entre 1980 e 1999;

VII) há hoje mais democracias do que em 1980, em grande parte devido à libertação da Europa de leste.

Num artigo recente, o professor Andrei Shleifer relembrou estes factos e avançou a sua explicação: a influência de Milton Friedman. Para quem estudou economia, este nome não é de certeza desconhecido. São poucos os economistas que não colocam Friedman entre os três mais importantes economistas da segunda metade do século XX. (Já agora, para mim, os outros dois são Paul Samuelson e Kenneth Arrow.) No estudo das escolhas quando há risco e incerteza, do consumo das famílias, da política monetária, da metodologia, da história económica, e muito muito mais, Friedman está em todo o lado na ciência económica.

Menos conhecida mas igualmente importante foi a participação de Friedman no debate político. Ele foi um dos grandes líderes do movimento liberal, defendendo os benefícios dos mercados e das escolhas livres em dezenas de discursos, livros e artigos de jornal. Ele foi um dos fundadores da “Mont Pélérin Society”, um ponto de encontro importante para liberais do mundo inteiro, e foi em parte por sua intervenção que Friedrich Hayek encontrou refúgio na Universidade de Chicago apesar do seu currículo académico limitado na altura. Nos EUA, ele foi um dos grandes responsáveis pela eliminação do serviço militar obrigatório, e pela introdução (ainda hoje limitada) da escolha no ensino público.

No campo da política económica, três dos principais líderes dos últimos 25 anos confessaram inspiração nas lições de Friedman: Margaret Thatcher no Reino unido, Ronald Reagan nos EUA, e Deng Xiao Ping na China(*). Friedman defendia que o Estado devia deixar os mercados funcionarem com pouca regulação, manter a inflação baixa, reduzir os impostos, e deixar de impedir o comércio internacional. Shleifer nota que, a juntar aos factos acima, outros factos desta época são:

VIII) a regulação (medida pela facilidade em abrir uma empresa) baixou muito;

IX) a inflação média caiu de 14% para 4%;

X) a taxa média do escalão mais alto do IRS no mundo caiu de 65% para 37%;

XI) a tarifa média sobre importações caiu de 43% para 14%.

Para Shleifer, o progresso entre 1980 e 2005 tem uma causa: a abertura e liberalização dos mercados. Para honrar o líder intelectual destas mudanças, Shleifer propõe chamar a esta época: a era de Friedman.

A posição de Shleifer tem algumas falhas. A mais óbvia é a história recente da China e da Índia. Estes dois países são responsáveis por muito do progresso nesta época, até porque neles mora quase metade da população humana. Embora eles tenham adoptado muitas medidas economicamente liberais, também não deixaram de intervir na economia de mil-e-uma maneiras.

No entanto, Shleifer merece o mérito de avançar com uma explicação concreta e razoável para explicar o progresso brutal desde 1980. Talvez esta era não seja apenas de Friedman, mas é pelo menos em parte sua. Já é muito para um pequeno homem de 1,50m que morreu há pouco mais de um ano.


Fonte D.E.

(*) Interessante é tambem verificar na China nos últimos 40 anos como evoluiu:

-Taxa de mortalidade Infantil
-Esperança Média de Vida

E compara-las com a introdução do mercado global nas suas políticas económicas!

Mas o que tu gostas é de filosofia .... as questões estatísticas são demasiado chatas e friamente desumanas... não são??
 
Ruíu não ruíu?

Como estás enganado meu caro!

Ainda vamos no começo.

A era de Friedman
Os vinte e cinco anos entre 1980 e 2005 são uma das épocas mais prósperas na história da humanidade.

Ricardo Reis

Como em todas as épocas da história do mundo, não faltam hoje as queixas sobre o estado do planeta, acompanhadas por suspiros de saudade pelo passado. É por isso importante lembrar os factos: os 25 anos entre 1980 e 2005 são uma das épocas mais prósperas na história da humanidade. Os dados são arrebatadores:

I) o rendimento per capita no mundo cresceu a uma média de 2% por ano;

II) a desigualdade diminuiu de forma extraordinária, sobretudo porque a Europa do Leste e a Ásia (onde moram 2/3 da humanidade) cresceram a um ritmo nunca visto;

III) a fracção da população que vive com menos de $1 por dia caiu de 35% para 19%, pelo que a pobreza extrema é hoje um problema quase só africano e não mundial;

IV) a mortalidade infantil caiu em todas as regiões, de em média 64 mortes por 1000 nascimentos, para apenas 38;

V) a esperança de vida aumentou em todos os continentes excepto África, e mesmo na Europa em perto de 5 anos;

VI) o número de anos de escolaridade aumentou em média de 4,4 para 6 anos entre 1980 e 1999;

VII) há hoje mais democracias do que em 1980, em grande parte devido à libertação da Europa de leste.

Num artigo recente, o professor Andrei Shleifer relembrou estes factos e avançou a sua explicação: a influência de Milton Friedman. Para quem estudou economia, este nome não é de certeza desconhecido. São poucos os economistas que não colocam Friedman entre os três mais importantes economistas da segunda metade do século XX. (Já agora, para mim, os outros dois são Paul Samuelson e Kenneth Arrow.) No estudo das escolhas quando há risco e incerteza, do consumo das famílias, da política monetária, da metodologia, da história económica, e muito muito mais, Friedman está em todo o lado na ciência económica.

Menos conhecida mas igualmente importante foi a participação de Friedman no debate político. Ele foi um dos grandes líderes do movimento liberal, defendendo os benefícios dos mercados e das escolhas livres em dezenas de discursos, livros e artigos de jornal. Ele foi um dos fundadores da “Mont Pélérin Society”, um ponto de encontro importante para liberais do mundo inteiro, e foi em parte por sua intervenção que Friedrich Hayek encontrou refúgio na Universidade de Chicago apesar do seu currículo académico limitado na altura. Nos EUA, ele foi um dos grandes responsáveis pela eliminação do serviço militar obrigatório, e pela introdução (ainda hoje limitada) da escolha no ensino público.

No campo da política económica, três dos principais líderes dos últimos 25 anos confessaram inspiração nas lições de Friedman: Margaret Thatcher no Reino unido, Ronald Reagan nos EUA, e Deng Xiao Ping na China(*). Friedman defendia que o Estado devia deixar os mercados funcionarem com pouca regulação, manter a inflação baixa, reduzir os impostos, e deixar de impedir o comércio internacional. Shleifer nota que, a juntar aos factos acima, outros factos desta época são:

VIII) a regulação (medida pela facilidade em abrir uma empresa) baixou muito;

IX) a inflação média caiu de 14% para 4%;

X) a taxa média do escalão mais alto do IRS no mundo caiu de 65% para 37%;

XI) a tarifa média sobre importações caiu de 43% para 14%.

Para Shleifer, o progresso entre 1980 e 2005 tem uma causa: a abertura e liberalização dos mercados. Para honrar o líder intelectual destas mudanças, Shleifer propõe chamar a esta época: a era de Friedman.

A posição de Shleifer tem algumas falhas. A mais óbvia é a história recente da China e da Índia. Estes dois países são responsáveis por muito do progresso nesta época, até porque neles mora quase metade da população humana. Embora eles tenham adoptado muitas medidas economicamente liberais, também não deixaram de intervir na economia de mil-e-uma maneiras.

No entanto, Shleifer merece o mérito de avançar com uma explicação concreta e razoável para explicar o progresso brutal desde 1980. Talvez esta era não seja apenas de Friedman, mas é pelo menos em parte sua. Já é muito para um pequeno homem de 1,50m que morreu há pouco mais de um ano.


Fonte D.E.

(*) Interessante é tambem verificar na China nos últimos 40 anos como evoluiu:

-Taxa de mortalidade Infantil
-Esperança Média de Vida

E compara-las com a introdução do mercado global nas suas políticas económicas!

Mas o que tu gostas é de filosofia .... as questões estatísticas são demasiado chatas e friamente desumanas... não são??
Isto é mesmo complicado [:D], isso não tem rigorosamente nada a ver com o liberalismo, nem sequer com outros ismos que enchem o peitos dos menos esclarecidos.

Esta gente tem mesmo piada [:D], o autor do texto tem o quê 12 anos [:)]?
 
Relativo a crise, só tenho o seguinte a dizer:
Jump-You-Fers.jpg
 
Além de que não acredito que aquele plano mirambolante da administração Bush possa ser aprovado à papo-seco - se abrirem a caixa de Pandora, o Estado americano ficará mais refém da oligarquia empresarial que o próprio Putin - a tradição da jurisprudência norte-americana será uma arma letal às mãos de qualquer empresa cotada.

A História é mesmo imprevisível...[:D]



e não é que acertaste?[:)]



cumprimentos
 
nao perçebo nada de economia por isso gostava q me explicassem 4 coisas

1- quem é/sao o/s culpado/s desta crise toda?

2- o q vai acontecer agora?

3- vamos ser atingidos pla crise? qual a gravidade com q seremos atingidos

4- qual a maneira de voltar tudo ao normal?


ao pessoal q percebe disto gostava so de ver respondidas estas perguntas [;)]

cumps
 
nao perçebo nada de economia por isso gostava q me explicassem 4 coisas

1- quem é/sao o/s culpado/s desta crise toda?

Basicamente e de uma maneira geral são os intervencionistas estatais! Mais propriamente, o estado e a Reserva Federal por "regular" de forma artificial taxas de juro tão baixas ao longo de tanto tempo, não promovendo a poupança e a produção e fazendo com que o consumo e o recurso ao crédito subisse de forma incontrolável e artificialmente para aquilo que o mercado na realidade teria para oferecer. O preço das propriedades subiu, não devido ao seu valor correcto de mercado, mas porque era barato pedir um empréstimo ao Banco! Comprou-se caro porque era barato pedir emprestado, não se produziu nem se poupou... a bolha aumenta e agora rebenta! Não há dinheiro para pagar o que se deve.... Não há volta a dar por mais regulações que se queiram fazer. E o Irónico é que foram defensores do mercado Livre os primeiros a alertar que esta crise estava a surgir exactamente desta maneira e que o estado estava a regular de forma incorrecta fazendo com que o Mercado fica-se tão desvirtuado daquilo que era na realidade!

2- o q vai acontecer agora?

A bolha rebenta e se os americanos tiverem bom senso, não será injectado dinheiro para "salvar" a economia. Muitos bancos irão fechar por falta de liquidez.
A curto prazo a moeda americana poderá se desvalorizar, o emprego irá aumentar e o mercado imobiliário deverá sofrer uma grande reviravolta.... Os preços das casas vão por aí abaixo até se ajustarem a valores que sejam os reais... Se o mercado estiver corrigido a economia deverá crescer a ritmos bastante elevados.
Caso fosse injectado dinheiro... corria-se o risco de em breve ter uma crise seguida a outra sem saber ao certo quando parava e correndo o risco de tal artificialidade estar a aumentar ainda mais as incorrecções do mercado. Corria-se o risco de haver uma forte desvalorização do dollar.


3- vamos ser atingidos pla crise? qual a gravidade com q seremos atingidos

Vamos. Mas espera-se que com menos gravidade...

4- qual a maneira de voltar tudo ao normal?

Fazendo com que os mercados funcionem e sejam o mais eficientes possíveis. Voltando a incentivar a poupança e a produção, e deixando que o estado interfira artificialmente e indirectamente nos mercados... Deixar as regulações e interferências estatais APENAS quando o mercado, por outras razões se torna ineficiente!

Estamos assim devido a regulamentações e intervencionismos estatais! Irónicamente alguns querem ainda mais intervencionismos e regulações para resolver a merd@ que criaram!
 
Basicamente e de uma maneira geral são os intervencionistas estatais! Mais propriamente, o estado e a Reserva Federal por "regular" de forma artificial taxas de juro tão baixas ao longo de tanto tempo, não promovendo a poupança e a produção e fazendo com que o consumo e o recurso ao crédito subisse de forma incontrolável e artificialmente para aquilo que o mercado na realidade teria para oferecer. O preço das propriedades subiu, não devido ao seu valor correcto de mercado, mas porque era barato pedir um empréstimo ao Banco! Comprou-se caro porque era barato pedir emprestado, não se produziu nem se poupou... a bolha aumenta e agora rebenta! Não há dinheiro para pagar o que se deve.... Não há volta a dar por mais regulações que se queiram fazer. E o Irónico é que foram defensores do mercado Livre os primeiros a alertar que esta crise estava a surgir exactamente desta maneira e que o estado estava a regular de forma incorrecta fazendo com que o Mercado fica-se tão desvirtuado daquilo que era na realidade!
A bolha rebenta e se os americanos tiverem bom senso, não será injectado dinheiro para "salvar" a economia. Muitos bancos irão fechar por falta de liquidez.
A curto prazo a moeda americana poderá se desvalorizar, o emprego irá aumentar e o mercado imobiliário deverá sofrer uma grande reviravolta.... Os preços das casas vão por aí abaixo até se ajustarem a valores que sejam os reais... Se o mercado estiver corrigido a economia deverá crescer a ritmos bastante elevados.
Caso fosse injectado dinheiro... corria-se o risco de em breve ter uma crise seguida a outra sem saber ao certo quando parava e correndo o risco de tal artificialidade estar a aumentar ainda mais as incorrecções do mercado. Corria-se o risco de haver uma forte desvalorização do dollar.
Vamos. Mas espera-se que com menos gravidade...
Fazendo com que os mercados funcionem e sejam o mais eficientes possíveis. Voltando a incentivar a poupança e a produção, e deixando que o estado interfira artificialmente e indirectamente nos mercados... Deixar as regulações e interferências estatais APENAS quando o mercado, por outras razões se torna ineficiente!
Estamos assim devido a regulamentações e intervencionismos estatais! Irónicamente alguns querem ainda mais intervencionismos e regulações para resolver a merd@ que criaram!

Grande Texto... 100% de acordo...

http://fr.youtube.com/watch?v=LfascZSTU4o (muito bom video "zerorpm")

O Peter tinha razão e ganhou a aposta...
 
Obrigado pela explicação Jacaré.

Portanto significa que o dinheiro estava artificialmente "barato" devido aos juros baixos nos empréstimos ao consumo e nas hipotecas o que causou durante os últimos anos (décadas?) uma espécie de Alice no País das Maravilhas...

E agora bateram com a cabeça na mesinha de cabeceira e acordaram?

Entendi bem? :sh)
 
Obrigado pela explicação Jacaré.

Portanto significa que o dinheiro estava artificialmente "barato" devido aos juros baixos nos empréstimos ao consumo e nas hipotecas o que causou durante os últimos anos (décadas?) uma espécie de Alice no País das Maravilhas...

E agora bateram com a cabeça na mesinha de cabeceira e acordaram?

Entendi bem? :sh)

O problema é mais grave nos EUA porque:

- O preço das casas estava hiper inflaccionado
- Os bancos emprestaram o dinheiro sem verificar a idoneidade do devedor
- O sistema de emprego nos EUA é muito mais frágil e não tem protecção contra o desemprego, nem o sistema de indemnização, nem aviso prévio de despedimento
- Os bancos transformaram as hipotéticos em títulos de crédito que foram revendidos...
 
- O sistema de emprego nos EUA é muito mais frágil e não tem protecção contra o desemprego, nem o sistema de indemnização, nem aviso prévio de despedimento
Se fosse em Portugal, este país estaria fechado para luto antecipado. [:cool:]

Felizmente nos USA o mercado de trabalho tem outras regras.

Estive na semana passada em NY (em plena crise [:D][:D]) e encontrei entre amigos um tipo, 3 anos mais velho que eu que tinha acabado de ser despedido de uma daquelas empresas de que hoje muito se fala.

E não estava nada, rigorosamente nada preocupado com o desemprego.

Sem subsídios, sem choradinhos.

Disse-me que ia aproveitar estas 2 semanas para rever as propostas de emprego que tinha em carteira e que depois tomaria uma decisão.

E realmente vi mais pessoas furiosas contra Wall Street (hoje em dia o termo é pejorativo) do que por terem perdido o emprego, anos de serviço ou whatever.
 
O problema é mais grave nos EUA porque:

- O preço das casas estava hiper inflaccionado.
- Os bancos emprestaram o dinheiro sem verificar a idoneidade do devedor.
- O sistema de emprego nos EUA é muito mais frágil e não tem protecção contra o desemprego, nem o sistema de indemnização, nem aviso prévio de despedimento
- Os bancos transformaram as hipotéticos em títulos de crédito que foram revendidos...

O sistema ou mercado de emprego dos EUA não tem nada a ver com esta crise...
E a menos que queiras politizar ainda mais esta questão ou mandar umas alfinetadas, esse comentário é um pouco ao lado. [;)]

A crise não seria menor se houvesse mais regulação na protecção ao emprego. Pelo contrário... o que se passa nesta crise tem a ver com a ineficiência de um mercado e a forma como o estado manipulou os dados e as regras ao longo do tempo... Há muito que se sabe, mesmo pelos países de referência aos "partidos socialistas" cá do burgo, (os do Norte da Europa) que o emprego demasiado regulado é o caminho certo para que haja... crise no sector! Criaram então a flexisegurança que serve exactamente para que o mercado funcione da maneira mais eficiente possivel mas tendo em conta o aspecto "humano" que acarreta um despedimento.

A diferença é que se o mercado ou sistema de emprego for demasiado regulado de modo a prevenir despedimentos devido a uma crise... apenas estaríamos a adiar o inevitável para depois.... mas com juros à mistura! E como agora, seria uma questão de tempo para que uma nova bolha surgisse e todos viessem gritar e a barafustar contra os "neo"-liberais e os defensores do mercado livre... como aliás fazem sempre.
 
Se fosse em Portugal, este país estaria fechado para luto antecipado. [:cool:]

Felizmente nos USA o mercado de trabalho tem outras regras.

Estive na semana passada em NY (em plena crise [:D][:D]) e encontrei entre amigos um tipo, 3 anos mais velho que eu que tinha acabado de ser despedido de uma daquelas empresas de que hoje muito se fala.

E não estava nada, rigorosamente nada preocupado com o desemprego.

Sem subsídios, sem choradinhos.

Disse-me que ia aproveitar estas 2 semanas para rever as propostas de emprego que tinha em carteira e que depois tomaria uma decisão.

E realmente vi mais pessoas furiosas contra Wall Street (hoje em dia o termo é pejorativo) do que por terem perdido o emprego, anos de serviço ou whatever.

E achas que a generalidade dos americanos, é assim?

Que tem propostas de emprego em carteira, e que se preocupam mais com Wall Street do que com o facto de terem perdido o emprego?

Não me parece....
 
Obrigado pela explicação Jacaré.

Portanto significa que o dinheiro estava artificialmente "barato" devido aos juros baixos nos empréstimos ao consumo e nas hipotecas o que causou durante os últimos anos (décadas?) uma espécie de Alice no País das Maravilhas...

E agora bateram com a cabeça na mesinha de cabeceira e acordaram?

Entendi bem? :sh)

[:D] [:D] sim, mais ou menos isso!
 
A genese da crise: (Este texto tem 9 anos...)



Fannie Mae Eases Credit To Aid Mortgage Lending
By STEVEN A. HOLMES

In a move that could help increase home ownership rates among minorities and low-income consumers, the Fannie Mae Corporation is easing the credit requirements on loans that it will purchase from banks and other lenders.

The action, which will begin as a pilot program involving 24 banks in 15 markets -- including the New York metropolitan region -- will encourage those banks to extend home mortgages to individuals whose credit is generally not good enough to qualify for conventional loans. Fannie Mae officials say they hope to make it a nationwide program by next spring.

Fannie Mae, the nation's biggest underwriter of home mortgages, has been under increasing pressure from the Clinton Administration to expand mortgage loans among low and moderate income people and felt pressure from stock holders to maintain its phenomenal growth in profits.

In addition, banks, thrift institutions and mortgage companies have been pressing Fannie Mae to help them make more loans to so-called subprime borrowers. These borrowers whose incomes, credit ratings and savings are not good enough to qualify for conventional loans, can only get loans from finance companies that charge much higher interest rates -- anywhere from three to four percentage points higher than conventional loans.

''Fannie Mae has expanded home ownership for millions of families in the 1990's by reducing down payment requirements,'' said Franklin D. Raines, Fannie Mae's chairman and chief executive officer. ''Yet there remain too many borrowers whose credit is just a notch below what our underwriting has required who have been relegated to paying significantly higher mortgage rates in the so-called subprime market.''

Demographic information on these borrowers is sketchy. But at least one study indicates that 18 percent of the loans in the subprime market went to black borrowers, compared to 5 per cent of loans in the conventional loan market.

In moving, even tentatively, into this new area of lending, Fannie Mae is taking on significantly more risk, which may not pose any difficulties during flush economic times. But the government-subsidized corporation may run into trouble in an economic downturn, prompting a government rescue similar to that of the savings and loan industry in the 1980's.

''From the perspective of many people, including me, this is another thrift industry growing up around us,'' said Peter Wallison a resident fellow at the American Enterprise Institute. ''If they fail, the government will have to step up and bail them out the way it stepped up and bailed out the thrift industry.''

Under Fannie Mae's pilot program, consumers who qualify can secure a mortgage with an interest rate one percentage point above that of a conventional, 30-year fixed rate mortgage of less than $240,000 -- a rate that currently averages about 7.76 per cent. If the borrower makes his or her monthly payments on time for two years, the one percentage point premium is dropped.

Fannie Mae, the nation's biggest underwriter of home mortgages, does not lend money directly to consumers. Instead, it purchases loans that banks make on what is called the secondary market. By expanding the type of loans that it will buy, Fannie Mae is hoping to spur banks to make more loans to people with less-than-stellar credit ratings.

Fannie Mae officials stress that the new mortgages will be extended to all potential borrowers who can qualify for a mortgage. But they add that the move is intended in part to increase the number of minority and low income home owners who tend to have worse credit ratings than non-Hispanic whites.

Home ownership has, in fact, exploded among minorities during the economic boom of the 1990's. The number of mortgages extended to Hispanic applicants jumped by 87.2 per cent from 1993 to 1998, according to Harvard University's Joint Center for Housing Studies. During that same period the number of African Americans who got mortgages to buy a home increased by 71.9 per cent and the number of Asian Americans by 46.3 per cent.

In contrast, the number of non-Hispanic whites who received loans for homes increased by 31.2 per cent.

Despite these gains, home ownership rates for minorities continue to lag behind non-Hispanic whites, in part because blacks and Hispanics in particular tend to have on average worse credit ratings.

In July, the Department of Housing and Urban Development proposed that by the year 2001, 50 percent of Fannie Mae's and Freddie Mac's portfolio be made up of loans to low and moderate-income borrowers. Last year, 44 percent of the loans Fannie Mae purchased were from these groups.

The change in policy also comes at the same time that HUD is investigating allegations of racial discrimination in the automated underwriting systems used by Fannie Mae and Freddie Mac to determine the credit-worthiness of credit applicants.


THE NEW YORK TIMES http://www.nytimes.com/
September 30, 1999
 
O sistema ou mercado de emprego dos EUA não tem nada a ver com esta crise...
E a menos que queiras politizar ainda mais esta questão ou mandar umas alfinetadas, esse comentário é um pouco ao lado. [;)]

A crise não seria menor se houvesse mais regulação na protecção ao emprego. Pelo contrário... o que se passa nesta crise tem a ver com a ineficiência de um mercado e a forma como o estado manipulou os dados e as regras ao longo do tempo... Há muito que se sabe, mesmo pelos países de referência aos "partidos socialistas" cá do burgo, (os do Norte da Europa) que o emprego demasiado regulado é o caminho certo para que haja... crise no sector! Criaram então a flexisegurança que serve exactamente para que o mercado funcione da maneira mais eficiente possivel mas tendo em conta o aspecto "humano" que acarreta um despedimento.

A diferença é que se o mercado ou sistema de emprego for demasiado regulado de modo a prevenir despedimentos devido a uma crise... apenas estaríamos a adiar o inevitável para depois.... mas com juros à mistura! E como agora, seria uma questão de tempo para que uma nova bolha surgisse e todos viessem gritar e a barafustar contra os "neo"-liberais e os defensores do mercado livre... como aliás fazem sempre.

Os bancos emprestaram dinheiro a longo prazo, 30 anos para cima... E considerando a instabilidade de emprego nos EUA, onde és despedido de um dia para o outro, sem subsídios, sem indemnização, sem nada, os americanos não conseguem pagar os empréstimos... E lá o processo de despejo é num piscar de olhos... Mesmo arranjando emprego uns meses mais tarde tens toda a dívida acumulada...

Em Portugal e na Europa, tens pessoas que contrairam empréstimos a longo prazo e ficaram desempregados, mas aguentam-se porque receberam uma indemnização e têm subsídio de desemprego...
 
Os bancos emprestaram dinheiro a longo prazo, 30 anos para cima... E considerando a instabilidade de emprego nos EUA, onde és despedido de um dia para o outro, sem subsídios, sem indemnização, sem nada, os americanos não conseguem pagar os empréstimos... E lá o processo de despejo é num piscar de olhos... Mesmo arranjando emprego uns meses mais tarde tens toda a dívida acumulada...

Em Portugal e na Europa, tens pessoas que contrairam empréstimos a longo prazo e ficaram desempregados, mas aguentam-se porque receberam uma indemnização e têm subsídio de desemprego...

O problema da crise de pagamentos nos EUA não é o facto de não haver empregos fixos nem indeminizações, nada disso.
O grande problema é que a grande generalidade das familias americanas vivem acima dos seus rendimentos, um pouco em resultado do credito facil e barato.
Uma grande parte das pessoas e familiar já viviam num sistema de pedir emprestimos para pagar cartões ou outros emprestimos.
Claro que a crise e a diminuição da oferta de emprego tambem veio ajudar á crise, mas isso é como em todo o lado.
 
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