Dar a volta por cima

fathma

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Este fim de semana ao dar uma vista de olhos pelos jornais (via net), encontrei esta noticia, que acredito ser verdadeira, e que me pareceu extraordinariamente interessante na medida em que mostra que a vontade e a inteligência pode superar os azares que acontecem na vida, Estes 12000 desempregados parece que conseguiram dar a volta por cima.Só gostaria de poder saber se conseguiram ter êxito nas suas aventuras empresariais.Espero bem que sim.Isto pode servir de exemplo a outros desempregados para resolver seus problemas.
Ex-desempregados criaram mais de 12 mil empresas ao longo de três anos
00h00m
PEDRO ARAÚJO (JORNAL DE NOTICIAS, 7 DE DEZEMBRO DE 2007)
Os números não enganam. O IEFP ajudou ex-desempregados a criar 12 446 empresas ao longo de três anos (2006-08). As histórias multiplicam-se. Despedido? Os empregadores não lhe dão trabalho? Há sempre uma solução...Os dados fornecidos ao JN pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram que o empreendedorismo pode muito bem ser a solução para quem perde o seu posto de trabalho e não encontra quem o empregue. As Iniciativas Locais de Emprego (ILE) e o Apoio à Criação do Próprio Emprego (APE) têm sido programas do IEFP responsáveis por retirar milhares de portugueses do desemprego. As ILE foram responsáveis pela criação de 7764 empresas e os APE por 4682 numa tendência crescente entre 2006 e 2008. Contas feitas, estes dois programas foram responsáveis pelo surgimento de 12 446 organizações, grande parte delas micro - empresas, que constituíram a salvação para muitos milhares mais de desempregados .Os APE consistem basicamente na antecipação do montante global do subsídio de desemprego (prestações vincendas), podendo o desempregado criar então o seu próprio posto de trabalho, isto é, apresentar um projecto de investimento que consista numa empresa ou qualquer acto de empreendedorismo devidamente fundamentado e verificável pelo IEFP. Os critérios são suficientemente discriminados para que o projecto tenha alguma viabilidade. O candidato deve, por exemplo, indicar a escolha da actividade, mas convém que a pessoa em causa tenha alguma experiência profissional ou conheça bem o mercado. As ILE visam também incentivar e apoiar projectos que dêem lugar à criação de novas entidades, visando a criação líquida de postos de trabalho numa lógica de investimentos de pequena dimensão que dinamizem as economias locais. Desempregados, jovens à procura do primeiro emprego e trabalhadores empregados, mas em risco de desemprego, são os principais destinatários das ILE. As majorações são atractivas nas ILE. Vinte por cento mais por cada posto de trabalho preenchido por desempregados de longa duração (sem trabalho há mais de 12 meses), desempregados, com idade igual ou superior a 45 anos, jovens à procura do 1.º emprego e beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Os números do Registo Nacional de Pessoas Colectivas (RNPC) não enganam quanto ao grau de empreendedorismo em Portugal. Entre o início de 2006 e Setembro último, foram criadas 127 546 empresas. Grande parte deste movimento pode ser atribuído à "empresa na hora".As últimas estatísticas de IRC publicadas pelo Ministério das Finanças também trouxeram uma surpresa. Quase 30 mil sujeitos passivos de IRC iniciaram actividade em 2007, mais do dobro face a 2006 e 220% mais do que em 2005. O Ministério das Finanças não conseguiu justificar o facto insólito, mas a criação do próprio emprego através de programas do IEFP é parte, embora pequena, da explicação para esse fenómeno."Tratam-se de sociedades que iniciaram a actividade. Muitas delas também morreram e mudaram de nome. A explicação está na crise. As pessoas foram despedidas e tentam iniciar um negócio, criando o seu próprio emprego. E muitos jovens saem das universidades e criam as suas empresas. Acredito que parte dessa realidade se deve aos programas do IEFP", afirma Domingues Azevedo, presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas.

In Jornal de Noticias 7 de Dezembro de 2009
 
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isso é uma treta.
uma boa parte desses "desempregados" são pessoas que se inscreveram no centro de emprego como "desempregados" só para poderem concorrer aos fundos para ajuda de criação de empresas.
 
isso é uma treta.
uma boa parte desses "desempregados" são pessoas que se inscreveram no centro de emprego como "desempregados" só para poderem concorrer aos fundos para ajuda de criação de empresas.

Isto é que é dar ânimo ahh. [:D]

Mas não deixo de concordar contigo, é verdade que algumas pessoas aproveitam esse facto para poderem aceder aos fundos comunitários mas dos projectos que tive em mãos essas pessoas foram uma minoria.

Probabilidade de sucesso: Eu diria que ronda os 50%.
Grande parte não faz a mínima ideia do que os espera quando abrem a empresa, pensam que é tudo um mar de rosas mas quando as contas aparecem para pagar ficam admirados. Para o insucesso contribui a falta de informação, planeamento e formação na área de negócio.

Penso que para quem tem o sonho de abrir o seu próprio negócio é sem dúvida uma boa ajuda mas o apoio apenas cobre o investimento inicial e além disso existem limites e obrigações a cumprir.
 
O que eles nunca dizem é que para se concorrer é preciso dar garantias e podem demorar mais de um ano para começarem a avaliar o projecto...
Cheguei a ir a uma sessão de esclarecimento num centro do IEFP, mais de metade das pessoas acho que desistiram da ideia depois de verem tanta burocracia e lentidão do processo e a falta de € que é preciso...
 
O que eles nunca dizem é que para se concorrer é preciso dar garantias e podem demorar mais de um ano para começarem a avaliar o projecto...
Cheguei a ir a uma sessão de esclarecimento num centro do IEFP, mais de metade das pessoas acho que desistiram da ideia depois de verem tanta burocracia e lentidão do processo e a falta de € que é preciso...

Exactamente. O processo de incentivos à criação de novos empregos, é uma treta. Já para não falar nas obrigatoriedades de incluir na empresa um ou dois trabalhadores que estiverem desempregados, quando a realidade dura é que pouco trabalho há para um, quanto mais para 2 ou 3...
Falta efectivamente saber quantos desses 12000 "sobreviveram", e em quantos a coisa deu para o torto, tendo inclusivé que fazer retorno de apoios recebidos...
 
Quantas dessas empresas já faliram? Acredito que muitas

É que muitas dessas empresas são um café ou um restaurante ou uma lojeca. E por conhecimento de causa, sei que fecham muito rapidamente pois muitas dessas pessoas não têm capacidade de gerir.

Até podem saber tirar finos e cozinhar, mas a parte de negócio perde-se toda
 
12000 é bom.
Se daqui a 2 anos ainda estiverem abertos melhor.
Como o pessoal aqui diz fórum, entendido nestas coisas de palavreado inglês costuma dizer, qts passam aquela fase do start up??
 
Quantas dessas empresas já faliram? Acredito que muitas

É que muitas dessas empresas são um café ou um restaurante ou uma lojeca. E por conhecimento de causa, sei que fecham muito rapidamente pois muitas dessas pessoas não têm capacidade de gerir.

Até podem saber tirar finos e cozinhar, mas a parte de negócio perde-se toda

Aí está uma questão importante.
 
Não é um mar de rosas não...

... mas o que é que se quer quando se trata de apoios a fundo perdido? Quando são atribuídos há que "gramar" o centro de emprego durante 4 anos... se a nova empresa aguentar...
 
A necessidade aguça o engenho.
Fico feliz por eles e se 10 ou 15% se mantiverem no activo por mais de 3 anos tanto melhor.
Haja empreendedorismo.
 
A necessidade aguça o engenho.
Fico feliz por eles e se 10 ou 15% se mantiverem no activo por mais de 3 anos tanto melhor.
Haja empreendedorismo.

Sobre o que acima já disseram, esta notícia é correcta quando se refere ao IEFP. Eu sou um dos que foi formado num curso intensivo durante 1 ano e meio, pelo que enquanto estive lá acabei por "desaparecer" como mais um desempregado e fui colocado na balança que equilibra a "quantidade real" de empregados e desempregados. [8b]

Os milhares que se encontram nos centros de formação IEFP não são, pois, dados como desempregados que se encontram nas ruas sem fazer nada. Os cursos, no entanto, são os que tem o objectivo de fornecer formação e depois disso deixar que cada um decida o seu destino em relação a montar uma empresa ou trabalhar na sua nova especialidade sob o comando de uma entidade patronal. Optei pela primeira e o processo já decorre. apr:)

No entanto há que saber que não é fácil montar uma empresa assim da noite para o dia. Esta opção só deve ser tomada em consideração quando o indivíduo tem a certeza absoluta daquilo em que se mete (caso meu) e possui já uma certa maturidade para gerir o seu próprio negócio mesmo qiue se tenha associado a outros (com um mecânico multimarcas e 14 anos de prática, um bate chapas "fanado" à Hyundai e a minha posição como pintor e director de projecto). apr:)

No fim e ao cabo há quem monte bons negócios e maus negócios, mas como diz o nosso colega acima "A necessidade aguça o engenho" e não nos esqueça-mos que a raça humana sempre dar a "Volta por cima" ao longo dos serus muitos anos de evolução e revolução. [:D]

Quanto às empresas que procuram especialistas isso é outra história a ser discutida longamente, porque eu andei a procurar colocação e oferecia uma quantia mensal como aluguer do espaço ocupado e descobri um "Sr" anúncio que ainda deve andar na internet que procurava um pintor de veículos com "5 anos mínimos de prática em multimarcas" e oferece um "saláriozinho" de 550 euros mensais sujeitos a descontos(!!!). Por causa desta situação não fiquemos admirados quando ninguém aparece.

Daqui resulta para as empresas "Tal Dinheirito, tal trabalhito e tal empregadozito" [:D] - Vejam ainda o Tópico do nosso colega JorgeD no título de "Estágios" que também é alusivo a este tema de desempregados e estagiários (eu estagiei 3 meses a 12 horas por dia, no final propuseram 75 euros por dia, mas depois disso chegaram à simples conclusão que eu assim acabava como patrão, mas pensem que pintar e tratar 8 carros todos os dias em fila é obra e nenhuma brincadeira, quer dizer que o patrão embolsava 1.500 euros diários e eu trabalha por uma "croa de 20 euritos" - não tive pachorra para aturar mais e sai porta fora com ideias definitivas apesar de haver outras insistências daqui e dali).
 
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Criar uma empresa atraves do Centro de Emprego é uma ilusão para muitos desempregados, mas que para a maioria rapidamente se transforma em pesadelo, Basta ver as dezenas de anuncios nos diversos jornais, em que muitas casas e outros bens são vendidos, para pagar dividas, de desempregados que foram buscar dinheiro para constituir a sua empresa.
As pessoas partem com a ilusão que ao abrir uma empresa, vão ter uma vida melhor, mas na maioria dos casos, vão viver uma tragedia ainda maior. Com a situação de crise que se vive, uma nova empresa tem grandes probilidades de não se aguentar e morrer. Não se trata, muitas vezes do novo empresário não ter experiencia, mas simplesmente há uma serie de factores, que uma empresa que começa do zero não aguenta: A concorrencia em todas as areas é muita; Para venderem alguma coisa todas as empresas baixam preços; O consumidor final consome menos.
No fim de contas, uma grande percentagem de pessoas que partiram com a ilusao de criar o seu proprio emprego, ficam na miseria, pois perdem algum dinheirito que tinham, a casa, e aqueles que tem mais de 40 anos, muito dificilmente voltarao a ter outro emprego. Mas desta realidade a propaganda do Governo e os jornais não falam, mas quem está atento aos anuncios de penhoras, não pode deixar de constatar esta tragédia.
 
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