O problema de grande parte das coisas que referes seriam os custos absurdos associados a todos eles. Até porque os exemplos que referes, maior parte deles, obrigam a enormes trabalhos de reengenharia do automóvel.
Mesmo a "simples" instalação de um AC num automóvel que nunca foi projectado para o ter, por exemplo, um pequeno carro utilitário familiar da década de 70 ou 80, facilmente o simples se complicaria, pois poderias não ter espaço no compartimento do motor para instalá-lo e um upgrade ao sistema elétrico do carro poderia estar na ordem do dia. E quando entramos em questões de electrónica, como cruise-control e afins...
Basicamente o que referes é para quem tem bolsos fundos e não tem problemas em gastar.
A não ser que seja um entusiasta que ou ele saiba o que está a fazer, ou tenha uma equipa residente de mecânicos e engenheiros que trabalhe gratuitamente.
partindo a coisa...
- Departamento para tornar automóveis indiscretos tão discretos quanto o dono desejasse.
Por exemplo deve haver quem compre Bmw's 550i em vez de M5 só por causa das 4 ponteiras na traseira no último modelo que aqui falo... de certeza que há pessoas com dinheiro que não gostam de dar nas vistas pelos mais variados motivos.
Eu seria um dos que compraria um Bmw 550i mesmo tendo dinheiro para um Bmw M5 correspondente por, mero preconceito meu, achar que carros indiscretos só faz sentido em desportivos focados tipo coupes.
Algumas marcas premium já têm esse tipo de serviços. A BMW Individual, por exemplo, para manter as coisas num plano razoavelmente acessível. No geral os exemplos que conhecemos são precisamente no campo oposto, porque é ótima publicidade, mas praticamente tudo o que cliente deseja é possível.
No exemplo descrito, onde o show-off do M5 não é apenas para ... show-off, fazer alterações estéticas, imaginemos, trocar pára-choques por outros semelhantes aos dos série 5 normais poderia trazer problemas no plano aerodinâmico e térmico. Perto de 600cv precisa de mesmo muito ar para funcionar.
Ou seja, coisas mais discretas poderiam ser difíceis de aplicar numa criatura com os pulmões de um M5 ou outras criaturas do género.
-Departamento para tornar carros antigos mais actuais tanto quanto o carro permitisse e o dono quisesse.
Por exemplo instalar airbags, caixa automática ou sequencial, cruise control, cruise control adaptativo... ou mesmo, com muito dinheiro e se a fisica permitisse (será que permite) tornar um carro mais resistente a acidentes.
Maior parte das coisas que referes são reengenharia pura e dura e os custos seriam exorbitantes.
Mais vale concorrer ao Overhaulin ou algo assim do género.
Sempres podes entrar no mundo do restomod, que é um fenómeno que continua a crescer.
Levado a um extremo tens empresas como a Singer e os seus 911. Mesmo com menores níveis de intervenção do que a Singer, os custos são simplesmente arrasadores.
Em vez de alterar seriamente o carro para comportar algumas coisas que dizes ou até melhorar a sua segurança passiva, mais vale arranjares as entranhas (chassis, parte elétrica e electrónica) de um automóvel que tenha tudo o que desejas, e colocares-lhe uma nova carroçaria por cima.
Como exemplos tens o Nissan Juke GT-R ou, melhor integrado no que referes, o Oldsmobile Toronado do Jay Leno, que sacrificou 2 Corvettes para criar um Toronado de 1000cv.
Nesta altura do campeonato já existem empresas que têm kits, seja suspensão e travões ou até direcções assistidas, para aplicar em clássicos que tornam o seu uso regular mais fácil, e mesmo assim vais gastar uns valentes milhares de dólares.
- Departamento para modificar caracteristicas de raiz de automóveis.
Por exemplo a mim o Mercedes A45 AMG cativava-me bem mais com tracção traseira e um motor 2.0 atmosférico muito rotativo na casa dos 250cv...
Ele até já tem o túnel traseiro porque é tracção integral por isso pelo menos na primeira parte, em teoria, não haveria problemas...
O motor seria de certeza mais leve mas para compensar, se fosse possivel, aumentava-se a cilindrada e construia-se com materiais mais pesados por exemplo.
Eu sei que há quem faça isso mas para isso é preciso estar dentro do mundo do tuning e ainda por cima, que eu saiba, não há qualquer garantia.
Para quê construir um motor com materiais mais pesados? O objectivo é sempre tirar peso. Reduzir o peso das peças móveis faz maravilhas pelo seu funcionamento. Menos inércia, mais apto para rotações, ainda para cima usando o exemplo que dás de 2 litros NA com 250cv, o que automaticamente coloca-nos num cenário de 8000 rpm.
Aumentar cilindrada já existem kits para um sem número de motores, mas mesmo assim, tens obrigatoriamente de abrir o motor, desmontá-lo e colocar as novas peças. €€€€ é só somar.
Colocar um carro com motor transversal dianteiro (arquitectura que obriga obrigatoriamente a ser FWD), como RWD, não que não seja possível, mas se veres como eles enviam a potência para o eixo de trás para ficar com AWD, verificas que é uma complicação enorme. No classe A, então, onde tudo está integrado com a caixa de dupla embraiagem, aposto que não seria tão simples assim como cortar uns semi-eixos.
Mais vale fazer como a Rover fez com o 75, na versão V8, e alterar seriamente a frente da plataforma para mudar o posicionamento do motor de transversal para longitudinal. Neste caso, felizmente a plataforma já trazia um túnel, que contribuia para a excelente rigidez estrutural do 75.
-Departamento para escolher extras em carros usados.
Este parece óbvio não é?
Porque é que a troco dum custo razoável para todos quem tem um carro com uns anos ou mesmo compra um usado não há-de também ter direito a configurá-lo como quer dentro de certos limites?
Têm mais ideias?
Em muitos carros relativamente recentes é possível.
Existem peças em stock, existe quem faça instalação.
Mas existem extras e extras... Alguns deles podem implicar desmontar grande parte do interior. Por isso é que muitos deles vêm de fábrica, colocados quando o carro ainda não é bem um carro, na linha de produção.
Para isso funcionar realmente bem, e manter custos contidos, os construtores teriam de alterar a forma como construiam ou projectavam os seus automóveis. De modo a que fosse possível, adaptar equipamentos extra de modo fácil e com custos baixos. Teoricamente algo do género plug-and-play.
E para mais, nesta era digital, onde deveria ser razoavelmente simples fazer um upgrade a algo como o sistema de infotainment.
Vejo muitos carros razoavelmente recentes que ao terem sistemas proprietários, desenvolvidos exclusivamente para uma determinada gama de modelos, deixam de ser actualizados após substituição por nova geração, não existindo compatibilidade com sistemas posteriores. Maior parte do sistema pode ficar obsoleto, e não é rentável, e nem deve haver pessoal capaz de colocar as mãos nesse tipo de coisas.
Como exemplo, a McLaren, para manter os F1 a funcionar, precisa de manter vivos hardware e sistemas de diagnóstico dos anos 90. Problemas de legado mais fáceis de gerir numa companhia pequena, mas tarefa herculeana senão impossível quando escalamos para uma Mercedes ou BMW. O série 7 F01, o primeiro com o i-drive? Como será daqui a duas décadas, com um possível estatuto de clássico? Quem lhe pega?
É preciso criar sistemas à prova de futuro. Criar standards globais que permitam desenvolvimentos e actualizações independentes destes sistemas poderia ser um caminho a seguir... Ou talvez no futuro, haja quem o faça e obrigue a instalar novo hardware/software a custos moderados. Mas já tou a divagar.