Diário de viagem - camionista.

Desculpa o testamento, mas as vezes fico cansado da maneira que se é tratado

Independentemente do trabalho que tiveres, vais-te sempre queixar, sabes porquê? Porque te está entranhado!

Todos nós temos algo que nos queixar, não há empregos perfeitos, mas tu exageras e achas sempre isto e aquilo. Se ser camionista é tão mau, porque raio te foste meter nisso? Continuavas no Continente ou no raio que o parta, em casa da mãe, pegavas nos livros e estudavas um bocadinho. Tornavas-te engenheiro (ou outra porra qualquer), arranjavas um tachinho num sitio qualquer a fazer 0 e sabes o que ia acontecer? Quaixavas te na mesma[;)]

Se estás mal, muda-te, não andas aí a dizer mal de tudo o que mexe. Abre a tua própria empresa e não dês cavaco a ninguém! Mas quando tiveres empregados, vem cá dizer quanto lhes pagas.
 
O problema é haver motoristas onde a maior preocupação não é ter a mercadoria entregue, mas sim fazer o menos possível. Pela experiência que tenho, muitas vezes se o motorista fosse bem educado, as cargas/descargas correriam bastante melhor e se calhar nem tinham que fazer nada. O problema é que muitos preferem chegar e começar logo a falar mal com clientes, prejudicando logo o ambiente e isso é meio caminho andado para correr mal. É preferível ligarem para o patrão para ver o que se pode fazer!

Existem motoristas que apenas para se despacharem mais cedo até preferem ajudar a descarregar / carregar , outros não se importam de ficar horas parados a queimar horário á espera de uma solução que muita das vezes já não aparece.

Em todos os trabalhos é preciso fazer-se alguma a que não se está acordado previamente, eu trabalho no escritório mas quando preciso de algo e com urgência, levanto-me e vou ao armazém, não vou perder tempo a ligar a pedir que alguém vá lá por mim, enquanto que tenho colegas que não pensam assim.
Eu trabalho no escritório mas se for preciso carregar um carro também o faço, se for preciso fazer uma entrega pequena que fique a caminho de casa faço-a, se for preciso ajudar a levar uma secretária para o andar de cima ajudo. Quando chego de férias e tenho a secretária cheia de pó vou esperar pelo dia seguinte para a empregada da limpeza limpar? Claro que não!

Vai da mentalidade das pessoas e do bom senso ;) "só fica bem a quem o pratica"
 
Mas fica a pergunta, porque havemos fazer uma função que não compete? A mim não compete usar maquinaria para qual não estou habilitado, o motorista ao fim de 6/7 horas de condução, quer ter um bocado de descanso, e não ser obrigado a descarregar uma carga que não lhe pertence.

Eu já fiz algumas cargas de nacional francês, e não toquei na carga. Lá fora não se toca na carga.

Acho que até sou muito pacífico em certos pontos, inde perguntar quem fica 18 dias fora de casa.
 
Que raio, na minha empresa então é o contrário do que se descreve aqui. O motorista chega, abre as lonas ou o tecto e nós descarregamos tudo, até as madeiras ou cavaletes que as vezes traz e não quer levar de volta.
O mais engraçado é que nas empresas grandes demoram 8h a carregar/descarregar, na nossa empresa sempre que chega um camião a prioridade é despachá-lo o mais rápido possível.
Ainda na semana passada veio um camião de Espanha, o motorista quis ajudar, em menos de 1h estava pronto a ir embora. Lidamos muito com logística de contentores, marcamos uma hora e assim que começamos não gostamos de fazer esperar mais de 1h.
Se houvesse espírito de ajuda era sempre mais fácil para todos.

Atenção, eu também tenho C+E, não sei o que é dormir fora de casa mas também sei o que é andar agarrado à roda quando é preciso. Quando vou a clientes buscar material ou entregar, sou o primeiro a tentar despachar a coisa, por norma em todo o lado que vou fazem o mesmo por mim. Se fosse como muitos, estacionava e esperada que viessem falar comigo, nem que as vezes esse simples processo demore 1h ou 2.
 
Mas fica a pergunta, porque havemos fazer uma função que não compete?

Se em troca disso for possível chegar a casa mais cedo para estar perto dos meus, para mim é um bom motivo. É a diferença entre conseguir chegar para jantar ou conseguir ir buscar um filho á escola.
No internacional é diferente porque cedo ou tarde não se vem a casa.

O que muitos motoristas não sabem, é que a maior parte dos patrões recebe por ser o motorista a descarregar/carregar, mas tenho a certeza que a maior parte dos motoristas nem o cheira...
 
Boa sorte nesta etapa, se tivesse envergado por esse lado (sou operacional de transportes) também seria para o internacional, mas apenas e só se não tivesse família :)
É um bom trabalho para alguém solteiro e sem nada que o "prenda" cá , mas viagens a dois é sempre uma incógnita, basta calhar com alguém menos asseado e/ou desarrumado e a experiência torna-se bastante má.

Tenho família, o lamentar será mesmo as saudades, mas com a mulher em casa desde Março e já lhe informaram que apartir de Dezembro estará desempregada, o internacional viria a calhar, caso não arranje algo de bom €€ para o nacional.

@Ruibadboy já falamos sobre isso no tópico da greve.

O internacional, já foi o que era, é verdade eu ainda cá continuo, porque ainda vai permitido ganhar uns €€€ extras, e o serviço ainda se vai fazendo. E em relação ao nacional ainda é mais soft, do que fazer essas sonaes, uniceres, pingo doces dessa vida, que só não arrancam a pele ao motorista porque não o podem.

Esta viagem tem sido longa, já estou a 18 dias fora de casa, sai no dia 27 para caen, descarreguei dia 30, dia 31 carreguei para Paris, descarreguei dia 3, andei do dia 4 a 6 fazer um serviço direto de fábrica a fábrica na França, dia 7 carreguei em Paris para Toulouse, dia 10 descarreguei, dia 11 carreguei em Saragoça, para agora estar a descarregar nas águas das pedras, tive desde ontem às 9h na área de serviço de Vidago.

Uma coisa que não fiz e devia ter feito, era bater o pé e por as minhas condições sobre fins de semana em casa etc.

Foi mudado o CCTV, o motorista não pode descarregar blablablá, é chamado o act a essas grandes superfícies, e o act nunca aparece.

Mas há membros aqui no tasco que defendem o motorista descarregar.

O motorista é pago, para conduzir, colocar o camião a disposição para carregar ou descarregar uma mercadoria que é propriedade do cliente expeditor ou receptor, cintar/amarrar. Não tem o dever de mexer numa máquina, empilhador para qual não está habilitado para tal

Enquanto as mentalidades não mudarem sempre vai continuar a ser assim, e os grandes a meter dinheiro ao bolso (postos de trabalho que se tiram), essas sonaes, etc desta vida.

Desculpa o testamento, mas as vezes fico cansado da maneira que se é tratado

Boas, o teu problema na Sonae/Modis, foi teres lá entrado a motorista com uma empresa e patrão aldrabão, onde nem sequer foi feito descontos, e o que te pagou foi pouco para as horas que fizes-te, também me recordo que o trator tinha ou deu problemas.

Tenho lá bons amigos na Figueiredo e estou falado para lá, mas quando chegar a altura, pode não haver nada, não posso contar com o ovo no rabo da galinha.

A internacional, estar longos periodos fora, não será problema, desde que a empresa cumpra e ajude no que estiver ao seu alcance, que eu farei o mesmo.

Como é que te tens safado no internacional? A empresa paga bem? Tens tido problemas com roubos, descanso. Como é que geres a alimentação, quando começa a escassar?
 
O problema é haver motoristas onde a maior preocupação não é ter a mercadoria entregue, mas sim fazer o menos possível. Pela experiência que tenho, muitas vezes se o motorista fosse bem educado, as cargas/descargas correriam bastante melhor e se calhar nem tinham que fazer nada. O problema é que muitos preferem chegar e começar logo a falar mal com clientes, prejudicando logo o ambiente e isso é meio caminho andado para correr mal. É preferível ligarem para o patrão para ver o que se pode fazer!

Existem motoristas que apenas para se despacharem mais cedo até preferem ajudar a descarregar / carregar , outros não se importam de ficar horas parados a queimar horário á espera de uma solução que muita das vezes já não aparece.

Em todos os trabalhos é preciso fazer-se alguma a que não se está acordado previamente, eu trabalho no escritório mas quando preciso de algo e com urgência, levanto-me e vou ao armazém, não vou perder tempo a ligar a pedir que alguém vá lá por mim, enquanto que tenho colegas que não pensam assim.
Eu trabalho no escritório mas se for preciso carregar um carro também o faço, se for preciso fazer uma entrega pequena que fique a caminho de casa faço-a, se for preciso ajudar a levar uma secretária para o andar de cima ajudo. Quando chego de férias e tenho a secretária cheia de pó vou esperar pelo dia seguinte para a empregada da limpeza limpar? Claro que não!

Vai da mentalidade das pessoas e do bom senso ;) "só fica bem a quem o pratica"

Não será fácil para um motorista com uma amplitude de 15 horas de trabalho, com 9 horas de condução num pesado com galera e sabe-se lá com que toneladas e sabe-se lá com que trânsito teve que enfrentar.

Juntando a isso a ansiedade de estar fora de casa, de estar sempre a olhar por cima do ombro, quando é que será a vez dele, de lhe roubarem o combustível, de lhe entrarem na cabine para lhe roubarem, para lhe agredirem, sujeito a transportar clandestinos, sem saber e mesmo depois de verificações ainda antes da partida, juntando a isto tudo, a desconfiança que as forças de segurança implementam nos motoristas, é que é tudo corrido ao mais pequeno promenor, muitas das vezes saindo de lá, com 500€ a menos, porque tiveram + 1 minuto ali e + 5 minutos acolá depoi do horário permitido, ou porque apanhou um acidente, ou porque não conseguiu arranjar estacionamento.

No final, ainda ter de chegar ao cliente e ter de carregar e descarregar, não será fácil.

Por norma sou polivalente, se todos fizessem o que lhes compete, corria tudo muito melhor.
 
Com a nova legislação comunitária, andar a dois vai quase deixar de compensar.
Quanto ao internacional, o internacional nunca foi tão bom como hoje.
 
Vaga para a Santos e Vale
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Apoios à carga e descarga.
 
Quanto ao internacional, o internacional nunca foi tão bom como hoje.

Em que aspecto? A obrigatoriedade de vir fazer 45h ao país de origem ou no hotel ( o que alguns não cumprem)

Claro que a nova medida vai ajudar, ao fim da terceira semana o camião ter que ir ao país de origem.

Meu amigo, eu ando no internacional, mas uma coisa que ainda não fiz, foi casar com um camião ( eu também não sou casado) mesmo que o fosse não era com uma camião, para estar como os países leste 2/3 meses

Isto é carga para cima, e carga para baixo , na eventualidade fazer uma ou duas cabotagens mas de forma a puxar em direção ao país de origem, para estar mais perto de uma carga de retorno, também na eventualidade de fazer escala em Espanha.


Os preços não são os ideais, paciência. O homem que está agarrado ao volante é o menos culpado nisso.
 
Última edição:
Só por ignorância se pode comparar o serviço do internacional na actualidade com o passado. Infelizmente, a qualidade dos profissionais decresceu bastante. Hoje vem toda a trampa para o internacional apenas por uma questão: dinheiro, quando a grande parte deles nem Sérvia para andar com uma carrinha na distribuição.
 
Só por ignorância se pode comparar o serviço do internacional na actualidade com o passado. Infelizmente, a qualidade dos profissionais decresceu bastante. Hoje vem toda a trampa para o internacional apenas por uma questão: dinheiro, quando a grande parte deles nem Sérvia para andar com uma carrinha na distribuição.

Queres dizer o quê? Uma coisa que não me nego é ao trabalho, mas quando fico com o cu como os macacos, todo o esfolado, isto de ir sempre ao cu ao mesmo.

Eu já disse antes eu tive 18/19 dias em viagem, andar a fazer cabotagem na França, mas meu amigo, quando começo a ter roupa, tabaco, comida ( e até comprei alguma na França) a escaciar, é só comunicar a chefia para mandar de regresso ao país de origem. Porque como disse, eu não me casei com um camião, nem a minha morada fiscal é um camião.
 
Última edição:
Só por ignorância se pode comparar o serviço do internacional na actualidade com o passado. Infelizmente, a qualidade dos profissionais decresceu bastante. Hoje vem toda a trampa para o internacional apenas por uma questão: dinheiro, quando a grande parte deles nem Sérvia para andar com uma carrinha na distribuição.

E motoristas assim conheces algum?

 
Queres dizer o quê? Uma coisa que não me nego é ao trabalho, mas quando fico com o cu como os macacos, todo o esfolado, isto de ir sempre ao cu ao mesmo.

Eu já disse antes eu tive 18/19 dias em viagem, andar a fazer cabotagem na França, mas meu amigo, quando começo a ter roupa, tabaco, comida ( e até comprei alguma na França) a escaciar, é só comunicar a chefia para mandar de regresso ao país de origem. Porque como disse, eu não me casei com um camião, nem a minha morada fiscal é um camião.

No tempo da outra senhora o meu pai chegou a passar 23 dias à espera de carga em Hamburgo. Outros tantos vinte e tal dias na Suíça. Em carros sem qualquer condição. Mas contava te mais histórias. De fazer mais de 20.000kms por mês.
 
No tempo da outra senhora o meu pai chegou a passar 23 dias à espera de carga em Hamburgo. Outros tantos vinte e tal dias na Suíça. Em carros sem qualquer condição. Mas contava te mais histórias. De fazer mais de 20.000kms por mês.
Mas como não tás no tempo de outra senhora, e hoje já não fazes 20k kms mês, com cartões, e restrições, blablabla ( eu não consigo, a maioria dos meus colegas não conseguem, o serviço não dá para isso)

A velha guarda tem muito a mania a dizer "eu ganhava xxxxx contos" falta mencionar que alguns faziam Porto-Estrasburgo em menos de 24 horas. O que ganharam eles? Muitos ficaram pelo o caminho

Não fosse as leis europeias, e CCTVs e isto era o regabofe, porque em Portugal vale tudo só não vale é arrancar olhos.
 
@jomaso

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Covid-19: Depois do Pacote da Mobilidade a pandemia aperta os gananciosos que do nada apareceram com frotas de milhares de camiões

Empresas com sede no Leste estão a desmembrar-se e já há milhares de motoristas no desemprego e camiões a serem entregues às financeiras

Com o fecho na Europa de dezenas de unidades industriais da cadeia estruturada de produção automóvel, o sector do TRM está a ser seriamente afectado. Dias muito sombrios ameaçam o horizonte.

As grandes multinacionais nascidas e sediadas no Leste, quase exclusivamente para contornarem as regras sociais e da concorrência, face à empresas do Centro, Norte e Sul da Europa, estão a suspender parcialmente e até totalmente as suas actividades.

As primeiras grande vítimas estão a ser os trabalhadores, nomeadamente os oriundos de países latino-americanos, que foram atraídos para o sonho europeu e agora estão sós e abandonados na "terra de ninguém".

A par da mão-de-obra escrava (como temos caracterizado os trabalhadores a quem são dadas as condições mínimas de sobrevivência), as próximas vítimas serão as empresas do TRM, que sempre trabalharam legalmente.

Numa busca natural de meios de sobrevivência essas empresas, as que ainda existirem aquando da retoma económica, vão entrar desesperadamente nos negócios com preços ainda mais esmagados. A consequência directa vão ser as baixas das cotações dos fretes.

Passo contínuo, entraremos numa selvática guerra de preços, que vai dizimar muitas empresas e fazer novas vítimas.

Como entre "mortos e feridos" alguém vai escapar, como sempre nestas circunstâncias, também vão aparecer bons negócios. Mas não serão nos fretes, mas nos camiões usados.

Perante os riscos de solvabilidade muitas empresas vão entrar em incumprimento dos créditos. A sequência deste filme de terror, obrigará à perda de património e à devolução de milhares e milhares de camiões às financeiras.

No passo seguinte entram em acção as execuções judiciais por incumprimento de liquidação de créditos, e de imediato vão surgir no mercado europeu milhares de camiões usados.

Por hoje ficamos por aqui, mas não abdicamos de um destes dias voltar aqui a escrever sobre quem são os culpados do que possa vir a acontecer aos trabalhadores e empresários, que vão serão as grandes vítimas da cegueira das financeiras que colocaram rios de milhões de euros em créditos nessas empresas.

Empresas? Não! organizações económicas com pés de barro, associados a "leitarias" do dinheiro barato.

Por detrás do florescimento se regras, como cogumelos, das empresas do TRM com sede no Leste, há muito boa gente que teve um torcicolo no pescoço e não olhou para os perigos, porque forem cúmplices com a ganância e coniventes com a cegueira de quem do nada, de um dia para o outro, passou a ter frotas com milhares de camiões.

Enquanto a "coisa" deu, muitos foram os que viveram à volta da teta. E agora terão coragem de assumir a responsabilidade pelos males que estão a fazer às empresas do TRM, que sempre se empenharam para dignificar os direitos dos trabalhadores e praticar uma concorrência sã?

Opinião LB

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Fotos: Quando um PALHAÇO copia...; Trans Photo

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