Não deixa de ser caricato que a Europa atravesse uma crise demográfica que poderá hipotecar o nosso futuro e contudo continua a fechar as fronteiras, deixando milhares de pessoas a morrer enquanto tentam entrar à procura de melhores condições de vida... Para nós portugueses, este deveria ser um assunto ainda mais sensível, já que se formos até à 3ª geração, há qualquer coisa como 32 milhões de portugueses fora do pais e apenas 10 milhões cá dentro..
Mas, esta insensibilidade e até estupidez económica, já que as sociedades europeias precisam desesperadamente de um rejuvenescimento, é mais um dos legados dos estados sociais supostamente humanistas em que assenta o projecto europeu... É que o problema não é abrir as fronteiras, o problema é que se criou toda uma matriz de direitos adquiridos para os residentes nos territórios europeus, criou-se todo um tipo de dificuldades de acesso ao mercado de trabalho para os menos qualificados, que seria absolutamente desastroso deixar simplesmente entrar os emigrantes, que como não produzem o suficiente para justificar o salário mínimo abaixo do qual o estado permite o trabalho, ficariam no desemprego, mas teriam direito a todas as regalias do estado social, como rendimento mínimo, saúde, educação, habitação, animação cultural, etc.. etc... De certa forma seria o permitir que os problemas que algumas comunidades como é a dos ciganos apresentam, fossem multiplicados várias vezes...
É o tal humanismo e a preocupação social, que só interessa aos pançudos que vivem à custa destes esquemas... Porque de humanismo e social, a carnificina a que se assiste todos os dias, tem pouco...
Para mim, a Suiça ao longo dos anos adoptou uma das estratégias mais acertadas neste tema... Não têm salário mínimo, pelo que mesmo os emigrantes portugueses que são muito menos produtivos do que os Suiços acabam por encontrar o seu trabalho, onde são pagos muito melhor do que aqui, embora com salários que a Peste caso fosse suíça acharia indecentes.. Não têm serviços públicos simplesmente oferecidos, a saúde por exemplo, é universal, mas privada, pelo que qualquer emigrante para poder ter na mão o Permis (aut. de residência) tem que ter obrigatoriamente um seguro de saúde contratado e pago do seu bolso.. Resumindo, quer for para trabalhar e ganhar uma vida honesta, tem as portas abertas, até porque pessoas dessas são uma mais valia em qualquer sociedade e em qualquer pais, quem for para simplesmente andar à boleia dos outros, vai enfrentar uma vida muito difícil, já que nada lhe vai ser oferecido, e rapidamente regressa a casa...
Olhando para os resultados, não me parece que a Suiça se tenha dado mal com esta postura...