Pe leve, estas aqui a fazer uma relacao de causalidade errada.
As medias altas provem do insuficiente numero de vagas para a procura existente por parte dos estudantes.
Talvez. Ou talvez não esteja a fazer-me entender.
É natural que as médias altas resultam da grande procura. É óbvio para toda a gente.
Naturalmente que é insuficiente o número de vagas, de outro modo a relação oferta/procura não seria tão tensa e as médias teriam tendência para descer, um pouco, talvez quase de forma insignificante, mas desceriam.
Na verdade, todos sabemos, muita gente fica "pendurada" por décimas e... não entra.
Ora o aliviar da "tensão da procura" (chamemos-lhe assim) pelo aumento do número de vagas, de forma gradual mas superior ao aumento da procura, gerará, em teoria, uma teoricamente proporcional diminuição da "tensão de procura" em relação à oferta, "desinflaccionando" o peso da procura excessiva em relação à oferta e tendo como resultado teórico o baixar das médias de acesso "necessárias para". Fiz-me entender?
Claro que estamos a falar no plano teórico pois,
por exemplo, o abaixamento do crude todos sabemos que não determina automaticamente o abaixamento imediato ou consequente dos preços ao consumidor. Mas isso são outros
2 cents...
De modo que apenas podemos fazer aqui conjecturas sobre o que a LOP produz entre o que se oferece e o que se procura, seja no mercado do crude, seja no acesso ao ensino superior.
Como no fim do curso tambem se verifica uma procura de medicos superior a oferta, ha que aumenta-la, e é o que tem vindo a ser feito com a abertura de cursos de medicina noutras partes do pais, e o aumento do numero de vagas.
É exactamente isso que estou a dizer e que tenho vindo a defender.
Nao estou a ver em que é que o (para mim, justo) metodo de entrada segundo a media de curso tem a ver com isto. O que se pode perguntar é como é que ninguem fez estas contas a 10-20 anos atras, para evitar este desequilibrio.
O que é que tem a ver? Tudo.
Tem a ver com o que acabámos de dizer e que é a simples constatação de que a média de entrada é definida pelo número de vagas existente hoje em dia e, como é também evidente, não só com o planeamento passado por forma a ter supridas as carências em médicos dos dias de hoje, como, apesar disso mas não obstante, continuamos a não fazer uma gestão previsional para o futuro, pois o aumento do número de vagas que se tem verificado é claramente insuficiente para não só as necesidades de um futuro próximo, mas, também as necessidades de um futuro a longo prazo, porventura os tais 10 a 20 anos que referes como período de tempo a considerar nesta análise.
Ou seja, para se perceber melhor, não tendo sido feita no passado uma gestão previsional das necessidades de hoje em dia em número de médicos, a gestão de hoje em dia não está nem a ter essa carência que já vem de trás para os dias de hoje em linha de conta, nem a prever as necessidades futuras.
Repara que não estou a objectar que o acesso seja feito pela média de acesso obtida no Secundário da forma que é feita hoje em dia. O que estou a dizer é que essa média de acesso deve baixar por força da criação de mecanismos de oferta, naturalmente a passar pela criação e aposta clara em novas infra-estruturas de ensino por forma a pelo menos manter a respectiva qualidade e não baixá-la pelo aumento artificial do número de alunos por escola, por turma e por estágio.
Será que, desta vez, me fiz perceber?