Eutanásia

Para isso temos o testamento vital, que entrou em vigor faz não muito tempo.

Eu, por exemplo, não me vejo a viver numa cama, sem me mexer, totalmente dependente dos outros, durante anos a fio, a comer e a urinar por tubos. Quero chegar à velhice, como é óbvio, mas que seja com qualidade de vida. Não propriamente estar em vegetal numa cama, só para servir de "montra" choratória aos outros.

Eu compreendo o teu comentário mas creio que só quando estamos na situação é que temos a capacidade real de escolher.
não nos esqueçamos dos vários suicídios que ocorrem todos os dias com sinais de arrependimento apesar de serem situações diferentes.

cada caso è um caso não generalizem
 
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Aqueles comentários católicos do "Ai coitadinho, está tão mal mas pelo menos ainda está vivo" são de puxar o vómito. As pessoas conseguem ser de um egoísmo sem limites.

Nao sao comentarios catolicos ou egoísmo eu acho que você ainda não tem capacidade de entender talvez um dia compreenda, acho a sua definição de egoísmo muito estranha.
 
Aqueles comentários católicos do "Ai coitadinho, está tão mal mas pelo menos ainda está vivo" são de puxar o vómito. As pessoas conseguem ser de um egoísmo sem limites.

Um dia ouvi um budista dizer "Ai coitadinho, está tão mal mas pelo menos ainda está vivo" e achei poético. Mas na boca de um católico fica horrível.
 
Eu compreendo o teu comentário mas creio que só quando estamos na situação é que temos a capacidade real de escolher.
não nos esqueçamos dos vários suicídios que ocorrem todos os dias com sinais de arrependimento apesar de serem situações diferentes.

Na minha família, quase todos os idosos, e até novos, morreram com AVCs. Eu bem vi o sofrimento da minha prima, com 45 anos, até lhe diagnosticarem morte cerebral. Eu bem vi os meus dois tios e o meu avô a definharem numa cama. Posteriormente, tive há bem pouco tempo o meu ensino clínico, onde lidei com o sofrimento diário de dezenas de pessoas internadas em cuidados continuados. Capacidade real de escolher? Eu quero escolher viver, com a mínima qualidade de vida. Não tenho medo da dor, nem tenho medo da morte. Tenho, sim, medo que me tirem a liberdade. E ficar definhado numa cama, sem me mexer, não é, definitivamente, o meu objectivo de vida. Claro que não penso chegar aos 80 com a mesma agilidade que tenho agora aos 21, mas também, que ninguém me tire a minha autonomia de, pelo menos, me poder levantar da cama.

Se eu seria capaz de praticar Eutanásia como futuro profissional de saúde a outrém? Nunca. Se eu sou a favor? Totalmente! O ser a favor, todavia, é diferente do ser capaz de agir nessa conformidade.
 
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Na minha família, quase todos os idosos, e até novos, morreram com AVCs. Eu bem vi o sofrimento da minha prima, com 45 anos, até lhe diagnosticarem morte cerebral. Eu bem vi os meus dois tios e o meu avô a definharem numa cama. Posteriormente, tive há bem pouco tempo o meu ensino clínico, onde lidei com o sofrimento diário de dezenas de pessoas internadas em cuidados continuados. Capacidade real de escolher? Eu quero escolher viver, com a mínima qualidade de vida. Não tenho medo da dor, nem tenho medo da morte. Tenho, sim, medo que me tirem a liberdade. E ficar definhado numa cama, sem me mexer, não é, definitivamente, o meu objectivo de vida. Claro que não penso chegar aos 80 com a mesma agilidade que tenho agora aos 21, mas também, que ninguém me tire a minha autonomia de, pelo menos, me poder levantar da cama.

Se eu seria capaz de praticar Eutanásia como futuro profissional de saúde a outrém? Nunca. Se eu sou a favor? Totalmente! O ser a favor, todavia, é diferente do ser capaz de agir nessa conformidade.

Não estou contra a eutanásia em si, contudo tudo depende sobre que circunstancias que é usada. concordo com a eutanásia mas com restrições. Ao ler alguns comentários aqui se os tornasse-mos reais se fazia homicídio em vez de eutanásia, cuidado que isto não é brincadeira.
 
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Os países do Sul ainda têm uma visão muito religiosa da morte. O que interessa é ter o coração a bater e viver até aos 100 anos, seja em que circunstâncias for. Nos países germânicos há uma abordagem muito mais prática, no sentido em que só se justifica estar vivo na plenitude das capacidades.

Completamente errado isso não é verdade.
 
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Tivessemos nós uma Rede de Cuidados Paliativos à altura das necessidades e muito provavelmente esta discussão não faria tanto sentido.

Morrer, não tem necessariamente que implicar sofrimento.....

Sansoni, um individuo que faça uma lesão da espinal medula, que se traduza numa tetraplegia, o que é que os cuidados paliativos podem fazer por essa pessoa?

Estar 20, 30, 40 anos numa cama, não é viver. Pelo menos, na minha perspectiva de qualidade de vida.
 
tu achas que se fosse o doente ou a familia do doente havia pessoal ligado às maquinas mais que um mês? não sei ao certo quanto é o custo diário mas não deve ser nada barato



se querem que a pessoa se mantenha "viva" eram encaminhados para hospitais privados, o estado não deve ser uma instituição de caridade

Por essa perspectiva, porque raio é que eu sou obrigado a comparticipar os tratamentos a fumadores que desenvolvem neoplasias?

Porque raio tenho eu de comparticipar, tratamentos a diabéticos, hipertensos, obesos, dislipidémicos, que fizeram toda uma vida de excessos, sem olhar a comportamentos preventivos?

Please...
 
É por isto que sou a favor... é demasiado sofrimento. E no caso do meu pai lutou até ao último dia, completamente minado por fracturas provocadas pelas metástases.
Mas repara no seguinte:

Se eu seria capaz de praticar Eutanásia como futuro profissional de saúde a outrém? Nunca. Se eu sou a favor? Totalmente! O ser a favor, todavia, é diferente do ser capaz de agir nessa conformidade.
É aqui mesmo que reside o meu problema. Tenho dificuldade em defender seja o que for que depois não consiga praticar. Só por isso tenho dúvidas na sua implementação, uma pessoa normal não está mentalmente "programada" para matar com naturalidade. [;)]
 
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No outro dia ao ler o CM, deparei-me com mais uma de muitas noticias deste género que cada vez mais me fazem apoiar a aplicação da Eutanásia:

JOVEM LUTA CONTRA TUMOR Fábio Paredes, de 24 anos, luta contra um tumor no cérebro, inoperável, diagnosticado em julho do ano passado. Desequilíbrios, falta de força, flashes de luz no olho esquerdo e cansaço foram alguns dos sintomas. "Os médicos disseram logo que era grave. Depois de tratamentos de quimioterapia e radioterapia, disseram-nos que havia pouco mais a fazer", refere o pai, Artur. A vida do jovem, residente na Amadora, mudou em poucos meses. "O meu filho não fala, não come sozinho e está preso a uma cama", lamenta Artur. A família levou o jovem à Alemanha para tratamentos. Mas nem tudo foi como esperado. "Ele foi internado em março devido a uma hemorragia cerebral. O médico deu-lhe horas de vida e disse que já não havia nada a fazer. Certo é que ele ainda está cá", conta Artur. O jovem espera por uma ressonância magnética para avaliar o estado de saúde." Fonte Correio da Manha.
 
Vejam o Mário Soares, achavam correcto manter o homem ligado a máquinas para o manter preso a uma vida que já não tinha ?! não concordo em nada este prolongamento artificial da vida ou do sofrimento, e às vezes é isso que a medicina faz....não é possível vencer a morte, quando tem que ser será....ninguém escapa
 
Vejam o Mário Soares, achavam correcto manter o homem ligado a máquinas para o manter preso a uma vida que já não tinha ?! não concordo em nada este prolongamento artificial da vida ou do sofrimento, e às vezes é isso que a medicina faz....não é possível vencer a morte, quando tem que ser será....ninguém escapa

Mas isso não é eutanásia. Quanto muito, é ortotanásia.
 
Acho que uma pessoa se quer morrer, devia poder faze-lo sem sofrimento.

Quer esteja doente ou não. Só a ela lhe diz respeito.

Isso não é bem assim, se eu quiser andar nu na rua, só a mim me diz respeito, mas não o posso, por lei. Ou a liberdade não tem limites?

E depois, como é que a vontade de uma pessoa psicológicamente fragilizada pelo sofrimento poderá, alguma vez, ser válida?
 
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